Mostrando postagens com marcador Bahia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bahia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Canções emitidas da mina de beleza em Ana Paula Albuquerque




“Inês foi cantar na areia

Num instante sereia ela se fez”.



Ana,

Recebi, impactado, as notícias estéticas do seu novo trabalho. Sempre sobre da sua grandeza como intérprete e dedicação ao melhor que a música pode oferecer. Mas sabemos que não é só isso. Sabemos da importância comunicacional da arte, da necessidade de transpor, de (re) inventar, se intrigar e dizer. Como você, neste seu  show que apresenta seu CD inaugural, me disse, me emocionou, me comoveu! Sua banda em afinação inteira com seu jeito peculiar e doce de se mostrar a grande cantora que sempre foi. Este repertório tão velho e tão novo na foz da absoluta qualidade.

Pergunto-me se esta cidade lhe merece nesta proposta tão fundante num tempo em que estamos completamente desacreditados em Salvador? Mas aí reside outro aspecto vital em seu fazer artístico: propor esperança e mostrar que podemos vencer o desencontro genérico que se abateu  sobre a gente soteropolitana. Tem educação no seu trabalho e postura. Tem elegância fundida a critérios constitutivos para anúncios deste tipo: Caetano e companhia deverão saber.

Da doçura que transa com nossa audição nos dando tanto prazer. Da sua verdade em correções estilísticas dialogando com a encenação e inquietação de Ivan Huol, com a percussão de Gabi Guedes, com a guitarra do sobrinho dele, Felipe Guedes, com os teclados inspirados de Aline Falcão e  Marcus Sampaio nos contrabaixos.

Linda, também como sempre, vestida pelo grande estilista Renato Carneiro, da grife Katuka. Combinando a poesia da canção com a vontade política de realização estética no solo da gente. Saindo para o front de batalha guarnecida pelo talento transdimensional do artista inteiro Gil Vicente Tavares.

Seu show me lembrou da prece do jornalista Luciano Matos nos convidando a olhar para Salvador, para as coisas lindas desta cidade de Caymmi, marítima, do povo negro que enfeitiça, dos orixás que protegem. Sim, para mim, olho aí seguindo os conselhos de Luciano no Correio: devemos gostar de Salvador para querer melhorá-la; todos nós que a pioramos. Meu sentido de gostar daqui começa e termina no seu mar, passando pela nossa inventividade no trabalho inigualável de Maria Bethânia e repousando nos amálgamas culturais que imprimem a supremacia africana na gente.

Aqui, também, quando Gal cantando. Mas eu quero ouvir você. Sonhar com você, ver você cantando no Gamboa, no Teatro Castro Alves, inspirada na luz de Rosa Passos.

Seu disco é lindo. Seu show é mágico e eu acredito. Como orou o seu poeta: “Que o TEMPO me ajude/ E o vento me leve/ Para junto de quem me ama”. Eu amo você, e, por favor, venha para perto de mim.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Antropologia do fim


E o mundo acabou. Repetidamente em 12 acordes alertando o coração. Sob o impacto da luz e o frescor da esperança. Acabou.
Na contra-dança daqui e em detalhes com diamantes. Numa viagem imaginária por Times Square e vozes arranhando de beleza resquícios de um sonho.
Acabou feito Primavera e sol de verão nas águas santas da Bahia. No mar. Acabou feito poesia.
Sobras e sombras daquele olhar. Respingo do prazer metade. Acabou feito folhagem virando solidão.
O mundo sem mistério. A falta de mistério acabou com o mundo. E os restos daquele olhar. Fagulhas do olhar sobrevivo. Mortalha castanha para o mundo e o sentimento. O olhar. Doçura estagnada no desespero. A morte vivendo no fim.
O peso do mundo morto sobre mim e aquele olhar sem palavras.

sábado, 24 de setembro de 2011

Dias nublados no sábado de Salvador


O céu de Salvador, nesta manhã, está nublado com muitas possibilidades de chuva. O mar da Baía aparenta calma. As ruas do Centro sujas, os prédios insatisfeitos; falta coragem aos transeuntes; um lugar piorado quando não se pode reunir para beber e conversar com amigos. A cidade está ameaçada também por muitas doenças. Falta dinheiro no sorriso amarelo dos governantes? Venta na cidade que ainda é um sonho de felicidade. Apesar da dor, há um gosto de liberdade no ar sem purificação. A cidade. Paisagem linda que nos faz, talvez, pouco exigir. E a gente vota errado, tendo só errados para votar. Êta tempo nada porrêta: mergulho em Capitães da Areia, o livro, para ensaiar o filme. Preciso de sorte, terei que descer o Elevador Lacerda. Meu Deus, o Senhor há, um prefeito com o signo da morte. Minha vida em coletividade só pode ser definida pelos Mandos do deus Futebol; meu esporte favorito é o Vólei e nasci sem valer nada.

Mas hoje é sábado que tem a cor da Fé. Insisto assim. Presumo assim e saio para a vida como num filtro de gente. Eu escolhi. Ouço música, rasgo retratos, apago poemas, recito, rezo e danço para os Orixás. Leio. E prazer. Encontro também. Cinema. Festa das Iyabás.

Oxum e Iemanjá e Nanã dançam hoje! Agradeço está vivo ainda que entre as durezas deste tempo na Cidade da Bahia. Sei que se tem de morrer. Já morri várias vezes mas a derradeira também vai doer.
Cidade de sábado, minha Bahia. Queria perfumá-la, reimaginá-la com palavras do poeta da delicadeza, transformá-la sem danificar a essência, tê-la mais negra com a cara da miss Angola 2011, trazer antigas festas e querer dentro dela e realizar nela e ser por ela... Bahia que não sai de mim. Força que orienta a palavra que faço em mim para a arte.

