Dizem que sábado é uma ilusão. Em mim, é frescor e nascente, fagulhas da esperança qua não posso perder. Sábado é o equilíbrio entre sexta e domingo, é vívido instante de se pensar levemente sobre a vida, comer uma boa comida, ir ao cinema, conversar com os amigos, ler poesia e, no meu caso, rezar frente ao mar da Baía de Todos os Santos.
Um pouco sagração; sempre me acalmo nos sábados e quase nunca, neste dia, me canso da vida.
Levo para onde for a maresia que me habita e se me manifesta melhor nos dias de sábado.
Como tem que ser. Roupa integralmente branca. Sorriso para a vida e a dança do querer encontrar. Do pensamento até ao centro do meu lugar. As águas. Sair para fazer. Saber desejar. É sábado e tem chuvinha do céu. Pensamento cinematográfico e narrativas do eu. Minha cor azul. Amor que restou. Vento da inspiração na gargalhada dos amigos. A emoção de estar vivo com sentido, utilidade, saúde e possibilidades de se exercer sendo. Eu amo sábado!
O céu de Salvador, nesta manhã, está nublado com muitas possibilidades de chuva. O mar da Baía aparenta calma. As ruas do Centro sujas, os prédios insatisfeitos; falta coragem aos transeuntes; um lugar piorado quando não se pode reunir para beber e conversar com amigos. A cidade está ameaçada também por muitas doenças. Falta dinheiro no sorriso amarelo dos governantes? Venta na cidade que ainda é um sonho de felicidade. Apesar da dor, há um gosto de liberdade no ar sem purificação. A cidade. Paisagem linda que nos faz, talvez, pouco exigir. E a gente vota errado, tendo só errados para votar. Êta tempo nada porrêta: mergulho em Capitães da Areia, o livro, para ensaiar o filme. Preciso de sorte, terei que descer o Elevador Lacerda. Meu Deus, o Senhor há, um prefeito com o signo da morte. Minha vida em coletividade só pode ser definida pelos Mandos do deus Futebol; meu esporte favorito é o Vólei e nasci sem valer nada.
Mas hoje é sábado que tem a cor da Fé. Insisto assim. Presumo assim e saio para a vida como num filtro de gente. Eu escolhi. Ouço música, rasgo retratos, apago poemas, recito, rezo e danço para os Orixás. Leio. E prazer. Encontro também. Cinema. Festa das Iyabás.
Oxum e Iemanjá e Nanã dançam hoje! Agradeço está vivo ainda que entre as durezas deste tempo na Cidade da Bahia. Sei que se tem de morrer. Já morri várias vezes mas a derradeira também vai doer.
Cidade de sábado, minha Bahia. Queria perfumá-la, reimaginá-la com palavras do poeta da delicadeza, transformá-la sem danificar a essência, tê-la mais negra com a cara da miss Angola 2011, trazer antigas festas e querer dentro dela e realizar nela e ser por ela... Bahia que não sai de mim. Força que orienta a palavra que faço em mim para a arte.
As águas desse meu mar em todos os santos. Axé e Amém.
"Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado. "
Mergulho de pedidos e muita contemplação. A vontade de me ver bem e estar à luz da inspiração. Para seguir o sol que chega aos lugares por mim. Sábado é assim: dança de festa e fé, maneira de aproveitar-se só e com os amigos. Sábado é o destino de quem traz Iemanjá na cabeça. E eu vibro da janela com os olhos no mar. E tudo pode acontecer; até ficar em casa com um livro, recriando histórias, reinventando a vida, redimensionando os sonhos, aproveitando o presente que é este dia que antecede o dia universal do tédio. Eu vou me lançar, e aqui, é sempre no hoje.
Hoje é sábado e eu interrompo Nana, só um pouquinho, dentro de mim. Continuo no caminho da beleza, mas por causa de hoje, eu quero alegria. A beleza de Stella Maris, um banho de cachoeira, poemas de Karina Rabinovitz, um golinho de cerveja, aquele filme de amor gay no cinema ( em São Paulo, ainda não chegou aqui!), o inexplicável do STF - viva a União Civil! -, perfume Polo no corpo, aquele sorriso naqueles olhos tristes ( lindos!), a festa de Pinduca, o show na Concha Acústica da rainha Daniela Mercury. Eu quero vida em mim e que cesse um pouco esse medo que me atormenta. Nana é a Ialaxé - todo amor a ela que canta todo amor em nós - e está nos cinemas do Circuito Sala de Arte, imperdível.
Com toda alegria necessária para ir, ainda assim, não consigo largar A cinza das horas, dele, o meu Manuel Bandeira, entre os brasileiros, o maior de todos os tempos.
Eu não estou feliz; estou apreensivo e quase alegre. A vida tem que ser mais, apesar de tanto sábado, hoje, dentro de mim: verde e azuis, uma rosa champagne, o marulho do mar; esse mar preâmbulo e final de tantos nomes em minha memória.
Hoje, dia de Iemanjá - altiva Senhora realiza esse dia e mais por mim; seu filho lotado de fé e amor. É pra já!
Fé. Movimento que azuleja meu dia. Água marinha para eu me ter feliz. Os olhos não se cansam. A poesia deste dia figura No meu nascer no lugar. As sereias cantam e se Me dão em peixes... O mar é minha real morada E leva-me aonde não posso chegar. O mar me dá asas e sonhos, Proteje-me o corpo Que habita a Deusa... Canções numa manhã De sol chuva calor E a brisa dançando Um pouco de sábado em mim.
Carregando na beleza... Uma voz que me empurra às delícias que o sexo traz. Uma voz Norah no alinhamento direto com a maior, Billie Holiday. Carregando nas cores sem ter o que dizer, pois sim, agora, em mim, é sentir sentir sentir Lover Man na emissão de Norah. Carregando nas memórias e melhorando os pensamentos para este sábado, de fato, acontecer!