segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Estrela

Maria
Bárbara

Bethânia

Amor Festa Devoção é um show irretocável. Em beleza e agradabilidade, a gente passeia pelo melhor da música no Brasil, dona Maria linda como sempre nos mergulhando em música e poesia. Um dos momentos mais lindos e gostosos é quando ela canta, dançando e tomando a espacialidade do palco, Estrela de Vander Lee. Assim, viver é tão mais lindo! Ouça e goze o prazer de experimentar o maior artista brasileiro nos enchendo de vida!!!
A letra de Estrela:


Trem do desejo penetrou na noite escura

foi abrindo sem censura

o ventre da morena terra

o orvalho vale e a flor

que nasce desse prazer

nesse lampejo de dor

meu canto é só pra dizer

que tudo isso é por ti

Eu vi

Virei estrela
Uma jangada à deriva, céu aberto

leva aos corações despertos

a sonhar com terras livres

veio a manhã e eu parti mas como cheguei aqui

os astros podem contar

no dia em que me perdi

foi que aprendi a brilhar

Eu vi

Virei estrela

Vander Lee


Corpo

Para dentro do que se imagina
Movimenta e inspira
Todas as possibilidades do olhar.
O que é meio afinco doçura
Respalda pinturas e nos faz
Soar...
Por entre as formas indefinidas do desejo
O que canta em segredo, é passeio
Descanso e transgressão
Obra natureza beleza
Perdição.

Muros


Kaváfis
Alexandria


Sem piedade e sem pudor, sem dó e sem cuidado
à minha volta espessos muros tão altos quem teceu?

E eis­‑me agora aqui na sorte a que fui dado,
em mais não penso: não me sai da ideia o que aconteceu.

Lá fora há tanto que fazer - tudo ruído!
E, se estes muros construíram, porque não dei por tal?

Não ouvi de pedreiro nem voz nem ruído
E sem saber fiquei fechado, sem vista e sem portal.

Konstantinos Kaváfis

Hilda Hilst: senhora da permanência !

HH
A minha Casa é guardiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência
E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água de tua boca.
A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
A uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora,múltipla,argonauta
Por que recusas amor e permanência?
(Ode descontínua e remota para Flauta e Oboé. De Ariana para Dionísio)

Do começo ao fim: a vida e o amor são culturalmente naturais

Mosaico do Amor

As padronizações, as regras, as normas constituem-se como "mal necessário" para um convívio respeitoso entre nós, nas mais diversas sociedades. Nem sempre elas são legítimas e não conseguem, é claro, satisfazer e contemplar as nossas diferenças. Mas enquanto houver vida e humanidades o mistério será sempre o nosso maior aparato, para não dizer, barato.
É sobre as linhas impressionantes do mistério que se escreve a narrativa fílmica Do começo ao fim, uma bela história sobre a possibilidade do incesto e do amor sexual entre irmãos do mesmo sexo. Uma história contada com leveza dentro dos limites da naturalidade que compõe o tema. Difícil, mas real e também natural, por mais que não queiram admitir. Dois irmãos crescendo juntos e movidos por uma forte afeição que ultrapassa os símbolos da irmandade fraterna e exibida como normal no planeta. É mágico o olhar de susto, preocupação, respeito e amor da mãe, personagem vivida por Júlia Lemmertz, que mesmo envolvida pelo medo da constatação sobre a relação incestuosa entre os filhos, os acolhe sem marcas da brutal repressão e da vulgar condenação que acontece sempre em outras histórias de menor complexidade que a vista em Do começo ao fim. Uma revolução no cinema brasileiro. Um filme pra deixar gente vomitando em nossas salas elegantes; pra assustar os cânones de normaliddae cênica exigidos pela Globo. Um filme que não nega nossos riscos e nem apresenta a vida engessada pelos compósitos de hipocrisia e farsa que nos traduzem majoritariamente. Serve para pensar e imaginar que o amor, o sentido maior no que chamamos de existência, é uma vastidão de possibilidades e coaduna-se com as fontes profundas que resguardam, em nós, os nossos mistérios.
Nada a lamentar, ao contrário, bravos agradecidos a Aluízio Abranches.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Melhor Palavra


