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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Poemar: historinha da Mãe Negra Iemanjá





LANÇAMENTO DE POEMAR: HISTORINHA DA MÃE NEGRA IEMANJÁ, DE MARLON MARCOS, DIA 05 DE DEZEMBRO DE 2015, ÀS 15H, NO PALACETE DAS ARTES (IPAC/SECULT)

A poética narrativa infantojuvenil Poemar: historinha da Mãe Negra Iemanjá é um convite para as crianças de ontem, hoje e amanhã para um profundo mergulho nas águas que representam a beleza da bravura e singeleza da mãe-rainha Iemanjá, desde as origens do seu culto na África, em Abeokutá, até a sua chegada às águas das terras de cá, as brasileiras. A obra explora um universo literário que sendo da criança também é do adulto. Este elemento está associado à marcante inspiração da literatura clariciana na vida do poeta Marlon Marcos, já que para ele, Clarice Lispector representa em sua vida uma das principais fontes teóricas de escrita literária.
 

Marlon MArcos, como uma predestinação, nasceu às margens da Baía de Todos os Santos e foi batizado com um nome que guarda a multiplicação da morada da Mãe Negra, o Mar (Okún), já que é filho da Iyá Ogunté, juntamente com o Babá Oguian. Ele é graduado em História e Jornalismo, mestre em Estudos Étnicos e Africanos e está cursando bacharelado em Ciências Sociais e doutorado em Antropologia. O seu legado acadêmico e de produção artístico-literária demonstra o seu desejo em ressaltar as riquezas deixadas pelos nossos ancestrais africanos, principalmente, através da religiosidade, em específico, o Candomblé.
 

A obra aqui apresentada caracteriza um importante marco na literatura direcionado ao público infantojuvenil, ao passo que é um canto poético que apresenta um mundo de magia cercado por elementos religiosos e culturais que, muitas vezes, a sociedade brasileira buscou e busca afastar da formação sociocultural desde as nossas primeiras leituras, que ocorrem, normalmente, entre a infância e a adolescência. Momento que iniciamos uma abertura para novas possibilidades, as quais precisam ultrapassar o olhar eurocêntrico de padrões sociais ainda tão enraizados em nosso país. Poemar é uma reflexão acerca da importância da preservação do Ilê da Mãe Negra e de todos os elementos da natureza, os quais ela protege assim como seus filhos. Nessa obra, a poética é um canto que exprime Odô Iyá em verso e prosa.
 

A cantora Vércia, acompanhada de Marcus Santos ( percussão) e Zé Livrera ( violão), solta a voz e faz roda para a criançada de todas as idades.


SERVIÇO:

Evento: Lançamento de POEMAR: HISTORINHA DA MÃE NEGRA IEMANJÁ

Autor: Marlon Marcos

End. – Palacete das Artes (Rua da Graça, n. 289 – Graça, Salvador – BA) – Entrada gratuita.

Em 05 de dezembro de 2015, às 15h.

Participação especial: a cantora Vércia

Valor do Livro: 25 reais

Maiores informações:
Raphael Cloux ( editor): (71) 99232-1051

Marlon Marcos ( autor) : (71) 98749-5595

Release: Leice Costa

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Da voz de Bethânia para minha Mãe Iemanjá



Entoo-Lhe , da voz de Bethânia, orações...

o tempo está violento, maus presságios

ondas rasteiras do moralismo

barulhos fundamentalistas ferindo o silêncio,

burocratizando a Fé...

desrespeito ao direito diverso e legítimo

de amar...

hordas da hipocrisia vicejando

racismos de todas as espécies,

morte ao outro em nome da divindade,

usura disfarçada de contrição,

maldade, perversidade, agressão

advinda dos pregadores da salvação...

fedor por todos os lados....

descaso com o direito à vida

injustiça sanguinária dos que se dizem

santificados...

