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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Gal Costa trouxe Espelho d'Água para o Teatro Castro Alves

(Gal Costa - foto Daniel Menezes)


Como foi escrito para sempre ser: o canto mais doce que o século XX conheceu em todo mundo.

O grande talento se renova entre as canalhices das críticas perversas e a vontade de expressar a história de um cantar sublime que revela outras histórias da inventividade musical de uma mulher. O canto solar de Gal Costa deslumbrou a plateia do TCA, nesta noite de sábado, dia 08 de novembro de 2014, reafirmando que quem deve se aposentar são os obtusos críticos de tais rodas baianas que não podem alcançar a vitalidade de uma voz eterna e de uma trajetória que deve ser respeitada como poucas na história da Música Popular Brasileira.

Gal fez, com parte do seu refinado repertório, o que Billie Holiday fazia ao reinventar várias vezes uma mesma canção. Gal fez a gente respirar com seus pulmões divinos e aos nossos ouvidos deixou o assombro por assistir uma outra mesma cantora - destinada a iluminar de sons o que é possível de beleza a este país.

A nova desde Recanto é a mesma amadurecida de Caras e Bocas e o Brasil deve ser plateia atenta para esta cantora que, junto a Maria Bethânia e Nana Caymmi, nos formam em escolas de grandiosas cantoras, sendo estas três, a síntese viva do cantar feminino brasileiro. Resta Elis. Aliás, restam tantas.

E Gal viva no Palco Sagrado do nosso Teatro: nos pondo a rir e a chorar, como só fazem os verdadeiros artistas...

Claudia Cunha, vivi de lembrar você - aluna e mestra desta síntese!!!

domingo, 14 de abril de 2013

Gal voltou...




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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ao som de Péricles


 
 

Sem querer falar da magia e da raridade não rara do canto feminino, mas o CD Mulheres de Péricles, maravilhoso compositor carimbado nas vozes de Gal Costa, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, traz cantoras como Tulipa Ruiz, Céu, Juliana Kehl e Blubell, que fazem delícias sonoras para fugir do carnaval. Uma bela homenagem para quem merece ser homenageado sempre com mais fôlego. Suavezinho, é possível ouvir todinho, até a inexpressiva leitura de Mallu Magalhães da primazia Elegia. E Gal Costa soberana em todas as súditas: algumas sem consciência da dívida para com a mestra da canção nascida na Bahia. Ouça.

domingo, 27 de maio de 2012

Gal em Recanto



DESBUNDEI:

Ele, Caetano Veloso, sobre ela, Gal Costa:


O que mais surpreende no show “Recanto” é a adequação de Gal ao novo repertório. Surpreende os outros, digo. Não a mim. Ouvindo o disco, não faltou quem achasse que Gal simplesmente cantava as canções que fiz para sua voz sem se comprometer muito com elas. A opção por estilo sóbrio, mais próximo do cool dos nossos começos do que do barulho do final dos anos 1960 ou (principalmente) do sentimental-dramático de anos posteriores, deu espaço para quem tenderia para esse equívoco. Claro que houve quem, de cara, ficasse tomado pela conexão imediata entre a cantora e o repertório, principalmente por se deixarem levar pela densidade de “Recanto escuro”, a faixa de abertura do disco. Mas muitos permaneceram desconfiados, sem saber como entender. Li manchete de jornal que dizia que ela era “mera vocalista” num disco de criações minhas e, pior, que ela “confundia ideias”. O show na Miranda desfez, num golpe, toda e qualquer ilusão a respeito do que de fato se dá no caso “Recanto”. E ontem (quinta-feira) à noite, aqui em São Paulo, os conteúdos que o definem se mostraram de forma exuberante, intensa demais, quase violenta, mesmo para mim.