Para dentro de mim

Clarices
Eu quero ligar lugares que coincidam no vazio. Que façam absoluto silêncio e sejam o caminho da inspiração. Quero dizer sim para mim e seguir desenhando mais sonhos mais verdes mais risos; mudanças encantos sustos leituras sexo e Amor. Preciso me acreditar nisso e rever, sem agonia, as tessituras de vida num deus escritora e daí, escrevinhar acima dos projetos que me guiam e definem. Deixar de falar, só um pouco e por instantes, de mim. Preciso de novos temas e tormentas para não duvidar da paz. Quero o encontro com Maria na minha entrega de Fé. Quero a mãe que não me deixa aplacando o forte medo que sinto nesses dias. Não há nada fora da poesia e a vida se alimenta de fé amor e silêncio...
Escrevo em entrelinhas a junção destes lugares e estampo minha cara de vitória: rio leve espalhando brisa. Quero a fala sentida como se fosse ser acompanhada por piano. Este tempo, mesmo que popular, é musicalmente traduzido por pianos... Beijo as rosas dos lugares - flor não sai de mim.
Ingresso no desmedido buscando prazer. Ocupo-me de imagens profanas e faço ali o que mais quero depois de escrever. Mas não digo.
Para dentro de mim tem o que me salva e me seguem água sal sangue luz força lágrima palavra sêmen álcool azul branco rosa vermelho billie caetano pessoa bethânia beauvoir sax atabaque rendas rosas ar matas e mar; mais profundo: clarice. No centro de mim Iemanjá e Oxalá e no mais de mim a fonte da minha vida: silêncio.

Do começo ao fim, o filme


Ainda não vi. Chamo a atenção pela transgressão da temática por desfiar-se em dois fortes tabus em nossa sociedade aquariana: homossexualidade e incesto. Prato cheio para nos colocar diante de nossas repulsas, ou talvez, diante de nossos desejos mais profundos. As imagens que assisti são lindas, sensuais, intensas, verdadeiramente humanas. Há uma codificação poética no roteiro para nos lembrar que o mistério da vida está acima das nossas convenções e, às vezes, as coisas não se explicam, são só vividas ou reprimidas. E ponto.
De modo preguiçoso, segue ficha técnica:

Duração: 90 min
Gênero: Drama
Distribuidora: Downtown
Direção: Aluizio Abranches
Censura: 18 anos
"Do Começo ao Fim é uma história de amor. A história de Francisco e Thomás e de sua família: Julieta, Alexandre e Pedro. Com uma narrativa particular o filme pretende contar a história de um amor incondicional como uma possibilidade, como um contraponto para um mundo cheio de violência, medo e intolerância".

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Metamorfose


No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar
Autor: STRINDBERG , August

Reflexo poético


A cara da minha poesia

Concepções antropológicas


O mundo é um moinho. Roda de tanta diversidade e adversidade que nos coloca moídos uns perante aos outros. E o outro, de imediato ou não, é sempre inferno. A nossa percepção é a arma mais poderosa para a apreensão destes complexos significados que tenta, ainda que de modo vão, perfilar a tal humanidade. Seria ela o coletivo de humano? Seria as reuniões de saberes desfiadas pela Academia? Seria se exercer a favor ou contra a coexistência? Estranhar é natural até quando na caminhada da convivência? As teorias que empreendemos melhoram o nosso olhar e minimizam a nossa arrogância em relação ao mal necessário da tolerância? Como posso ser eu preciso em minha descrição do outro? Como eu me descrevo densamente para mim mesmo? Eu posso ser meu sujeito de pesquisa? O que faço, ou como ajudo, aqueles que estudo, analiso e etnografo?
"Meu caminho é cada manhã", à noite eu sou minha própria criação ressignificando montanhas de dores, juntando os moídos que fizeram de mim, me reprojetando para o exercício da vida. Não há escapatória, só serei, se sendo, o outro seja também; minha alteridade, a riqueza de mim, só se revela na outridade que me faz repensar minhas escolhas e é a partir destes confrontos que eu me posso definir.
Quero amainar meus preconceitos e ser-me melhor; escrever para somar possibilidades de vida coletiva com menos dissabor, menos violência, menos conhecimentos barulhentos. Nesse entrelace de todos, para minha melhor respiração: quero o canto da minha casa, quase um isolamento, e refletir. Guiar-me na poesia da antropologia e fazer antropologia poética. Ajudar o humano a ler as suas humanidades.
Vago como passarinho lendo Geertz e o se ser autor... Vago olhando sensivelmente as asperezas que me cercam...Vago identificando-me no outro e eu clariceano, doendo em vazias concepções que são meu espelho, meu melhor recheio, minha grande inspiração. Sacerdócio.
Meu desaguar é espiritualmente antropológico.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Meu Jabuti

