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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Roberto Piva

LIBELO
Não mais trarei justificações
Aos olhos do mundo.
Serei incluído
” Pormenor Esboçado ”
Na grande bruma.
Não serei batizado,
Não serei crismado,
Não estarei doutorado,
Não serei domesticado
Pelos rebanhos
Da terra.
Morrerei inocente
Sem nunca ter
Descoberto
O que há de bem e mal
De falso ou certo
No que vi.

P.S. Acordei assim,

sábado, 26 de novembro de 2011

Sementes

Nada do que se incorpore ou que esteja para além de certa aproximação externa ou seja maior que impulso devido ou transgrida ou abrace de desejo ou assombre em nome do amor ou se queira película ou vença o impossível ou seja corpo como alma ou seja maior que casa ou tenha futuro ou que tenha presente ou que traga coragem ou que aconteça...

Nada como sementes escapando dos olhos enquanto o lábio beija o rosto e o corpo é todo espera e a vida intensa promessa à luz aquática do lugar.

Nada no espelho refletido e nem a linguagem pode criar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Canção da Torre Mais Alta

Mocidade presa
A tudo oprimida
Por delicadeza
Eu perdi a vida.

Ah! Que o tempo venha
Em que a alma se empenha.
Eu me disse: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
De algum bem que seja.
A ti só aspiro
Augusto retiro.

Tamanha paciência
Não me hei de esquecer.
Temor e dolência,
Aos céus fiz erguer.
E esta sede estranha
A ofuscar-me a entranha.

Qual o Prado imenso
Condenado a olvido,
Que cresce florido
De joio e de incenso
Ao feroz zunzum das
Moscas imundas.
Arthur Rimbaud