Vim, por decisão própria (a produção não me requisitou ou convidou), ver a estreia do show numa casa de grandes proporções, procurando chegar a tempo de assistir à passagem de som. Na verdade, quase não consegui isso, embora tenha tomado um avião para chegar a Sampa em tempo hábil. É que os engarrafamentos na Pauliceia estão tomando dimensões de pesadelo. A cidade, vista do avião perto do fim da tarde, me pareceu tão bonita e vívida que me comoveu. Os prédios, sob a luz oblíqua e já amarelada da tarde, vinda de um sol que varava nuvens escuras, pareciam conversar, como observou John Cage quando esteve aqui (Cage é uma das pessoas que melhor viram São Paulo de primeira: a sensação de que os prédios conversam entre si — por estarem, à diferença dos de Nova York, onde eles aparecem enfileirados, como que se voltando, por caprichos individuais, para onde cada um vê sua atenção atraída; a presença das flores de cores variadas que surgem entre massas de concreto e tufos verdes, numa frequência surpreendente para quem tem tempo interno de atentar para isso, já que a maioria parece não imaginar que haja flores aqui e, por isso, apaga da mente as tantas que vê, abafando-as com as paredes duras que guardam na memória; a beleza única do vão livre do Masp; enfim, tudo o que há de bonito nesta cidade para ser visto ao primeiro olhar, sem falar nos mistérios, segredos e tesouros discretos desta terra tão difícil de aprender mas tão recompensadora para quem decide pagar o preço).
O trânsito não me impediu de ver algo da passagem de som e de ter uma ideia de como o show poderia ficar num palco grande. Gal estava saindo, ou começando a sair, de uma faringite- laringite que deixava sua voz muito vulnerável. O som do local, tratado do modo fino como Vavá Furquim o faz, resulta límpido. Como a banda de Domenico Lancellotti, Pedro Baby e Bruno Di Lullo é um milagre de economia e inspiração, tudo parecia excelente, e a voz de Gal se sentia quase em dívida com ela própria e com a oportunidade. Mas ela acreditava que a garganta ia aguentar. Na passagem, apenas três canções foram executadas.

Na hora do show, tudo o que me pareceu elogiável no teste se confirmou para um público grande (na Miranda, no Rio, tudo era sempre perfeito, mas é uma casa pequena, o que representa outro mundo para um show). Mas ao cantar “Divino, maravilhoso” a voz de Gal deu mostras de enfrentar grandes (possivelmente insuperáveis) problemas. E ela, ao fim do número, falou à plateia. Com firmeza e inteligência, até mesmo com humor doce, mas com uma ponta de incerteza de que seria capaz de ir até o fim. E até o fim, o que se viu foi uma Gal vencendo batalha após batalha. O que serviu, de modo arrebatador, para que todo o entendimento rico que ela tem do material com que trabalha se evidenciasse.
Às vezes ela não atingia com nitidez as notas que buscava, mas o jeito como encarava as palavras e as melodias revelava, mais do que em qualquer das noites na Miranda, os conteúdos que o show potencialmente sugere. Sua linguagem corporal se fez mais eloquente do que nunca. Toda uma história, toda uma tradição cênica que não deveríamos jamais deixar de associar à sua persona pública revivia com força tremenda . E , quando ela cantou “Autotune autoerótico”, a plateia inteira se pôs de pé para aplaudi-la ainda no meio da canção. Todas as caras e todos os gestos de mãos e quadris que lhe ocorriam vinham impregnados da cultura acumulada desde 1967, quando ela pela primeira vez buscou um estilo extrovertido para substituir a quietude cool de seus inícios. Muitas figuras do mundo do rock eram evocadas, mais ou menos conscientemente, em cada virada de corpo, em cada olhar ígneo. E sua sensualidade de juventude, tão fascinante nos anos 1970, voltava em comentários de mulher madura e dona de seu corpo.

Uma das coisas que mais me comoviam era que isso estivesse se dando exatamente em São Paulo. Onde tudo começou a ser o que é para nós, os baianos do tropicalismo. “Baby” soou como um tratado histórico vivido na carne por ela e pelas pessoas que a estavam vendo atuar. Eu próprio entendi melhor o que buscava quando quis produzir repertório novo para Gal cantar. Nossa vida recuperou grande parte de seu sentido. Como “Recanto” voltará à cidade do “Vapor barato”?

P.S.: Retirado do site Conteúdo Livre. 27/05/2012.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Gal Costa: "De amor eu morrerei"


Hoje, 25 de maio, acabando o mês em que nasci, posto aqui a voz intercontinental da grande Gal Costa em "De amor eu morrerei", pra mim, a forma mais legítima de. Aqui para pedir que tragam o show da diva para Salvador, que seu canto eterno reverbere-se pelo espaço sagrado do Teatro Castro Alves, e a gente frua Recanto, nas imaginações de Caetano na tela expressiva da voz mais doce que nossa música produziu. Venha Gal, para que seus discípulos de talento, como Claudia Cunha e Carlos Barros, renovem- se esteticamente e a Bahia, sua terra, tenha mais prazer.

