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sábado, 7 de abril de 2012

Billie Holiday, para muito além



Hoje, 07 de abril, é aniversário dela. Renovo-me nesse meu desejo de preservar esta memória e pedir: ouçam-na, deixem-na cantar da eletrola de vocês, espelhando o som da sua voz de amor e dor, por este mundo cada vez mais barulhento e sem brilho. O brilho de Billie para muito além do que podem explicar as palavras. Ouçam em exercício de amor, da eletrola de vocês.

sábado, 31 de março de 2012

Carlos Barros: acordo musical com a doçura


Marlon Marcos
De Salvador (BA)

Ele nasceu na cidade do Salvador, no ano que explodia o evento cultural Doces Bárbaros, reunindo Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil, 1976. Desde criancinha, formatou-se intenso para conhecer o mundo através da ciência e das artes. Tornou-se cantor. Ao meio de, também, confirmar-se para o mundo como historiador e sociólogo, estudando o acontecimento, a invasão cultural neo-baiana pelas terras brasileiras, programada pelos ídolos maiores da sua existência. Os ditos acima.

Seu nome é Carlos Barros, 36 anos, revelação masculina do canto na Bahia. Dono de inteligência profunda, grande conhecedor da obra de Gilberto Gil, e a voz - ah, a voz que desliza feito água doce e anima a audição - é a expressão mais vívida de que a Bahia ainda está viva cá. Nome dos entremeios da criação, Carlos Barros canta como mulher sem perder a masculinidade. Autentica em si a força dos grandes intérpretes, singrando aprendizados em Maria Bethânia e Ney Matogrosso; formulando emissões em sua musa maior: a voz doce dos ventos, a cantora Gal Costa.

Sua trajetória artística confunde-se com o seu crescimento como intelectual que , através do ensino, incrementa o conhecimento valorizando, nesse cenário acadêmico, a Música Popular Brasileira. Afinado e inspirado em projetos que traduzem o seu viés de artista, o cantor lançou, há mais ou menos três anos, o seu primeiro CD Cantiga Vem do Céu, uma relevante seleção de canções, quase todas inéditas, que agraciam o ouvinte com poesia e sonoridades, e a impreterível pesquisa que reprocessa antigas informações parindo as novidades que divertem a vida.

Uma alma sensível encantada pela cidade do Rio de Janeiro. Um sujeito inquieto e voraz, crítico das mesmices, à vontade com a reverência que faz a artistas como Daniela Mercury, buscando o lugar de expressão que permita ecoar a doçura do seu canto. Um baiano, muitas vezes, maltratado pelas restrições culturais da cidade natal, mergulhada na ditadura fonográfica do Carnaval. Ainda assim, uma voz já amada por boa parcela do público que gosta de música versada com qualidade.

Barros já cantou no Rio de Janeiro e, em 2011, fez algumas apresentações na Bélgica, em uma pequena turnê que agradou as difíceis plateias belgas. Um dos seus trunfos é o cuidado excessivo com o repertório e a escolha professoral dos músicos que o acompanham. A voz é seu alicerce comunicativo, o que viabiliza encantamentos em quem o ouve. A diversidade das canções, as temáticas afro-baianas, principalmente as que espelham a religiosidade dos orixás, o sentido das cidades, o amor e o desamor, o ritmo e a brasilidade, corporificam o estar deste talento que pode dizer belas coisas em música para o povo brasileiro.

Depois de gravar seu primeiro DVD - Cantiga Vem do Céu, com as participações de grandes artistas que vivem na Bahia, como Márcia Short e Cláudia Cunha, com previsão de lançamento para outubro deste ano, Barros se dedica a uma série de shows que orientam esteticamente seu novo projeto fonográfico, um CD que começará a ser gravado no segundo semestre de 2012, sob a direção de Sebastian Notini.

Antes da próxima estação é uma sequência de shows, que começa a ser apresentada no dia 13 de abril, às 18:30h., no Auditório Kátia Mattoso, na Biblioteca Púbica do Estado, em Salvador, experimentando novas sonoridades que gestarão o novo CD, todo concebido a partir do conceito de urbanidades.
Nessa nova empreitada, Carlos Barros se acompanha da guitarra de Gabriel Barros, do baixo de Zé Livera, da percussão de Sebastian Notini que também é o seu produtor e diretor musical.

