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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

dois amigos




amanheci com o brilho do dia de ontem todinho em mim;

pra mim o melhor sempre será o mais simples,

radiado de sol à beira mar em janeiro em salvador...

nem sei se carece de trilha sonora;

tem que ter alegria acionando a poesia

que comanda este meu instante no mundo...

estive com dois amigos

sobrevoando a barra

aportado nos sonhos que não me deixam

sendo-me mais leveza menos procura.

um dia de atração e esperança

meu coração criança brincando

daquele outro jeito que me faz feliz...

o jeito no qual não me obrigo a nada

apenas ser encarnado e água

sem padecer ausências, sem clemências

sem lágrimas, sem risadas...

pura leveza...

um dia em salvador, azul

de repente: alegria!

eu vivo em 2015!

domingo, 15 de julho de 2012

Do sábado (II)



Dizem que sábado é uma ilusão. Em mim, é frescor e nascente, fagulhas da esperança qua não posso perder. Sábado é o equilíbrio entre sexta e domingo, é vívido instante de se pensar levemente sobre a vida, comer uma boa comida, ir ao cinema, conversar com os amigos, ler poesia e, no meu caso, rezar frente ao mar da Baía de Todos os Santos.

Um pouco sagração; sempre me acalmo nos sábados e quase nunca, neste dia, me canso da vida.

Levo para onde for a maresia que me habita e se me manifesta melhor nos dias de sábado.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ao sol do Porto da Barra na Bahia


Essas coisas que se traduzem em destino, às vezes, são pura liberdade. O sujeito todo em silêncio perante o mar respirando sua história. A memória ora lágrimas ora gargalhadas e a conclusão: eu nasci aqui. Há de ter algum sentido para esse acontecimento. Senão, basta enfrentar aquele crepúsculo, se abandonar à brisa no final da tarde, se perder em balneário, desacelerar de tudo e se esquecer até de rezar ou agradecer; só ver o que se pode sofrer no sentido da felicidade. O tempo ainda mais curto. Nada de concreto na gaveta, na biblioteca, nas livrarias... Tudo muito etéreo, além de sublime, como a voz de Billie Holiday em All the way... Será que , em mim, toda força da vontade ficará sempre no verde esperança sem o sangue vivo vermelho da realização? Clarice já me disse que destino é livre-arbítrio. De certa forma Sartre me contou o mesmo. E eu aquecido entre o sol e a beleza que reina nesta parte da baía. Um pouco de tédio porque enquanto os olhos agradecem, os ouvidos doem por libertação. A Cidade da Bahia e suas sonorizações. Eu me abandonando no abandono absoluto da velha Salvador. Uma só canção bastaria se me alma não desejasse ali só silêncio. Escândalo. Eu nasci aqui dentro desse abandono e absoluta beleza. Minha prainha do Porto da Barra. Meus antigos dias de aprendizado e existência gozando e agora, nos quarenta, o tempo passando e eu sem querer ir e sem querer ficar. Entrego a autoridade Destino e peço sorte também. Eu mereço.