terça-feira, 4 de agosto de 2009

"O mundo me navega e eu não sei navegar"


Não consigo tirar uma imagem de minha cabeça por dois dias: Juliana Ribeiro, de máscara, cantando Direito de Sambar, do nosso Batatinha, aqui na Cidade da Bahia. Um show tão simples e tão expressivo, comunicando o samba com elegância, talento, destreza e musicalidade. Pôxa, trazendo Batatinha e a minha Clemetina de Jesus. Juliana é linda e já está bem crescida tão somente para os palcos da Bahia. O Brasil a espera.
Estou largado na opressão dos meus limetes: dói essa coisa de miséria cultural. Queria inventar a palavra, não a que revolucionasse o mundo, mas a que convencesse alguém do amor profundo que há em mim.
Abri um livro para copiar um trecho de um poema: era de Sylvia Plath. Não consegui. Desaguei na avalache destes dias. O mundo dessinalizado.
Acometi-me de louvações ao inquice Tempo - tudo a que posso recorrer! Louvações intensas de quem precisa fazer ainda muita coisa por aqui. Tempo para dissipar sombras, para evitar descaminho.
Meu destino é água apesar das máculas do fogo. Sou intenso. Navego na conoa da esperança e olho firme para um sentido: a poesia fora de mim que faz nascer poesia de mim... Meu nome além de Mar é Fé.
E você, sempre azul, às vezes virando meu barco, nunca sai de mim. Eu te navego sem saber.

