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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Sob a égide das águas
Uma fala para o Universo e eu caminho...
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Mãe Zulmira celebra Nanã
Muitos encantos erguidos pelos negros de Salvador perduram na
expressão religiosa de muitos terreiros de candomblé que iluminam esta cidade e
preservam amálgamas culturais que a
história nos deu. Todos os anos, o Terreiro Tumbenci, fundado em 1937, e comandado
hoje por Mãe Zulmira, no dia 26 de julho, dia católico de Santana, a mãe de
Maria, que é sincretizada com a Senhora dos lamaçais, a grande avó do
candomblé, Nanã, leva presentes consagrados a este orixá que comanda a vida e a
morte, sendo a consorte maior dos mistérios da fé que orientam aquele terreiro.
No findar da tarde, ao som suave dos atabaques, e de cânticos
que exaltam Nanã, flores, perfumes, joias, bilhetes, enfeites, iguarias
alimentícias e amor singram e mergulham nas águas sagradas do Dique do Tororó.
Uma tradição que já dura décadas e que derrama beleza, sutileza e esperança
sobre todos os que acompanham este ritual de fé.
Mãe Zulmira se traduz nos arquétipos de Nanã e representa para
o povo de santo de nação congo-angola, jeje e ketu um símbolo vivo de resistência
e força em nome das religiões de matrizes africanas na cidade da Bahia. Aos 78
anos de idade, 61 anos como sacerdotisa, ela ensina o cuidado e a perseverança
que se deve ter na prática do candomblé, encontrando-se, em seu exemplo, com
outros baluartes religiosos baianos como D. Timóteo Anastácio, o saudoso abade
do São Bento, ou o importante Agenor Miranda, saudoso babalaô e signo da
sabedoria do Ifá entre nós.
Nessa tarde, no Dique do Tororó, a Bahia fundada sob a égide
das civilizações negras que se misturaram aos portugueses e tupinambás, matriz
sociantropológica da ideia de Brasil,
revive-se na plenitude da sua vocação popular e entrecruza sentidos religiosos
que espelham a Iyá Zulmira reverenciando sua mãe Nanã. O objetivo é atingi-la
na lama que habita o fundo do Dique, tocá-la com os elementos sacerdotais que
configuram o seu culto, e se permitir, em mentalizações da fé, ao bem estar e à
prosperidade que o povo baiano tanto precisa quando a política só tem trazido
desgoverno e atraso. Saluba, grande Zumbá!
Marlon Marcos é jornalista e antropólogo email: ogunte21@yahoo.com.br
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
26 de julho: Saluba é festejada por mãe Zulmira
Mãe Zulmira de Nanã
Amanhã, 26 de julho, dia católico da Senhora Santana, santa avó de Jesus Cristo, também é dia santo para o povo do candomblé: é uma data celebrativa para o orixá Nanã, conhecida entre os congo-angolas como a grande Zumbá.
Neste dia, a proeminente sacerdotisa Zulmira de Santana França celebra sua "santa" com o tradicional Presente nas águas do Dique do Tororó, começando o ritual de oferta às 17:30h., onde a fé se encontra com o amor para saudar a Senhora dos lamaçais, mão que dá e tira a vida, que resguarda os mistérios que minimizam o humano frente à grandeza da natureza e da divindade.
Mãe Zulmira, filha dileta deste orixá, é a Mameto de Inquice do Unzó Tumbenci, hoje situado em Lauro de Freitas, mas fundado no bairro de Cosme de Farias, nos idos de 1937. Esta Casa cumpre esse ritual de devoção a Nanã, em agradecimento pelas histórias de vitória de todos que compõem aquela família.
Que Nanã nos proteja e nos abençoe pela voz marcante e pela fé vibrante desta mulher ( Mãe Zulmira) que nos ensina de verdade a cuidar da religião dos orixás, dos inquices, dos voduns, dos caboclos.
Salve Saluba e a saudemos, amanhã às 17:30 h, no Dique do Tororó, em Salvador da Bahia.
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Mameto Zulmira de Nanã
Foto de Solange Valladão
Não há nenhum desgaste em se falar da poesia que endossa o mistério do candomblé; em se anunciar a transcorrência dos diversos exemplos de sacerdotes e sacerdotisas que deram esteio aos fundamentos de uma religião inventada por negros africanos e brasileiros, e que sustentam muitas das noções de civilidade entre nós neste país.Exemplarmente, neste mês de novembro, negro como tem que ser, Zulmira de Santana França, a mameto Zulmira de Nanã, faz 70 anos de iniciação na religião de inquices, voduns e orixás. Uma sacerdotisa devotada, com amor e profundo respeito, às energias que compõem a fé dos adeptos do candomblé; uma mulher de alentos e majestade no que muito sabe, de verdade, cumprir o papel de mãe nisso que o mestre Vivaldo da Costa Lima brilhantemente sistematizou como “família-de-santo”.
Mãe Zulmira é a Nengwa ( o mesmo que mameto ainda para os angolas, ou a iyalorixá dos ketus) do Unzó Tumbenci, fundado em 1937, pela saudosa Marieta Beuí, no bairro de Cosme de Farias, e que hoje funciona em Lauro de Freitas. Dona Zulmira – de simplicidade comovente – possui ligação profunda com o Huntoloji, terreiro de Cachoeira-Bahia, que pertenceu a lendária gaiaku Luiza e hoje é governado por gaiaku Regina.
Todos os registros à memória desta senhora – graças a Zambi, vivíssima!- porque dignidade e entrega, sacerdócio sem burocracia, respeito pelo outro, sabedoria litúrgica, simplicidade, grandeza espiritual, fé e amor pelos inquices, correção e honestidade, rigor e majestade sacerdotal, não se encontra toda hora em outra qualquer.
O candomblé deve ser uma religião de respeito e defesa das diversidades; uma religião que construa, no Brasil, as bases mínimas de uma verdadeira ética da coexistência, que combata o racismo, na medida do possível seja político, mas não perca seu teor de religiosidade, de transcendência, este que, no dizer da cantora Maria Bethânia, nos tira do cotidiano vagabundo que nossas dificuldades nos impõem.
Todos os louvores a Oyá, Nanã e Tempo pelas respostas que dão aos apelos desta grandiosa dama do candomblé brasileiro. A bênção, minha mãe.
(Publicado no Opinião, do Jornal A Tarde, em 28/11/2011)
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Saluba

Senhora dos lamaçais geradora da vida
Autoridade misteriosa da morte
Dona dos meus caminhos atuais
Eu te saúdo Oh, Mãe!
E te agradeço da alma
Por esse ano de 2010.
Toma-me em sua graça
E me acompanha o Destino,
Cuida de todos nós no Tumbenci
E encha Tua flha maior de luz e sabedoria
De saúde, de alegria e bem viver.
Oh! Saluba - Nanã Jaoci -
Obrigado, Rainha!
Que em 2011 Prosperidade
Nos chegue também.
Axé.
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