Oh, Mãe

Ouve a cantora

o que dizemos sangra e é água

transborda história, é pura emoção

Ouve

Ouve

Ouve

e me alivia para o público isolamento

marcado tão somente da Tua presença

e das coisas do mar...

deixa em mim o que for do amor

só pessoas à luz do amor...

um pouquinho só

todas revestidas de amor,

Seu filho dileto!

Axé

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Oração do dia



Que eu seja livre o suficiente para não fazer sentido.

Que eu tome conta de mim certo de que comigo sempre contarei.

Que eu tenha coragem para dizer não e hombridade para sempre agradecer.

Sabedoria para lidar com a maldade do outro e força para me apartar da minha. 


Discernimento, meu Deus, para escolher as companhias.

E ser como me escolhi para ser ao longo de 44 anos...

Que eu tenha alegria.

Que saiba do meu tamanho neste mundo.

E me comunique sem a ânsia do sucesso

E fora dos exageros de quem se rasga por celebridade.

Eu quero paz e sossegar no colo de alguém

Sem me tornar escravo de ninguém

E sem escravizar a quem eu amo.

De novo: que eu tenha coragem e assim,

Como aqui, eu exerça a minha comunicação

E me proteja da perversidade dos religiosos e dos ateus.

Que o amor que vinga no meu peito me seja norte

E eu tenha hora para concordar e hora para discordar.

Que seja eu inteiro e certeiro para realizar os sonhos

Que me convencem a estar nesta vida.

Entre Deus, Anjos e Orixás

E as Águas da Mãe e do Pai

Que sustentam minha existência.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Maio é o feminino em mim



O feminino vive a me rondar e a me encher de inspiração proteção estesias: eu tinha que ter nascido em maio, outono nos trópicos, colado à imagem de Maria, sendo, em muitos sentidos, mariano, seguindo em águas incolores verdes azuis branco-leitosas, alma perfume, cheio de fé.

Maio é o feminino que me põe de pé. Como setembro!

domingo, 13 de abril de 2014

Do peixe



Tendo-me à fartura desse instante
na leveza constante da sua proteção
entre a vontade de mergulhar e sumir
e a de estar aqui a escrever...

Escrever meus sonhos de beleza
com delicadeza e fé
ora instigando o silêncio
ora cantando versos
para o amor

em mim
em Ti
no mar.

Ora realizando
sob a barra da sua saia
alimentado de peixes
em verde e branco

sendo-me eu
azul difuso
nos caminhos
deste mundo.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

domingo, 6 de outubro de 2013

Aos pés do Pacífico

(Foto: Iuri Bob Ramos)


Estou alinhado ao agradecimento
molhado na beleza do mar
em sua forma Pacífico.

Canto por 04 de outubro
e sonho transversais alegres
que me tiram destas retas
que se repetem.

Tristinhas.

Contudo,
sempre Iemanjá comigo.

sábado, 14 de setembro de 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Rosa Verde ( Pra Iyá Ogunté)

Odô Iyá,

cuida da minha saúde
faz fluir meus escritos
conduz meu olhar
de amor para o certo
me dê tempo para
expressar-me
me deixa perto da beleza
me deixa perto do mar
e que eu sempre viaje.

sábado, 8 de junho de 2013

Iemanjá



Das flores pra Mãe, 
essa força dentro de mim.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Iyá de mim


Iyá,

Me deixa tocar inteiro a luz dos dias,
Me deixa ser sempre honesto comigo,
Me deixa morrer enxergando o mar,
Me deixa preservar os amigos verdadeiros,
Me deixa alimentar sonhos,
Me deixa ter forças para lutar por meus sonhos,
Me deixa ter a saúde merecida,
Me deixa ouvir vozes  e pássaros,
Me deixar dormir e acordar,
Me deixa escrever o que tenho a dizer,
Me deixa amar e ser amado...

Me deixa eternamente sob a égide da Tua companhia.

Agradeço ardendo e com os olhos cheios d'água
Na voz de Maria Bethânia.

