sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mais setembros: alma

Rubem Alves
" A alma, no seu lugar mais profundo, é uma cena de felicidade. Amamos um rosto ao ter a impressão de já havê-lo visto, muito tempo antes, 'antes de haver o mundo'( Fernando Pessoa). A vida é uma tentativa de completar a cena".

Mais setembros



É setembro. Então, só me resta a obrigação de acordar banhado de esperança. Criar um mundinho secreto e azul para que a beleza não me deixe. E minha alma voe na direção dos olhos que melhor a espelham. Olhos de ontem eternos no meu caminho. Olhos de flores por onde eu me derramo em lágrimas pedindo que volte. Olhos distantes e eu clamando presença. Renascendo a cada instante de trinta dias desenhados no carinho que me perfila.

Jura

Konstantinos Kaváfis

Neste poema, um muito da minha prática ( quero assim não):

A cada pouco jura começar vida nova.
Mas quando a noite vem com seus conselhos,
seus compromissos, com suas promessas;
mas quando a noite vem com sua força
(o corpo quer e pede), ele de novo sai,
perdido, atrás da mesma alegria fatal.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Por dentro da cultura


Deveria existir um Centro Cultural Banco do Brasil na Bahia, em Salvador. Para que tivéssemos acesso a tantas peças, recitais, shows, exposições e quando pagos, fossem baratos e democratizassem as manisfestações artístico-culturais. O da foto acima é do meu Rio de Janeiro, cidade que tem muito de difícil mas também, tem muito de possibilidade. Neste dia, 23 de agosto de 2009, estava indo assistir Simplesmente eu. Clarice Lispector, com Beth Goulart, e parei pra pensar a falta que esses lugares fazem a pessoas como eu. Loucas por arte. Apaixonadas e motivadas por criação. O mais que humano em mim. Igual ao amor transcrito de Ceatano Veloso. Um espaço grande assim, com gente, com povo frequentando. Clarice para todos e já!

No movimento da retroaprendizagem

O antropólogo Cláudio Pareira( meu mestre)
Antropólogo Marlon Marcos
Existem aulas, atividades pedagógicas que são verdadeiras festividades: alimentam a alma dando sentido ao que se quer exercer. Cheiro de liberdade. No dia 02 de setembro de 2009, no Solar do Unhão, de tardinha, eu e o professor Cláudio Pereira demos "aulas" às nossas "americanas" e nos reinventamos falando de identidades e identificações em nomes da MPB. Foi uma delícia. Aquela ambiência. As meninas atentas. As memórias da nossa música popular. O mar de aconchego. O corpo flanando. Teorias se praticando. A vida em mim no formato maior da antropologia. Mais que tudo: eu aprendi. Simples assim: conhecer nunca será melhor que pensar, ter ideias, inventar. Nunca. Eu me digo sim.

Oxum em setembro: amores dourados!


Para ter tempo de guardar e grudar em mim imagens da delicadeza: rosas amarelas perfumando a intacta memória do meu coração. Minha melhor. Olhos que não saem de mim.

Gonzaguinha


" Por favor,
Eu só peço que vocês que gostam de mim,
assim como eu aprendi a gostar de mim,
assim como nós devemos aprender a nos gostar e nos respeitar,
me ajudem no sentido de que,
eu não perca jamais aquela sujeira
da minha simplicidade"
Gonzaguinha
P.S.: Meu Deus, meus amigos e amigas, faço das de Gonzaguinha, as minhas palavras no sentido de oração. Amém.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sobre Gil ( Música Falada)

Gilberto
É certo que, muitas vezes, o discurso de Gilberto Gil, cantor e compositor baiano, fica acima das recepções medianas e, outras vezes, confunde em seu "manuseio" verbal inusitado, numa mescla entre racionalismo e percepção comum aos grandes poetas. Ontem, a partir das 21:10, na Sala Principal do TCA, o bardo da Bahia, no Projeto Música Falada, desfiou a sua importância na cultura brasileira ao longo de mais de 40 anos, magnetizando seus espectadores com música e um discurso reflexivo bem acertado.
O senhor Tempo conferiu, de verdade, sabedoria à existência de Gil, e, ontem, o público presenciou outro grande momento na história do mestre. É isso: a noite de ontem foi histórica! Inesquecível. Dentro daquelas experiências que deixam na gente vontade de fazer a vida melhor acontecer; deixam na gente o movimento da criação.
Ao meio de tantos erros, perdas, ridicularizações, o nosso mestre canceriano, deixou sua marca maior: uma vida de realizações e impactos na história do seu país, tornando -se hoje, um dos maiores artistas vivos da música no mundo. Gil cala, em sua energia anciã, aquática, sábia, qualquer detrator. Simplesmente: mestre.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Gosto de Vida

Maria


É quase primavera e sempre brota gosto de vida nesse vento. Vento de esperança numa trilha sonora do coração. Vento afim da emoção que não pode cessar. Vento africano, iorubano: mãos abanando atiçando o ar e varrendo os desagrados. Voz rasgando o pensamento sem dor: o sol de toda manhã. Manhã de setembro na musicalidade de Maria Bethânia. Palavra apontada para aonde se quer chegar. Centro de um canto que traz Flores:



"Anima de vida o seio da floresta

O amor empresta a praia deserta zumbe na orelha, concha do mar

Ó abelha, boca de mel, carmim, carnuda, vermelha".




Sol e Mar nos dias daqui.

É Setembro!

Oyá Ô!
Odô Iyá !
Erê ê ê ô!
Epa Babá!

A dança do vento: começo. O que há dentro do peito é amor protegido. E protegendo. Vencendo dissabores na marca vermelha da coragem. É o que peita e fala em mim: a vontade. Tempestade. Possibilidade. Axé! Oyá Ô! Eparreyyyyyyyyyy!

Música profunda. Abrigo contínuo num refresco suave de chuva. Suave de água e sal. Mãe soberana. Casa de todas as moradas, companhia de todos os instantes. Perfume da cabeça: signo da minha criatividade. Dança das ondas. Meu encanto amoroso azul; minha força belicosa verde. Minha âncora de Fé. Pemanência da Fé de mim. Eru Iyá! Iyá Ori!

Moça das vontades. Beleza segura. Mão criadora das artes. Mimo e feitiço. Paisagem dourada da vida. Saúde. Prosperidade. Casa dos amores exitosos. Misto de todas as flores. Serena fonte de inspiração. Espelho maior das mulheres. Dança rosinha no meu coração. Grandeza Oxum: Mãe do Amor!

Senhor da minha espada. Mais água sobre mim. Rei do aéreo que sou. Meu eixo. Senhor da dança cortante. Fúria e amor. Minha persistência diária. Minhas vestes brancas e azuis. Mão que me ampara e conduz. Gana minha em todas as guerras. Poema do indizível. Parcela equânime da minha cabeça. Orixá maior. Guian de mim nas águas de setembro!

Setembro é meu encantamento e eu renasço! Banho-me de esperança na clareza tropical deste mês. Busco sorte, tenho sorte! Sou-me meu próprio Mar. Em setembro, na Bahia, "Sei Ser Mar".