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sábado, 14 de março de 2015

Pela poesia





um instante em mim
que me dura a vida

lava meu semblante
me acompanhando
pelo mundo

num voo profundo
me são asas.

salvaguarda-me o sentido
de eu ter morada...

de alguma forma neste planeta
em letras azuis e verdes
no escrito de um livro d'água

eu pertenço

à Baía de Todos os Santos .


P.S: neste dia, 14 de março, viva a POESIA viva da Baía da minha cidade

domingo, 7 de outubro de 2012

Claudia Cunha: voz íntima da beleza



Salvador anda desértica, pálida, ensimesmada na mesmice. Arrochada demais, criativa de menos. Mas, às vezes, circula, sonoramente, a esperança por nossos ares. Numa noite, 11 de setembro de 2012, no histórico Teatro Vila Velha, às 20h., a voz de uma mulher, inclinada a celebrar a trajetória artística de uma das maiores cantoras do mundo, surgiu como ensinamento para afirmar que ainda podemos ser.

Aconteceu no show Solar. Claudia Cunha, a excelente cantora paraense existindo entre nós, revisitou o repertório de quase 50 anos de Gal Costa, e mostrou à plateia, que superlotou o Vila, a presença de qualidade na música produzida na Bahia atualmente. Foram récitas de canções como Flor do maracujá, Me recuso, Eternamente, Barato total, da safra diversa e modernizante de Gal, cantadas sem saudosismo, sem parcas imitações, sem exageros. O repertório foi brilhantemente executado numa espécie de homenagem que só uma grande artista pode fazer.

Ali, ao se ouvir Claudia Cunha, artista sem o destaque e o reconhecimento merecidos, a sensação foi de intrigação e deleite; a voz que tempera canções, numa afinação de transbordo governando nossa respiração e nos alimentando de ideias.

Foi inexprimível sentir aquele canto, assistir à cantora acompanhada pela excelente banda, numa interpretação arrebatadora da canção Negro amor, versão de Caetano Veloso, que é um dos emblemas potencializadores da voz sublime da Gal Costa, e Claudia a cantou como síntese do seu próprio talento, ali, à disposição da história da eterna Gal.

Claudia Cunha é um ser advindo do mistério das sereias, entre mar e igarapés; seu canto é fonte de luz e nos convida a cuidar de nossa cidade, do nosso convívio, da música que possamos para além dos dias de Carnaval. Uma menina mestra, senhorinha das canções, que tem que assistir a outras claudias dando “lições de canto”, em programas dominicais, só para estender a banalidade que toma conta do mercado musical neste país.

Ouvi-la daqui, frente às águas da nossa baía, geradoras de Dorival Caymmi e Tiganá Santana, é saber que nós podemos muito.
(Publicado no Opinião, p.3, Jornal A Tarde, em 04/10/2012)

domingo, 4 de março de 2012

Meu destino



Eu sei que me repito. Nisso há uma vontade avassaladora de inovar e atingir. Meus olhos refletidos na beleza de um lugar, no que mais me identifica, uma encenação de água salgada, céu azul, sol forte, barcos, vontade de estar, desejo de sair, esperança e fé.


Repito-me diante do novo que não sinto. Pois, minha vida é memória do bem e do mal. E finjo também. Caminho alagado no espaço que eu mesmo criei. A luz da Baía. Destino do meu corpo e das minhas preces. Os barcos na Baía. Possibilidade de ir sem voltar. Sinto ternura por minha terra que é água. Meus olhos veem azul e negro, combinação absoluta da beleza que quero em mim.


Repito: sair em mim é para mais amar. Vejo o Forte d'água da minha terra me dando mais motivos para amá-la.


Mora meu amor em minha terra?


Às vezes não tenho o que falar e rabisco contra a desilusão.


Hoje só quero palavras de poder e assim, acender,  em mim, em ti, em nós, em nome da beleza que temos e no amor que estamos, a delicadeza que melhora os caminhos.


Bem  no centro do que vejo, passeia um barquinho; sei que é o meu pensamento, sei que são meus pedidos. Sei que é o meu destino navegando o que mais quero pra mim. E disso, eu não abro mão.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Presente

( Foto de Vera Rocha)

Ver de perto o lugar de mais sentido é como ver perdido os olhos de quem não sai de perto da memória... O recente olhar que brilha  feito arco-íris no céu da minha emoção. Da emoção que, às vezes, viola a dança da alegria e põe pra dentro da própria agressão.

Ver ouvir cheirar tocar saborear: sentir para mais do que  perto já que a vida pede assim. Notícias do amor de sempre que caminha sem paradeiro e à eterna revelia do que habita no sentido do meu olhar. Como a Baía. Como a canção que faz sonhar. Como o tambor fazendo arrepiar a pele. E o desejo de sair sem voltar...