Marlon, Maria e Bárbara
Emoção Absoluta

Santo Amaro da Purificação

Um dos sujeitos do meu estudo antropológico, a mestra Bethânia, recebeu minha dissertação com carinho e alegria e ainda disse: "este menino é maravilhoso!". Dia 22 de novembro de 2009, no camarim do TCA, eu e minha irmã Bárbara, tremíamos de alegria e reverência frente a esta que crescemos ouvindo...Foi lindo, coloquei Santo Amaro nas imagens para homenagear a terra de Bethânia. Depois disso, com licença, já tenho meu Jabuti, e o mundo é novo para mim; novo em consolidação. Obrigado Oyá, obrigado Maria!


50 anos de Cel: vermelho ao meio do azul

Xangô
Cidade


Ponta de Areia

Angela Ro Ro


Blog também é lugar de felicitação e de intimidades. Hoje, 24 de novembro, a especialidade se impõe, aniversário da onipresente Diva Vieira Passos, minha mãe, memória que sempre me faz bem!
Também, na festa da vida presente, hoje cinquenta anos se desenham no céu da Bahia: Celeste Rivas, a espanhola filha dileta de Xangô, chega a meio século iluminando a sua e as nossas existências. Brava professora com alma e escrita de poeta - cidadã nascida neste lugar cada vez mais difícil, a cidade do Salvador.
Toques de Atabaques: Alujá para o Senhor da Justiça - que sua filha dance de saúde amor prosperidade e alegria... Amor, esta força maior, não a deixe perder a meninice que a fará eternamente jovem. Que Angela, a Ro Ro, rasgue seu canto na vitrola de Cel e o mundo seja menos bundão hipócrita monocromático inrustido! O céu balança fogo e o mar brinca sereno de levar barquinhos. A vida se reinventa e ela, Celeste, me presenteia assim:
"Irmão Luz,
Foram tantas trevas e luzes neste tão pesistente meio século de existência, que o maior presente é voltar o olhar para trás e agradecer a todos os seres divinos e humanos, que me acompanharam nesta estrada, hora a iluminar os meus passos, hora a me abrigar no colo.Você fez e faz parte desta história. História de uma senhora-menina , traduzida na história de tantas outras senhoras-meninas, que brinca todos os dias com a felicidade, mesmo quando ela se esconde atrás da desesperança. Muito amor para todos nós, recheado de carinho, respeito, admiração e paz !"
e continua assim:
50 anos

