domingo, 9 de fevereiro de 2014

Do tempo

isso do tempo passar é ruim,
mas o tempo não passar
é terrível

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A grande beleza





Penso sobre o que seria a grande beleza. A única certeza é que ela reside no que a gente alcança de mais simples, não é erudito, relaciona-se com sentimento, e pousa na ideia de coração.

Pode ser o amor por outro. Mas não se faz só nisso: a grande beleza é ter algum sentido contínuo e saber vencer o tédio, e poder contar consigo...
A grande beleza é o coração batendo, você no centro da sua saúde, frente ao susto do envelhecimento, mas se vendo sábio e oportuno: ainda querendo o mistério da vida.

A grande beleza é saber receber e saber ofertar... Agradecer, no específico, o dom da criação ( todos têm) e ouvir a tal canção que lhe sustenta.

Ouvi Trem das Cores – azul que é pura memória de algum lugar. Ouvi a voz romana de Caetano Veloso – esse homem cinema.
Abraçado ao Rio, ao calor, ao mar... Bebendo e fazendo pose para brindar o esquecimento.

A grande beleza está aqui. Eu me escrevendo. Inscrito em adorações. Refrescado na boa ação de poder sair do meu lugar, do cotidiano, do sem transbordo.

A grande beleza é poder amar sem precisar amar, necessariamente, somente a quem nos ama. A grande beleza é este lugar que me embriaga e que me pertence sem eu saber por que...

A roda da voz do cantor outrora franzino, fazendo sonhos na minha maneira de desejar...

A grande beleza é azul e triste; mas é azul e alegre; é azul tão somente.
Venta com o cheiro de Iemanjá – a mãe está. A grande beleza é poema para a poesia a qual insisto encontrar.

Hoje é o Leme – antevejo a mão da escritora tocando o mar e louvando, sem saber, a energia que comanda o nosso ori, a nossa loucura... Esse nosso jeito de exercer a beleza que escapa, às vezes, muitas, a este mundo.


Rio, 30 de janeiro de 2014

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

***

A lua desta noite
de tão linda
está me 
transtornando.


mais que poesia

A lua rodando entre as estrelas




Charcos lunares se abateram sobre mim. A intenção era dormir para estar no sonho. Bem madrugada de 19 de janeiro atemporal. Acordado entre o orixá na cabeça e o desejo na boca. Fome. Sede. Vento no centro daquele calor. Hoje. Lugares noutro especial: eu lia os olhos negros que não me viam em um terminal de Paris. Escrevia para cessar minha fala; subtraia, somava, mas não dividia. O calor. Tessitura de uma escrita normal para abraçar o silêncio. E a lua me absorvendo como canção como cinema. O olho cansado das buscas para a boca ávida sem me deixar dormir. Medo. O especial do lugar que não esteve: olhos negros cruéis tentadores numa dança sem Carnaval ou sem alegria, com poesia, na lembrança restando Paris.

A lua trouxe para mim o nome daquela cidade,

o domingo me despertou domingo...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Beijo

eu sei que falta cor
é sem forma
e passarela
mas com o ímpeto do amor:

tasque-me este poema.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Cachoeira de mim



Há lugares que nunca saírão da gente
São a alma da gente
Mobilizando emoções.

Bethânia: a alma na cara



É como se eu estivesse de frente a um poema que aos poucos  fosse se revelando especial, diferente, raro, legal, enfim, bonito.

São traços e lugares de muitos sentidos no rosto de Maria Bethânia. Tão incomum que, os mais comuns, já atestaram de feio. A fotogenia é impressionante; ela nasceu com a cara que carregaria aquela voz, naquele canto, para fazer conosco o renascimento da beleza real: final e sempre inventada como as verdades que nos guiam.

Sinto alegria ao olhar para ela: é como uma paixão contínua, correspondida, que me põe no lugar da plena satisfação...  Mas nunca é plena porque eu saio de lá à caça de outros sinais, outros sons, outras formas que me mobilizam à profunda admiração que trago e levo pela artista... A mulher é linda e a artista magistral poema que me alia  à minha própria criatividade.

Por dentro

(hoje)

um cantinho
para eu ser
o que de fato
sou.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MB


pra ganhar noites, tardes, manhãzinhas...
continuar entre o tilintar das águas doces
e o sol que só faz animar.

pra agarrar a poesia e se soltar por ela
força e doçura, silêncio e gargalhada.

a fala que enfeita
e o estar onírico
desta mulher que
(en) canta.