Mostrando postagens com marcador Espera. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espera. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de maio de 2013

Tempo de espera?


 
Não  sou eu quem falo sobre o tempo,

é o tempo que se descreve em mim,

para evitar assim a excessiva confusão.

 

É o tempo que me formula desistência

me anima a deixar a espera,

me recobra a memória,

me retoma  para novos anseios...

 

O tempo desenha o embuste

que me tornei no parapeito

das  janelas;

escancara minhas ilusões...

é mau comigo,

me fazendo o bem.

 

O tempo me ensina,

eu o péssimo aprendiz,

desertor  de clarezas

em assuntos da emoção.

 

Envelheço,

como se tivesse a eternidade,

todo o tempo a meu favor,

espero espero espero,

que o silêncio me abrace

e me faça delícias naquele

amor.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Casablanca, 70 anos


"Nós sempre teremos Paris"
 
 
Lindo. Mas não quero o sentido deste filme. Lindo. Vibro com a perenidade. Com o lugar de agora, Paris em mim, maior que memória. Eu sei gostar. Inclino-me  ao sentido de Istambul, de Marrakech, de Casablanca. O filme lindo. Um dessentido na falta que me traz. Essa Paris no sempre de mim, maior que a memória, alguém que quase toquei...

Bebo e vibro: Casablanca, o filme, faz 70 anos! Eu tenho saudade do não lugar, na esperança de viver outra história. Mas,

Nós sempre teremos Paris.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ciranda de dois e o tempo






Arde os ouvidos.
Concisa solidão
Onde tudo posso ter.
Caminhos percussivos
No coração a ceder.
Transmedo quando toco;
Fuga e ficar à luz do nada.
Posse solitária do "você":
Entrave nesses olhos,
Ciranda em nós dois,
Noitinha sem sua voz,
Perguntas aos lençóis,
Batuque seu minha poesia.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Da alma

(Uma cena da película argentina: Plata Quemada)


Existirá até o derradeiro instante formulando-se entre as partículas da incompreensão alheia e a nossa. Evitará exibições mesmo estando aqui. Será uma carta escrita à mão, uma caixa com tesouros da adolescência, fotos sobre livros, discos inaudíveis, tantos temas fílmicos, versos de Lorca, porta entreaberta, papel picotado, saudade discreta. Aquilo que  não se pode falar. Mas será. O silêncio conduzido pela inconsciente espera de um amor que também foi físico e hoje,  se abrasa em sua forma etérea. Fará chover na imaginação, e, ali, o sol também chegará refletindo-se no mar que nos alude; flores de todos os lugares, camisas e perfumes, doçura dos alimentos e dos olhares, a boca calando pedidos e fantasias, a mão escrevendo a poesia que nos fez encontrar. Estará para sempre o estrondo da nossa delicadeza, e sem certezas, cidades serão marcadas com a beleza que confluiu dos sonhos que guardei para viver ali: pousando a língua no corpo seu e protegendo acarinhando inspirando a sua alma, confusamente misturada à minha.





"Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor."




quinta-feira, 12 de abril de 2012

Da chegada transcendente

Hoje a alegria tomou conta de mim. Festejos dos olhos que veem e leem. O mundo. Pequeno e selencioso mundo que guarda o que, em desespero, mas quero. Calei queixas fora e dentro da alma e parti para iluminar-me na luz de notícias que me trouxeram a poesia do anjo. Tudo bem incerto, mas o anjo na sutileza das décadas a preservar o amor que mora em mim. Voando ao redor dos meus sonhos produzindo palavras. Meu sonho entrecores e sabores da boca mais linda que já vi. Era esse sentir de sempre, que vai que vem e me olha do espelho. Sonhei tão realmente, que vivi a ideia de que ser feliz é possível. Notícias da minha imaginação, lugar daninho que me mutila e ilude, mas só sei minha vida melhor ali. Na transcendência da emoção que colore uma espera, que lista primaveras nesse outono sem fim e toco flauta clarinete saxofone e acordo com o anjo, a favor de amor e música, na presença dele como alma da minha paixão.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Enovelo-me

Enovelo-me nas pistas do cheiro seu e sigo por instinto e imaginação cada traço vasto deste corpo que procuro. Tenho guardado papéis e imagem que te fazem tesouro entre as minhas tralhas; tenho na memória aquele seu sorriso solto que me dizia... Nada se perdeu. Frascos salvaguardam sua passagem pela minha vida e me perfumam o continuar.