Aldir Blanc e Cristovão Bastos



Eu vim aqui prestar contas
De poucos acertos
De erros sem fim.
Eu tropecei tanto, às tontas,
Que acabei chegando No fundo de mim.
O filme da vida
Não quer despedida
E me indica, acha a
momento que foi vivido
Venha de onde vier
Ninguém lembra porque quer
Eu beijo na boca de hojeAs lágrimas de outra mulher
Cinquenta anos são bodas de sangue
Casei com a inconstância e prazer,
Perdôo a todos, não peço desculpas
Foi isso que eu quis viver
Acolho o futuro de braços abertos
Citando cartola: "Eu fiz o que pude"
Aos cinquenta anos, insisto na juventude!
P.S.: Pelos meus erros, todo dia faço 50 anos... Faço com intensidade doendo sonhando querendo. Faço na leve inspiração, no carinho e na confiança que deposito em tanta gente. Faço em minhas entregas diárias, na verdade do que me dá Fé, o maior combustível da minha vida; faço em separações e no meu quase esquecimento, porque até aí eu sou quase, mas faço sempre o que posso - do meu jeito tosco, às vezes sóbrio, outras ébrio - na profissão, na amizade e no amor. Tudo é do meu jeito e a partir de hoje, faltando alguns anos para 50 cronológicos, não peço desculpa a mais ninguém, me afasto e me apago em muitos, e sigo sozinho acompanhado de uma única certeza: fui inteiro e justo com todos, muitas vezes não comigo. Sigo neste meu peso clariceano, o que mais sou na vida e, insisto em me inspirar na grandeza artística de Maria Bethânia. Faço hoje, cinquenta anos ao lado de minha irmã-luz, Celeste Rivas. Jovenzinhos, os dois.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Conto de Areia

Clara em minha alma: alguma coisa de uma Bahia que nunca foi mas houve no lugar da inspiração; coisas da canção que nasce à beira-mar, lugar que descanso, minha terra - Aiocá!

video

Mundo Negro



Sem muito o que definir. O olhar transporta a gente e instaura a beleza.

Doçura e Talento

JussaraMariana
Caminho das águas: mais do que nunca preciso de água e doçura em minha vida, preciso da despedida para ingressar na paz. Vivendo, é claro! Assim, ouço música. Jussara baiana, Mariana paulistana. Íntegro ao desejo do meu ouvido, a beleza que me guia e ao amor exagerado que sinto. Até o fim.

Da coragem


da coragem, eu que sou de navegar.

de espreitar bons e maus ventos

cuidando dos meus pensamentos

e ouvindo música.

da coragem, eu que sou de pedir lamentar chorar

mas acima de tudo, sorrir.

da coragem, esse gosto de conquista sem dinheiro

mas apreço devoção deslumbramento.

da coragem, meu coração explodindo

vencendo meus graves entraves e eu

o marinheiro audaz de sempre

quase perdido

mas investido da coragem que retiro

do mar que eu mesmo navego.

mar de mim.

domingo, 22 de novembro de 2009

Maria Bethânia: voz da possibilidade

Maria

Hoje e manhã, ela canta na Cidade da Bahia, Sala Principal do TCA, às 20h. Trazendo Amor, Festa e Devoção. O show amplamamente elogiado e inteiramente dedicado à sua mãe, a também mítica D. Canô. Vê-la, de qualquer forma, é uma satisfação, mas no palco é pura epifania, revelação aurática, mágica singrando nosso corpo que diante dela aprende. Essa mulher dona da récita mais poderosa deste país, luminosidade musical propondo mais calma e crescimento criativo, sustentável e amoroso ao Brasil. Diva sertaneja, sereia grave dos nossos mares; viva, é a verdadeira universalidade brasileira, porque exatamente nossa. 63 anos vivendo, quase 45 cantando e nos amolecendo diante da sua força inspiração. Não se cansando da obra prima Mar de Sophia, com um pouco mais de três anos nos entrega Tua, sem diagnósticos vernaculares, explicável, em sua grandeza, só através das sensações de dor e amor que se ouve quando o frequentamos. Tem outro, Encanteria, prazer e coragem de seguir em nome da Fé. Bethânia refresca as memórias amorosas, dá vontade de se apaixonar e quando a vida dói muito, sua obra serve como antidepressivo; como Oyá-Iansã, ela é terra, vento forte, fogo, animal bravio, mas também é brisa e água doce.

Hoje e amanhã, na minha audição e visão, ela será o vento agitando a morada agridoce de minha mãe Iemanjá: o mar da Bahia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

TODA MULHER É MEIO LEILA DINIZ!