As águas desse meu mar em todos os santos. Axé e Amém.

domingo, 28 de agosto de 2011

Mar da Baía


Perco tempo com o ouvido no coração do mar

sábado, 27 de agosto de 2011

É domingo nas esquinas dos meus caminhos


Para datar, já é domingo no meu pensamento, 28 de agosto de 2011, nas ruas da Cidade da Bahia. Adianto-me ao dia que deverá ter sol sobre a poesia do mar daqui. Talvez seja só isso e para além disso essa imensa vontade de achar. Nessas ruas menos esburacadas que minhas esperanças, mas atoladas de gente indo sem sentido pela falta que nos resta como resignação. É domingo no jeito de estar consigo perdido de solidão. O silêncio que murmura uma espécie de dor;  o tempero de outrora falhando o caldo cultural que nos aludia, crescia, fomentava, brilhava  em símbolos para o mundo.

É domingo nesse universo de mendigos de tantos tipos e pouca sorte. As letras erradas nas paredes acabadas e o tormento dos novos escritores. O olho da serpente instruindo o bote. O miasma medieval de uma cidade contemporânea pelo mundo visitada. O céu de um azul tão estupidamente lindo, confundindo-se com  o verde-azul do mar nesta terra: assolada de pobreza e vergonhas. A fome que desconstrói. A sede que aniquila. A vertigem que aponta doenças, as descrenças, o prefeito mais burro que há.

É domingo nessas esquinas que encontro. Todo dia e ultrapasso. Vejo com sofreguidão e medo o meu caminhar diurno neste domingo que começa já, amanhã de manhã. Faço um filme experimental e sou peça-chave, protagonista entre prostitutas, ambulantes, mendigos, franelinhas, drogados, boêmios, taxistas, cafezinhos, gatunos, michês,travestis, pedintes, velhos, crianças, mulheres, padres, baianas do acarajé; sou-me o meu comando à frente dessa gente que sou eu me encenando.

É domingo no que sempre deve ser. Teatro de portas fechadas; cinema  sem repertório; praias lotadas; música sem audição. E o amor visto só do retrovisor sem bússolas para encontrar. Uma paisagem belíssima à vista do mar mas sem partilha. Domingo das ratazanas com medo do  veneno da gente. Os sons altos do pagode insuportável, o berreiro pegajoso das paulas claudias joelmas... É domingo à espera da Primavera, de mais flores, das Águas de Oxalá, de Setembro, da voz de Gal, das boas novas, de conquistas, de uma carta, de algum sentido mais prazeroso.

Domingo que dói mas impele a  sair recitando poesia pra si pelas ruas e aquecer a imaginação com leituras e viver cada livro e inspiração tendo o olho da águia como controle e obstinação. Avante e acima.

A Bahia ainda há.

domingo, 21 de agosto de 2011

Juliana Ribeiro: artista da Bahia


Ate o sol comungou, neste dia 21 de agosto, no Parque da Cidade, no anfiteatro Dorival Caymmi, presença maciça do povo baiano, com a estética reluzente do CD Amarelo, da cantora Juliana Ribeiro. Às 11 horas, manhã epifânica, se confirmou esta menina como um grande talento consolidado na Bahia, prontíssima para navegar os mares do Brasil e do mundo.


O canto envolvente, o repertório mesclando inovação e pesquisa para trazer o melhor samba feito no Brasil. E ainda teve samba reggae, semba, lundu, maxixe, jongo e Ilê Aiyê. Tudo para expressar a festa musical que a cantora pesquisadora e compositora traz para atestar sua qualidade e orgulhar a Bahia com sua trajetória de luz.

Um novo tempo. Tem que ser. Sandra Simões, Claudia Cunha, Manuela Rodrigues, Stella Maris, Carlos Barros e tantos outros, reacendendo possibilidades musicais lindíssimas em nosso território.

Um novo tempo para se marcar a continuidade da voz Márcia Short, show de experiência, cantora brasileira, luz e pedagogia em tudo que for canto no estado da Bahia.

Juliana me arrepiou a pele. Linda em dois figurinos lindíssimos. Louvando em respeito os orixás, como o meu controle de qualidade Maria Bethânia. Marcando o samba com elegância, em consonância com Mariene de Castro, a gente dançou o que a Bahia também tem.

Agora, é navegar outros mares e seguir em sintonia com a alma da gente. Sabendo grande Juliana: ainda não é o tempo da posse da diva. Por enquanto, é a cantora criativa que deve espelhar uma terra, uma gente que tem na arte musical popular a sua mais forte expressão com a vida. Seja inteira, faça música, sonhe com a gente que precisa desse novo tempo. Amo seu trabalho e espero poder lhe cumprimentar sempre!

Meus dias, nesse final de agosto, será todinho Amarelo, graças a Oxum se permitindo na garganta de Juliana Ribeiro.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Será

Ao longe, a água tomou conta de mim
Me lavou dos meus temores e secou
Aquele ranço de não querer acertar.

A água me trouxe para cá
Para me mostrar meu lugar
No mundo.

Meu mundo que me amplia
Para todos os lugares
E que me guia até
Não ter outro lugar:

A água me trouxe
À Bahia...
Sagrado instante
Do que serei eu
Aqui...

A água me serenando
Para tudo o que tiver
De ser...

E será