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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Oração do dia



Que eu seja livre o suficiente para não fazer sentido.

Que eu tome conta de mim certo de que comigo sempre contarei.

Que eu tenha coragem para dizer não e hombridade para sempre agradecer.

Sabedoria para lidar com a maldade do outro e força para me apartar da minha. 


Discernimento, meu Deus, para escolher as companhias.

E ser como me escolhi para ser ao longo de 44 anos...

Que eu tenha alegria.

Que saiba do meu tamanho neste mundo.

E me comunique sem a ânsia do sucesso

E fora dos exageros de quem se rasga por celebridade.

Eu quero paz e sossegar no colo de alguém

Sem me tornar escravo de ninguém

E sem escravizar a quem eu amo.

De novo: que eu tenha coragem e assim,

Como aqui, eu exerça a minha comunicação

E me proteja da perversidade dos religiosos e dos ateus.

Que o amor que vinga no meu peito me seja norte

E eu tenha hora para concordar e hora para discordar.

Que seja eu inteiro e certeiro para realizar os sonhos

Que me convencem a estar nesta vida.

Entre Deus, Anjos e Orixás

E as Águas da Mãe e do Pai

Que sustentam minha existência.

domingo, 29 de setembro de 2013

Aos pés de Nossa Senhora da Conceição, em Santiago do Chile


No teu colo
em silêncio
em carinho
todo agradecido.

Salve minha Mãe de misericórdia!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Atotô






Que apesar dos contrastes,
para além das contradições,
seja feita a justiça,
e assim, 
que se cumpra o que 
tem que ser.

sábado, 8 de junho de 2013

Iemanjá



Das flores pra Mãe, 
essa força dentro de mim.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Iyá de mim


Iyá,

Me deixa tocar inteiro a luz dos dias,
Me deixa ser sempre honesto comigo,
Me deixa morrer enxergando o mar,
Me deixa preservar os amigos verdadeiros,
Me deixa alimentar sonhos,
Me deixa ter forças para lutar por meus sonhos,
Me deixa ter a saúde merecida,
Me deixa ouvir vozes  e pássaros,
Me deixar dormir e acordar,
Me deixa escrever o que tenho a dizer,
Me deixa amar e ser amado...

Me deixa eternamente sob a égide da Tua companhia.

Agradeço ardendo e com os olhos cheios d'água
Na voz de Maria Bethânia.

Odô Iyá!!!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Fé

Mais simplicidade para que o devir me alcance e o destino seja generoso comigo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O dia


Alguma coisa reza dentro de mim. Traços sonoros da Deusa marítima em outra língua que não o iorubá. Visita de anjos cabalísticos na morada da desarrumação. Um barco singrando o pensamento feito céu diurno no verão de Salvador. Palavras aos olhos como saudação e um percurso a desconsiderar.

Imagética azulada e o coração em silêncio. Minha voz é do mar – não chama mais, mas lembra- batendo na pedra feito desejo. Aprendi que a beleza desgasta quando é mera convenção. Este dia traz o susto. E eu danço a leveza que mora comigo. Encontro rosas, uso perfume, visto-me de branco, tiro a roupa, danço de novo, medito, bebo água; encontro gente, olho na boca, beijo delicadamente... Mergulho.
Moro nessa mistura de mim: estou no sal da água que me limpa e tudo que imagino vem daí. Desaprendi o nome, mas tenho o rosto que me fita. Vivo do querer gostar, mas não sei se permito. A brisa é fresca como o meu lamento. Não sujarei este texto com a palavra saudade. Eu nado dançando n’água e por dentro. Converso com pedras e peixes, deixo a sereia não se mostrar, sonho pelo avesso; ainda pelo avesso, aqueço-me no mar da esperança que não me deixa... E hoje, apesar de triste, muitas coisas rezam dentro de mim.  Compartilho-as com o mundo

domingo, 30 de dezembro de 2012

Jardim Botânico


De lá da alma para o todo de mim.
Reluzindo o que não me falta
Deixando-me perto da Natureza,
Eu Natureza da cor da esperança.

