Mostrando postagens com marcador Cantoras Baianas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cantoras Baianas. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de março de 2015

Para Stella Maris



porque toca meu coração

e em miragem acho que

ouço sereia e canção...


mas não,


eu a inventei

como inventa o ar o voo

o pássaro...


seu canto me é invenção

celebração das ondas batendo

em pedras e areia


sutil e gigante

sem carência de ornamentos

só letra e música


e o sentimento

desta mulher

filha de Iemanjá!


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vércia: olhos voz da canção



Ela é uma das grandes revelações do canto
feminino na Bahia. Sua inspiração
pode imprimir um passeio por temá-
ticas que abordem a diversidade, a comple-
xidade humana quando o assunto for sexua-
lidade, mas, além disso, seu canto rasga e
convida à doçura como se esta fosse comum
a todos os seres humanos. Vércia Gonçalves
tem sido corriqueira em cenários que efer-
vescem samba e outras pérolas do cancioneiro
brasileiro na cidade da Bahia. Cada apresen-
tação da cachoeirana, de 34 anos, nos apre-
senta a novas descobertas de possibilidades
estéticas: mesclas de motes das religiosidades
afro-brasileiras com o mais tradicional dos
sambas, mais o repertório urbano e luminoso
de colegas suas como Gal Costa.

Os olhos incrivelmente belos acompanham
a voz. A liminaridade de sua presença, entre
masculino e feminino, traz à tona a qualidade
vocal eterna de Aracy de Almeida; e, assim, se
desvenda Vércia como uma promessa desme-
dida para engrandecer ainda mais a tradição
feminina da Bahia quando a deixa é canção.
Apesar de trilhar uma trajetória de mais de dez
anos de carreira, Vércia ainda está escondida
para o grande público baiano. Ela qualifica as
noites e as tardes musicais da Bahia, cantando
em lugares como o mítico bar Zanzibar, se
cercando de colegas e amigos, como o seu
maior incentivador: o cantor Carlos Barros.

É outra que evidencia a negritude de nossa
gente e que à frente de meras questões da
necessária afirmação etnicorracial, produz ex-
periências de fruição que só a verdadeira in-
ventividade pode oferecer. Óbvio que nem
sempre foi assim. A carreira de Vércia é um
aclive a favor das melhoras que o aprendizado
e o estudo garantem, e, ralando como deve ser,
a cantora presta homenagens a Clementina de
Jesus, Clara Nunes, Maria Bethânia... Sangra
emoção e simplicidade, o drama na medida
certa, o ar menino menina, afinação, a voz
rascante são elementos da artista que se cons-
trói para a raridade.

É negra a beleza castanha dos olhos de
Vércia. E ela vaza de qualquer unilateral
comparação com a grande Mart’nália. Vér-
cia é a parte da Bahia que pode resultar

universal.

(Publicado no Jornal A Tarde, Página 3, Opinião, 27 de setembro de 2014)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Aila Menezes: um leque aberto para a vida




Ela, de fato, ainda é uma menina. Um amálgama de sentidos que nos convida a prestar atenção nela. Doce e aguerrida. Principiante e experiente. Decidida e assustada. Mas, no somatório de tudo, ela ratifica-se: é talentosa.

Aila Menezes, 25 anos, nasceu em Salvador da Bahia, temperada por uma mistura étnica que não a afastou da negritude que impera nesta cidade. Neta do patrimônio cultural baiano, o palhaço Pinduca, a menina (a quero assim) nasceu para singrar palcos e rodopiar possibilidades artísticas, numa capacidade ímpar, só vista em nomes como Daniela Mercury, Madonna, Carmem Miranda (citando as mais representativas), de juntar a dança ao canto, pousando, por vezes, na dramaturgia como pede o seu destino de cantriz.

Sua expressão artística agrega-se à abertura do leque: novelo de feminilidade, norte de iyabás, diversidade comunicativa; o leque é a marca registrada da menina que sabe cantar, dançar, representar, falar, convencer, atrair e nos representar.

Nada nela é inovador se um olhar diacrônico escrever sua história: os gestos lembram às vezes Daniela, outras Márcia Freire, algumas vezes Madonna; reverencia, no canto, as maiores cantoras brasileiras como Carmem Miranda, Emilinha Borba, Elis Regina, Clara Nunes, Alcione, Gal Costa e, claro, Maria Bethânia.

Algumas estridências são cometidas, quando à sua maneira, ela se esquece do ser cantora e vira animadora de trio, outra grande possibilidade sua no cenário cultural baiano.