A miséria cultural baiana

Setaro

Hoje acordei tombando em dois sustos tornados belas surpresas. A primeira (ou o primeiro?) foi o texto de Vitor Carmezim, em seu blog Inéditos e Dispersos, poetando sobre Leite Derramado, o mais recente romance de Chico Buarque de Holanda, fazendo com lirismo, num texto curto, um tipo criativo e envolvente de jornalismo cultural: o blog é lindo! Depois, tive acesso pelo Terra Magazine, a metralhadora certeira de André Setaro analisando, com muita propriedade e procedência, os descaminhos da criatividade artística em nossa Bahia. Vitor trouxe poesia leveza reflexão e possibilidades; Setaro trouxe reflexão asco denúncia diagnósticos informação e possibilidades. Manhã proveitosa e, ainda tem gente que lê no mundo!
Na íntegra, a rajada de André Setaro especialmente para o Terra Magazine:
Diz-se que a Bahia já teve seu Século de Péricles, uma alusão ao período efervescente que se situou nos anos 50 e na primeira metade dos 60, quando Salvador congregava o que havia de mais criativo na expressão artística. Estimuladas pela ação da Universidade Federal da Bahia, comandada, e com mão de ferro, pelo Reitor Edgard Santos, as artes desabrocharam com o surgimento do Seminário de Música, da Escola de Teatro, do Museu de Arte Moderna, dos inesquecíveis concertos na Reitoria, da porta da Livraria Civilização Brasileira na rua Chile, dos papos ao por do sol frente à estátua do Poeta, no bar e restaurante Cacique, dos debates calorosos da Galeria Canizares (no Politeama), da "boite" Anjo Azul (na rua do Cabeça), entre tantos outros pontos que faziam da Bahia um recanto pleno de engenho e arte.
Na Escola de Teatro, por exemplo, que, inicialmente, foi dirigida por Martim Gonçalves, montava-se, lá, de Bertolt Brecht, passando por Ibsen, Eugene O'Neill, entre tantos, a Strindberg, com um rigor inusitado, e tal era a excelência de seus espetáculos que vinham pessoas do sul do País, e até do exterior, vê-los encenados "in loco". No curso de preparação de ator, o estudante levava alguns anos para poder participar de uma montagem teatral, iniciando a sua trajetória como um mordomo mudo ou de poucas falas. Somente ter o seu nome no programa da peça já era um prêmio, uma alegria, um consolo.
O recente livro, "Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia", de Jussilene Santana, analisa a configuração do teatro como temática na imprensa baiana em meados do século XX e, pela primeira vez, faz justiça a Martim Gonçalves, o responsável pela excelência das montagens teatrais, criador da Escola de Teatro (que hoje tem o seu nome), mas muito criticado na sua época e até mesmo denegrido pelos opositores. Após a leitura deste livro imprescindível, a conclusão é única e inequívoca: sem Martim Gonçalves não se teria um teatro baiano do nível a que chegou, ainda que, décadas depois, tenha perdido todo o seu vigor, transformando-se num grande proscênio destinado à proclamação de "besteiróis", honradas as exceções de praxe.
Cinqüenta anos depois, meio século passado, a realidade cultural baiana é uma antípoda da efervescência verificada, uma época que foi chamada, inclusive, de "avant garde" pela sua disposição de inovar, pela marca de vanguarda da mentalidade de seus artistas e intelectuais.
Atualmente, a Bahia regrediu muito culturalmente a um estado, poder-se-ia dizer, pré-histórico, e o "homo sapiens" do pretérito se transformou no "pithecantropus erectus" do presente. Aquele estudante do parágrafo anterior, por exemplo, não existe mais.
Na Bahia miserável da contemporaneidade, qualquer um pode pular em cima de um palco, qualquer um se sente apto a dirigir uma peça, "mexer" com cinema, fazer filmes. Com as sempre presentes exceções de praxe, o teatro que se pratica na Bahia é um teatro besteirol, que faria corar aqueles que participaram da antiga escola de Martim Gonçalves.
A Bahia não está apenas mergulhada em bolsões de pobreza, na violência diuturna e desenfreada, com seu povo excluído de tudo - e até mesmo dos cinemas, mas do ponto de vista cultural a miséria é a mesma. Miséria cultural, descalabro, ausência do ato criador, apatia, desinteresse. Eventos existem para a satisfação de pseudo-intelectuais que não possuem as bases referenciais necessárias para a compreensão do que estão a ver ou a ouvir. O momento presente, se comparado aos meados do século passado, assinala uma regressão cultural sem precedentes. Como disse Millor Fernandes, a cultura é regra, mas a arte, exceção, o que se aplica sobremaneira sobre o estado atual da cultura baiana. Cultura se tem em todo lugar, mas arte é difícil, e a arte baiana praticamente não existe.
Com o desaparecimento dos suplementos culturais e o advento de normas editoriais que privilegiam o texto curto, além da incultura reinante pela assunção do império audiovisual em detrimento da cultura literária (vamos ser sinceros: ninguém hoje lê mais nada), a crítica cultural veio a morrer por falência múltipla das possibilidades de exercício da inteligência numa imprensa cada vez mais burra e superficial.
Sérgio Augusto, crítico a respeitar, que militou nos principais jornais cariocas, em entrevista ao "Digestivo Cultural", site da internet (vale a pena lê-la na íntegra: http://www.digestivocultural.com/entrevistas/entrevista.asp?codigo=10), do alto de sua autoridade no assunto, afirmou que o jornalismo cultural está morto e enterrado, ressaltando que se fosse um jovem iniciante não entraria mais no jornalismo porque não vê, nele, perspectivas para a crítica de cultura (área de sua especialidade).
Dava gosto se ler o Quarto Caderno do Correio da Manhã com aqueles artigos copiosos, imensos, que abordando cultura e artes em geral, eram assinados por Paulo Francis, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, José Lino Grunewald, Antonio Moniz Viana, entre tantos outros. A rigor, todo bom jornal que se prezasse tinha seu suplemento cultural. Aqui mesmo em Salvador, vale lembrar o do Diário de Notícias e o do Jornal da Bahia (em folhas azuis). Atualmente, resiste o Suplemento Cultural de A Tarde (mas, mesmo assim...).
A inexistência da crítica de arte não diz respeito apenas ao soteropolitano. É uma constatação geral no jornalismo brasileiro. Mas, e os cadernos culturais e as ilustradas da vida? Caracterizam-se pela superficialidade e servem, apenas, como guia de consumo, com suas resenhas ralas. Atualmente, os cadernos dois, assim chamados, são até contraproducentes porque elogiam o que deveriam criticar, colocando na posição de artistas personalidades que deveriam, no máximo, estar no departamento de limpeza de estações rodoviárias.
A crítica de arte serve justamente para isso: para, construtivamente, sem insultos, mas com argumentos sólidos, desmontar aquilo que não presta. Que falta não faz uma crítica de teatro séria, que, semanalmente, venha a apreciar o que se está a apresentar na cidade como literatura dramática! Ou uma crítica de artes plásticas. A interferência de um crítico faria corar muitos pintores que estão expondo na Bahia e posando como artistas. Assim também uma crítica de cinema que fosse menos paternalista com os "coitados' dos cineastas baianos cujas imagens são a de "franciscanos" em busca da expressão cinematográfica, mas cujos resultados, em sua grande maioria, remetem o espectador aos braços de Morpheu, quando não à aporrinhação.
Se a miséria da cultura baiana é cristalina, a miséria da crítica cultural é, também, imensa. Que esmola pode ser dada para se acabar com ela?
André Setaro é crítico de cinema e professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Billie Holiday: a voz autoral de um mito

