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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Em Igor Kannário: a velha forma carnavalesca de sempre!



Não tem jeito.
Essa esfuziante apologia à FAVELA SHOW de Igor Kannário não me convida. Pergunto-me se esse ocupar as ruas do povo baiano através do barulho gerado pelo gritador pode nos conduzir a tipos de diversão mais edificantes. Lembro-me do Chiclete com Banana atraindo as massas como rolo compressor e depois Bell Marques voltando para sua mansão na Graça...Tudo restando igualzinho. É careta se pedir por educação e se querer produtos musicais carnavalescos que nos façam um povo mais exigente?" Tire a camisa, tire a camisa - quem for FAVELA tira a camisa". Ele é um "fenômeno" porque é guiado pelo desejo catártico e começa a ser apropriado por parte dos empresários e políticos que assistem e se interessam pela força do seu discurso ideologicamente filiado às "favelas". Já entra o mercado e a voz de Kannário nos será representacional a favor de uma ordem social mais justa e menos violenta e menos desigual e mais instruída? Instrução educacional não conta? Quem defende aquilo livremente e pensa sobre o assunto ocupa lugares mais dignos e fora das ruas sujas de Salvador. Não acho que ele deva ser desconsiderado, nem tem como, mas me assusta ouvir Giberto Gil falar da legitimidade histórica dos Camarotes ( "sempre foi assim") e dizer que o melhor do Carnaval foi Tomate... Assusta-me o público antenado da Baiana Sistem com cara de: eu bebo água na casa de pobre, eu uso conta de orixá, eu falo e ando com gay, tenho muitos amigos pretos do gueto e se perfilarem como sabidos e exigentes...Mas o som da banda é lindo, resultado da presença doMicroTrio Carnaval em nossas ruas, mesmo que Gil e Caetano Veloso não consigam enxergar. Assustam-me a gritaria dissonante e as constantes ações de violência na caminhada do Kannário. Deve ser a REVOLUÇÃO que se aproxima e não será pela educação que tanto se estima. Deve ser. Um Carnaval da Baiana Sistem com um público insuportavelmente classe média e, do outro lado, o Kannário com outro público arrebentando-se violentamente, gerando um novo endinheirado que vai alimentar a indústria branca do Carnaval com a nossa estupidez nacional.
Como bom passadista que sou: me comovem as letras históricas do Ilê, o Ijexá do Gandhy, o trânsito socioeducativo do microtrio, a beleza da Rumpilezz, a força do Muzenza, a marca do Olodum, a trajetória do Malê de Balê, as perguntas gostosas da Mudança, a voz de Marcia Short, o avanço dos Negões, a presença criativa de Daniela, as invenções do Brown, a Timbalada sem cordas, Gerônimo e Luiz Caldas, Xanddy e o Harmonia Do Samba, a sofrência de Pablo, sei lá...
Não tenho a capacidade visionária de Caetano Veloso e nem a musical do mestre Gilberto Gil - mas se tratando de acompanhar Igor Kannário pelas nossas ruas, evito até do Camarote de Flora Gil, de onde certamente nossos idolos celebram o tempo da FAVELA SHOW, quando nem favelas deveriam mais existir.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sem querer carnaval


O mais desgastante para mim, em termos que refletem o carnaval, é ter que considerá-lo, à luz de Durkheim, que ele é Fato Social. Não quero teorizar sobre algo que, na minha cidade, agoniza e nos retira das vias do verdadeiro prazer. Hoje, é uma festa para turista que não viveu a espontaneidade e nem outras possibilidades de se fazer esta folia na Cidade da Bahia.

Não querer...
teorizar é não me dispor de tempo a elaborar reflexões, citar autores ( arre!) e promover debates. Queria ( e ainda quero) estar fora da festa... Não sei onde encontrar a poesia que me animava nesta que foi a festa que mais amei na vida. É algo muito pessoal o meu desgaste com o movimento momesco de Salvador; e me dá alergia alguma elaboração ( minha ou alheia) que me acuse de saudosista, e insista em dizer que a festa dos camarotes e das cordas excessivas continua a ser a força cultural da Bahia.