Enovelo-me de você e me somo às canções que você mais ouvia...

Hoje é um tempo de espera recheado de outras delícias: teias que nos significam para nós mesmos fora de respostas e sem necessidade de perguntas. Somos no eterno então... Vejo-lhe no espelho, e este cheiro que me impele é o fruto do suor que molhava os lábios meus quando eu mais queria lamber toda a sua extensão.

Das canções na memória, entre escritos perdidos no escaninho de mim, dentro dos difíceis novelos da sua presença aqui, da distância como mote, o amor como suporte, o sexo como corte, e a espera sem fim: traço-lhe sem ausência no espelho, ou em algo mais que lhe reflete, toco sensualmente no meu corpo como se tocasse no seu.

A loucura se repete para deixar algum prazer pra mim. Espreito, espero.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Presente

( Foto de Vera Rocha)

Ver de perto o lugar de mais sentido é como ver perdido os olhos de quem não sai de perto da memória... O recente olhar que brilha  feito arco-íris no céu da minha emoção. Da emoção que, às vezes, viola a dança da alegria e põe pra dentro da própria agressão.

Ver ouvir cheirar tocar saborear: sentir para mais do que  perto já que a vida pede assim. Notícias do amor de sempre que caminha sem paradeiro e à eterna revelia do que habita no sentido do meu olhar. Como a Baía. Como a canção que faz sonhar. Como o tambor fazendo arrepiar a pele. E o desejo de sair sem voltar...

Toda sensação, que se descreve para fora de mim, ressoa no mais íntimo desejo de ter o Presente aqui. Enquanto espero, tenho a alegria da paisagem mais linda do lugar onde nasci.

sábado, 12 de novembro de 2011

Hilda Hilst: Presságio (Poema XXI)


Estou viva.
Mas a morte é música.
A vida, dissonância.
Minha alegria é como
fim de outono porque
tive nas mãos ainda flores
mas flores estriadas de sangue.

Há cristais coloridos
nos teus olhos.
Vida nos teus dedos.

Estou morta.
Mas a morte é amor.

Não fiz o crime dos filhos
mas sonhei bonecos quebrados
sonhei bonecos chorando.

P.S. - hoje cheio de alegria e  nesse deslumbramento, às vezes sem ternura, que a grande POESIA de Hilst dá. Veloz em mim mesmo com a cabeça rodando de ressaca. Pouco tempo muita espera. Mas hoje é sábado.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Noutras palavras

É sempre para o centro de mim. Para o meu frescor ou para a falta mais doída. E quase sempre foi tão somente palavra. Aquela força artística me arrancando do cotidiano, me apaixonando, me fazendo dialogar e brigar com o impossível. Eram uns olhos que eu sabia como ninguém. Era a delicadeza mais esperada e ainda escrevia. Para dentro do centro do melhor que existia em mim.
Fui todo sonho. E amor. Um amor desenhado na alma, entre barulho e silêncio, se alimentando de poemas. Coração todo sonho. Olhar todo sonho. Sentir todo sonho. E eu dormindo sem poder acordar. Fascínio. Congelando em mim mesmo. Fascínio - eu tinha que estar em alguma linha da inspiração dele.
O antes selou o desencontro. O durante foram oferendas amorosas inúteis. E o depois, não sei... o tempo circunscrevendo nossa zona mais calada em translúcida saudade.
Nunca se saberá se valeu. Nunca se sentirá a explosão que poderia advir dos corpos. Nunca se avançará para além das explicações e do adeus. Nunca tal igual ao impossível.
Haverá escritos. Subentendidos. Entrelinhas do que não se ousou fazer. Poemas como perguntas seguindo os caminhos da saudade que ficou como resposta.
Noutras palavras: amor que não conseguiu ser.