domingo, 21 de agosto de 2011
Juliana Ribeiro: artista da Bahia
Ate o sol comungou, neste dia 21 de agosto, no Parque da Cidade, no anfiteatro Dorival Caymmi, presença maciça do povo baiano, com a estética reluzente do CD Amarelo, da cantora Juliana Ribeiro. Às 11 horas, manhã epifânica, se confirmou esta menina como um grande talento consolidado na Bahia, prontíssima para navegar os mares do Brasil e do mundo.
O canto envolvente, o repertório mesclando inovação e pesquisa para trazer o melhor samba feito no Brasil. E ainda teve samba reggae, semba, lundu, maxixe, jongo e Ilê Aiyê. Tudo para expressar a festa musical que a cantora pesquisadora e compositora traz para atestar sua qualidade e orgulhar a Bahia com sua trajetória de luz.
Um novo tempo. Tem que ser. Sandra Simões, Claudia Cunha, Manuela Rodrigues, Stella Maris, Carlos Barros e tantos outros, reacendendo possibilidades musicais lindíssimas em nosso território.
Um novo tempo para se marcar a continuidade da voz Márcia Short, show de experiência, cantora brasileira, luz e pedagogia em tudo que for canto no estado da Bahia.
Juliana me arrepiou a pele. Linda em dois figurinos lindíssimos. Louvando em respeito os orixás, como o meu controle de qualidade Maria Bethânia. Marcando o samba com elegância, em consonância com Mariene de Castro, a gente dançou o que a Bahia também tem.
Agora, é navegar outros mares e seguir em sintonia com a alma da gente. Sabendo grande Juliana: ainda não é o tempo da posse da diva. Por enquanto, é a cantora criativa que deve espelhar uma terra, uma gente que tem na arte musical popular a sua mais forte expressão com a vida. Seja inteira, faça música, sonhe com a gente que precisa desse novo tempo. Amo seu trabalho e espero poder lhe cumprimentar sempre!
Meus dias, nesse final de agosto, será todinho Amarelo, graças a Oxum se permitindo na garganta de Juliana Ribeiro.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Juliana Ribeiro, da Bahia para o Brasil
Que o Brasil é o país das cantoras, todo mundo diz e insiste neste feliz clichê; que é a Bahia um dos mais inevitáveis mananciais de vozes reluzentes entre os brasileiros, sem delongas, basta citar Gal Costa. Mas nem sempre temos a cor da renovação, nem sempre elegem como musa a artista certa, correta, mais criativa.
A gente anda carente da diversão que preserve a memória das grandes invenções musicais feitas por nosso povo, que estabeleça diálogos entre o velho e o novo, que pesquise, que eleve o nosso sentir artístico sem ser professoral, que faça valer a nossa história e que faça do palco síntese de deleite e aprendizado, alegrando a alma por inteiro, por fazer balançar o corpo sem dilacerar a criticidade, sem menosprezar a inteligência.
E que como Gal, Bethânia, Jussara, Virginia Rodrigues, Diana Pequeno, Stella Maris, Márcia Short, Margareth, Daniela Mercury, entre outras, cante de verdade. Ando cansado de nossa estupidez mercadológica que secundariza o primeiro time de nossas melhores vozes em detrimento das musas fabricadas pela indústria do carnaval, principalmente as loiras. Há nessa cidade mulheres que cantam sem dever nada as grandes revelações nascidas entre Rio e São Paulo, e que são lançadas à grande mídia só por conta disso.
Entre nós, crescendo a cada dia, existe a cantora, compositora, pesquisadora e belíssima, Juliana Ribeiro. Mais que páginas de jornal, seria válido e educativo, ver esta artista se projetando em nossas TVs, rádios, magazines e sendo indicada para cantar em programas nacionais e em uma simples apresentação televisa em algum desses programas, se confirmaria a força artística da menina que canta tudo, mas usa o samba como bandeira expressiva de uma tradição da qual ela não pensa em se apartar.
É lindo assistir a um show que mescla os jongos de Clementina de Jesus, faz alusões deliciosas a Carmem Miranda, louva o nosso mestre Batatinha, passeia por Zeca Pagodinho e Leci Brandão, canta Caymmi, Noel, Xisto Bahia e ainda, homenageia os melhores compositores baianos vivos levando-os para o palco.
Juliana é a nova voz da Bahia que o Brasil precisa conhecer. Para amar.
(Publicado no Opinião do A Tarde em 12/11/2010).

