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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Desisto

Minha humanidade tem sido desumana comigo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Quase morte


A memória inconsolável. O vir a ser que não chegou. Pode. Mas não veio.  Partilha das retas para melhorar o caminho. Falta de conversa, de sonho, de carinho. Olho na parede. A canção sangrando na ausência de embriaguez. Sensação de frio numa típica noite de muito calor. Verdades tropicais. Silêncio artificial. Paisagem desértica com o mar à frente.

A memória insondável. Todos os instantes no passado, no futuro, no presente, sem salvação. Batidas da alma em descontrole: o pensamento em desacerto traçando loucuras. Um homem no firmamento. A dor que não se diz. O calar para deixar fluir a mentira. O rosto perdido no espelho. Esse cara do poder maior: o tempo.

A memória esfacelada. Ele disse: não quero nada. Olhar oblíquo do cansado coração. Dilacerar. Saber não para fazer sim. Filosofia espartana: a guerra como ciência da masculinidade. Entressafra da continuidade. O padrão repetido para imprimir inspiração. Tristeza exagerada. Lugares inóspitos resguardando tesouros; o ouro beijo na forma do sonho, pairado no ar do ressentimento. O enorme cansaço. Quase asco. A vida que não cessa de esperar. Outro signo numa quase morte.

domingo, 12 de junho de 2011

A desistente

Sempre que amanhecia, ela se vestia de espera. Aquela espera silenciada na alma, que gera olhares à caça, que exercita, sem esforços, o corpo. Sem maiores ardores ou sonhos: ela era aquela espera.
Singrar dias, vencer as noites; o sol lhe trazia a alegria da pronta recepção e lhe invadia com promessas que só ela sabia entender. Uma quase sacerdotisa das luzes, que esperava tanto...

Até que um dia, manhã reluzente, com a camisola mais velha, mais discreta que antes, olhou pro espelho: basta! Se desapegou de tudo, não lembrou dos parcos familiares; de lá, do quarto mais escuro imitando a noite, envenenou-se com o intuito de fazer a primeira e derradeira viagem.