Essa música me confunde e me funde a mim mesmo. Minha psicologia. Gal também é trilha do meu querer.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Disco de Gal Costa aprofunda ciclo poético de Caetano Veloso




Leitura obrigatória:

Claudio Leal ( Terra Magazine)

"Nascemos escuro."
(Drummond, "O medo")
Cantar era um destino quando Maria da Graça implorou ao colunista social Sylvio Lamenha para conhecer João Gilberto, no início da década de 60, em Salvador. "Me leva. É o meu ídolo!", exigiu Gracinha - ou Gal, apelido de fornada baiana. "Já ouvi falar de você. Tem um violão?", indagou o cantor, depois da apresentação feita por Lamenha, ave corpulenta e extraordinário imitador dos erres de Dalva de Oliveira. Liberada pela mãe, a menina da Barra Avenida correu para o encontro, instrumento à mão, e gramou a noite a acompanhá-lo. "Gracinha, você é a maior cantora do Brasil!". O mestre parecia ver no ifá.

Esse destino artístico se cumpriria nas quatro décadas seguintes. Mesmo nos períodos de silêncio. Ou de acomodamentos. Na história da canção brasileira, Gal Costa se afirmou tão reluzente que suas ausências fonográficas instilam um sentimento aflitivo, uma angústia com seus intervalos criativos. O longo recato de seis anos, iniciado após o disco "Hoje" (2005), é agora desfeito com "Recanto" (Universal Music). Reinvenção não apenas dela, mas de Caetano Veloso, que aprofunda um ciclo poético despontado no LP "Domingo" (1967) e construído permanentemente sem definições formais, nem unidade, pois a inquietação já se converteu em um programa estético.

Em 1992, na crônica "O poeta do encontro", o escritor Otto Lara Resende expôs a impossibilidade de reduzir Caetano ao nicho da música, e conclui por considerá-lo "legítimo poeta do Brasil": "Indiferente à palha seca da controvérsia, a arte segue o seu caminho. A vertente é uma só e é nela que se dá o encontro das águas. Pouco importam as fontes de onde procedem. Purificadoras e purificadas, seu caráter lustral as universaliza. Caetano Veloso, por exemplo, quem ousaria classificá-lo?".

No álbum "Recanto", a influência da poesia de João Cabral de Melo Neto, reiterada pelo compositor desde a Tropicália, na aspereza e no rijo ofício dos versos ("sem perfumar sua flor,/ sem poetizar seu poema", como ensinava o pernambucano), conflui para o legado de Carlos Drummond de Andrade. O conjunto de letras consolida as subversões antiestilísticas de Caetano - soturno, impuro, atômico - e se vincula a nossa tradição poética como raras vezes acontece, com essa presteza, na música brasileira. E registre-se: em boa parte das revoluções anteriores, lá estava o mesmo trovador.

"Madre Deus", composta originalmente para o balé Onqotô, do Grupo Corpo, é de aberta intertextualidade, por dialogar com o poema "Memória", do Drummond de "Claro enigma": "E as coisas findas/ Muito mais que lindas/ Essas ficarão/ Dizia/ A poesia/ E agora nada/ Não mais nada, não". Esse complemento cético à poesia original esbarra na promessa de "uma certa felicidade" sustentada pela música popular, como definiu Drummond numa conversa com o compositor, no final dos anos 70. Ironicamente, a justificativa para a descrença talvez esteja em outro comentário do poeta de Itabira, desta vez sobre a tranquilidade de Caymmi: "E nós, Caetano, que só pensamos em coisas ruins?".

"Recanto escuro" resulta quase num desespero drummondiano de definir-se enquanto se confronta o mundo. Caetano funde a voz poética aos lampejos biográficos de Gal Costa, num desnudamento que não ignora a força da grana: "O chão da prisão militar/ Meu coração um fogareiro/ Foi só fazer pose e cantar/ Presa ao dinheiro". Com pulsante programação eletrônica de Kassin, conferindo arranhões e temporalidade à voz de Gal, a canção ilumina os dois artistas interligados na origem; e cúmplices no desvio. O fluxo autoral de Caetano não "carrega" sua maior intérprete. O canto é a síntese: "Espírito é o que enfim resulta/ De corpo, alma, feitos: cantar".