Odô Iyá!!!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Dentro de minha Mãe


No azul do mar do Caribe, com amigos, perto de mim, dentro de minha Mãe.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Iyá Ogunté


Iemanjá é o nome da minha esperança



Ê nijé nilé lodô
Yemanjá ô
Acota pê lê dê
Iyá orô miô


Salve, Rainha
Festejo daqui e lá
Meu coração em Agradecimento.

Obrigado, Mãe!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O dia


Alguma coisa reza dentro de mim. Traços sonoros da Deusa marítima em outra língua que não o iorubá. Visita de anjos cabalísticos na morada da desarrumação. Um barco singrando o pensamento feito céu diurno no verão de Salvador. Palavras aos olhos como saudação e um percurso a desconsiderar.

Imagética azulada e o coração em silêncio. Minha voz é do mar – não chama mais, mas lembra- batendo na pedra feito desejo. Aprendi que a beleza desgasta quando é mera convenção. Este dia traz o susto. E eu danço a leveza que mora comigo. Encontro rosas, uso perfume, visto-me de branco, tiro a roupa, danço de novo, medito, bebo água; encontro gente, olho na boca, beijo delicadamente... Mergulho.
Moro nessa mistura de mim: estou no sal da água que me limpa e tudo que imagino vem daí. Desaprendi o nome, mas tenho o rosto que me fita. Vivo do querer gostar, mas não sei se permito. A brisa é fresca como o meu lamento. Não sujarei este texto com a palavra saudade. Eu nado dançando n’água e por dentro. Converso com pedras e peixes, deixo a sereia não se mostrar, sonho pelo avesso; ainda pelo avesso, aqueço-me no mar da esperança que não me deixa... E hoje, apesar de triste, muitas coisas rezam dentro de mim.  Compartilho-as com o mundo

sábado, 8 de dezembro de 2012

Há 35 anos partia Clarice Lispector



 
 1977, em 09 de dezembro, na cidade do Rio de Janeiro, um dia antes de completar 57 anos, morria a escritora Clarice Lispector. Legado literário imensurável. Impressões profundas sobre a humanidade. Traços de um feminino que me acompanha, me fascina, me orienta, me comanda. Segredos revelados, ela, Clarice, foi e é a maior epifania artística da minha vida.
Eu sinto assim: “mas eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!”, e rezo desacreditando no impossível. Reluto a partir desta escritura marcada em sombras e luz, cheia de vida.
35 anos de ausência presente no âmago da cultura brasileira. Retrato pintando paredes, discursos teatrais, oralidade política, rezas noturnas, textos acadêmicos, lágrimas no cinema, poema divino, à espera do beijo, encontro com o amor, doença, morte, continuação... Um livro a traz assim: “Sentia o mundo palpitar docemente em seu peito, doía-lhe o corpo como se nele suportasse a feminilidade de todas as mulheres”. Para mim, como se suportasse a humanidade de todos os humanos.
Clarice nunca morreu. Vívida naquelas palavras que furam a alma da gente. Em lições de vida que não amainaram a sua dor. Ela, dona da solidão total. Morreu para a vida de mito e artista que só faz se eternizar. Mito maculado, mas arrolado entre a sofisticação e a ignorância que perfila o nosso país.
Canto contando as horas e sonhando como literatura. A que me faz escapar de mim e da solidão, me reflete não sendo eu no meu eu mais profundo. Toco nela no livro que agora abro e pergunto onde deixar a minha Macabea...  35 anos do que se foi como completude, a obra, mas tendo muito a dizer.
Ardo de saudade e loto-me do que desaprendo para permanecer na delicadeza que me deixa amar e querer assim... Clariceanamente,
Iemanjá e Sagitário.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Morada minha







Mora essa casa em mim.
Esse azul de dentro é lindo,
Às vezes triste, outras risos:
Saga dos aquáticos com vista
Para o mar.

O azul de mim é nítido
Como o verde que há.

Voo da palavra molhada
Combustível nas asas
Que traz a minha fé.

