quarta-feira, 10 de junho de 2009

Tolerância

Ana Carolina
Ela sempre diz coisas lindas em mim. Bebo e sofro superando o seu desgaste midiático. A moça é linda e tem talento. Ultimamente tenho me visto/ouvido nisso:
Como água no deserto
Procurei seu passo incerto
Pra me aproximar
A tempo
O seu código de guerra
E a certeza que te cerca
Me fazem ficar atento
Não me importa a sua crença
Eu quero a diferença
Que me faz te olhar
De frente
Pra falar de tolerância
E acabar com essa distância
Entre nós dois
Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar
Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei
Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar
Como lava no oceano
Um esforço sobre-humano
Pra recomeçar
Do zero
Se pareço ainda estranho
Se não sou do seu rebanho
E ainda assim
Te quero
É que o amor é soberano
E supera todo engano
Sem jamais perder
O elo
E é por isso que te espero
E já sinto a mesma coisa em seu olhar
Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar
Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei
Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar
Ana carolina/Antônio Villeroy

P.S: Eu nisso aí: ouve...


segunda-feira, 8 de junho de 2009

À beira-mar


Traga seu sorriso para perto de mim.
Sua alegria medida em doçura.
Sua delicada energia - seu corpo dentro do meu.
Traga seu cheiro. Mais poesia.
Uma nudez de paz.
Um sono acompanhado.
A esperança castanha dos seus olhos.
A suavidade do seu caminhar.
Traga o carinho que me fascina e me torna mais carente.
Música instrumental emoldurando o seu silêncio.
O toque da sua boca linda na minha.
Traga a chuva que aproxima
E o sol que vigora.
Traga seu mistério - tudo bem de dentro e proibido
Nossos destinos que não se apartam.
Faça-nos secretos, únicos e íntimos.
Cintilar concreto de tantas histórias.
Do seu lugar de agora,
Me diga sim.
Pouse levemente em minha vida,
O que sou é à sua espera,
Não há tempo para demoras.
Estacione suas asas no âmago da minha casa:
Em meu quarto, sobre a cama.

Palavra (En)Cantada

Maria

Um brinde gostoso à poesia. Récitas de palavras que vêm de dentro. Falares sedutores. Colorido de letras-canção. E Vozes. Vozes que se amalgamam à música e verso e nascem pura emoção.
É assim que o belo documentário Palavra (En)Cantada, de Helena Solberg, ano 2009, discute a relação entre música popular e literatura no Brasil, destacando nossos melhores compositores, cantores e alguns símbolos mágicos da literatura feita no Brasil. Tem Adriana Calcanhotto, falando e cantando. Tem os olhos ardósia de Chico ensinando. São cenas de inspiração para o som e para o verso. É coisa de amor que traduz muito a grandeza da canção neste nosso País. Tem Lirinha em récitas de fogo e sua beleza incomum. E como ninguém é de ferro, e quem pensa em música popular, em poesia, em literatura e quer registrar para o bem, tem Maria Bethânia - o dom da palavra cantada e "bendita"- uma redimensão de Eros e Psiquê ( lembranças fortíssimas) e o som lindo da música A palavra, de Moraes Moreira na voz da Abelha Rainha; só aí o documentário se justificaria. Imperdível.

Sob as águas de Maria


Amanheci impregnado dela com suas memórias das águas, seu deslizar estético sobre mim, sua voz como carinho caminho coragem, enfim, amanheci no centro do alívio e da satisfação.
Talvez hoje nem seja segunda-feira, seja sábado de manhã e eu com flores rosas levando a Iemanjá e sonhando com o abraço rápido de alguém que não desgruda de mim; talvez seja sexta-feira e eu com meus amigos queridíssimos tomando algumas cervejas; seja quarta e eu pronto para enfrentar qualquer opositor, eu cheio de sorte cheio de Iansã e Xangô! Mas ela cantando, marcando meus olhares com as cenas de suas mãos; dizendo cada palavra da forma mais precisa, ou melhor, da forma mais bonita, naquele português do coração. Linda, não me canso de escrever falar gritar calar na rota da beleza que vem dela. Amanheceres melhores: o perfume natural do corpo amado, poesias ao pé do ouvido, falares vazios, risos, lágrimas, contato, sexo...Quando não: exercício da Fé e da Paixão. Bethânia é assim; hoje ela me deixou assim e no DVD Dentro do mar rio, pra mim, as duas melhores interpretações são Iemanjá Rainha do Mar e Debaixo D'água/Agora. É por isso que estou debaixo de águas e Protegido. Axé!

sábado, 6 de junho de 2009

Ele naquele show


Foi mágico assistir ao show Zii Zie, de Caetano Veloso, ontem, dia 05 de junho,na Concha Acústica do TCA, de noitinha. Eu que esperava mais um e foi outro. Como Caetano se ilumina. E como aquela sonoridade juvenil foi vital para os novos dizeres do mestre baiano. O show foi tão lindo que eu nem imaginei a fala desencontrada dele sobre negritude, escravidão, abolição, cotas... Ele,no palco, irretocável, lindo, artístico,perguntando: eu sou neguinha?Ele tocando marcando sua voz belíssima e indo às profundezas da nossa audição para,de verdade,voltar a emocionar. Lindo. O show é melhor que o disco, além de nos trazer ele presente, ameniza o tom outonal do CD, imprime mais alegria e a gente ouve as canções Maria Bethânia e Irene, ri chora e silencia.