Em 1964, estavam irmanados nos shows "Nós, por exemplo" e, passados três anos, no LP "Domingo". Durante o exílio de Gil e Caetano, no pós-AI-5, a baiana segura o projeto tropicalista, radicaliza as experimentações musicais e valoriza compositores da linhagem de Jards Macalé, Waly Salomão e Luiz Melodia. Em 1974, reencontram-se em "Cantar", essencial para ressaltar a força de Gal em sons mais pacíficos. Distanciam-se na fase "Tropical", mas permanecem alinhados a um objeto não-identificado, como comprovará "Minha voz, minha vida" (1982) em sua íntima harmonia: "Vida que não é menos minha que da canção". De novo umbilicais em "Recanto".

O músico Paquito encontrou o diabo no meio do redemoinho. "Gal e Caetano se reconhecem, transformam-se no que cantam, se amalgamam: cara de um, focinho de outro, máscaras do mundo. Em comparação com a perspectiva mais individual do Cê, o olhar em torno", decifra. Apesar de ousado, o predomínio dos sons eletrônicos não é novidadeiro para Gal, uma das personalidades instauradoras da diversidade do Tropicalismo. "Recanto" a devolve à grande arte e ao plano merecido de artista fundamental para ler e reler o Brasil. Até os méritos do álbum anterior, "Hoje", aberto a compositores jovens, não disfarçavam essa necessidade de recriar-se.

O desassossego de "Recanto" provoca estranhamentos, bem verdade. E não saímos deles, a não ser pelas janelas de "Cara do Mundo" e de "Mansidão", as canções mais solares. "Autotune Autoerótico", referência ao recurso que corrige deslizes na voz, o qual "não basta para fazer o canto andar", exerce a crítica dentro da experimentação. Os produtores Caetano e Moreno Veloso adequaram a base eletrônica de Kassin aos graves da cantora de 66 anos. "Neguinho", com sintetizadores de Zeca Lavigne Veloso, ressoa como a mais provocativa.

O Caetano discursivo, afeito a polêmicas públicas, manifesta-se na representação do consumismo sem lastro moral; sim, rejeita mas se reconhece no Brasil que emerge nos anos dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O indefinido "neguinho" somos nós: "Se o nego acha que é difícil, fácil, tocar bem esse país/ Só pensa em se dar bem - neguinho também se acha/ Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz/ Neguinho também só quer saber de filme em shopping". O contraponto aparece na faixa "Sexo e dinheiro", num arranjo religioso, capaz de preencher catedrais: "Dinheiro é uma abstração/ Sexo é uma concreção: luz".

Não haverá danos maiores se ajustarmos a busca por instabilidade de "Recanto" ao trecho de uma velha crônica de Caetano, publicada no "Pasquim", em 1970, a respeito da sede de transição dos músicos inovadores nos anos 60: "ninguém está à vontade no papel de figura definitiva de uma bela história". Na última década, a obra de Caetano aparenta uma insurgência contra si própria, relutante em assumir o papel confortável que a história já lhe confere. Gal Costa não serve de puro instrumento. Protagoniza. A Caetanave é errância, mas a poesia e o recanto, claridade.



***

Show "Recanto"
Datas: 23, 24, 29, 30 e 31 de março
Horário: 22h
Casa Miranda (http://mirandabrasil.com.br)
Avenida Borges de Medeiros, 1424 - Piso 2 - Lagoa - Rio de Janeiro


quinta-feira, 1 de março de 2012

Gal Costa - Pérola Negra


Ela se confunde com tudo que me é musical. Sou muito por este som, na infância, acordando-me em manhãs de domingo. O som mais doce que o canto humano produziu e estes meus ouvidos alcançaram... Aprendi a imaginar e a querer mais pela qualidade deste canto. Tenho pensado tanto nela e nos projetos meus. Ali, em qualquer lugar, a eternidade desta musa.

