
terça-feira, 4 de agosto de 2009
"O mundo me navega e eu não sei navegar"

A miséria cultural baiana
Setarosegunda-feira, 3 de agosto de 2009
Billie Holiday: a voz autoral de um mito
Marlon Marcos
Especial para Terra Magazine
Há cinco décadas, precisamente em 17 de julho de 1959, morria Eleanor Fergan, aos 44 anos, que se imortalizou como a maior diva do Jazz, sob o nome de Billie Holiday. A memória musical do planeta acende-se para relembrá-la e dimensionar o legado de seu canto. Mais que uma simples cantora, Billie foi uma instrumentista da voz. Para muitos, inventou o canto popular. Criou improvisos vocais com a mesma magnitude que os grandes jazzistas desfiavam de seus instrumentos. Sua presença delineou talento, glória, decadência e tragédia, elementos vitais para sua transposição de mortal a mito no universo artístico.
Dona de uma voz tecnicamente pequena, mas de nuances diversas e criativas, Billie foi impecável ao somar uma carga dramática incomum em uma cantora popular a execuções musicais inovadoras. A música a salvou da prostituição e a sua trajetória confunde-se com a grandeza musical estadunidense por mais de três décadas: entre os anos 30 e 50. A cidade de Nova York viu nascer aquela que seria a maior cantora popular - com um pouco mais de 15 anos, ela já acompanhava músicos da estatura de Benny Goodman.
Bela e tida como "negra miscigenada". Adorada e maltratada ao mesmo tempo. Para uns, era branca demais para ser aceita pelos negros. Para os brancos dos Estados Unidos, apesar de ser uma "grande cantora", não poderia freqüentá-los; do palco para os fundos dos lugares em que se apresentava e, por onde também, tinha acesso para ser quase sempre ovacionada em suas apresentações. Billie era proibida de entrar pela porta da frente nas principais casas que se apresentava em seu país e quando no palco, entre drama, bebida, dor, ódio e rara musicalidade, arrancava aplausos sem medidas do mesmo público racista que insistia em hostilizá-la.
Ela foi senhora da sua musicalidade e como tal, operacionalizou transgressões em sua vida, e agredia seus detratores, muitas vezes, agredindo a si mesma. A mulher lançada a paixões quase criminosas e sofridas; seus homens e amantes eram brutais, violentos e exploradores. E em sua caça amorosa, viveu algumas histórias com mulheres, entre elas a poeta Elizabeth Bishop.
A beleza de Billie impressionava a todos e quando cantava ampliava o seu poder de sedução, e nessa junção, ela tornava-se uma fêmea fatal. Foi a Lady Day do grande Lester Young, com o qual Billie gravou preciosidades e de quem ela quase sempre não se afastava. Realçou canções de Cole Porter, Duke Ellington, Louis Armstrong, dos irmãos Gershwin, Kurt Weil e ensinou Frank Sinatra e Tony Bennet a cantarem.
Dizem que a grande marca entre as cantoras brasileiras, ou seja, nossa cantante ancestral é Carmem Miranda. Em se tratando do mundo, habitat que salvaguarda, em presença ou memória, nomes como Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Amália Rodrigues, Elis Regina, Nina Simone, Aretha Franklin, Nana Caymmi, Gal Costa, Norah Jones e Maria Bethânia, todas integralmente, mesmo que neguem isso, curvam-se diante do legado Billie Holiday.
Billie acorda nossa memória sem desespero. E dói. Ouvi-la é ir ao encontro de nostalgias e pela música, negar as barreiras que os idiomas geram. Sua voz é uma representação antropológica da idéia que fazemos da melancolia. Rasga fazendo silêncio. Traz tristeza criativa. Imita o sax para ser um canto sobre-humano. Ela não morre enquanto houver canção neste planeta. E se a canção se esgotar, a sua memória de instrumentista da voz chegará a todos pelo imorredouro exemplo de talento feminino que ela impôs ao humano na evocação do seu próprio mito.
( Texto publicado no Terra Magazine em 31 de julho de 2009).
Porvir

sábado, 1 de agosto de 2009
Ela, Elis
ElisEsta faca que atinge, sem dó
O coração
Este exército que ocupa, impávido
O peito
Esta enxurrada que inunda, plena
O meu ser
Atônito, nu, desvendado
Me toma ao chão
Como gigante, em sua mão
Já não me tenho,
Mas ganhei o mundo
Leveza poderosa e intensa
Densa, dança nobremente, como se fosse eu
Um todo salão de tablado
Revivendo sentidos
Como se não fossem assombrações
Não mais
A voz de Elis...
Quero mais!
"23-07-2009, dia feliz,ouvindo, pela milésima vez na vida, o disco Falso Brilhante"
Serginho Guerra, poeta-historiador
Revê-la
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Espelhamento

quinta-feira, 30 de julho de 2009
À procura de um olhar
Mil e um Zés Celsos
Esta matéria foi retirada hoje, 30 de julho de 2009, do Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br/), e aparece aqui para homenagear o grande José Celso Martinez Corrêa:
Advogado, artista, diretor de teatro e de cinema, ator, músico e compositor. Este é José Celso Martinez Corrêa, mais conhecido como Zé Celso. Suas facetas podem ser conhecidas de 30 de julho a 6 de setembro no Itaú Cultural. "A Ocupação Zé Celso", nome da exposição, traz fotos e documentos inéditos acompanhando o artista da sua infância aos dias de hoje.
O evento é parte da série de mostras de curta temporada, programada pela instituição, sobre veteranos consagrados que servem de referência e influência às novas gerações de artistas que despontam nas artes visuais, no teatro e na literatura.
Centenas de fotos, 12 sets com cenários representativos de cada época, 33 monitores, sete projetores e até um quarto, chamado Paucucama, cujas projeções só poderão ser vistas por maiores de 18 anos.
Zé Celso nasceu em Araraquara em março de 1937. Mudou para a capitar e nos anos 1960 deu início ao seu trabalho com o grupo do Teatro Oficina. Sua produção é encarada por vezes como como orgiástico, dionisioaco e antropofágico, como menção ao movimento surgido durante a Semana de Arte Moderna de 1922.
O grupo liderado por Zé Celso era amador e foi formado quando ainda integrava a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Alguns de seus primeiros sucessos foram: Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki; O Rei da Vela, de Oswald de Andrade e Na Selva das Cidades, de Bertolt Brecht. Sempre irreverente, Zé Celso ganhou todos os prêmios de melhor direção.
A pesquisa foi feita por Marcelo Drummond, Elaine Cesar e uma equipe do Teatro Oficina. Álbuns da família Martinez Correa e dele mesmo, arquivos na Unicamp e do Instituto Moreira Salles, gavetas no Oficina, testemunhos do próprio registrados nas centenas de entrevistas de todos os gêneros que já deu resultaram em uma compilação de informações como ninguém reuniu até hoje.
Todo este material pesquisado vai subsidiar, ainda, documentário sobre a vida do artista. Dirigido por Tadeu Jungle e Elaine Cesar, com realização do Itaú Cultural, será lançado em dezembro deste ano.
Foto: João Luiz de Castro
SERVIÇO
Ocupação Zé Celso
29 de julho, coquetel de abertura
De 30 de julho a 6 de setembro
De terça a sexta, das 10h às 21h
Sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h
Entrada franca
Terra Magazine
terça-feira, 21 de julho de 2009
DVD - As canções que você fez pra mim