Foi mágico ouvi-lo em sua canção, minha favorita dele, Trem das Cores. Foi lindo porque tudo no show estava bem resolvido e Caetano ali é o Caetano propulsor de tantas belezas e de tantos avanços comportamentais neste país. Ali a negritude era marca registrada de nossa Poesia e Música. O show muito me emocionou e me trouxe para mais perto deste meu amor de sempre: Caetano Veloso. Emocionante e eu agradeço a ele.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Instantes


Apaga , eu acendo; apaga, eu me reacendo. Como se fosse eterno, mas não é. São instantes do meu coração querendo deixar luz amorosa no outro. É pensamento. Faíscas que orientam a memória querendo mobilizar uma boca em silêncio. É a estagnação do meu fogo alimentado por um único oxigênio: o dengo maior melhor mistério... Meu livro voando dentro da gaveta: uma homenagem discreta interna a uma primavera que não cansa de retornar. Com flores e pronúncias de amores: meios da minha ressignificação que é quase uma doença.
Minha vida é assim: lânguida aspiração de uma presença éterea ou vernacular...Toque do que mais preciso e, nada,calma, veja, não, é...Virtual.
Minha vida é assim: um fósforo aceso prestes a apagar mas a poesia e o profundo carinho que disponho me mantêm aceso...Carinho retro-alimentado em palavras que às vezes são para mim. Eu te amo. Simplesmente isso.

Mais impressões sobre poesia

Rubem Alves ( a crônica poética com lugar)

Sobre poesia, ele nos diz assim:
"Assim são as imagens poéticas: elas têm o poder de ir no fundo da alma onde moram os esquecimentos. E, quando um desses esquecimentos acorda, a gente sente um estremeção no corpo. É isso que faz a poesia. Ela cata pedaços perdidos de nós".

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Anna Akhmátova

(1889-1966)

Eu visitei o poeta
ao meio-dia em ponto. Domingo.
Quietude no amplo quarto
e, fora das janelas, o frio
e um sol cor de amoras silvestres,
envolto em névoa hirsuta e azulada...
Com que olhar aguçado o taciturno
anfritião olhava para mim!
Tinha olhos daquele tipo
de que a gente nunca se esquece;
melhor seria, cuidadosa,
eu não devolver seu olhar.
Mas me lembrarei sempre da conversa,
do meio-dia nevoento, domingo,
naquela casa alta e cinzenta,
junto aos portões do Nevá para o mar.
Janeiro de 1914