Pérola negra, a pintura musical dos sonhos mais intensos e amorosos. A sensualidade baiana numa pose de diva. A história de um país num quadro sonoro. Estou derretido e como tenho pensado nela. Assim:
"Voz grudada na minha alma - por séculos a minha noção do que será a doçura na emissão do canto humano."

P.S.: Pintura no meu corpo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Cool jazz


Ainda ouvindo o sentido mudo do destino
Catando alegorias em um canto mínimo
Que renova a paz do lugar.


Ainda subindo escadas
Rolando ladeiras na alvorada
Bêbado sem lar...


Ainda cool jazz
E samba regado à luz
Por trás do muro
Preso a uma parede negro-azul
Como escudo anti-amoroso.


Cintila a história da cantora
Na fonte áspera do grande poeta.
Eu subindo escadas na alvorada
Dentro de um recanto escuro.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Recanto Escuro, Gal Costa


Pra tocar melhor na tristeza de agora, dialogar com a falta, com a dor de cabeça, com o medo de amanhã; para pedir ao sono o mesmo sonho da madrugada de hoje, para ler manhãs na virtualidade de quarta-feira, para ter esperança... Enfim, Gal é filha do Senhor dos Contrastes e a gente também é assim. Para Deus, peço mais amor em mim. E Gal cantando.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Gal Costa - Recanto


Eu fui criado nisso e espero disso mais alegria e sentido em mim. Longe de querer fazer uma crítica lítero-musical do novo CD de Gal, Recanto, previsto para chegar às lojas dia 06/12/2011, eu só quero escutar e até aqui esperar para alcançar, talvez, a mágica daquela voz em novas disposições estéticas à luz da direção de Caetano e Moreno Veloso. Aliás, mais que isso, eu quero ouvir Gal cantar; minha brasilidade precisa de Gal cantando. Cantar, Recanto,Caetano no Hoje, com Moreno... Ser criado nisso me faz viajar por isso que tanto bem fez e faz ao nosso país. Isso de Gal cantar canções de Caetano; Isso me alimentando e dando expectativas - o som que me é tão dentro como a voz de minha mãe me chamando -, a Gal de todos os tempos, senhora de agora, eterna presença na hsitória da música popular no mundo. Gal. Cantando. E a gente se fartando de coisas que são da gente, saem da pele e das lágrimas da gente. Negras em todas as cores a voz azul e marítima do brasil que inventei em mim.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Gal Costa: 66 anos


Para Vera Rocha, que também aniversaria hoje

Sou sem palavras e todo audição.
Quero ouvir seu canto de sorte
E me banhar no inexplicável que sai dessa garganta.
Quero ouvir sua voz até o fim de mim
E saber que meu País tem seus mistérios divinos
E humanos.
Canta Gal  - uma nação caminha à sua Voz.

sábado, 27 de agosto de 2011

É domingo nas esquinas dos meus caminhos


Para datar, já é domingo no meu pensamento, 28 de agosto de 2011, nas ruas da Cidade da Bahia. Adianto-me ao dia que deverá ter sol sobre a poesia do mar daqui. Talvez seja só isso e para além disso essa imensa vontade de achar. Nessas ruas menos esburacadas que minhas esperanças, mas atoladas de gente indo sem sentido pela falta que nos resta como resignação. É domingo no jeito de estar consigo perdido de solidão. O silêncio que murmura uma espécie de dor;  o tempero de outrora falhando o caldo cultural que nos aludia, crescia, fomentava, brilhava  em símbolos para o mundo.

É domingo nesse universo de mendigos de tantos tipos e pouca sorte. As letras erradas nas paredes acabadas e o tormento dos novos escritores. O olho da serpente instruindo o bote. O miasma medieval de uma cidade contemporânea pelo mundo visitada. O céu de um azul tão estupidamente lindo, confundindo-se com  o verde-azul do mar nesta terra: assolada de pobreza e vergonhas. A fome que desconstrói. A sede que aniquila. A vertigem que aponta doenças, as descrenças, o prefeito mais burro que há.

É domingo nessas esquinas que encontro. Todo dia e ultrapasso. Vejo com sofreguidão e medo o meu caminhar diurno neste domingo que começa já, amanhã de manhã. Faço um filme experimental e sou peça-chave, protagonista entre prostitutas, ambulantes, mendigos, franelinhas, drogados, boêmios, taxistas, cafezinhos, gatunos, michês,travestis, pedintes, velhos, crianças, mulheres, padres, baianas do acarajé; sou-me o meu comando à frente dessa gente que sou eu me encenando.