Essa canção precisa ser conhecida. A canção em si que é a voz do cantor que fez um acordo musical com a doçura. E pontua, junto com outros nomes, esperança artística para o cotidiano auditivo em cidades do estado da Bahia. E no Brasil.
( Publicado no Terra Magazine em 30/03/2012)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Noutras palavras

É sempre para o centro de mim. Para o meu frescor ou para a falta mais doída. E quase sempre foi tão somente palavra. Aquela força artística me arrancando do cotidiano, me apaixonando, me fazendo dialogar e brigar com o impossível. Eram uns olhos que eu sabia como ninguém. Era a delicadeza mais esperada e ainda escrevia. Para dentro do centro do melhor que existia em mim.
Fui todo sonho. E amor. Um amor desenhado na alma, entre barulho e silêncio, se alimentando de poemas. Coração todo sonho. Olhar todo sonho. Sentir todo sonho. E eu dormindo sem poder acordar. Fascínio. Congelando em mim mesmo. Fascínio - eu tinha que estar em alguma linha da inspiração dele.
O antes selou o desencontro. O durante foram oferendas amorosas inúteis. E o depois, não sei... o tempo circunscrevendo nossa zona mais calada em translúcida saudade.
Nunca se saberá se valeu. Nunca se sentirá a explosão que poderia advir dos corpos. Nunca se avançará para além das explicações e do adeus. Nunca tal igual ao impossível.
Haverá escritos. Subentendidos. Entrelinhas do que não se ousou fazer. Poemas como perguntas seguindo os caminhos da saudade que ficou como resposta.
Noutras palavras: amor que não conseguiu ser.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Billie Holiday



Inteira. Me chega em dias de turbulência, nessa fatídica hora de perder energia criativa por nada. Ela em vibratos, em nome da guerra que acorda dentro de mim e eu saio me debatendo em muros, nos escorados em restos-alimento da mediocridade. Ela que enfeitiça de grandeza e dor: sua musicalidade. Me arde reflexões. O dessentido de existir sem. E o que falta é fundamentalmente imaterial. O rasgo daquela voz é o modelo maior para qualquer canção. Mas a força daquilo é o impreciso toque da emoção que cria noites e dias na audição de qualquer vivente. Ela acende a sensibilidade dos brutos e arranha profundamente a fragilidade dos sensíveis. A fragilidade sem fraqueza dos que comungam com ela: a beleza de ser... E, às vezes, superior aos outros.


Largamente. A voz que faz doer mas inibe o medo. Tortura de ânsia e põe o corpo para sentir explosões de desejo, de querer. Eu quero. Meio trompete e saxofone: instrumento humano. Mulher. Nada antes ou depois dela. Nenhum detalhe de mortalidade ou efemeridade. Ali é a deusa da música humanizada: a cara negra mais linda, na voz mais linda, na história dura dos gênios... Eu quero ter um corpo sob o meu nas récitas libidinais desta diva estadunidense. Cavalgar o amor tendo a voz dela me arranhando as costas e os tímpanos. Quero repetir o que foi felicidade. Segurar a pedra e estar inteiro sobre ela. Muitas récitas e o fazer amor deixando a mediocridade para bem longe de mim.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Billie Holiday, a voz do mundo

Billie
Por um tempo dos aprofundamentos, quando da força e do mistério do talento, e a reinvenção da canção para além de todos os instantes, o humano sem passado nem presente sem futuro;o agora como matéria exclusiva do existir... A beleza adentrando os ouvidos, a pele arrepiando, o coração em comunicação com o mundo, o fim das fronteiras idiomáticas, o medo do não ser, a eternidade na inexistência de tempo, a seara do canto mais bonito mais preciso mais aquático mais criativo mais doído mais salgado...
Para o tempo das continuações gerado pela herança negra de uma afro-estadunidense: a maior cantora que a humanidade pariu.
Para a memória que alimenta o sentido dos recomeços e que fez de alguns verdadeiramente eternos...
Para compartilhar os segredos da alma, acariciar nossa inteligência, alcançar o amor perdido, ter ciência da excelência que a raça humana produziu e tão simplesmente ouvir: Billie Holiday.
Décadas após a sua morte, Ela é o construto artístico da sua enormidade como cantora, marcada por tragédias mas eterna, servindo como aprofundada lição para as melhores cantoras que circularam e circulam na Terra depois que seus ouvidos ouviram-na...
Para que sejamos mais exigentes neste Brasil em 2011 e os reflexos de Billie nos inspirem a querer ser; a ser, coexistentemente, frutos da inventividade acima da fugacidade dos mercados.
Que Billie Holiday toque mais em nossas eletrolas.

Billie Holiday: All the way



Minha vida se inscreve nesta voz e, quando ela canta esta canção, até a dor deixa de doer porque nada é mais importante, nesta hora, do que o canto desta mulher. A maior cantora do mundo de todos os tempos.