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sexta-feira, 28 de junho de 2013
Cine Paris
Os sonhadores.
Filme.
A existência sem existencialismo.
A vontade de participar.
O cinema.
Descobrir com o corpo todo.
Corpo é maior que mente,
porque mente é corpo.
Cena do (im) possível.
Tapete de livros.
Riscos.
Fascínio.
Mudança.
Dança.
A arte.
Poesia do gozo.
Amar gente
sem o corte do sexo.
Cinema.
Paris.
Uma revolução.
domingo, 16 de junho de 2013
Desavesso
Quando aos
olhos desvendo
O outro lado
extenso
De mim mesmo
chegando.
Uma semi fruição
noturna
Ocupando
virtualmente
O paladar.
Um lugar
notívago
Em sede
A beleza a
desejar.
A dança
incontida
Das mãos,
Coração a
sonhar.
Meus olhos
dele
Em raios
cortantes;
Labareda
gerando,
Música
filmando
Película que
o trouxe
Para dentro
de mim.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
domingo, 16 de dezembro de 2012
Enternecendo
Do lugar de mim: o jeito da paz. Ouvindo o indefinível da beleza no canto de Elizeth Cardoso, lendo sobre Strange Fruit, a canção; mergulhado na compreensão do valor necessário do desencontro e sonhando à luz de Liv e Ingmar – para parecer bem óbvio cinematograficamente, e deste sentir que sou eu, chegar a ser a transformação.
Que domingo para além: findando com o espetáculo mais plástico e mais lindo que vi no Bando: Dô! Alguma coisa que me arde nos olhos, tem som e cheiro, tempero, quando deveras é somente a arte.
Domingo sem silêncio e puro movimento em Elizeth dizendo assim: “Quero que teus olhos me olhem/ Como te olham os meus/ Quero que eles sintam em meus olhos/Tudo que sinto nos teus”, então, desapego-me do fastio e parto para segunda-feira, penso numa camisa azul marinho e sigo pela trilha do agradecimento.
A ternura não me desocupa porque meu coração é lirismo azul clarinho decorando sensações do amor.
Que domingo para além: findando com o espetáculo mais plástico e mais lindo que vi no Bando: Dô! Alguma coisa que me arde nos olhos, tem som e cheiro, tempero, quando deveras é somente a arte.
Domingo sem silêncio e puro movimento em Elizeth dizendo assim: “Quero que teus olhos me olhem/ Como te olham os meus/ Quero que eles sintam em meus olhos/Tudo que sinto nos teus”, então, desapego-me do fastio e parto para segunda-feira, penso numa camisa azul marinho e sigo pela trilha do agradecimento.
A ternura não me desocupa porque meu coração é lirismo azul clarinho decorando sensações do amor.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Nadine Labaki
É uma mistura de beleza refinada, sensualidade atrevida, sinais do raro sabor, mais inteligência, criatividade, ressonâncias políticas e tudo conjugado no feminino. Inteira melodia de uma artista que nasceu logo ali, no Líbano. Imperdível!
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Nadine Labaki
terça-feira, 20 de novembro de 2012
A cena em Plata Quemada
O meu desejo é espera.
O que não acontece e me tira do sono e do sonho.
Tem a voz de Billie me fazendo literatura,
A imagem de um homem negro no coração.
Esta cena, eu afogado na banheira,
Condenado sem crime, todo erro
À espera.
Plata Quemada,
Meu filme favorito.
O perigo sem solidão,
Pois o amor em mim
Só pode ou deve ser assim.
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
PPP
Antes que mais careta me torne e não saiba dissolver a mediocridade que me tenta.
Antes que o Facebook seja a minha única alternativa de comunicação e eu perca a força humana do abraço.
Antes que a ciência seja maior que a arte.
Eu quero o agora desta imagem e sê-lo TEOREMA.
Antes que o Facebook seja a minha única alternativa de comunicação e eu perca a força humana do abraço.
Antes que a ciência seja maior que a arte.
Eu quero o agora desta imagem e sê-lo TEOREMA.
Digo do meu jeito de sentir amor pelo mundo e sofrer os olhos do rapaz.
O ar arriscado é a pura sedução: me toco nele. Sou-lhe ator, tela, cinegrafista, contraregra. Mais: espectador.
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Teorema
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
A arte da conquista
Mas existe o cinema. Ainda que sob suspeitas e sobre a pecha de "sessão da tarde". Assisti uma, às 20:30h, no excelente Unibanco, e fui banhado pelas águas da esperança. Isso mesmo: fabricada esperança no rolar imagético hollywoodiano. Meu lado criança gritando. A vontade rasgada de vencer o tédio e a constatação infinita de que o sentido é só amando. Não é estar acompanhado, é estar amando sendo amado... O grande sonho. O maior.
