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quinta-feira, 17 de julho de 2014

do que não houve

queria que fosse bem tarde... bem desgaste do tempo negando. fosse maior que a dura saudade e sem retorno do sol... fosse inteira vida em segundos e acabasse sem a ideia de acabar. fosse: intervalos entre a falta de sorte...dois corpos bem separados localizados no exíguo espaço do desencontro...falta de nome e falta de transporte...o medo matando... todo o tempo do que não houve.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Maio



É maio,

noitinha de 12 de 2014

há vento, há flores, há frio...

serenado estou como deve ser Outono,

sem festa, sem discurso, sem personagem...

eu doendo um pouco

fazendo silêncio para orquestrar o salto

movimentado à beira da lua,

extasiado com o que renasce

sob o nome de poesia.

escrevendo feito missão

ao Tempo.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Do tempo

isso do tempo passar é ruim,
mas o tempo não passar
é terrível

sábado, 24 de agosto de 2013

Tempo balança



Paciência para fora
Deste ardido dentro;
Nem vento nem sol,
Só o tempo balança
Pesando o sentimento
Que não passa.

sábado, 4 de maio de 2013

Tempo de espera?


 
Não  sou eu quem falo sobre o tempo,

é o tempo que se descreve em mim,

para evitar assim a excessiva confusão.

 

É o tempo que me formula desistência

me anima a deixar a espera,

me recobra a memória,

me retoma  para novos anseios...

 

O tempo desenha o embuste

que me tornei no parapeito

das  janelas;

escancara minhas ilusões...

é mau comigo,

me fazendo o bem.

 

O tempo me ensina,

eu o péssimo aprendiz,

desertor  de clarezas

em assuntos da emoção.

 

Envelheço,

como se tivesse a eternidade,

todo o tempo a meu favor,

espero espero espero,

que o silêncio me abrace

e me faça delícias naquele

amor.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Em Sampa

(Marlon Marcos)

"Deixe o TEMPO resolver, o que tem que acontecer,livre"

Parece-me que, em mim, a vida é só pensamento. Quando descanso, penso sobre as coisas que dão descanso, e assim me inscrevo numa espécie de devaneio que não tem fim.

Parece-me que na mente inventei a eternidade e que eu nunca acabarei. Até o cansaço é infinito, o riso, a visão, o choro, a saudade... Tudo coisa solta na imensidão. Como a cidade de São Paulo.

Parece-me a existência, dentro aqui, não ter lugar nem pertença... Vivo por onde à espera de alcançar. Sou-me mais que o silêncio, e é nisso que me doou... Sangra retina, escapulo, escrevo bobagens, invado filmes, respiro poesia, uso contas e tenho fé.

Parece-me e é: minha única morada, o mar. Vivo de enchentes e vazantes que a solidão arranjou para mim.

São Paulo é outra saída?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Medíocre

Algo que fagulha mas não reacende,
porque certeiro demais,
para um tempo que sempre foi de menos
.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ciranda de dois e o tempo






Arde os ouvidos.
Concisa solidão
Onde tudo posso ter.
Caminhos percussivos
No coração a ceder.
Transmedo quando toco;
Fuga e ficar à luz do nada.
Posse solitária do "você":
Entrave nesses olhos,
Ciranda em nós dois,
Noitinha sem sua voz,
Perguntas aos lençóis,
Batuque seu minha poesia.

sábado, 12 de maio de 2012

Maio

Motivos para renascer. Ter sol em paisagens marítimas e finda esta dor que não me quer largar. Um tempo destas palavras que esboço dentro da esperança que alimento. Um tempo da fome por beleza e fazeres saudáveis. Um tempo na explosão do tempo fazer acontecer. Tempo tem. No corpo que é meu e me delato com coragem e encenação. Toco na mudança que fisga este momento. É tempo de renascer.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Mameto Zulmira de Nanã

Foto de Solange Valladão
Não há nenhum desgaste em se falar da poesia que endossa o mistério do candomblé; em se anunciar a transcorrência dos diversos exemplos de sacerdotes e sacerdotisas que deram esteio aos fundamentos de uma religião inventada por negros africanos e brasileiros, e que sustentam muitas das noções de civilidade entre nós neste país.



Exemplarmente, neste mês de novembro, negro como tem que ser, Zulmira de Santana França, a mameto Zulmira de Nanã, faz 70 anos de iniciação na religião de inquices, voduns e orixás. Uma sacerdotisa devotada, com amor e profundo respeito, às energias que compõem a fé dos adeptos do candomblé; uma mulher de alentos e majestade no que muito sabe, de verdade, cumprir o papel de mãe nisso que o mestre Vivaldo da Costa Lima brilhantemente sistematizou como “família-de-santo”.


Mãe Zulmira é a Nengwa ( o mesmo que mameto ainda para os angolas, ou a iyalorixá dos ketus) do Unzó Tumbenci, fundado em 1937, pela saudosa Marieta Beuí, no bairro de Cosme de Farias, e que hoje funciona em Lauro de Freitas. Dona Zulmira – de simplicidade comovente – possui ligação profunda com o Huntoloji, terreiro de Cachoeira-Bahia, que pertenceu a lendária gaiaku Luiza e hoje é governado por gaiaku Regina.


Todos os registros à memória desta senhora – graças a Zambi, vivíssima!- porque dignidade e entrega, sacerdócio sem burocracia, respeito pelo outro, sabedoria litúrgica, simplicidade, grandeza espiritual, fé e amor pelos inquices, correção e honestidade, rigor e majestade sacerdotal, não se encontra toda hora em outra qualquer.


O candomblé deve ser uma religião de respeito e defesa das diversidades; uma religião que construa, no Brasil, as bases mínimas de uma verdadeira ética da coexistência, que combata o racismo, na medida do possível seja político, mas não perca seu teor de religiosidade, de transcendência, este que, no dizer da cantora Maria Bethânia, nos tira do cotidiano vagabundo que nossas dificuldades nos impõem.


Todos os louvores a Oyá, Nanã e Tempo pelas respostas que dão aos apelos desta grandiosa dama do candomblé brasileiro. A bênção, minha mãe.

(Publicado no Opinião, do Jornal A Tarde, em 28/11/2011)

domingo, 20 de novembro de 2011

Tardança

O olheiro escolheu o verso e o entregou
Para fora do peito e em vermelho
O publicou...
No dessentido investida do tempo
Mina daquela tardança
Feito criança
A esperar o amanhã.

domingo, 26 de junho de 2011

O homem alcançável


... foi até o mar.
apagou as luzes
e o tempo.
se fez navegar...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Meu tempo, também, é ali


Odô Iyá,
Oyá Ô!

Nas linhas do que escrevo para me permitir ao que vejo e, inteiro, agradecer. Deslumbre, minha poesia rasteira se manifesta assim. Paris é puro alumbramento.