É domingo no que sempre deve ser. Teatro de portas fechadas; cinema  sem repertório; praias lotadas; música sem audição. E o amor visto só do retrovisor sem bússolas para encontrar. Uma paisagem belíssima à vista do mar mas sem partilha. Domingo das ratazanas com medo do  veneno da gente. Os sons altos do pagode insuportável, o berreiro pegajoso das paulas claudias joelmas... É domingo à espera da Primavera, de mais flores, das Águas de Oxalá, de Setembro, da voz de Gal, das boas novas, de conquistas, de uma carta, de algum sentido mais prazeroso.

Domingo que dói mas impele a  sair recitando poesia pra si pelas ruas e aquecer a imaginação com leituras e viver cada livro e inspiração tendo o olho da águia como controle e obstinação. Avante e acima.

A Bahia ainda há.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Gal Costa: Eu te amo


E segue: essa minha audição labareda, absorvendo o fogo do mundo na voz de Gal Costa gritando: Eu te amo! Um pouquinho de mim. Luzes nessa escuridão matutina e o sol da madrugada sem me deixar dormir. Reitero o meu carinho. Não sei mais do destino. Ouço baixinho para não acordar ninguém. Estou sozinho nesse fluxo de estar vazio para além. Ouço alto e acordo a vizinhança. Gal deixa de cantar e dança, é a Bahia em primeiro lugar. De uns tempos pra cá, vejo essa voz a caminhar entre os seus. E sinto alegria.
Quero gritar eu te amo e que reflita em alguém que me ama e meu mundo seja a estesia da voz de Gal.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Gal Costa - Mãe


"Sou triste,quase um bicho triste". E assim, sob o peso destes versos, debaixo da força desta canção, sem imagem, sem coragem, sem vontade: nasce esta postagem. Voz de Gal em Mãe, longuíssima dilaceração que sempre traduziu minhas mais íntimas tristezas. Não tenho receio de mais nada! Canta Gal, eu vou te ouvir e quero que lhe ouçam também.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Chico e Gal: A mulher de cada porto



Não teria graça se a vida fosse toda essa beleza sempre. Mas, sem ela só a morte. E dentro dela essas coisas do se querer viver à frente. Em busca do amor que nunca deveria faltar.

Doc Bahia Mãe Menininha 2/2



2ª Parte

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Gal Costa




Simplesmente isso:

"Levo na minha cantiga a imagem da serra
Sei que Jesus não castiga o poeta que erra
Nós os poetas erramos, porque rimamos também
Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem"
Lamartine Babo

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Gal Costa: A preta do acarajé





Essa canção é uma etnografia das antigas ganhadeiras baianas. Gal é a voz da imensidão, tradução íntegra do que desenhou o nosso Caymmi. Eu amo isso aí!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Gal e Moreno: meus amores


Eu sou a música popular deste País. Eu amo os dois. Minha sede me condiciona a mirá-los e eu quero aquilo. A voz de Gal nele que é fruto do meu amor incondicional: Caetano Veloso. Moreno é lindo em tudo que ele desenhou pra ele e eu assisto. E Gal, Ah! Você é uma espécie de tormento - a voz que deverá me levar até o Orum. Só não sei qual será a canção.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Tulipa Ruiz: canto delícia transgressão


Sem delongas: ela é uma delícia. Uma gordinha lindíssima e que canta com a voz marcada por um timbre que evoca Ná Ozetti. Vou descobrindo a moça aos poucos e feliz por saber que o novo sempre vem, e melhor, alicerçado nas anteriores: Gal, Bethânia, Cássia, Jussara, Elis, Ná, Nana... E Tulipa alegrando meus ouvidos e me fazendo esperar muito das festas que ela arma em suas apresentações. O Altas Horas, muitas vezes, se perde em seu democratismo-ecletismo, me fazendo aturar claudia leitte e companhia, mas tem horas que este programa, meu favorito na Globo, educa e alimenta o espírito musical de quem vive como fruidor de cultura. Bôra, Tulipa - jogue lindo!