Pode chegar 2013!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Pra onde se lançar


 
Cravo-me no verde dali. E sangro esperança. Todo dia igual, eu que resisto, que insisto ternamente, que caminho alone sob a força da minha própria luz, eu pergunto: pra onde se lançar? Que papel devo cumprir em mim para ser melhor assistido? O que vai durar?
 
O sol fugindo não responde e sonho comigo solto no mundo, perdido, distante. À luz verde que nasce e morre em mim. À espera daqueles acontecimentos que desenhei, depois do medo, aos 11 anos, criança ao monte, tanta dor e perguntas, no círculo da fé que me habita, e minha existência existindo.
 
Surrealmente, eu sou o que se permite. Meu peito se lança a delicadezas para o amor. Apesar de não saber amar, eu sou todo amor. Repito gritando de uma cisterna, cheia d'água, e eu quero me afogar.
 
Da janela do Rio de Janeiro: medo não mais há. O tédio é desvelo, pois o que me iluminou, não foi e me lançou ao dessentido de estar... Sobrevivo ouvindo a música. Chet Baker. Paz em horinhas de voo. Memórias fresquinhas. E meu futuro continua a ser agora.
 
Assino-me em Fé. Só aí tenho como me lançar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Morada minha







Mora essa casa em mim.
Esse azul de dentro é lindo,
Às vezes triste, outras risos:
Saga dos aquáticos com vista
Para o mar.

O azul de mim é nítido
Como o verde que há.

Voo da palavra molhada
Combustível nas asas
Que traz a minha fé.

Louvo o mar desse azul...
Sou eu diluído no verde
Da mãe que me habita.

sábado, 6 de outubro de 2012

A reclusão de Rogério Duarte, mentor do tropicalismo

 

Figura fundamental na intelectualidade brasileira dos anos 1960 e 70, o designer, hoje leva vida religiosa em Salvador e terá sua trajetória documentário

 

Rodrigo Sombra ( O Globo - Cultura em 15/09/2012)

 

 

SALVADOR - ‘Quando eu vejo aquela Nina da novela xingando Carminha: “Sua vaca, sua vaca!”, eu penso: Meus Deus, que mulher imbecil, quanta ignorância... — diz o designer Rogério Duarte, devoto Hare Krishna, em protesto contra a heresia ao santo nome da vaca.