"Um troço que eu tinha e que eu perdi era o medo de ficar velha.Sempre eu achava que ia perder minha alegria,vitalidade, energia, prazer de vida,que constituem minha maior força. Na realidade, perdi um pouco disso,de alegria,talvez,da energia que eu sempre esbanjei,mas ganhei muito mais coisas. Ou melhor,acho que o que aconteceu é que agora eu sei usar essas coisas.Aos 17 anos,eu tinha isso tudo,e eu era um vendaval.Eu não dava nada,eu esporrava pra todos os lados: amor, desejo,vontade, idéias, vidas, tudo. Agora,encarei o vento,e é muito melhor. Eu estou muito mais bacana,e realmente acho que aos 30 vou estar genial,e aos 120 vou saber tudo e querer dar e ter ainda o que aprender. Isso é sensacional"
P.S.: O texto foi retirado do Orkut de minha amiga Janaina Mandes, que está lendo encantada o livro Toda mulher é meio Leila diniz, da antropóloga Mirian Goldenberg, que eu lhe dei de presente de aniversário.

Saudações Negríssimas !!!

Esperança

Belezas Maiores
Muitos Significados


A dança que luta


Neste dia, 20 de novembro, Ogum passeia pelas ruas da Bahia, guiado por sua mãe Iemanjá. Luta e doçura altiva num mesmo caminho: Iyá Ogunhê! Quantas coisas lindas foram conquistadas; apesar do pesar de tanto ainda ter que ser feito, Salvador e outras capitais brasileiras param para falar de negros como presença civilizatória em nosso País. Danço, daqui, a esperança: uma coexistência mais digna para todos nós sem as garras do racismo. Tomara! Oxalá aconteça. A beleza da gente é a poesia da gente... Nós balançando pelas vias de muitas realizações. Ogunhê - permaneça a memória de Zumbi; Salve Mãe Aninha, Mãe Menininha, Gaiaku Luiza e outras rainhas de terreiro espalhadas por esta nação. Salvem a Bahia, pelo amor de Olorum.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

São águas e ponto


Eu tenho febre e queimando, persisto numa certa criatividade. Na vontade de estar no lugar das possibilidades; estar no centro da natureza e me sentir humano sem me perguntar sobre o que se é ser humano... Meu íntimo é caminho das águas, doces e salgadas, me salvando da inutilidade. Eu me recrio docemente e abraço a todos que sentem a intensidade do amor que me define como gente. Não sei nada mais do que: águas. Sendo assim, minha matéria é vida e da morte só tenho sensações. A beleza me singra pela força das minhas paixões. Eu canto para lua mesmo que desafinado. Sou-me um ser paralelo e meus segredos estão todos revelados. Mas ainda sou profundo mistério. O amor me torna assim: mistério. Vasculhar das incertezas; um monte de perguntas na mesa dos poderosos. Estou só. E só eu cuido do mundo e ele não se sabe sem mim. A luz é minha exata companheira, sou parceiro do agora, mas o tempo é meu inimigo. Chego antes e depois para as coisas que mais me aquecem. Mesmo sem como, sou parceiro do agora. As águas me são imagens definidoras e eu espero atingí-las...
Uma calmaria me apresenta a esta desilusão: tudo que foi mais de mim acabou-se... É o vazio que me levará a ocupar meus espaços mais recônditos e daí, nascerão deixas minhas para um mundo mais sensual. Sentido e esculpido em sonoridades e depois, palavras. Os olhos daquele distância. Hoje, o incêndio do derradeiro adeus. E sigo águas e ponto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Maria Bethânia: cruzadas do sentimento


Para fazer suposições do que se pode mais sentido e vai e volta além das vãs explicações. Este texto que é o todo dela é o que me fascina. Este sangramento em palavras gestos sons que formam a alma de um país. Alimenta nosso caminhar inclinado ao criativo. Coisas do espelhamento do que se faz mais popular, ágil em simplicidade de conteúdo na forma da vivaz inventividade. Texto -mulher ocupando os seus vazios e os nossos numa espécie de oferta de sonhos e possibilidades desenhadas em encantamentos. Em encanteria lítero-musical. Alguém que se sabe diva e segue nesse contexto: altiva em prol de sua comunicação artística traduzindo a cultura diversa de seu povo, de sua nação. Musa da palavra bendita que diz construções e nos inspira, nos melhora em nossas audições dela e nos consola deste cotidiano doído e doido dos tempos urbanos atuais.