Mas ela pode mais. Pode durar como artista se amansar a voz, ajustando-a à beleza que lhe é, à doçura que convida, e ao timbre claro alcançado por vozes límpidas como a de Ivete Sangalo, mesmo que por vezes desperdiçado.

Aila tem uma grande torcida e um vigor enorme para Pop Star: doa em quem doer, é mais talentosa que Cláudia Leitte e pode servir como produto-novidade para as políticas de reabastecimento da nossa indústria cultural. Para mim, este fato seria um crime contra as possibilidades artísticas para quem nasceu e foi educada e incentivada, familiarmente, para ser artista.

Uma delícia ver Aila no palco: ora brincando ora sendo aquilo que já é. Suas escolhas políticas a fizeram, como La Mercury, a levantar bandeiras a favor das diversidades, ao direito do amor livre e independente de marcas sexuais; uma postura avançada para quem, de verdade, tem a identidade sexual circunscrita no que chamaríamos de heterossexualidade. A menina enlouquece os gays pelo país afora.

Aila Menezes é baixinha, cheinha do tipo Madonna anos 80; desliza como tem que ser; promove estridências desnecessárias ( algumas de suas mestras não saem do trio); está assustada com o cenário de fama que se aproxima; posta nos redemoinhos das opiniões – ela só será se se guiar pela força do talento para o palco e, assim, ouvir a própria intuição e a voz das pessoas que a amam antes dela ser Aila Menezes aqui ou acolá.


Marlon Marcos é antropólogo e jornalista ( DRT- BA 2235)

sábado, 2 de abril de 2011

Jussara Silveira: sempre imperdível!


Toda elegância da mais doce diva da MPB.

Extrato de uma realeza encontrada no cotidiano da mulher.

Uma voz que consola a alma e embeleza os dias...

Presença imprescindível, espetáculo musical imperdível:

Jussara é puro alumbramento.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cláudia Cunha



Venho fazer meu passeio por dentro da brisa
E ter prazer existencial...
O ouvido colado num diafragma
Que respira e traduz melodias...
Emite sons regidos pela voz
Recorrência da melhor beleza,
A que nasce a favor da arte
Vívida na garganta de
Cláudia Cunha.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Realce

Dani e Toni

Muitos sorrisos.
Lugares lânguidos,
olhos do desejo,
ansiedade.

A beleza dança.
Naquele caso,
canta.

Vontade de pousar por ali.

Versos perdidos de fome,
de sede; canção de Gil...

Ali - homem e mulher -
lindos, o desejo tinindo
brilho de prazer.

Estão caindo as estrelas
preciso tê-las e sonhar.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Manuela Rodrigues, simplesmente

Olhar para ela já bastaria; mas não, é preciso ouvi-la ou lê-la e saber dos caminhos mais profundos de sua beleza. A moça tonifica a paisagem humana negra da Bahia e oferece o seu talento a reflexões alheias, ao pensamento... Sua voz alia o popular contemporâneo a estruturas do belcanto numa investida de precisões poéticas, sintaticamente como os poemas de João Cabral de Melo Neto - matemática da poesia através do canto? Tudo é mais complexo que isso. O mais certo ou simples é ouvir e ver Manuela Rodrigues iluminando lugares de Salvador e constatar este talento que chega para dizer as coisas lindas que tem sido feitas na Bahia e muitos relegam ao alternativo.
Manuela é o seu sorriso, um vinho numa tarde crepuscular nos envolvendo na roda de belas canções. Tem que provar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cláudia Al- Cunha


Mergulhado naquelas tardes...
Meio saudade em dor
Meio felicidade em ti...
Sua voz tem cheiro
Sua beleza banha
Cada audição me é
Dias dentro da poesia
Que não se pode apartar...
Vontade de ser eletrola
E deixar sua voz tocar
De dentro de mim...
Que tardes minhas memórias
E uma cantora no palco
Acima do mar.
Todos os meus desgastes
Minha pieguice o amor
E a voz
Um dia
Melancolia
Todo frescor
Em tudo que não cessa
E al-cunha o desfazer dos
Poetas.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Stella Maris: a sereia aniversaria hoje

Stella Maris (E) e Marília Sodré ( na nossa Pérola Negra)

Uma espécie de festa sai hoje do mar para a terra... São aqueles dias em que as sereias brincam na areia travestidas de cantora; poetas, escritores, amantes da música correm afoitos para áreas litorâneas para banhar-se na epifania sonora advinda do canto das sereias...Os olhos humanos tremeluzem alegria e dão glória à audição.A festa percorre o sol do dia aguardando o magnetismo da noite. Acontece, na Bahia, sempre em 21 de janeiro...A estrela do mar mistura-se à sereia do canto mais peculiar, acima do bonito, e transforma-se numa mulher nascida no Recôncavo...A festa invade os corações porque a musa em sua porção humana alavanca a emoção e verdifica o horizonte...É a beleza em estado puro; o feminino imagético numa voz que lava a alma e nos ensina, musicalmente, a nos deliciar em águas e amor.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Stella Maris arrasou na Noite de Santo Amaro - 2011