Billie Holiday

Marlon Marcos

Especial para Terra Magazine

Há cinco décadas, precisamente em 17 de julho de 1959, morria Eleanor Fergan, aos 44 anos, que se imortalizou como a maior diva do Jazz, sob o nome de Billie Holiday. A memória musical do planeta acende-se para relembrá-la e dimensionar o legado de seu canto. Mais que uma simples cantora, Billie foi uma instrumentista da voz. Para muitos, inventou o canto popular. Criou improvisos vocais com a mesma magnitude que os grandes jazzistas desfiavam de seus instrumentos. Sua presença delineou talento, glória, decadência e tragédia, elementos vitais para sua transposição de mortal a mito no universo artístico.
Dona de uma voz tecnicamente pequena, mas de nuances diversas e criativas, Billie foi impecável ao somar uma carga dramática incomum em uma cantora popular a execuções musicais inovadoras. A música a salvou da prostituição e a sua trajetória confunde-se com a grandeza musical estadunidense por mais de três décadas: entre os anos 30 e 50. A cidade de Nova York viu nascer aquela que seria a maior cantora popular - com um pouco mais de 15 anos, ela já acompanhava músicos da estatura de Benny Goodman.

Bela e tida como "negra miscigenada". Adorada e maltratada ao mesmo tempo. Para uns, era branca demais para ser aceita pelos negros. Para os brancos dos Estados Unidos, apesar de ser uma "grande cantora", não poderia freqüentá-los; do palco para os fundos dos lugares em que se apresentava e, por onde também, tinha acesso para ser quase sempre ovacionada em suas apresentações. Billie era proibida de entrar pela porta da frente nas principais casas que se apresentava em seu país e quando no palco, entre drama, bebida, dor, ódio e rara musicalidade, arrancava aplausos sem medidas do mesmo público racista que insistia em hostilizá-la.

Ela foi senhora da sua musicalidade e como tal, operacionalizou transgressões em sua vida, e agredia seus detratores, muitas vezes, agredindo a si mesma. A mulher lançada a paixões quase criminosas e sofridas; seus homens e amantes eram brutais, violentos e exploradores. E em sua caça amorosa, viveu algumas histórias com mulheres, entre elas a poeta Elizabeth Bishop.

A beleza de Billie impressionava a todos e quando cantava ampliava o seu poder de sedução, e nessa junção, ela tornava-se uma fêmea fatal. Foi a Lady Day do grande Lester Young, com o qual Billie gravou preciosidades e de quem ela quase sempre não se afastava. Realçou canções de Cole Porter, Duke Ellington, Louis Armstrong, dos irmãos Gershwin, Kurt Weil e ensinou Frank Sinatra e Tony Bennet a cantarem.

Dizem que a grande marca entre as cantoras brasileiras, ou seja, nossa cantante ancestral é Carmem Miranda. Em se tratando do mundo, habitat que salvaguarda, em presença ou memória, nomes como Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Amália Rodrigues, Elis Regina, Nina Simone, Aretha Franklin, Nana Caymmi, Gal Costa, Norah Jones e Maria Bethânia, todas integralmente, mesmo que neguem isso, curvam-se diante do legado Billie Holiday.

Billie acorda nossa memória sem desespero. E dói. Ouvi-la é ir ao encontro de nostalgias e pela música, negar as barreiras que os idiomas geram. Sua voz é uma representação antropológica da idéia que fazemos da melancolia. Rasga fazendo silêncio. Traz tristeza criativa. Imita o sax para ser um canto sobre-humano. Ela não morre enquanto houver canção neste planeta. E se a canção se esgotar, a sua memória de instrumentista da voz chegará a todos pelo imorredouro exemplo de talento feminino que ela impôs ao humano na evocação do seu próprio mito.

( Texto publicado no Terra Magazine em 31 de julho de 2009).