Contato com a cultura dos nossos ancestrais

Alunos - Jornalismo Unijorge 2009

Por Hugo Gonçalves
A convite do professor Marlon Marcos, estudantes de Jornalismo da Unijorge visitaram o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais antigos de Salvador.
Ontem foi um dia muito especial para nós, alunos do primeiro semestre de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo da Unijorge (Centro Universitário Jorge Amado), pois o nosso professor de Antropologia, Marlon Marcos, nos conduziu a um ambiente estranho, onde convivemos com outra civilização, outra cultura e outra sociedade, que é exatamente a africana. É da África onde vieram os nossos ancestrais que, aliados ao índio nativo e ao colonizador português, formaram o mestiço, heterogêneo, poderoso, corajoso e hospitaleiro povo brasileiro, um alegre e extraordinário mosaico étnico.Marlon e nós, futuros jornalistas, fomos ao terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, localizado em São Gonçalo do Retiro, no Cabula, para uma observação participante com o objetivo de investigar antropologicamente o local, sendo recepcionados pela professora aposentada Célia Maria Silva.
A primeira etapa da nossa aula de campo foi a visita ao Museu Ilê Ohum Lailai (“casa das coisas antigas”), onde estão expostos permanentemente diversos objetos e costumes típicos da cultura afro-brasileira. No museu, encontramos instrumentos musicais de percussão, pertences das antigas ialorixás (mães-de-santo), armas, adereços, ebun etutu (surpresas de festa), representações dos orixás, folhas sagradas, comidas, enfim, toda a identidade cultural da Mãe África.No memorial, há também o Espaço Azul ou Iyá Kayodé, em homenagem a Maria Stella de Azevedo Santos, a Mãe Stella de Oxóssi, atual ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, uma reunião de peças históricas do seu acervo particular. Entre vários objetos expostos no Espaço Azul estão a cadeira e a máscara que Mãe Stella recebeu por ocasião de sua viagem ao Benin, em 1988; fotos; medalhas e o quadro “Caçador de uma flecha só”, pintado por Reinaldo, então aluno da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, situada no terreiro, em 1999.
O Ilê Ohum Lailai foi criado em 1981 por Mãe Stella e pela filha-de-santo Vera Felicidade, e reinaugurado, após restauração, em maio de 2000, com a presença do então ministro da Cultura, Francisco Weffort.O Ilê Axé Opô Afonjá, que significa “casa da força sustentada por Afonjá”, surgiu em 1910, no Pelourinho. Sua fundadora foi Eugênia Anna dos Santos, a Mãe Aninha, responsável pela liberação do culto afro-brasileiro, perseguido pelas tropas policiais no início do século passado. Com a fundação de um dos tradicionais terreiros de candomblé de Salvador, Mãe Aninha se tornou a primeira ialorixá até a sua morte, em 1938. Outras ialorixás se seguiram no comando: Mãe Bada (1939 a 1941), Mãe Senhora (1942 a 1968), Mãe Ondina ou Mãezinha (1969 a 1975) e Mãe Stella, empossada em 10 de julho de 1976, permanecendo até os dias atuais.Cada casa do terreiro homenageia um orixá: Oxalá, Xangô, Oxum, Oxóssi, Omulu, Yemanjá, Iansã...
Entramos em uma das casas mais bonitas e espetaculares do Ilê Axé Opô Afonjá: a Casa de Xangô, que é a construção principal, e nos reunimos, agachados, com mãe Stella de Oxóssi, matriarca há quase 33 anos, que aos 84 anos conserva sua energia, sua juventude e seu vigor. Na fachada da Casa de Xangô, uma bela e enorme escultura de fibra de vidro, de autoria do artista plástico Tati Moreno, retrata com coragem o orixá da justiça.Nossa observação participante ao terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, além de ser bastante proveitosa e de fundamental importância para a formação profissional jornalística, terminou com um forte abraço do professor Marlon a dona Célia, sua fiel auxiliar durante toda essa longa jornada de valorização etnográfica.Para finalizar, agradeço a todos os alunos do primeiro semestre de Jornalismo da Unijorge, principalmente àqueles que estiveram presentes na referida aula de campo: Ágata Fidelis, Amanda Carvalho, Ana Paula Maquiné, Bruna Correia, Bruna Esteves, Bruna Francesca, Camila Marinho, Caroline Garrido, Caroline Patriarca, Daiane Oliveira, Danilo Silva, Fernanda Magalhães, Luíza Mazzei, Maíra Figueiredo, Mariane Vieira, Mayra Lopes, Paulo Campos, Rafaela Hasselmann, Suiá dos Santos, Thamires Assad, Theisse Ávita e Whidianny Mayara, além de mim mesmo, que sou presença constante em outras atividades extraclasses.Também quero dedicar esta maravilhosa reportagem ao nosso grande professor de Antropologia, Marlon Marcos, e principalmente ao Ilê Axé Opô Afonjá pela valiosa contribuição, pelo estímulo, pelo carinho e pelo AXÉ durante a sua elaboração. Além dos alunos relacionados acima, quero agradecer àqueles que se ausentaram desse importante trabalho, como Lindiwe Aguiar, símbolo da resistência, da esperança e da força negra da Bahia.
P.S.: A visita foi realizada no dia 20 de maio de 2009; o texto foi construído pelo repórter Hugo Gonçalves em 21 de maio do mesmo ano.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mart'nália é diferença



Sim, é para falar de alegria, destreza, malandragem, segurança, esperança, naturalidade, transgressão, talento, samba, Bahia e Rio de Janeiro. Falar do que traz para este país, como diferença significativa, o trabalho da cantora Mart'nália. O que ela acrescenta no trânsito da sua criatividade e diverte e marca a gente de coisas belas que só a nossa negritude sabe e entende. Uma menina de Fé, símbolo perdido do feitiço eterno do Rio. Mulher, meio homem, da cor verde das matas, misturando-se ao jeito turquesa do que ela tem como pai e como mar na versão da Cidade Maravilhosa. E a Bahia está ali. E quando a filha famosa do mestre Martinho da Vila soube ao palco, canta, toca, conta, samba, brinca, a vida fica mais fácil e o sabor aumenta. Mulher que com sua música espalha desejo e a gente quer! Solar e inteira , coisa única que em autenticidade nos lembra Cássia Eller. No disco Menino do Rio ela foi produzida pela maestra Maria Bethânia e as duas alcançaram o êxito necessário e merecido para esta junção. Nada de milagre. Tudo foi trabalho e inspiração. Mart'nália é isso. Bethânia leva luz e sorte. Diferenças altaneiras do lugar chamado Brasil.