Stella Maris, a melhor voz radicada na Bahia, ocupando o Palco da Concha Acústica, do TCA


A sereia maior singrou a emoção do grande público da Concha Acústica, na Noite de Santo Amaro de 2011. Foram duas canções ofertadas à constatação de que quando Stella canta, emana Beleza. Sua voz fez festa dentro mim, que estava ainda mais feliz porque muitos também ouviam o marulho raro saído da garganta que traz à terra fragmentos dos mistérios das criaturas do Mar. Queria ser mecenas, poeta, compositor e levar esta voz pelo mundo para contar histórias sonoras deste lugar chamado Bahia. Parar o tempo, transformar minha emoção em explanação analítica, para demonstrar a revolução de luz e prazer que me acomete quando aquela mulher faz o que nasceu pra fazer: Cantar. E isso é igual a muitos carnavais, meu caríssimo Caetano Veloso.


sábado, 15 de janeiro de 2011

Márcia Short: Amor em órbita




Márcia Short. Ela traduz a força negra da nossa canção. Quando canta o amor eu entendo. Poucas, são poucas as cantoras que têm a luz vocal dela. E a beleza circunscreve-se ali e grita para que Márcia, ao menos entre os baianos, ocupe o lugar que é seu por integral marecimento.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cláudia Cunha: do ventre das sereias para a Bahia


Ela foi feita pelos deuses da delicadeza que a ensinaram a cantar. Sua presença nos anima a olhar para as estrelas e a ouvir música por dentro do nosso silêncio para nos curar dos danos barulhentos dessa urbanidade sem controle. Tudo é mínimo em seu canto gigante para que quem a ouvir reaprenda a descobrir o mundo. Seu jeito brejeiro amanhece os olhares nos convidando a conhecer a mulher em seus mistérios e desejos e, mesmo sem poder conhecer, a contentar-se com o fascínio que a sedução imputa.
A sedução advém da voz cristalina espalhando sensações de frescor em nossa audição. O palco se ilumina daquela energia água e a musa contemporânea cretense baiana paraense desagua magnetismos e inspiração para quem busca recriar a vida.
Ao longe, sua voz venta bons presságios. De perto, arrepia a alma e faz o corpo adormecer para gozar dos sonhos.
Nem tudo é alívio ali, tampouco só água. Ela traz dor e imaginação, sua voz desperta as difíceis saudades e quem já amou, ou ama, sofre; quem nunca amou vive musicalmente a tragédia da existência nos desertos. Ela segue gerando fogo para que os poetas se esmerem e cumpram sua condenação frente às palavras.
Sua ação artística é certeira quando no palco tudo se organiza ao comando da sua presença indecifravelmente doce... E a moça canta dança convida... Faz a roda mágica da vida pedindo festa... Tem sentido o cantar vindo daquela garganta, a arte dali é esperança, e todos podem se divertir, aprender, chorar, rasgar-se e sorrir.
A delicadeza dos deuses nos permitiu essa menina linda caminhando pelas ruas sujas daqui... Aqui na mágica e abandonada Cidade da Bahia, onde privilegiados ouvidos podem ser tocados pela grande cantora de perto, e assim, os olhos também são agraciados.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Stella Maris, minha oração por seu canto


Hoje é um dia para alegria. Uma ventilação acima do verão saída de uma voz. Uma pergunta de resposta certeira para além do que se descreve. E o descrito é lindo, mas o sentido é impossível de se dizer... Hoje eu falaria com os duendes, clamaria as sílfides e nereidas, convocaria as bruxas do Leste, tocaria no rosto das Iaras em seus igarapés, enfrentaria Medusa, pediria às águias e aos golfinhos, consultaria os xamãs peruanos, meditaria em Buda e Krishna, rezaria a Nossa Senhora, cantaria para a Grande Mãe, visitaria Ísis, acionaria os elfos, incumbiria os querubins e arcanjos, tocaria a flauta de Pã, me comunicaria com extraterrestres, alcançaria o olho da serpente, voaria com Oyá-Iansã... Hoje é a minha voz em silêncio abaixo daquela voz cantando; hoje todos os encantados por perto a religar os sons secretos do mar aos ouvidos humanos. Hoje Oxum permite arte e desatina tesouros brotando do sonho maduro de uma mulher.