Prefiro sentir o Rio Vermelho na madruga do Dois de Fevereiro e depois voltar para casa. Ouvir a cantora Stella Maris singrando sua própria sonoridade, conversar com amigos, banhar no Porto( se não fosse no Circuito), ler coisinhas, tomar cervejinhas, me aliviar de mim mesmo.

Esquecer é razão de bom senso: permite alguma reinvenção e nos faz abrir-nos para outro tempo que coexiste com os “velhos” dentro da gente. Carnaval é matéria do passado que aponta o meu envelhecimento, mas aponta também a seletividade que chegou e me obriga a querer mais dos momentos em que busco ser feliz nesta vida.

Pelos amigos: verei a Mudança do Garcia, talvez olhe Daniela Mercury passando, não sei... Meu amigo jornalista na cidade, em sua exuberante inteligência, trabalhando e se divertindo, fazendo-me rir, me deixa ficar em Salvador...Façamo-nos companhia e eu ainda continuo em combate... Verinha e Adriana me trouxeram, nesta terça, a Luís Caldas... Fecho os olhos, cantarolo Gil, que ali estará: mistério sempre há de pintar por aí.
 
Para quem gosta: maravilhoso este carnaval. E Deus é conosco!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Daniela Mercury: jus ao título de rainha



Um tecido pérola negra. A voz andarilha de uma chefe da folia com necessários traços educativos. Ela canta e dança na certeza de quem instaura beleza no Carnaval. E sai a favor do povo, dialogando com o mercado e os intelectuais, entre camarotes e cordas, se faz sem-cordas para dizer que na Bahia também se inventa. Sem isso de rainha, ela é única na asserção do termo, uma majestade inviolável e para além das antipatias que pode causar. Repertório amalgâmico esculpido na tradição escolar tropicalista, reverente aos mestres absolutos - de Tom Zé a Gilberto Gil, passando por Chico Buarque e Luiz Gonzaga, aportando no mar Lenine, devorando o melhor contemporâneo que a música popular nos dá - , ela faz o tal do Axé tremeluzindo a bandeira da qualidade. Meio Carmem Miranda e Baby Consuelo, naquela emissão sem igual que registra Márcia Short, Daniela bebeu nessas fontes. Assim como: quanto a princesa Ivete Sangalo deve a rainha Daniela Mercury?
Um tecido branco e azul reunindo diversidades e cantando para os membros do "amor que não ousa dizer o nome", sem reticências, nem titubeares; diva complexa como tem que ser as artistas de verdade. Uma presença iluminada no Carnaval de Salvador, com tanta vontade de novidade, sem perder a graça da festa, da molecagem, da brincadeira, na medida certa de alguém que respeita a inteligência alheia. Faíscas da beleza que persigo; doses de feitiço daquela que mexe com nosso corpo inteiro nos levando a gozos e pensamentos. Daniela é à maneira da fruição. Trocas simbólicas da Bahia com o mundo. Canibália espetacular - circularidade de uma voz nascida para o negro Carnaval deste lugar e que ela espreita precisa ,com fé e Ilê Aiyê, sem macular o universo de quem gesta nossa musicalidade...
Cantora trieletrizada que compõe de verdade. A melhor companhia feminina nessa seara desgastante que se tornou o Carnaval da Bahia...
Um tempo para que se dê mais espaços à grandeza de Márcia Short; a beleza do Carnaval do 3naFolia; a lindeza de Juliana Ribeiro; aos passeios loucos da autoridade maior Baby Consuelo; a força do canto da outra diva de verdade, a princesa Margareth Menezes.
Daniela Mercury traz consigo tudo isso: e a gente aprende que o melhor da gente, depois de Fé e Amor, é Arte.

terça-feira, 1 de março de 2011

Mariana Aydar canta com Daniela Mercury no Carnaval de Salvador

Tinha que ser Daniela. Mariana Aydar, a linda, canta com La Mercury, domingo de Carnaval, no trio mais festejado do Carnaval baiano, o do bloco Crocodilo. Mariana é uma das vozes novinhas que eu mais gosto e que de lá de Sampa, forma grupo de excelência com Céu, Fabiana Coza, Márcia Castro, ressoando aqui em Cláudia Cunha, Manuela Rodrigues, Juliana Ribeiro... Adoro esta paulistana. Agora, bem acompanhada com a nossa Daniela Mercury... Imperdível!