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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

dois amigos




amanheci com o brilho do dia de ontem todinho em mim;

pra mim o melhor sempre será o mais simples,

radiado de sol à beira mar em janeiro em salvador...

nem sei se carece de trilha sonora;

tem que ter alegria acionando a poesia

que comanda este meu instante no mundo...

estive com dois amigos

sobrevoando a barra

aportado nos sonhos que não me deixam

sendo-me mais leveza menos procura.

um dia de atração e esperança

meu coração criança brincando

daquele outro jeito que me faz feliz...

o jeito no qual não me obrigo a nada

apenas ser encarnado e água

sem padecer ausências, sem clemências

sem lágrimas, sem risadas...

pura leveza...

um dia em salvador, azul

de repente: alegria!

eu vivo em 2015!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O dia


Alguma coisa reza dentro de mim. Traços sonoros da Deusa marítima em outra língua que não o iorubá. Visita de anjos cabalísticos na morada da desarrumação. Um barco singrando o pensamento feito céu diurno no verão de Salvador. Palavras aos olhos como saudação e um percurso a desconsiderar.

Imagética azulada e o coração em silêncio. Minha voz é do mar – não chama mais, mas lembra- batendo na pedra feito desejo. Aprendi que a beleza desgasta quando é mera convenção. Este dia traz o susto. E eu danço a leveza que mora comigo. Encontro rosas, uso perfume, visto-me de branco, tiro a roupa, danço de novo, medito, bebo água; encontro gente, olho na boca, beijo delicadamente... Mergulho.
Moro nessa mistura de mim: estou no sal da água que me limpa e tudo que imagino vem daí. Desaprendi o nome, mas tenho o rosto que me fita. Vivo do querer gostar, mas não sei se permito. A brisa é fresca como o meu lamento. Não sujarei este texto com a palavra saudade. Eu nado dançando n’água e por dentro. Converso com pedras e peixes, deixo a sereia não se mostrar, sonho pelo avesso; ainda pelo avesso, aqueço-me no mar da esperança que não me deixa... E hoje, apesar de triste, muitas coisas rezam dentro de mim.  Compartilho-as com o mundo

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Floresta Azul


Eis que me tomo de mim e sigo nos interstícios da solidão.
Em cada sílaba que pronuncio reinvento cores e caminho.
Na vastidão do medo do inexistente da desilusão.

Há luz na penumbra de mim.

Eis que vago de coragem também
E dentro do azul chego a ti sempre
E te seguro de frente e amoroso
Rogando-te  a tua inspiração.

Há verde no azul de mim.

Eis que te sinto quando escreves
E esqueces do não que nos formula.
Assim: invento a floresta azul
Entre tristeza e alegria, tua mão
Acaricia minha memória, os meus cabelos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Maria Bethânia desiste do blog O mundo precisa de Poesia



A tacanhice brasileira venceu. Um monte de videastas, novos poetas e cantores, tantos profissionais excelentes querendo fazer Poesia a valores curtos quase de graça. A saga de Maria Bethânia com o canto e a palavra, num lugar como o nosso, só poderia e deveria se muito bem pago. Poesia é cara, aprender é mais caro ainda. Não é porque sou professor, amante da Poesia, divulgador da canção brasileira, estudioso da nossa cultura, esmagado pelo descaso que todos os governos têm em relação à minha categoria que, mesquinhamente, tenho que refutar a grandeza inestimável de quem projeta algo tão luminoso, juntando Hermano Viana e Andrucha Waddington, que deva ser ratificado pelo mercado com pagamentos iguais a quem começa ou amadoristicamente se diverte com versos e imagens. Sei do meu tamanho, aprendi essa noção com ela... A proposta desse blog se inscreveu na minha alma. Ali, diariamente, eu poderia tê-la por perto cantando e fazendo POESIA. Meu amor e meu sonho de educador antropólogo foram feridos.

Não sei se o Brasil perdeu nada. Mino Carta disse que  o MASP é maior que o Brasil. O blog O mundo precisa de Poesia também seria maior que o Brasil, por isso não vai acontecer. Que se gaste muito com Copas e Futebol e a Poesia rasteje pedinte por um lugar qualquer qualquer nessa terra varonil.