Eu voaria com as canções tentando alcançar as mãos de Deus... Debulhar-me-ia em mantras tornando-me Ganesha, ainda a preservar os mistérios. Roubaria o fogo de Prometeu, decifraria esfinges e intelectuais e, faria a síntese deste dia no marco da beleza se desfiando das águas saídas do canto da mulher.

Inteira oração na hora mais perigosa do dia: todos os encantados da Terra, do Mar, das Matas, do Fogo, do Ar, das Pedras, do Metal... Todos e Todas que podem gerar grandezas...

Entregar-me-ia em profunda oração. Com um balaio em tecidos verdes azulados, fitas e rosas brancas em abundância, arroz cozido, doces, perfume de alfazema, inteiro em roupas brancas, e ofertaria a, na manhãzinha de um dia qualquer nas águas marítimas da enchente, Iemanjá - Rainha das Águas que cobrem o mundo – para que Ela fizesse singrar pelo Brasil o canto magistral de sua filha sereia que anda sobre asfaltos, mas é a emissão dos mananciais aquáticos que refrescam a alma da gente e fazem a mente receber como gozo...

Pediria e peço: Oh! Mãezinha espraia o canto de sua filha, dai a ela 2011 acertos e nos permita sonhar, em festa e alegria, com os acordes que transbordam daquela garganta, outra morada da Senhora. Odô Iyá!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Stella Maris: voz que aprofunda o mar

Stella Maris
Como diz o mestre Tiganá Santana, o belo é maior que o bonito, e indo nesta direção meus olhos e meus ouvidos pousam em Stella Maris. Quando ouço esta santo-amarense me aproximo das águas em refrescância e prazer, sinto a vida me emocionando, as coisas se humanizam, Iemanjá, em alegria, dança. Stella é o canto de uma contínua poesia que sempre estou por fazer. Sua voz aprofunda o mar e seu jeito tímido me banha e convida para seu mistério. Amar, pra mim, é viajar naquela musicalidade, é se acompanhar do outro nos sendo prazer. Tem dor ali; tem cor também... Uma das maiores cantoras brasileiras e a representante número 1 entre as vozes femininas que residem em Salvador. Beleza , é isso, brota beleza da voz sereia desta mulher que tem o mar também nos olhos. Que 2011 seja o ano do canto Iyabá de Stella Maris.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Juliana Ribeiro, da Bahia para o Brasil



Que o Brasil é o país das cantoras, todo mundo diz e insiste neste feliz clichê; que é a Bahia um dos mais inevitáveis mananciais de vozes reluzentes entre os brasileiros, sem delongas, basta citar Gal Costa. Mas nem sempre temos a cor da renovação, nem sempre elegem como musa a artista certa, correta, mais criativa.

A gente anda carente da diversão que preserve a memória das grandes invenções musicais feitas por nosso povo, que estabeleça diálogos entre o velho e o novo, que pesquise, que eleve o nosso sentir artístico sem ser professoral, que faça valer a nossa história e que faça do palco síntese de deleite e aprendizado, alegrando a alma por inteiro, por fazer balançar o corpo sem dilacerar a criticidade, sem menosprezar a inteligência.

E que como Gal, Bethânia, Jussara, Virginia Rodrigues, Diana Pequeno, Stella Maris, Márcia Short, Margareth, Daniela Mercury, entre outras, cante de verdade. Ando cansado de nossa estupidez mercadológica que secundariza o primeiro time de nossas melhores vozes em detrimento das musas fabricadas pela indústria do carnaval, principalmente as loiras. Há nessa cidade mulheres que cantam sem dever nada as grandes revelações nascidas entre Rio e São Paulo, e que são lançadas à grande mídia só por conta disso.

Entre nós, crescendo a cada dia, existe a cantora, compositora, pesquisadora e belíssima, Juliana Ribeiro. Mais que páginas de jornal, seria válido e educativo, ver esta artista se projetando em nossas TVs, rádios, magazines e sendo indicada para cantar em programas nacionais e em uma simples apresentação televisa em algum desses programas, se confirmaria a força artística da menina que canta tudo, mas usa o samba como bandeira expressiva de uma tradição da qual ela não pensa em se apartar.

É lindo assistir a um show que mescla os jongos de Clementina de Jesus, faz alusões deliciosas a Carmem Miranda, louva o nosso mestre Batatinha, passeia por Zeca Pagodinho e Leci Brandão, canta Caymmi, Noel, Xisto Bahia e ainda, homenageia os melhores compositores baianos vivos levando-os para o palco.

Juliana é a nova voz da Bahia que o Brasil precisa conhecer. Para amar.

(Publicado no Opinião do A Tarde em 12/11/2010).