Dona Canô pede deculpas a Lula em nome da família por palavras do filho Caetano Veloso


CLAUDIO LEAL
Retirado do Terra Magazine ( publicado em 15/11/2009)
A matriarca de Santo Amaro (BA) e dos Veloso, Dona Canô, deve telefonar para Lula, na segunda-feira, para afirmar que as opiniões de seu filho, Caetano Veloso, não representam o que ela e família pensam sobre o presidente. Segundo o irmão do compositor, Rodrigo, a mãe ficou contrariada com as críticas de Caetano e vai expressar também seu descontentamento ao filho.
- Quero ver se ela consegue ligar, na segunda-feira, pessoalmente, para o gabinete do presidente. Lógico que não temos nada com as declarações dele, a gente respeita, mas não é o que pensamos. Sou petista de carteirinha. Sempre votamos em Lula. E tem a amizade do presidente com minha mãe, ele sempre liga no aniversário dela.
Em entrevista ao Estado de S. Paulo, Caetano Veloso declarou voto à senadora Marina Silva (PV) e afirmou que Lula é “analfabeto”: “Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro.”
Secretário de Cultura de Santo Amaro, Rodrigo Veloso sentiu-se obrigado a se manifestar, publicamente, contra os termos da entrevista. Num evento ligado à Agricultura com secretários do governador baiano Jaques Wagner (PT), ele subiu ao palanque e pediu que a mensagem da mãe fosse levada ao Planalto. Rodrigo teme que o veio polemista do irmão mais novo Caetano prejudique a cidade.
Recentemente, Dona Canô enviou uma carta a Lula, na qual pediu recursos financeiros e a ajuda do Ministério da Saúde para a reforma da Santa Casa de Misericórdia do município do Recôncavo Baiano, a 81 km de Salvador.
- Nem sei por onde Caetano anda, certamente ele vai ligar quando souber disso. Ele é polêmico, gosta dessas loucuras. Mas nossa opinião é o avesso do avesso – explica Rodrigo Veloso, que sorri e enfatiza: – É o avesso do avesso do avesso…

domingo, 15 de novembro de 2009

Emanoel Araújo em Salvador





"Cadê o silêncio dessa cidade para se apreciar suas belezas".






sexta-feira, 13 de novembro de 2009

TROPICÁLIA: sob o signo de escorpião

Retirado do Jeito Baiano, de Jary Cardoso

por JOSÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA

No mesmo dia que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como sempre, no “Caderno de Cultura do Estadão”, o Ministro Ecologista Juca Ferreira publicava uma matéria na Folha na sessão Debates. Um texto extraordinariamente bem escrito em torno da Cultura, como Estratégia, iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.
Por outro lado meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto pra Marina Silva.
Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.
Percebi isto ao prefaciar a tradução em português criolo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: “Brutality Garden”, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira na Tulane University de New Orleans.
Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente Antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetês, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.
Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das relações exteriores, Marina Silva para o meio ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.
Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado Oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a “res pública”. Tudo dentro dum futebol democrático admirável de cintura. Lula não para de carnavalizar, de antropofagiar, pro país não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.
Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo quando convoca os jornalistas da Folha de São Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A Interpretação da Editoria é a do Jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí, quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.
Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num Teatro Grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, Lula é um Intérprete dela: a Vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômemos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?
Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.
Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarto grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na “Estrela Brasyleira a Vagar – Cacilda !!” para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendo este programa tétrico.
Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. “Amor Ordem e Progresso”. O Amor guilhotinado de nossa Bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.
Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta calegoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos como a sagração da natureza, a liberdade e a Paixão pelo Amor Energia, Santíssima Eletricidade. Sinto que nestas duas pessoas que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.
A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai decicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega a hierarquia máxima do Teatro: a que corresponde ao Papa no Catolicismo: o Palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é a toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.
Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Esta “estasia”, Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que Exista!
Lula faz Política Culta e com Arte. Sabe que a Cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é Super, é Infra Estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazileiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um País de Poesia de Exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:
“Vício na fala
Pra dizerem milho dizem mio
Pra melhor dizem mió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhado”

Zé Celso

SamPã, 6 de novembro

sob o signo de Escorpião

sexo da cabeça aos pés

minha Lua de Ariano

EVOÉROS

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Aydar na Bahia

Mariana
Amanhã o Pelô está em festa. A presença do talento de Mariana Aydar no Música em todos ouvidos, às 20h. 13 de novembro de 2009, Praça Pedro Archanjo. Ela cantará numa noite que reserva a gente Maria Gadu e Márcia Castro. Uma cantata MMM. Maravilhoso!

