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domingo, 20 de abril de 2014

Como hilda hilst





Que se possa sempre renascer à luz do desejo de se tornar um ser melhor. Do nosso jeito, aproximemo-nos da poesia que nos fascina e impele. Sejamos clareza sem apartar as dúvidas; tenhamos ternura pelo mundo e encontremos o amor que nos constrói para além da noção de sorte.


{ tomo uma imagem como se fosse a pintura de um sonho: idealizo tinta e palavras, dando o colorido que me cabe, navegando a Páscoa que devo almejar. pinto fora da linguagem, rabisco em imitações minhas daquilo que nunca saberei imitar. seguro um livro, visto versículo, da profeta hilda hilst celebrando o encontro. quase azul na palavra sem desgaste, esta, toda poesia rastreia o nome de alguém que se quer amar.}

sábado, 21 de setembro de 2013

XXVII


XXVII

Amor agora
Meu inimigo.
Barco do olvido
Entre o teu ódio
E o meu navegar
Fico comigo.

Sopro, cadência
Meu hausto e mar
Navego a rocha
Somo o castigo
Deslizo, meu ódio-amigo,

Graça e alívio
De te alcançar.


Hilda Hilst

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Chegada

"Devora-me, meu ódio-amor,
sob o clarão cruel das despedidas"
Hilda Hilst

Para que nada me falte
E ainda sem falta nada me tarde,
E algumas cinzas reluzam
Possibilidades.

Nada de tempos atrás ou à frente.
O tempo é agora. Sem fases.

Sem mais:

Na intensa clara força 
Da tua chegada
Boca fala alma amadas
No lugar que sempre estiveram.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Miragem

Pensei: queria fumar com elegância um Minister; tomar um vinho chileno, ouvindo Daniela Mercury cantando Santa Helena... Ir assim: Hilst na ponta da língua e queijo branco entre os dentes. Beijo na boca me calando, e depois, eu posando, meu retrato aurático sendo feito. Queria virar poema também. Depois ser esta canção de amor que você me faria se soubesse o quanto sei amar você.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Menino

(Marlon Marcos)

"Dorme, inventado imprudente menino.
 Dorme. Para que o poema aconteça".

Hilda Hilst

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Do depois

"Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada."
Hilda Hilst

E habita em mim de todas as formas, dos jeitos entre segredo e delação, sobrevivendo ao tempo, sendo poema decorando o chão. Ilumina as fissuras do apreço e do afastamento e, sem razão, aprisona a alma calando o vigor do meu feitiço. E ocupa com dor memorando o raro prazer. Faz calor no terror do frio das noites sozinho eu  no ventilador do não achado. Perguntas. Respostas. Espelho quebrado. O retrovisor da canção. A estrada. A alma sem asas numa morte sem significação. Ode ao passatempo. Olhar para o nada. O mar secando. Do alto sem escada. Do baixo o pescoço quebrado. A decisão. Livros lançados à fogueira. Outra imagem, outra canção no desgaste da palavra...

E fodo contigo no princípio das entradas que permeiam meu sono: sonho contigo sem nunca extasiar. Moro nas madrugadas quando evito ervas e álcool e você sem roupa no parapeito da janela na caretice que há em mim: começo a devanear. Sou das ilusões... Meu escrito faz silêncio. Meus gemidos representam você aqui.

Depois, eu choro.

sábado, 12 de novembro de 2011

A paixão reinventou-se em mim

" Em minhas  muitas vidas hei de te perseguir.
Em sucessivas mortes hei de chamar este teu ser sem nome
Ainda que por fadiga ou plenitude, destruas o poeta
Destruindo o homem."
Hilda Hislt


Meu tempo é sem entendimento e o que me navega me oprime à espera do que não vai chegar. Tenho a clareza na mente das filosofias errantes, dos oráculos secretos, dos olhos lacrimejantes. Mas ardo nessa história e, assim, sinto a vida dançando para mim  como efeito poético. Olhando na cadeira vazia os traços do poeta adormecido no mais longe. O poeta sempre está, a falta é do homem no nome que não sei onde encontrar.

Meu tempo é oferecimento, entrega do melhor em mim. Pinto de palavras os olhos que idealizei, todas as noites, enquanto janto, contemplo-os aplacando minha  volúpia. Tenho fendas para uma psicologia do amor, mas sou só corpo em chama e palavra que clama o nome da minha invenção.

Supero a dor pela lente das filosofias errantes: sou o que nunca foram e pouso minha alma no dorso escondido do poeta. Espera. Alcanço o mundo com um livro nas mãos e canto canto canto dissonâncias entre o sol e a chuva de uma cidade. Minha imagem confunde-se eterna e as estrelas me perguntam, quando de noitinha, como se pode amar assim?

De amante para estrela: a paixão reinventou-se em mim.

Hilda Hilst: Presságio (Poema XXI)


Estou viva.
Mas a morte é música.
A vida, dissonância.
Minha alegria é como
fim de outono porque
tive nas mãos ainda flores
mas flores estriadas de sangue.

Há cristais coloridos
nos teus olhos.
Vida nos teus dedos.

Estou morta.
Mas a morte é amor.

Não fiz o crime dos filhos
mas sonhei bonecos quebrados
sonhei bonecos chorando.

P.S. - hoje cheio de alegria e  nesse deslumbramento, às vezes sem ternura, que a grande POESIA de Hilst dá. Veloz em mim mesmo com a cabeça rodando de ressaca. Pouco tempo muita espera. Mas hoje é sábado.