Louvo o mar desse azul...
Sou eu diluído no verde
Da mãe que me habita.

sábado, 8 de setembro de 2012

Pela luz dessa Água que me habita






Ainda que muito difícil: eis-me à guisa do que me faz continuar.
Eis-me nessa oração aos ventos frente ao mar da minha existência.
Eis-me no mais profundo sentido: agradecido.
Indo por todo lugar,
Seguro na mão branco azul dos céus
No colo verde azul do mar.
De Abeokutá a Paris,
Subindo as ásperas ladeiras da Bahia,
Desaguando dor e alegria,
Esta força me faz sonhar.
Entre a pomba e o peixe
A nuvem e a onda,
No centro desta luta
Que venço ao corte do meu alfanje,
Dentro da presença divina de Oxoguian,
Da música maioral da minha Mãe,
Rainha de todas as águas,
Razão da fé que me conduz.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Transe




                                           "É doce morrer no mar
                                             Nas ondas verdes do mar"
                                                                  Caymmi

         Marulha-se o pensamento, rondando o espaço percebido pelo olhar, indo pelo vento esbarrar-se nas "ondas verdes do mar". Indo afogar-se na imensidão de uma procura, banhar-se na luz manhã de um sábado - entre rosas e preces - trazido do fundo fosco da duradoura esperança.
         
        Sobrevoa o instante o pensamento marcando imagens da realização. dominando a certeza, a emoção noutra forma invada-se numa saga onírica,e sobre pedras e sereias, os pés-asas sujos de areia alcançam às mãos do sonho em silêncio. Pensamento ao desejo, ventando manhãs numa manhã de praia; pensamento-olhares aos falares das conchas dos quizos dos búzios dos seixos dos ares, marca do segredo, para tudo que refaz a saudade e instaura o medo.
         
        Deserto aquático engrandecido pelo universo do pensamento, calado e colado nas asas dos pés,se indo,sem destino, na vaga estreita de uma incerteza, um surto emotivo, qualificado como distância. Na espessura amarga da água, a sensação da presença límpida da vida. Um tímido sol minimizando o transe.O tímido sol desenhando no horizonte que ultrapassa o olhar do pensamento.
          A órbita do silêncio atingindo todos os lugares.
          Uma paisagem verde-azul e branca, colorindo a fuga perfumada pela imaginação. A força do oculto: o que emana de fora para dentro d'água e respinga no corpo como resposta.
          O afogamento. A claridade azulada da água. O cheiro-alfazema do salitre na maresia às narinas do pensamento para possibilitar o consolo,
           A visita delgada da  Mãe-mulher, a irmandade com os peixes, a morosidade dos segundos devastando do peito a reserva das lágrimas...O carinho feito pela mão da Mãe-mulher no esparrame das águas sobre as pedras.
           A chegada do barulho para despertar o coração. A claridade rosa das águas aliviando pelos olhos a tensão deixada pela posse da consciência.
           Fragamentos da divina presença: toques sagrados à distância, danças ondulares, saudações iorubanas, músicas, verdades... A vontade atingida pela FÉ erigida para que se alcance o fruto-marulho no âmago do pensamento.
           A imagem da Mãe que se impregna no corpo do homem que sai louvando a  Mulher.

          Iyá Ogunté mi Odô Iyá!

                                         Marlon Marcos.

     P.S: Depois de contemplar o "mar" de Cachoeira em seu rio de tanta saudade...Que chegue Setembro.

domingo, 15 de julho de 2012

Do sábado (II)



Dizem que sábado é uma ilusão. Em mim, é frescor e nascente, fagulhas da esperança qua não posso perder. Sábado é o equilíbrio entre sexta e domingo, é vívido instante de se pensar levemente sobre a vida, comer uma boa comida, ir ao cinema, conversar com os amigos, ler poesia e, no meu caso, rezar frente ao mar da Baía de Todos os Santos.

Um pouco sagração; sempre me acalmo nos sábados e quase nunca, neste dia, me canso da vida.

Levo para onde for a maresia que me habita e se me manifesta melhor nos dias de sábado.