Parábola da imundície ou perfil para a infame

A cara dela

Da língua que lambe o clitóris e do dedo que se afunda no reto, o desenrolar do mundo dela numa cena de fedor e inação.
Do destempero controlado à tarja - preta, marcas da ineficiência que brilha porque amiga do rei.
Do discurso pútrido e da cara azeda infeliz: o poder do bicho desalojando e repetindo o valor da usurpação.
Cara pálida refletindo depressão. Alma fétida – lamaçal da discórdia na via esquerda da hipocrisia. Lugar tudo igual. Melhoras à direita.
Do que não pode ser segredo e, profícua jogatina, emperra o presente e extingue idéias ao futuro.
Torpe língua manchando a fonte, secando menstruação. Língua à beira e à espreita pronta a espezinhar.
Cheiro de folha coça coca cocar: inimiga do índio, o humano sem chefes. Da natureza índio o antídoto contra assédios e servilidades.
Do remédio como vício e companhia contra a absoluta solidão, sua cara escancarada em mentiras. A tira do pano no corpo da língua, esta agora, no sobejo e migalhas do que restam aos benditos, eternos caudilhos.
Títulos por coincidência; o poder pelo acaso da língua que goza rasgando e punindo; exilando e reprimindo – alma mutante da danação; o câncer mais cruel na calada da garganta: na dela!
Das fitas descerradas à obra inaugural da imundície. Febre da preleção, do conchavo, da falta de leitura, da perversão, da perversidade; das trilhas longínquas da inoperância, do decréscimo, da sistematização do caos.
A língua, agora, por debaixo da mesa, sedenta faminta vulgar entre os dedos sujos dos pés... O peso finito da existência nas cópias vadias de Simone de Beauvoir. O lixo latino que atrai a língua ávida por sobras, tal como o mandante chulo.
Língua feito pedra no caminho sem boca pra beijar.
Língua tesoura nas asas do passarinho, tipo sapato sapatinho, feiúra sem par.
Língua que há de passar e se afogar nos mênstruos frutos dos abortos ocasionados pela sua inserção.
Desta crepuscular narração, sem mais. Política.


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ela em sua constância


Não pela revista, é claro! A manchete acertada é sobre a linha vulcânica mercadológica da Musa. Em 10 de dezembro de 1980, a Veja espelhava o êxito de uma das maiores cantoras que o Brasil gerou. Cheia de singularidade entre álibis, mel e talismãs, trilhando o seu destino de mito contemporâneo. Seu nome, Maria Bethânia.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Desses deuses-meninos


Menino Deus
Caetano Veloso
"Menino Deus, um corpo azul-dourado
Um porto alegre é bem mais que um seguro
Na rota das nossas viagens no escuro
Menino Deus, quando tua luz se acenda
A minha voz comporá tua lenda
E por um momento haverá mais futuro do que jamais houve
Mas ouve a nossa harmonia
A eletricidade ligada no dia
Em que brilharias por sobre a cidade"
E contam que haveria poesia na passagem deste tempo; que flores se abririam para realçar sorrisos amorosos. O mundo seria mais gentil. Mais dança e canto. Abraços desenhando as entregas de verdade - em toda extensão do silêncio - para fazer valer as vidas. Haveria descortinamentos para revelar fomes e sedes criativas; para se fazer a arte do possível.
E contam a essência vívida do amor naquela cor-sabor azul e paz no seio de quem sabe dar. Imagens do fundo da felicidade bastando. O mundo sem escapatória, sem purgatórios, sem mornidão. Mundo canção em trânsito e respeito. Carta escrita àquela mão do desejo: o beijo do escultor.
Haveria amor memória paixão nas réstias do vermelho de lá... Sonho acontecendo. Permissão. Música de cada dia embalando muitas récitas da poesia que nunca soube faltar. Nem no mundo prometido, nem neste que se traduz como realidade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Maria Bethânia: Congresso analisa sócio-antropologicamente sua obra em 45 anos de carreira