Porvir


Não precisa ser seguro, lotado de endinheiramentos, nem rasgado de fama e descontroles. Tem que ter beleza. Alma nas cores e lugares. Minutos diários de poesia e falares cotidianos. Água do mar para banhar, bons livros e filmes,viagens antropológicas. Azul a espelhar os sonhos que movimentam. É isso: os sonhos não podem cessar. Esperança como oxigênio. Um outro lugar para morar. Pequenos rasgos. Declarações de ódio e amor escritas à mão. Flores. Cor-de-Rosa. Amarelas. Amores. Perfume para rememorar. Saúde e embriaguez literária. Um mundo tão pequeno comporta o inesperado bom. É isso: tons primaveris nessa ânsia de surpresa. Outro lugar para morar. Vestígios de palavras compondo uma sinfonia. Não. Uma inclinação literária: o livro. Sim. Aquele gosto de chocolate branco em sutilezas do amor imorredouro. Saúde para escrever e publicar nessa rota do destino. Clareza e Sabedoria. Harmonia revigorante. Fé. Os olhos assistidos num corpo dançante amado-amante e música popular. A cabeça girando girando girando sem imagens distantes: aquele cheiro ao alcance de tudo que se move em mim e meu coração só pulsa para fazer redesenhos do que está ali na frente. Por vir.

sábado, 1 de agosto de 2009

Ela, Elis

Elis

Esta faca que atinge, sem dó

O coração

Este exército que ocupa, impávido

O peito

Esta enxurrada que inunda, plena

O meu ser

Atônito, nu, desvendado

Me toma ao chão

Como gigante, em sua mão

Já não me tenho,

Mas ganhei o mundo

Leveza poderosa e intensa

Densa, dança nobremente, como se fosse eu

Um todo salão de tablado

Revivendo sentidos

Como se não fossem assombrações

Não mais

A voz de Elis...

Quero mais!

"23-07-2009, dia feliz,ouvindo, pela milésima vez na vida, o disco Falso Brilhante"

Serginho Guerra, poeta-historiador

Revê-la

Billie Holiday
Quando o ouvido vê e os olhos sentem o mundo pesando, a vida passando e o gosto do querer sem ter na boca. Às vezes se tem tudo. Música e representação. O coração funcionando à espreita de uns escritos que se figuram corpo. Beijo na tela. Corpo. Ânsia de abraçar. Saudade. Night and Day. Aquela respiração. Uma eletrola que diz e ele não volta. Histórias. A camisa guardada suada suja transcrita maldita calada. Deus. Fumaça. Rua da delicadeza. O mundo fechado. Guerra sem movimento. Poemas. Tarde cinza. O sol. Chuva interna. Sem compromisso. Resíduo da boca tão perto. Lágrimas na memória. Voz. O canto mais profundo. Asas sem imaginação. Anjo menino. Agora já. Ágoras. Lugar dessentido. Olhar castanho. Nudez. Dança. Não vem. Saudade. Solidão. Silêncio.
***
Vinil posto na eletrola para um sax voz trazê-la em nós. Vinho na mesa. Seu cheiro e riso. Beijo na virilha. Revê-la. Billie está cantando.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Espelhamento


E quase que inexiste de tão pequeno e distante. Mas é puro. Vai ao fundo do que espelha a alma sem negar o corpo. Orienta a favor das coisas que fazem sentido. É límpido e pulula.Ventila e inspira em suas vestes azuis. Domínio do sonho. Música ouvida da janela que se abre para o mar. Passeio gostoso da memória afirmando o encontro. Truques e brincadeiras. Acha o verde para reluzir esperança. Um aperto de mão. Abraço demorado. Olhos nos olhos - feito criança refletida ao espelho. Tão pequeno mas tão verdadeiro. Aquece de palavras expostas em livros. É ninho. Agasalho. E quando calor, é água matando a sede. Um sorriso. Uma seta seguindo sem queda e sem volta. Fura outras perspectivas e cria um único destino. Um. O que deveria ser dois. Um cabendo na miudeza. Missivas do alento. Fagulha e oração. Eternidade com cara de menino. Além de tudo, amizade. Saudade na presença. Subida da alegria. Abraço demorado. O sonho de ontem na vontade de hoje. Encontro vernacular. Carinho escrito distante. Beijo sem dar. Espera lenta e sagrada. Tão pequeno do lado de lá e tão gigante acolhendo de cá. Espera e habita.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

À procura de um olhar


Anote aí: dia 31 de julho, a partir das 19 horas, os olhares de Pierre Verger, Claude Lévi-Strauss, Jean Manzon, Marcel Gautherot, Olivia Gay, Luiz Braga, Bruno Barbey, entre outros, ganham guarida no Palacetes das Artes Rodin Bahia.
Nesta data, será aberta a exposição “À procura de um olhar – fotógrafos franceses e brasileiros revelam o Brasil”, evento que integra o Ano da França no Brasil. A curadoria é de Diógenes Moura e a mostra permanece na instituição até o dia 3o de agosto, com promoção do Intituto Casa da Photografia, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
O Ano da França no Brasil é organizado pelo Comissariado geral brasileiro, Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores. Na França, pelo Comissariado geral francês, Ministério das Relações Exteriores e Européias, Ministério da Cultura e da Comunicação e por Culturesfrance.
(Retirado do blog Inéditos e Dispersos, de Vitor Carmezim. Endereço eletônico: http://carmezim.wordpress.com/ ).

