segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Obrigado!


Às vezes, se pode, delicadamente, sonhar acordado...
A vida ilumina sob os desígnios de Deus...
E eu me ponho no colo da minha Mãe
Vestido em verde azul amor e vou
Todo agradecido numa voz que me orienta
E me ensina a ser em nome da beleza.

A voz,

Maria Bethânia,

motriz do Brasil que eu preciso...

Universo: muito obrigado!

domingo, 3 de novembro de 2013

Por que a senhora é assim?



Morrendo de amor à voz de Maria Bethânia

Saudades do que não houve



Manhã chuvosa de domingo sempre frio
Me trouxe a ausência que não me deixa
Me encerrou na dura certeza
Do tempo esgotando o sonho de amar.

Molhado nos cabelos e nos pés
Sem liberdade na imaginação
Pousei os olhos sobre o retrato
Carreguei a velha camisa no colo
Lembrando o sentido da eternidade.

Me despistei de mim
Para ter chance de sair
Enfrentar domingo e chuva
E cumprir a vida frente ao barulho
Do silencio desta ausência que não se aparta
E sempre anuncia o que eu já deveria ter esquecido.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

eu e você

um pouco de poesia pra mim
um muito pra você

alguns lugares pra ir
outro pra ficar

ver você sorrir
a me imaginar

beijo doce em você
no ritmo quente
do alvorecer

sem espera
sem pressa

eu e você
maiores que o mundo

e tão pequenininhos.




sábado, 26 de outubro de 2013

Chagall: outro planeta azul



Tão somente porque me acusam
E eu confesso meu deslumbramento.

Antevejo as formas
Plagio as cores
Cultuo o nome.

Mora o peixe em mim
Guiando-me ao Universo
Meus sonhos noturnos.

Confesso o efeito celebridade
Abarco pesadas paisagens
Para quando outro ser

Ser Chagall
Desvairadamente bobo
Surreal

Desenhado num escrito
De Clarice Lispector.

E eu,
Autor de muitos crimes
Contra o cerco literário

Sou-me criança voadora
Condenada
A outro planeta azul.

domingo, 20 de outubro de 2013

Estar vivo

Manteiga num pão francês bem quentinho,
café com leite acompanhando,
um poema de Pessoa
ou texto antropológico sobre candomblé...

Só isso aí
já me faz adorar e agradecer
estar vivo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vinicius, 100 anos!



Vinicius,


Toda vez que, quando criança, ouvia seu nome, quase sempre diziam que você era o poeta que amava as mulheres. Depois, adulto, com as mulheres que eu andava, e com alguns homens também, você era o poeta que objetificava as mulheres, as tornava coisas, como bibelôs.


Pensava na sua capacidade profunda e leve de falar de amor. No texto inteligível alcançando a todos sem perder a graça e a grandeza poéticas... Você sempre existiu pra mim. Acho que por conta disso de fazer canções e de ligar-se a tal da MPB, poderosa forma de educação e formação de opinião no Brasil a partir dos anos 60, você se tornou o mais querido e conhecido poeta brasileiro, mais querido que o segundo mais conhecido Carlos Drummond de Andrade.


Sua poesia me tomou pelas vias da minha força de gostar de amar. E a sua história me comovia: o homem dos bares, à luz do Rio de Janeiro, amante da Bahia, filho fluido de Oxalá, protegido de mãe Menininha e todo amor ao falar de amor.


Grande, muito grande mesmo, poeta de todos nós. Por inteiro. Sem precisar ser mais ninguém, a não ser: o boêmio Vinicius de Moraes.
Agora, 100 anos! E Itapoan na minha corrente marítima. A voz de Maria Bethânia a entoar as precisas palavras suas... Saudade do que mais amo, na voz dela, embalando Primavera, me fazendo sonhar.


Sua história de tantas glórias também foi muito doída. O fim para sempre. A candura alcoólica, o homem humano com asas de poeta.


E esta eternidade acesa no coração de um país: você é assim. A gente lhe pensa com o coração e lhe sente na voz entoando suas canções ou recitando seus poemas.


Este sábado está impregnado de sua mágica presença. Nada de sentenças sobre perfeição; muito menos considerações irregulares sobre a sua condição de poeta. A sua condição de poeta lhe tornou o melhor poeta entregue ao viver. E a gente lembra bebendo e chorando frente à maresia, num misto de medo e de coragem pelos temporais que nos chegam pelas rotas da memória sangrando.

Hoje é alegria porque sua eternidade está durando na ontologia dos brasileiros. Porque a palavra nos veste e nos deixa mais bonitos à brasileira Vinicius; esta forma, por vezes sem forma, a guardar nossos sonhos de beleza.


Quereria ter o fazimento.
Ancorar em baías desconhecidas
E aplacar memórias minhas com sal
Cerveja olhares tesão e sua poesia.
Ouvir frente ao mar suas canções
Sair talvez sem sair da Bahia.

Esteja conosco, poeta. Esta casa, que abriga mais de duzentos milhões, é sua. O Brasil é um pouco invenção sua também; e eu te abraço, mesmo confuso frente à morte, porque sei que nada nos é mais vivo do que o seu testemunho. Como Neruda, você poetinha nos confessou que amou e viveu. Apaixonadamente.


E não esqueceremos  você. 

domingo, 13 de outubro de 2013

Vinicius,



Saudades, poeta:

das letras e energia
da vontade depressa
amar

desta sua cara
álcool e doçura
tantos defeitos

da beleza palavras
da coragem
incompreendida

das fórmulas
em desajustes
o poema

as idas
as vindas
o adeus

saudade
da Bahia descrita
na sua voz

e do Rio
nem se fala
sua vida

do jeito
menino Olufã
aos pés de Menininha

da fonte
na canção Primavera
toda possível saudade

do testemunho
da entrega
poeta ultra verdadeiro

erros
perdão o coração
em brasa

da sua luz
e da sua escuridão
as marcas

da contradição
entre Bethânia
e Elis

whisky
cerveja
aruá

vinho
sobremesa
canções

da líquida fé
das vestes brancas
das tardes em Itapoan

mas
mais que tudo
da sua paixão.




sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Em busca

estou sob o risco de mim mesmo

para fora do dentro que não há

vivo de sede e de fome

por tudo que ainda posso encontrar.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

memórias profundas


À flor da pele
em saudades
que machucam.

Isso de mexer
em velhos baús
álbuns de fotografia

no dessentido
da bossa nova


é foda!