Maria

Confirmado: o Congresso Brasileiro sobre o canto e a arte de Maria Bethânia em 45 anos de Palco, acontecerá em 04 e 05 de fevereiro de 2010, no Teatro Martim Gonçalves. As inscrições estão abertas pelo site www.mariabethania.com , através do link bethanews. O valor é de 40 reais para participantes. Restam poucas vagas. E ela canta em Salvador, na Sala Principal do TCA, nos dias 22 e 23 de novembro, às 20h. Como sempre: imperdível.

Cleidiana Ramos: musa do afro jornalismo baiano

Jornalista Cleidiana Ramos
Minha Amiga

A moça é d'Oxum. É dona de um texto elegante de jornalista e de uma capacidade analítica vista nos antropólogos, por tanto, é uma cientista social. Serve de voz às comunidades negras baianas. É instrumento de visibilidade e dignificação do meu povo-de-santo; é omorisá da dinastia Mãe Val de Airá. Trabalha, como repórter especial, no mais importante jornal do nordeste, o A Tarde, e de lá, além das matérias diárias, presta grandes serviços ao povo brasileiro, através do blog Mundo Afro. Nós dois nos admiramos muito: coisa das águas e das sereias. Sou muito agradecido pelas belas homenagens que me vieram dela. Axé, minha irmã. Que Iemanjá e Oxum cuidem da gente!

Gustavo Soares,pintor!

Inspirado em um quadro de Borisvallejo/pintura sobre tela - acrílico
Um tombo visual: a beleza!

domingo, 8 de novembro de 2009

Minha casa


O mundo nos assiste




E a gente crê vê recebe e canta
Iyalodê Odô Iyá

Iemanjá, sempre!

Foto de PierreVerger

Hoje, 08 de novembro de 2009, às 20h., no Ilê Axé Opô Afonjá, os atabaques reverenciam a Mãe Maior: Iemanjá Odô Iyá; meu dia de mistério - tudo muito lento na minha Fé que alicerça esta vida de tanta luta. Hoje, dança naquele Ilê, em outros corpos, a Senhora soberana dos mares - energia sentida que me garante vida e que me dá sorte. Mãe do meu Ori - minha cabeça medida pela graça e proteção de quem banha e ama e é mãe. Peixe, água, azul-esverdeado, mistério e Presença. Sempre.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Que burrice, Caetano!

Luís Inácio Lula da Silva
Caetano Veloso
Amado Caetano,
Ter coragem e exercer o poder de poder falar o que quiser, é uma coisa. Agora, ser irresponsável, senhorial, elitista, improcedente, desajustado, é outra. O presidente Lula está acima destas considerações que você faz quando quer atingir seus pares e outros letrados pelas universidades da vida. Lula é de uma dinastia real; produto de uma inteligência construída por disposição e vontade de fazer, maneira de criar sem os moldes das intelecções graduadas. Longe, ele está bem longe desse seu arcaísmo de pseudo-aristocrata: analfabeto. Nada - acho que dessa vez você não entendeu nada. Concordo com a elegância e a grandeza de Marina Silva referidas por você. Quanto a Lula, só uma cabeça universal de poeta estupendo enraivecido pode ser perdoada por exigir, implicitamente, um letramento e uma sofisticação intelectual que, na história republicana deste país, não nos levou a nada. Do jeito dele, na inteligência dele, nas dificuldades dele, Lula já é o maior presidente que este País metido a sabichão franco-inglês teve e, graças a Oxalá, tem. Vejo- me nele e eu, que tanto aprendi contigo, me revolto com sua fala desajeitada perfilada em um preconceito que não combina com seu povo santo-amarense; nem com você, obra transgressora e proponente da coexistência entre as diversidades. Olhe, a tradição sociológica da USP mata,viu?