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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Resposta a Fernando


"Tenho amor a isto, talvez porque não tenha mais nada que amar - ou talvez, também, porque nada valha o amor de uma alma, e, se temos por sentimento que o dar, tanto vale dá-lo ao pequeno aspecto do meu tinteiro como à grande indiferença das estrelas."

- Fernando, melhor rodar no vazio que é menos indiferente que a indiferença. Eu nos aconselho: é tempo de calar...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Acontece

Ela disse:
- Ouço vozes.
Ele respondeu:
-Acontece.
Ela exasperou-se:
-Mas é sempre.
Calmo, ele falou:
-Acontece.
Ela odiosamente:
-Ouço vozes e estou ficando maluca.
Ele:
- Acontece, existem remédios, tratamentos, terapia...
Ela:
-Ouço vozes, sou maluca, sofro muito, sou sozinha e te amo...
Ele interrogativamente:
-Como?
Ela:
- Eu sou maluca e te amo.
Ele:
- Como? Você é maluca porque me ama? Se cure disso então.
Ela:
- Ouço vozes do além porque daqui sua indiferança se fez o silêncio que me enlouqueceu...
Ele:
- Sabia que sobraria pra mim...
Ela:
- Não mais; agora desligo-me do além e desse erro que foi você pra mim.
Ele:
- Acontece, né? Até, então...
Ela:
-Adeus.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Triste, e daí?

"Um alegre fingindo-se de triste
Porque o triste parece mais profundo"

Desses dias de sol gritando em sua cara. Do barulho infernal de uma cidade que disso não tira férias. Da vida a galope exercitando a memória e desesperando o corpo sob as luzes do desejo. Dessa obrigatoriedade de ser feliz ou de estar sempre alegre: arre! Agora quero-me triste. E daí?
Um pouco de mar em minha preguiça basta. E mulheres cantando para que a tristeza não invalide a beleza; ao contrário, faça desses instantes de intenso sentir caminho para a criação.
Hoje faço de mim um desenho a lápis profundo. Ardo com o tempo e tenho vertigens de sentimentos. Meu peito não é só amor e surto acima dos risos hipócritas que debocham de mim. Quero a plenitude da escolha Garbo e me fazer produtiva companhia. Existe excelência em mim? Minhas incautas perguntas denotam o vazio que me fazem continuar. E continuo. Meio despido e inteiramente confuso; um pouco escondido; confuso. A confusão alimenta minha tristeza e me faz encenar decisões em palavras. A palavra é a maior dimensão da minha procura. A palavra me livra da loucura da qual, eu sei, não quero me livrar.
Desculpe-me, eu sou este cansaço mas vibro de vida. Triste sim, mas querendo viver sempre. Ver-lhe, de perto ou longe, me projeta à noção de experiências que não nasci para ter.
Na certeza invertida de Cecília: não sou alegre nem sou poeta... Eu sou triste. E mais se me vejo em você.