Rogério é caso singular na arte brasileira de quem atravessou marxismo, Cinema Novo, Tropicália e realizou-se na filosofia hinduísta. Celebrado pelas capas de LPs que fez para Gil, Gal e Caetano, foi mentor intelectual do tropicalismo nas artes gráficas e fora delas. Zé Celso Martinez Corrêa, Hélio Oiticica e Torquato Neto são tributários de suas ideias. O homem que Glauber Rocha disse estar “por trás de todos nós”, contudo, há décadas acostumou-se ao anonimato. Convertido ao movimento Hare Krishna, recolheu-se a uma vida religiosa e passou a se ocupar da discreta missão de traduzir sânscrito.
Em fase de pré-produção, um documentário sobre sua trajetória a ser rodado nos próximos meses pelo cineasta baiano Walter Lima promete devolvê-lo à superfície.
 — A ideia (do documentário) é mostrar o Rogério pensador — explica Walter. — Além de um designer maravilhoso, ele é uma figura fundamental na intelectualidade brasileira dos anos 1960 e 70, como foi Oswald (de Andrade) na década de 1920.
Há anos Rogério vive sozinho em Salvador e diz raramente encontrar os amigos tropicalistas. Práticas de meditação, trigonometria e xadrez on-line hoje lhe ocupam os dias. Mais magro do que nas fotografias conhecidas da juventude, há um ano superou um câncer nas cordas vocais e aparenta levar uma vida austera. Na sala de seu apartamento quase nada sugere a ideia de decoração. Imagens não ornam paredes, caixas empilham-se umas sobre as outras e uma lousa com o alfabeto sânscrito ladeia uma pilha caótica de peças de xadrez. Em um canto, cartazes carcomidos dos filmes “Meteorango Kid” e “Idade da Terra” dão testemunho de seu ofício como designer.
— Recebo (convites), mas recuso. Não tô mais fazendo — diz Rogério, sobre projetos como artista gráfico. — Minha obra é histórica, pertence a um momento da história do design mundial, não é para ser pasteurizada.
Afastado do design, foi professor universitário e encurtou a distância entre o leitor brasileiro e a literatura sânscrita. É dele a primeira versão direta para o português do épico hinduísta “Bhagavad Gita”, publicado nos anos 1990 pela editora Companhia das Letras. Sem grande repercussão, lançou em novembro passado sua tradução do “Gitagovinda”, poema medieval de Jayadeva Goswami que narra os passatempos sexuais de Krishna às margens do Rio Jamuna. Conhecido por sua visão erotizada da transcendência, o texto pertence ao cânone das letras indianas.
— Ali tem coisas que só os grandes poetas do Ocidente alcançaram, como (T.S.) Eliot, Goethe… — diz Rogério, admirador exaltado da comunhão entre o sexo e o divino que há em “Gitagovinda”. — É absolutamente necessário que nossa mente suja ocidental seja lavada pelas águas eróticas do Rio Jamuna, para a gente entender que sexo é a coisa mais nobre e sublime.
Karma e tortura
Chancelada pelo professor Howard Resnick, PhD em sânscrito pela Universidade de Harvard, a edição brasileira de “Gitagovinda” saiu com a módica tiragem de mil exemplares. Rogério revisou, editou, elaborou a capa e bancou-a do próprio bolso.
Grande parte da obra pela qual Rogério é celebrado se concentra na década de 1960. A pujança criativa desse período seria abalada na Páscoa de 1968, quando ele e seu irmão Ronaldo participaram de um protesto no Centro do Rio e foram presos e torturados por militares. O nome Rogério Duarte Guimarães pode ser encontrado em relatórios dos órgãos de repressão recém-abertos no Arquivo Nacional. Em ficha do SNI (Sistema Nacional de Informações) emitida cinco dias após sua soltura da prisão, ele ocupa menos de meia página e é descrito sucintamente como “elemento de esquerda, assim como o irmão Ronaldo, ligado às atividades de artes plásticas”. Um carimbo estampado ao final da ficha informa que anexos foram destruídos. À época, a notícia da prisão dos irmãos Duarte — uma das primeiras denúncias contra a tortura cometida pelo exército — provocou sismos na opinião púbica pré-AI-5.
Quarenta e quatro anos depois, a posição de Rogério sobre o episódio da tortura é matizada. Como anistiado, reclama uma reparação mais justa e diz guardar “um pouco de mágoa”. Espiritualmente, a interpretação é outra.
