Hoje a alegria tomou conta de mim. Festejos dos olhos que veem e leem. O mundo. Pequeno e selencioso mundo que guarda o que, em desespero, mas quero. Calei queixas fora e dentro da alma e parti para iluminar-me na luz de notícias que me trouxeram a poesia do anjo. Tudo bem incerto, mas o anjo na sutileza das décadas a preservar o amor que mora em mim. Voando ao redor dos meus sonhos produzindo palavras. Meu sonho entrecores e sabores da boca mais linda que já vi. Era esse sentir de sempre, que vai que vem e me olha do espelho. Sonhei tão realmente, que vivi a ideia de que ser feliz é possível. Notícias da minha imaginação, lugar daninho que me mutila e ilude, mas só sei minha vida melhor ali. Na transcendência da emoção que colore uma espera, que lista primaveras nesse outono sem fim e toco flauta clarinete saxofone e acordo com o anjo, a favor de amor e música, na presença dele como alma da minha paixão.
Ele sabia experimentar a vida negando os inevitáveis dissabores. Tinha coragem e aceitava desafios e rancores. Altivo como árvore frondosa, doce como água e chocolate, destemido como águia, astuto como tigre. Seu caminho rastreava novidades e seu corpo inferia os mistérios da sedução. Tudo lhe era paciência, quando não: resolução. Seus olhos espelhavam o azul do horizonte e abraçavam a alma de quem o enxergava.
Tão perto tão longe, ele era o que estava. E estando, ele era sendo o nome da afirmação. Sim – sem restrições. Longo e saboroso. Nome que se diz ao silêncio. Existência que se copia. Uma narrativa mítica em tempo presente. Corpo vivente a projetar imaginações daqueles que o queriam. Homem vivo requerente da própria imagem. De tão belo, era sonho inspirando palavras desenhos canções.
Da realidade carnal mais bruta: ele se tornara ficção. E vivia impregnado na alma dos mais desejosos. Beleza de expressão do eterno. Exemplo desértico em toda sua composição. Luz e mistério. Escuridão para ampliar os sentidos. Sorriso para fazer amanheceres. Lágrimas para enternecer. Carinho em qualquer lugar. Reinvenção do masculino. Menino de asas representando Deus. Toque de mágica: o tipo sublime que qualquer memória nunca esquece.
"Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado. "
Mergulho de pedidos e muita contemplação. A vontade de me ver bem e estar à luz da inspiração. Para seguir o sol que chega aos lugares por mim. Sábado é assim: dança de festa e fé, maneira de aproveitar-se só e com os amigos. Sábado é o destino de quem traz Iemanjá na cabeça. E eu vibro da janela com os olhos no mar. E tudo pode acontecer; até ficar em casa com um livro, recriando histórias, reinventando a vida, redimensionando os sonhos, aproveitando o presente que é este dia que antecede o dia universal do tédio. Eu vou me lançar, e aqui, é sempre no hoje.