O filme é corretíssimo. Eu me vi nas lacunas e silêncio do jovem George ( Freddie Highmore) lutando para sobreviver a si, à ideia da finitude, à anulidade da vida, ao medo da mesma, ao peso das responsabilidades, à escola, às perguntas, às certezas, enfim , a tudo que é grave mas é menor que o tédio.
Todos os problemas estão ali. Menos os raciais. O escopo da arte como liberdade expressiva e como outra possibilidade de se ter sentido na vida. Sou eu no meu tamanho sonhando adolescentemente passando dos 40. Uma trilha suavezinha com um texto inteligente. Referências a Basquiat e a pintura dominando como discurso artístico. Um quadro para a linda Sally( Emma Roberts) me reportando às minhas pinturas vernaculares frente aos olhos do poeta.
Como valeu. E já que show de Maria Bethânia não pode toda semana, o cinema mais cotidiano me faz levar com mais leveza minha vida. Assistam a esta tarde azulzinha.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Sempre o cinema
Mahmud Shalaby
De fato, de algum modo, sempre fomos da dimensão planetária, universais, interligados. Sempre aprendo assistindo filmes, e, quanto mais comovido fico, mais sentido levo à minha intelecção. Uma garrafa no mar de Gaza traz a possibilidade do encontro nos vestígios da esperança e do sonho ainda que individualmente, ou melhor, duplamente. Um filme, de produção francesa, ambientado entre entre Gaza e Jerusalem, perfilando os notórios conflitos que infernizam o estar humano naquele lugar. Alimenta no espectador, numa leitura real da possibilidade, a ideia do amor. Cabe o sonho no cotidiano da gente, e isso é mais que salutar. Neste cotidiano pode poesia também. E até o discurso de beleza póde pousar no trivial - onde existe tanta beleza quanto no desigual. O filme convida e os olhos choram e riem à luz da vontade de torcer pela vida vendo os sonhos acontecerem. La mer e a falta da paz. Olhos cor de Chico. E a mensagem entre uma garrafa nas ondas marítimas e as ondas digitais da net. O amor como pano de fundo da história terrível da guerra e dos desencontros humanos traduzindo o insucesso dessa nossa reunião às claras e ao mistério.
Querer falar algumas línguas sem querer poder. Alcançar para fora do agora que dói o direito de ser ou se sentir feliz. Ser deste planeta. Comunicar-se. Transmutar-se como película tocando a emoção da gente. Ver por tudo. La mer no segredo feminino do mar: ser mulher. Isso de mergulhar pelos olhos o que nos entrega a vida. Isso de ter o mundo pelo tato e pela vontade. Isso de reinventar-se do corpo para alma. Isso de ser mais que a língua materna e deslizar-se entre possibilidades que impregnam o nosso cotidiano. O de todos. Sem excessão.
Meu instante melhora sempre entre o mar e o cinema.
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Uma garrafa no mar de Gaza
sábado, 23 de junho de 2012
Para Roma com Amor, Woody Allen
Woody Allen acerta outra vez. Muito que parodiar a nossa condição humana em trajetos universais. Comédia deliciosa. Foco de beleza masculina e feminina e muita diversão da gente rindo da gente mesmo. Queria um filme desse em Salvador, sobre Salvador, com gente de Salvador. Talvez tivessem negros e gays nos roteiros incríveis de Allen. Sujeito espetacular interpretando a si mesmo. Gargalhadas garantidas tendo Roma como moldura. História levíssima confrontando nossos desejos, ou será revelando-os, satirizando, coçando a cabeça da hipocrisia?
Roma mais que linda! Cenário do grande cinema feito no mundo. Recebendo o amor de Woody Allen, em sua tour pela Europa; ele que já encenou Paris, Londres, Madrid e agora, Roma. Teremos Lisboa? E o Rio? Não, Allen fará dia desses Buenos Aires, com vinho e certeza.
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
Masina
Sonoras da vida, memória.
Lugares que se descrevem
Feito outras peles sobre a
Pele em nós.
Ela - uma lua qualquer
Entre a rua da excelência
E o mistério de ser mulher:
A artista.
Ela - um princípio à frente
O que não entendo, mas
É toda linda!
Passa como trilha
No cinema vocal de
Caetano Veloso,
Roteiriza a genialidade,
Ensina dramaticidade,
Casa-se com Fellini.
Esboço do que vem de dentro
Assinala novos tempos
Não sabe ser passado.
Pálpebras de neblina, pele d'alma.
Sobrenome feminina
Cabíria que faz soluçar
No mais escuro que deserto
Cara que virou canção,
Alma que se forjou filme.