— O trauma, só a filosofia da Índia explica: a teoria do karma. De algum modo aquilo teria que acontecer. É a teoria de Jung, da sincronicidade. Não existe acaso puro, as coisas têm um sentido. Porque tudo poderia ser evitado, eu poderia simplesmente não ter ido ali naquele dia. Algo em mim me levou para as câmaras de tortura — diz, sem qualquer tom de ironia ou amargura. — Antes, era para mim tão inimaginável a ideia de ser torturado que, por uma estranha razão, talvez eu pensasse: “É a única coisa que não experimentei”.
Rogério conservou ao longo da vida uma saudável antipatia a receituários. Conhecedor de arte burguesa na fauna marxista do CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE, hinduísta entre universitários, intelectual de esquerda entre hinduístas, sua figura jamais comportou descrições fáceis. Não por acaso, ele costuma reivindicar para si um lugar de marginal na arte brasileira. Traduzir sânscrito seria apenas a etapa mais recente de uma obra historicamente ungida pela dissonância. O aspecto iconoclasta de suas ideias teve impacto fundo na formação de tropicalistas mais novos, como Caetano e Gil.
— Conversávamos muito. E sobre mil assuntos. Sobretudo, ele falava. Eu adorava ouvir e aprender — conta Caetano, sobre a convivência no período tropicalista.
Rogério é padrinho do primeiro filho do compositor, Moreno, e um sentido mútuo de admiração ainda hoje acompanha a amizade entre eles.
— Sua dedicação ao estudo e à tradução desses textos (em sânscrito) deveria ser acompanhada com grande seriedade crítica — diz Caetano. — Ainda assim, o conjunto de suas atividades não pode prescindir da mensagem perene de atirar-se à margem da margem. Essa atitude existencial dá cor especial a cada trabalho, a cada gesto de Rogério.
Para os Hare Krishnas, Rogério Duarte é Raghunatha das. A inflexão ao hinduísmo data do fim dos anos 1970 e coincide com sua fase de maior ostracismo. Os esforços mais recentes em trazê-lo à baila vêm do exterior e atualizam o poder de suas ideias. Em 2009, ele foi homenageado com uma retrospectiva individual na Narrow Gallery, em Melbourne, Austrália. Um ano depois, a revista japonesa de design “Idea” dedicou 24 páginas à sua obra.
Apesar de celebrações esporádicas, Rogério crê que seu legado ainda exige revisão. Para ele, seus cartazes e capas de discos teriam transcendido sua função original de uso e ganhado autonomia como arte histórica.
— Velázquez pode ter feito retratos de encomenda, assim como eu fiz capas, mas depois eles passaram a valer milhões de dólares. Andy Warhol fez capas de disco e cartazes igual a mim. Mas Andy Warhol vale milhões de dólares, e eu quero que Rogério Duarte valha pelo menos milhões de reais — diz, com um sorriso jocoso por baixo do bigode. — Quando eu digo milhões, milhões não é nada. É o valor real que eu quero. É a devida consideração pela criatividade, pela inteligência que ordenou aquilo, pela capacidade de síntese e também pela novidade.
Entre soberbo e abnegado
Dado a autoelogios, Rogério deixa a forte impressão de ser um homem cindido. Ao longo da conversa, ora compraz a si mesmo com sua figura de jovem prodígio, e até se permite ataques de genialidade (“Eu já nasci erudito”), ora palavras em sânscrito se insinuam em sua fala e reavivam os temas religiosos que hoje ordenam seu mundo.
Apelidado de Caos na juventude, aos 73 anos Rogério parece oscilar entre o artista soberbo e o discípulo abnegado de Krishna. E é aí que a tarde cai, e ele mira o relógio. Pede licença para rezar seu último mantra do dia. Fecha os olhos e balbucia orações por entre os fios da barba grisalha. Minutos depois, reabre-os e diz:
— Essas coisas que eu te falei agora, que sou um grande artista, que devo ser reconhecido, justiçado: tudo isso é Maia (ilusão). Fiz essa meditação agora para me devolver a mim mesmo.
Mais adiante, pede que interrompamos a entrevista. A fragilidade das cordas vocais ameaça a conversa. Despede-se com gentileza, fecha a porta e volta a recolher-se. No encontro anterior, havia dito que, a esta altura da vida, a poesia era a única coisa que lhe restava. Recentemente, Rogério voltou a escrevê-la. Em sua página do Facebook, publicou uma quadra:
“Agora entendo o mistério/ Desse nó que não desata/ Eu preciso ser Rogério/ Pra também ser Raghunatha.”