Perdemos eu, que mereço muito!, e meus alunos. A cantora vai ao encontro de outra poesia e a grande sonoridade: reinventará Chico Buarque de Holanda.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sobre o cinza


E eis que o cinza reina. E chega para embelezar a vida por dentro da tristeza, no desenho da distância, nos entraves da solidão... Eterno crepúsculo em sua beleza própria citando romantismo sem romance. Um instante dos mais profundos: dois quase juntos atormentadamente distantes; dois quase perto no silêncio que maltrata porque aparta...
E eis o cinza reinando nessa coisa que escurece amedronta silencia isola mas embebeda de beleza. A que nos banha de tristeza e, às vezes, inspira.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sem os olhos de alguém

"Nós os poetas erramos, porque rimamos também
Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem"

Seria encontrar-lhe em mim.
Alguma cidade marítima,
que lavasse seus olhos
para que me olhassem
e lhe trouxessem
pelos portões gigantes
da minha espera.

Seria imaginar-lhe
ali em frente sem
roupas ou desistências
fazendo sentido...

Seriam meus olhos como
os seus me dando esperança...
Minha voz ventilando o tempo
para evitar calores,
minhas lágrimas e saliva
banhando-lhe o prazer.

Seria uma canção brasileira
Flecha certeira a lhe afetar...
A saudade feito carta escrita
à mão...
Suas fotos de mim escondidas
e as minhas esquecidas em
qualquer lugar.

Longe do mar de mim.

Perto da serra da desesperança.

Onde vivo sem enxergar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E o sorriso...


"Há sorrisos que não são de felicidade, mas sim um modo de chorar com bondade"
Gabriela Mistral

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Triste, e daí?

"Um alegre fingindo-se de triste
Porque o triste parece mais profundo"

Desses dias de sol gritando em sua cara. Do barulho infernal de uma cidade que disso não tira férias. Da vida a galope exercitando a memória e desesperando o corpo sob as luzes do desejo. Dessa obrigatoriedade de ser feliz ou de estar sempre alegre: arre! Agora quero-me triste. E daí?
Um pouco de mar em minha preguiça basta. E mulheres cantando para que a tristeza não invalide a beleza; ao contrário, faça desses instantes de intenso sentir caminho para a criação.
Hoje faço de mim um desenho a lápis profundo. Ardo com o tempo e tenho vertigens de sentimentos. Meu peito não é só amor e surto acima dos risos hipócritas que debocham de mim. Quero a plenitude da escolha Garbo e me fazer produtiva companhia. Existe excelência em mim? Minhas incautas perguntas denotam o vazio que me fazem continuar. E continuo. Meio despido e inteiramente confuso; um pouco escondido; confuso. A confusão alimenta minha tristeza e me faz encenar decisões em palavras. A palavra é a maior dimensão da minha procura. A palavra me livra da loucura da qual, eu sei, não quero me livrar.
Desculpe-me, eu sou este cansaço mas vibro de vida. Triste sim, mas querendo viver sempre. Ver-lhe, de perto ou longe, me projeta à noção de experiências que não nasci para ter.
Na certeza invertida de Cecília: não sou alegre nem sou poeta... Eu sou triste. E mais se me vejo em você.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A vida

A vida tem sido tão rápido:
tem acabado antes de eu
terminar minhas frases.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

I'm blue


Debaixo d'água e acima também
melhor fico se faço silêncio.
Eu sou mais azul do que triste,
mais peixe do que gente,
e dou oxigênio a Terra.

De cá das profundezas
a música é transporte
adocica os instantes
de uma vida colorida em sal,
desenhada por sal,
transcendente porque sal.

Do mar me viro animal
e sobrevivo à custa do prazer;
às vezes, duramente, tenho que
respirar... E vou à superfície.

Ali os sonhos se desintegram
e vestido de pele seda azul
experimento a árida tristeza
refletida nos olhos de alguém
que me transforma em humano.