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sábado, 1 de dezembro de 2012

Maria Bethânia: Carta de amor em Salvador


Hoje é um grande dia. Salvador recebe um entre os mais importantes artistas que compõem a história da canção brasileira. Ressoar de integridade, que fez do canto expressão de singularidades e emoção em nome do amor que orienta.

Nascente da beleza que preciso em minha vida. Aquela vontade de ser. Formas da repetição que inova a inspiração e faz silêncio.

Poesia para o silêncio. E a paixão que melhora e nos faz humanos pela simples presença morena. Presença negra. Avidez no sagrado. Tranquilidade do profano. Entrecortes do sonho. Embriaguez que salva.

Hoje (e amanhã) é dia de Maria Bethânia.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Uma carta de amor para Maria





Sua voz, em nós, traduz alegria. É uma espécie de acompanhamento para o prazer. Encenação da beleza que vibra dos olhos, algum lugar sem explicação: a voz. A repetição no sonho quando te sinto: minha musa.

Sua luz é o meu bem querer. Singra-me até onde não sou e me é o amor que resguardo na força do olhar que me vem de você. Singra-me esta força das manhãs tempestivas nessa doçura mítica da mulher que sabe o que dizer. Eu sou a palavra na sua voz. A vontade que gera a beleza. A pergunta no palco e saídas d’alma. O centro do que te gera é a foz da minha morada. Serena rainha do que busco na fonte mágica da arte riscada na face diversa deste país.

Sou-me na altivez da audição: o que imprimo em mim, o de melhor, sangra da arte que nos refaz. Ouço por paixão. Atravesso os dias. Desaprendo. Ali, naquele canto, o seu canto, revivo o que não tive e represento todos os instantes da criação que me conduz; seu canto, sua voz, aprimora o meu jeito de ser no mundo. 

Sinto, do transfigurar, a vida sendo mais nova, mais vívida, mais amorosa na qualidade do seu estar: Maria Bethânia.

Eu quero a sua delicadeza para alcançar a sua poesia. Meu amor lhe pede isso: a  palavra na voz , o olhar de águia, a mãe no abraço... E o som advindo do canto mais bonito do planeta Terra.

sábado, 14 de julho de 2012

Carta de amor de Maria Bethânia




Em finais de março deste ano, a grande cantora santo-amarense lançou o seu mais recente trabalho intitulado Oásis de Bethânia, um disco que aponta para algumas reinvenções estéticas que a artista, do seu jeito, não deixa de operacionalizar. Trouxe compositores que se afinam com seu perfil de intérprete, destaque para o baiano Roque Ferreira, que logo terá Maria Bethânia como a voz principal da expressão do seu talento lítero-musical. 
Mais um trabalho precioso desta baiana incansável. Agora, o momento mais marcante e polêmico do disco remete a questões sócio-antropológicas, no universo das religiosidades e identidades das quais Bethânia nunca se distanciou. A canção Carta de amor, erguida a partir de um contundente texto poético de autoria da cantora, que foi musicado e acrescido de versos por Paulo César Pinheiro, representa genialmente uma resposta contra os detratores do blog “O mundo precisa de poesia”, e dos arroubos injustos e levianos que agrediram a artista mais importante da canção brasileira na atualidade.
Indo por “Não mexe comigo que eu não ando só”, passando por” A rainha do mar anda de mãos dadas comigo/ Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta para mim”, chegando a “Sou como a haste fina que qualquer brisa verga/Mas nenhuma espada corta”, para dizer ao Brasil de onde ela veio, de como aprendeu a sentir o mundo e que, com seu talento, transmite e louva os elementos que traduzem a sua fé de mulher nascida na Bahia.
Uma Carta de amor, sim. Que foi incompreendida por jornalistas, como Pedro Alexandre Sanches, afirmando que a artista destilou ódio num texto intitulado como amor. Na canção, Bethânia dói e recorre à proteção em que ela acredita; pontualmente magoada, ela subverte a dor com a força que lhe é peculiar e se abriga, como menina, à luz do amor que sua espiritualidade lhe entrega.
Uma carta de amor dirigida a Deus, Nossa Senhora, Orixás, Caboclos, Zumbi, Buda, Gandhi, ao divino que se permita...  E contra a intolerância que fez esta oração nascer

(Publicado em 04/07/2012, no Jornal A Tarde, página 03, Caderno Opinião, Coordenação Jary Cardoso)