P.S. : essa entrevista é um poema intenso juntando duas grandezas: a do repórter e a do mestre Duarte: é de chorar. E de alegria!

sábado, 29 de setembro de 2012

Da alegria

Dizem que a alegria é árida e improdutiva. Talvez. Mas ela é em si. Força renovadora e cultivadora de sentidos que significam a vida. Ela nos deixa na gente em comunhão com outros, favorece a recepção do mundo sem os ácidos cotidianos que nos tornam só árduos pensamentos. Alegria é transbordo sem causar alagamentos; venta em direção do mar e lá, faz brisa para que sonhos aconteçam.

Alegria  é perfume e prescinde até de poesia, pois ela é em si, isso de ser: alegria. Um sorriso profundo até lágrimas nos olhos, um abraço no susto apertando a alma, o estar do amor, banho marítimo à luz do sol, sorvete depois do cineminha...E amigos, alegria é conviver com amigos, é saber da generosidade como elo, como mágica para a aproximação. Alegria  enluara as noites e nos faz música. Condiz com esperança e impelindo-a do mais fundo que há: a fé. Alegria é ter fé e sentir amor pelo mundo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Transe




                                           "É doce morrer no mar
                                             Nas ondas verdes do mar"
                                                                  Caymmi

         Marulha-se o pensamento, rondando o espaço percebido pelo olhar, indo pelo vento esbarrar-se nas "ondas verdes do mar". Indo afogar-se na imensidão de uma procura, banhar-se na luz manhã de um sábado - entre rosas e preces - trazido do fundo fosco da duradoura esperança.
         
        Sobrevoa o instante o pensamento marcando imagens da realização. dominando a certeza, a emoção noutra forma invada-se numa saga onírica,e sobre pedras e sereias, os pés-asas sujos de areia alcançam às mãos do sonho em silêncio. Pensamento ao desejo, ventando manhãs numa manhã de praia; pensamento-olhares aos falares das conchas dos quizos dos búzios dos seixos dos ares, marca do segredo, para tudo que refaz a saudade e instaura o medo.
         
        Deserto aquático engrandecido pelo universo do pensamento, calado e colado nas asas dos pés,se indo,sem destino, na vaga estreita de uma incerteza, um surto emotivo, qualificado como distância. Na espessura amarga da água, a sensação da presença límpida da vida. Um tímido sol minimizando o transe.O tímido sol desenhando no horizonte que ultrapassa o olhar do pensamento.
          A órbita do silêncio atingindo todos os lugares.
          Uma paisagem verde-azul e branca, colorindo a fuga perfumada pela imaginação. A força do oculto: o que emana de fora para dentro d'água e respinga no corpo como resposta.
          O afogamento. A claridade azulada da água. O cheiro-alfazema do salitre na maresia às narinas do pensamento para possibilitar o consolo,
           A visita delgada da  Mãe-mulher, a irmandade com os peixes, a morosidade dos segundos devastando do peito a reserva das lágrimas...O carinho feito pela mão da Mãe-mulher no esparrame das águas sobre as pedras.
           A chegada do barulho para despertar o coração. A claridade rosa das águas aliviando pelos olhos a tensão deixada pela posse da consciência.
           Fragamentos da divina presença: toques sagrados à distância, danças ondulares, saudações iorubanas, músicas, verdades... A vontade atingida pela FÉ erigida para que se alcance o fruto-marulho no âmago do pensamento.
           A imagem da Mãe que se impregna no corpo do homem que sai louvando a  Mulher.

          Iyá Ogunté mi Odô Iyá!

                                         Marlon Marcos.

     P.S: Depois de contemplar o "mar" de Cachoeira em seu rio de tanta saudade...Que chegue Setembro.

domingo, 15 de julho de 2012

Do sábado (II)



Dizem que sábado é uma ilusão. Em mim, é frescor e nascente, fagulhas da esperança qua não posso perder. Sábado é o equilíbrio entre sexta e domingo, é vívido instante de se pensar levemente sobre a vida, comer uma boa comida, ir ao cinema, conversar com os amigos, ler poesia e, no meu caso, rezar frente ao mar da Baía de Todos os Santos.

Um pouco sagração; sempre me acalmo nos sábados e quase nunca, neste dia, me canso da vida.

Levo para onde for a maresia que me habita e se me manifesta melhor nos dias de sábado.

