Mostrando postagens com marcador Paulo Mendes Campos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Mendes Campos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Paulo Mendes Campos


"Desvairam" é um sentido que impulsiona a olhar pra cima e pros lados; apaga o autocontrole pesado e vivifica os movimentos físicos. O pensamento acompanha. Ventila o estar da gente querendo ser. Sensação quase loucura, visgo do prazer.

"Desvairam" é a leitura que mais gosto: mergulho nos olhos de mar de alguém em quem eu quero me perder.

"Desvairam" é uma prescrição na crônica do mineiro com jeito carioca de ser; me alisa com juventude... Irrompe-se. Tentativas. Caminhada pelas ruas noturnas do calor, do querer...Todos os erros que cometemos à luz da consciência tranquila porque nesse instante a mente está em desvario.

sábado, 11 de maio de 2013

Era uma vez Paris...

(Marlon Marcos)

“... de repente ocorreu-me de novo o milagre, e doeu-me – coisa espantosa – uma saudade magnífica de Paris na primavera, os plátanos agitando as ramas no ar silente, os bancos à beira do rio, onde li e reli que sob a ponte Mirabeau corre o Sena, e a alegria de sempre vinha após a pena, e era uma saudade mais de mim a vadiar pelas ruas e os bosques, indo e vindo pelo cais da margem esquerda, remexendo livros empoeirados, admirando a cor e o imponderável, brincando com as pontes todas o terno jogo da poesia, afeiçoando-me até morrer pela ilha de São Luís, as torres góticas encastoadas em luz de ouro, e outras cores, outras ramagens, ruas que me faziam por si mesmas, e o meu destino, os vinhos tintos do crepúsculo, as brisas eufóricas, uma saudade, disse eu, sem jeito, feérica, rue Gît-Le-Couer, rue de Hautefeuille, rue de la Harpe, uma saudade que me dispersava, fatalizando-me suavemente, inclinando-me às águas quiméricas do tempo, como me perco no olhar de quem amo.”


De repente, Paulo Mendes Campos