Mil e um Zés Celsos

Foto do Portal Terra

Esta matéria foi retirada hoje, 30 de julho de 2009, do Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br/), e aparece aqui para homenagear o grande José Celso Martinez Corrêa:

Advogado, artista, diretor de teatro e de cinema, ator, músico e compositor. Este é José Celso Martinez Corrêa, mais conhecido como Zé Celso. Suas facetas podem ser conhecidas de 30 de julho a 6 de setembro no Itaú Cultural. "A Ocupação Zé Celso", nome da exposição, traz fotos e documentos inéditos acompanhando o artista da sua infância aos dias de hoje.
O evento é parte da série de mostras de curta temporada, programada pela instituição, sobre veteranos consagrados que servem de referência e influência às novas gerações de artistas que despontam nas artes visuais, no teatro e na literatura.

Centenas de fotos, 12 sets com cenários representativos de cada época, 33 monitores, sete projetores e até um quarto, chamado Paucucama, cujas projeções só poderão ser vistas por maiores de 18 anos.
Zé Celso nasceu em Araraquara em março de 1937. Mudou para a capitar e nos anos 1960 deu início ao seu trabalho com o grupo do Teatro Oficina. Sua produção é encarada por vezes como como orgiástico, dionisioaco e antropofágico, como menção ao movimento surgido durante a Semana de Arte Moderna de 1922.
O grupo liderado por Zé Celso era amador e foi formado quando ainda integrava a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Alguns de seus primeiros sucessos foram: Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki; O Rei da Vela, de Oswald de Andrade e Na Selva das Cidades, de Bertolt Brecht. Sempre irreverente, Zé Celso ganhou todos os prêmios de melhor direção.
A pesquisa foi feita por Marcelo Drummond, Elaine Cesar e uma equipe do Teatro Oficina. Álbuns da família Martinez Correa e dele mesmo, arquivos na Unicamp e do Instituto Moreira Salles, gavetas no Oficina, testemunhos do próprio registrados nas centenas de entrevistas de todos os gêneros que já deu resultaram em uma compilação de informações como ninguém reuniu até hoje.
Todo este material pesquisado vai subsidiar, ainda, documentário sobre a vida do artista. Dirigido por Tadeu Jungle e Elaine Cesar, com realização do Itaú Cultural, será lançado em dezembro deste ano.

Foto: João Luiz de Castro

SERVIÇO

Ocupação Zé Celso

29 de julho, coquetel de abertura

De 30 de julho a 6 de setembro

De terça a sexta, das 10h às 21h

Sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h

Entrada franca

Terra Magazine

terça-feira, 21 de julho de 2009

DVD - As canções que você fez pra mim


Jornalisticamente tudo foi dito sobre as desvantagens da aquisição do DVD As canções que você fez pra mim, projeto de 1993, da minha Maria Bethânia,encabeçado pela Universal. Só queria que tivessem recuperado Adeus,Bye Bye, sucesso da Banda Eva, na época com a voz de Ivete Sangalo, e com a qual Bethânia em seu show no TCA, enlouqueceu a plateia.
Agora aquele show e este registro marcam o meu desbunde pela Abelha Rainha. Assisti-lo me coloca no centro de memórias perfumadas e amorosas e eu me sinto novamente naquela noite doída e absurda quando ela cantou Genipapo Absoluto. Bethânia é o colorido da minha voz apaixonada, ou melhor, é o simbolo de uma paixão exitosa e correspondida. Essa espécie de sentido que ela deixa em mim, por favor Orixás, não me deixem perder.
O DVD poderia ser bem melhor. Mais o melhor daquilo tudo ninguém traduzirá e mais ainda: ninguém pode tirar de mim. Ave este projeto - longe de ser popularesco como as elites( arre!) disseram. Canta Bethânia,do seu jeito inteligência beleza paixão e êxito!