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domingo, 11 de março de 2012
Ao menos fosse assim
"no cine-pensamento eu também tento reconstituir
as coisas que um dia você disse pra me seduzir
enquanto na janela espero a chuva que não quer cair
o vento traz o riso seu que sempre me fazia rir
e o mundo vai dar voltas sobre voltas ao redor de si
até toda memória dessa nossa estória se extinguir
e você nunca vai saber de nada do que eu senti
sozinho no meu quarto de dormir"
as coisas que um dia você disse pra me seduzir
enquanto na janela espero a chuva que não quer cair
o vento traz o riso seu que sempre me fazia rir
e o mundo vai dar voltas sobre voltas ao redor de si
até toda memória dessa nossa estória se extinguir
e você nunca vai saber de nada do que eu senti
sozinho no meu quarto de dormir"
Arnaldo Antunes
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Viola Davis
É bom chorar diante de um filme meio dramalhão meio realidade crua. E encontrar a doçura expressa pela grandeza de atriz. Assim é Histórias Cruzadas, direção de Tate Taylor, versa sobre as dilacerantes relações raciais no Sul dos Estados Unidos, especificamete nos anos 1960, e apresenta uma narrativa que comove do início ao fim, condói e faz sorrir.
Mais especialmente, ver Viola Davis, em absoluta doçura, vivendo sua Aibileen, é uma fruição à parte. Torcia pelo terceiro Oscar de Maryl Streep ( amo de montão!), mas agora ele tem que ir para Viola Davis.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
A música segundo Tom Jobim
Luminoso. Narrativa cinematográfica disposta a expor uma das obras musicais mais importantes, no mundo, do século XX: a de Tom Jobim. Não tenho o que falar. Gal na abertura, Elizeth Cardoso logo em seguida, João João João... Um filme essencialmente musical: que prazer. Só sentir Henry Salvador e Judy Garland ( não sabia que cantava daquele jeito). E Maysa me detonando na mesma intensidade de Nana Caymmi. Sarah Vaughan, ai meu Deus! Adrianinha Calcanhotto, Chico Buarque. Música e imagens, imagens na música, minhas lágrimas inteiras. Gal e Elis. Música de Tom Jobim e o Rio de Janeiro. Faltou Maria Bethânia. Os maiores ali. As canções do maestro por culpa do poetíssimo Vinicius de Moraes. Queria Caetano Veloso. Tudo, ainda em faltas, foi lindo! Obrigatório. Morri. Revivi. Sonhei. Estando ali, nas escolhas certeiras de Nelson Pereira dos Santos. Faltou Maria Bethânia. Tinha Gal e Elizeth Cardoso. Minha Alaíde Costa (Meu Deus!). Não sei dizer e tinha Sarah Vaughan e Ella. Tinha sobre mim Nana Caymmi e o próprio Tom. Obrigatório. Imperdível. Orgulho nosso. Mestre Tom Jobim.
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Roberto Piva
LIBELO
Não mais trarei justificações
Aos olhos do mundo.
Serei incluído
” Pormenor Esboçado ”
Na grande bruma.
Não serei batizado,
Não serei crismado,
Não estarei doutorado,
Não serei domesticado
Pelos rebanhos
Da terra.
Morrerei inocente
Sem nunca ter
Descoberto
O que há de bem e mal
De falso ou certo
No que vi.
Aos olhos do mundo.
Serei incluído
” Pormenor Esboçado ”
Na grande bruma.
Não serei batizado,
Não serei crismado,
Não estarei doutorado,
Não serei domesticado
Pelos rebanhos
Da terra.
Morrerei inocente
Sem nunca ter
Descoberto
O que há de bem e mal
De falso ou certo
No que vi.
P.S. Acordei assim,
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Transgressão
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Triângulo Amoroso: um filme alemão
Serve como uma grande solução amorosa vencendo os limites das banais expectativas. Parece que alguns, de fato os melhores, estão mesmo à frente. E parece que o amor para além das convenções tem sido pensado como real e oportuno ao meio de tanta tacanhice que ronda o mundo humano neste tempo, neste universo. Foi um alívio político, um alumbramento navegando a fala dura dos alemães, uma ação prática para estender os encontros, negociar relações, permitir-se à paixão. Foi uma facilitação visual, no plano da ficcão, melhorando a dor no peito e a falta de expectativa. É filme. Uma perícula que narra amor e que poderia assombrar, mas encanta.
Segue-se a ideia da imagem postada aqui, mas sem as anteriores banalidades tratadas filmicamente; este triâgulo ferve e expressa realidade. Convida a pensar e a sentir a experiência das personagens centrais e o humano sai ganhando mais crédito e brilho para sua vida cotidianamente vagabunda.