sábado, 14 de julho de 2012

Carta de amor de Maria Bethânia




Em finais de março deste ano, a grande cantora santo-amarense lançou o seu mais recente trabalho intitulado Oásis de Bethânia, um disco que aponta para algumas reinvenções estéticas que a artista, do seu jeito, não deixa de operacionalizar. Trouxe compositores que se afinam com seu perfil de intérprete, destaque para o baiano Roque Ferreira, que logo terá Maria Bethânia como a voz principal da expressão do seu talento lítero-musical. 
Mais um trabalho precioso desta baiana incansável. Agora, o momento mais marcante e polêmico do disco remete a questões sócio-antropológicas, no universo das religiosidades e identidades das quais Bethânia nunca se distanciou. A canção Carta de amor, erguida a partir de um contundente texto poético de autoria da cantora, que foi musicado e acrescido de versos por Paulo César Pinheiro, representa genialmente uma resposta contra os detratores do blog “O mundo precisa de poesia”, e dos arroubos injustos e levianos que agrediram a artista mais importante da canção brasileira na atualidade.
Indo por “Não mexe comigo que eu não ando só”, passando por” A rainha do mar anda de mãos dadas comigo/ Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta para mim”, chegando a “Sou como a haste fina que qualquer brisa verga/Mas nenhuma espada corta”, para dizer ao Brasil de onde ela veio, de como aprendeu a sentir o mundo e que, com seu talento, transmite e louva os elementos que traduzem a sua fé de mulher nascida na Bahia.
Uma Carta de amor, sim. Que foi incompreendida por jornalistas, como Pedro Alexandre Sanches, afirmando que a artista destilou ódio num texto intitulado como amor. Na canção, Bethânia dói e recorre à proteção em que ela acredita; pontualmente magoada, ela subverte a dor com a força que lhe é peculiar e se abriga, como menina, à luz do amor que sua espiritualidade lhe entrega.
Uma carta de amor dirigida a Deus, Nossa Senhora, Orixás, Caboclos, Zumbi, Buda, Gandhi, ao divino que se permita...  E contra a intolerância que fez esta oração nascer

(Publicado em 04/07/2012, no Jornal A Tarde, página 03, Caderno Opinião, Coordenação Jary Cardoso)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Tiganá Santana




Circunda esta sonoridade em minha alma como o canto de abrigo da Grande Mãe. Eu me permito. E visito cada instante que a grandeza deixa ali. Instante do encantamento que sacoleja o mistério. Ouço para ser e para sonhar em lugares do essencial vazio e me aparto de certezas e perguntas, sendo -me só o vazio por fazer parte sem nenhum tipo de limitação.

A música desagua e ilumina partículas que são de mim; põe-me no ventre da fé e me faz sentir para além das noções de sentido e saber. Aquela música é. Reverência referendo do que mais amo: a arte.


Música que é a voz do menino ninando o mundo, permitindo o sono que reelabora o viver do que pode ser humano e nos ensina a pousar no coração das divindades.


Cheguei a Iyá Ogunté...


E tenho a música de
Tiganá Santana no âmago de mim.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Perto Dela onde for...


(Museu Afro Brasil - São Paulo)

Trago-Lhe para aqui na imagem minha em reverência Sua.
Solto nessa fé que me orienta
Nessa marca que me permite
Sonhar neste mundo: o mar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Oxóssi


Do seu verde à sua fartura.
Da coragem ao bem estar.
Das matas onde caminho
Faço meu destino com o coração.
Minha cabeça na sua
Minha alma em sua direção.

Arolé OKê Arô!

Da flecha que acerta e dá norte
Das vezes que se vence a morte
Nossa vida come a sua caça
Sua dança balança nossa emoção
E hoje os atabaques tocam
E as mãos seguram o seu Eran.

Arolé Okê Odé!

terça-feira, 5 de junho de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

Aniversariar

não sei se mora dentro de mim o manancial das ilusões; se tento e não consigo pela precisa lei que me evita os sonhos; se escorro pelas ruas da alma sem corpo humano. tão necessário ao silêncio que nunca soube fazer, recortado como flor de papel no chão de um jardim de luxo, eu tão descartável e resoluto a navegar lembranças dos que me fizeram mal. não sei se me pergunto para piorar a consciência do mundo que não me sai. devo pronunciar verdades e encontrar tempo para ser. enlarguecer esse instante que me faz gritar aos montes, a gente que não me vê. devo seguir a trilha da persistência, abarcar  a hipocrisia em todos e me fazer valer. ter este sal que me tempera e imaginar. escrever de mim em mim por mim qualquer delação. ter a indecência de ser eterno num tempo que só me dói. mas eu tenho Fé.