Toda sensação, que se descreve para fora de mim, ressoa no mais íntimo desejo de ter o Presente aqui. Enquanto espero, tenho a alegria da paisagem mais linda do lugar onde nasci.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A maior beleza entre todas


A vida deveria ter me feito mais inventivo e deveria ter me dado traços mais enigmáticos, palavras mais profundas, olhar mais focado, no meu jeito de baiano, deveria ter posto em mim a capacidade em traduzir o que recebo na forma da beleza que me chega quando estou frente ao mar. O da Baía de Iemanjá. Na cidade do Salvador. Em dias de verão escaldante, quando sol brilhante derrama esperança na gente. Esse branco total na nossa pele negra e o azul claro do céu enfeitando a todos deste lugar.

Orixás dançando na mente: instantes de fé e de felicidade... A vontade vibrante de ser. Os caminhos do mar. Meus olhos sorrindo para a maior beleza entre todas. Eu ainda estou aqui!

sábado, 24 de setembro de 2011

Dias nublados no sábado de Salvador


O céu de Salvador, nesta manhã, está nublado com muitas possibilidades de chuva. O mar da Baía aparenta calma. As ruas do Centro sujas, os prédios insatisfeitos; falta coragem aos transeuntes; um lugar piorado quando não se pode reunir para beber e conversar com amigos. A cidade está ameaçada também por muitas doenças. Falta dinheiro no sorriso amarelo dos governantes? Venta na cidade que ainda é um sonho de felicidade. Apesar da dor, há um gosto de liberdade no ar sem purificação. A cidade. Paisagem linda que nos faz, talvez, pouco exigir. E a gente vota errado, tendo só errados para votar. Êta tempo nada porrêta: mergulho em Capitães da Areia, o livro, para ensaiar o filme. Preciso de sorte, terei que descer o Elevador Lacerda. Meu Deus, o Senhor há, um prefeito com o signo da morte. Minha vida em coletividade só pode ser definida pelos Mandos do deus Futebol; meu esporte favorito é o Vólei e nasci sem valer nada.

Mas hoje é sábado que tem a cor da Fé. Insisto assim. Presumo assim e saio para a vida como num filtro de gente. Eu escolhi. Ouço música, rasgo retratos, apago poemas, recito, rezo e danço para os Orixás. Leio. E prazer. Encontro também. Cinema. Festa das Iyabás.

Oxum e Iemanjá e Nanã dançam hoje! Agradeço está vivo ainda que entre as durezas deste tempo na Cidade da Bahia. Sei que se tem de morrer. Já morri várias vezes mas a derradeira também vai doer.
Cidade de sábado, minha Bahia. Queria perfumá-la, reimaginá-la com palavras do poeta da delicadeza, transformá-la sem danificar a essência, tê-la mais negra com a cara da miss Angola 2011, trazer antigas festas e querer dentro dela e realizar nela e ser por ela... Bahia que não sai de mim. Força que orienta a palavra que faço em mim para a arte.

As águas desse meu mar em todos os santos. Axé e Amém.

domingo, 28 de agosto de 2011

Mar da Baía


Perco tempo com o ouvido no coração do mar

sábado, 18 de junho de 2011

Maria Bethânia,65 anos!

Maria Bethânia

Minha doutora, minha poeta, minha cantora

Eu queria cantar como Nana, escrever como Clarice, poetar como Pessoa... Queria ter o dom das mães, a delicadeza da infância, o cuidado dos lobos... Ter o sacerdócio das palavras, fazer chover, trazer sol e dar paz.... Queria ter a mais rara imaginação para pintar a emoção que sinto quando ouço sua voz. Queria ter a sabedoria e saber a hora de fazer silêncio... Queria meus olhos como câmera fotográfica captando a sua imensidão - isso que me faz sonhar... Ser um adereço para estar em suas mãos; ter coragem para perder o medo do seu olhar. Queria a inspiração dos musicistas e o talento dos trovadores, dos cordelistas... Queria ser uma canção de Chico e Caetano para passear em sua garganta; uma música linda e imprecisa na abundância do seu canto. Queria ser a flor não colhida à beira d'água, enfeitando seu banho de cachoeira. Queria lhe pertencer como a poeira de Santo Amaro e ter traços do Rio sobre mim.
Tão somente isso: lhe agradar.

Eu sou um peixe que mora na Baía de Todos os Santos e que você às vezes vê da sua janela. Aquele que lhe admira e segue sob seu encanto, se veste da sua poesia, ama ao som da sua voz. O que descreve  a sua presença de musa, para que mais possam lembrar da sua grandeza artística entre nós. Como gostar não se diz em palavras, eu te abraço hoje, daqui deste texto, pelo pensamento.
E ao Universo agradeço pelos seus 65 anos!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

São Salvador da Bahia


Minha alma é um visgo prendendo meus sonhos e meu corpo a uma cidade. Não consigo ser mais nem menos, apenas o que é a minha cidade. E o que deveria ser só fascínio, é a escravidão de um lugar de paisagem abençoada e do profilerar de gente burra que a diminui e a torna vil para a sua própria população.

Salvador é mãe e pai de meu estar no mundo. Um muito de beleza e a força do abandono.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O mar outra vez


Estou entre tirar o perfume ou o feitiço.
O mar sempre me arrebenta em confusões.