Um filme contra o tédio e a favor da coragem.
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Triângulo Amoroso - filme alemão
domingo, 4 de dezembro de 2011
Feito em película
Uma semana que se prolongou em imagens cinematográficas, trazendo tudo que acrescenta vida: lágrimas, risos, perguntas, respostas, sonhos, tesão, saudade, loucura, criatividade, emoção. Uma semana vinculada ao que mais interior pode ter em alguém que tenta encontrar. Surgiu Cinema Paradiso como recurso didático numa aula de antropologia, história e literatura; surgiu outra narrativa argentina pedindo coragem; a imagem de Zé Celso me pondo na oficina do ser, meu teatro como absurdo e por fim: Triângulo amoroso, ainda que em alemão, sob o impacto da frieza alemã, veio cheio de beleza numa espécie de história inusitada talvez, que eu gostaria muito de viver.
Tudo me sendo muito íntimo, num fora pra dentro, projetando, imaginando, riscando, eu querendo. Desdobramentos das histórias assistidas me mergulhando naquela saudade gigante mas que ainda pode ser vencida, ainda posso rever o castanho, ouvir a voz, silenciar junto, ler a letra e abraçar. Abraço feito película. Modos de contar o que mais profundo em nós habita. Narrativa fílmica roteirizada a partir do amor que se inventou em mim.
Uma semana findando-se no vermelho de Santa Bárbara, num domingo de outra semana, nos fogos de Oyá, na bagunça dos infelizes, e na glória dessa esperança que não me deixa, do verde que acredito, o meu azul no dele, a beleza depressiva de Recanto Escuro no instrumento de Gal, a falta da água do mar no meu corpo, projetos que não sei mais, batidas na porta da frente, uma camisa como amuleto, o sonho mais verdadeiro, provas para disputar, cansaço, um CD tocando distância, o nunca como sempre e o rosto meu travesseiro.
O nome escarlate mancha de azeite na minha roupa branca - enfeite confete purpurina -, dígitos perdidos para o telefone sem fio; imagens cadafalso na tristeza bravia e o que seria um cinema novo Bahia na poesia de um encontro que essa semana passada encerrou nas págidas marcadas dos filmes que assisti, clama o beijo que não dei.
Mesmo a história sendo a mesma, remake cinematográfico, o século já é outro.
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
Contracorrente ( I )
Eu lia como se estivesse a me estimular à salvação: seus olhos eram livros pra mim. Ali, houve a história; um conto à beira-mar, caminhos desaguando o inexplicável que aconteceu. Dos olhos ao sorriso foi um tempo para a dilaceração e o amor faz assim.
Ali, aldeãs viam: a beleza mais profunda! quase mar e o amor é assim. Uma dança acima das incertezas e a tragédia como um falso destino.
O tempo, este menino, a intensificar o não e a chover sementes, pelo avesso, o amor é assim.
O apego por olhos e sorrisos. Marulho difuso por onde se podia chegar. As aves nadavam e o peixe beijava à boca enquanto as musas eram os pescadores. O sol vestia-se de noite e o que era quente fervia pois o amor é assim.
A mão tocando o rosto, a língua deslizando o corpo, e palavras dispersas enfeitando areias. Imagens da solução que traz a morte como sentido.
O tempo menino condenando dois homens e a força maior que acelera a vida! a força estendida dentro do amor. Essa sustança do querer arrombando portas, desabando regras... Se mostrando. A lua como fotografia e união - nada de lentidão e nada de muita pressa -; medida certa: o amor é assim, apesar de confusão.
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
O primeiro que disse
A vida é um tormento. Universalmente. Uma comédia italiana, realizada em 2010, expõe com graça e lágrimas essas dificuldades de existir. Ainda mais sendo gay. Uma família tradicional, rica, italiana com dois membros masculinos gays. Quase uma tragédia, mas o filme é lindamente engraçado, humanamente comovente. A gente sempre se encontra por ali, de algum jeito, em alguma medida. A beleza percorrendo os instantes: essas confusões de ser e de querer, às vezes, sem porquê. Tudo magnetismo e norma também. As normas de um lado e as do outro. Tudo posto para se perceber que a gente tem que apertar o gatilho e sucumbir, até quando der, ao tédio. Mas, mesmo em alguns instantes, se banhar no mistério e perceber.
Com O primeiro que disse - eu percebi. Percepção em Merleau-Ponty. Filosofia em uma poética que não se esgota no bom cinema. E nem precisa ser cabeção. E nem precisa explicar. Basta ser como: O primeiro que disse. Corra. É, então, muito lindo!
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