terça-feira, 25 de outubro de 2011

Palestras sobre o candomblé congo-angola homenageiam os 70 anos de iniciação de mãe Zulmira de Nanã



O Terreiro Tumbenci e a Associação Beneficente e Recreativa Santa Bárbara Virgem realizarão, no dia 27 de outubro de 2011, às 16h, no Auditório Kátia Mattoso, da Biblioteca Pública da Bahia (Central), o evento Conferências Mãe Zulmira de Nanã, versando sobre a seguinte temática: O candomblé congo-angola e a religiosidade afro-brasileira: muita história pra contar. As conferências fazem parte da Programação Comemorativa (a não religiosa) aos 70 anos de iniciação da mameto kwa nkisi Zulmira Santana França.
Mãe Zulmira é uma das mais importantes sacerdotisas vivas do candomblé da Bahia, comanda desde o final dos anos 50 o Terreiro Tumbenci, herdado de Marieta Beuí, que antes funcionava no bairro de Cosme de Farias, e hoje funciona em Lauro de Freitas, na região de Vilas do Atlântico.

Aberta ao público em geral, com entrada franca, o objetivo central das conferências é discutir com profundidade a relevância sócio-antropológica do congo-angola, narrando sua história, entendo seus caminhos atuais e marcando a importância da cultura banto no papel civilizatório do povo brasileiro.
Para discutir estas questões e atingir os seus objetivos os organizadores do evento convidaram o Prof. Jaime Sodré que proferirá a palestra Panorama histórico do candomblé congo-angola na Bahia; o cantor e compositor Tiganá Santana falará da Trajetória de mãe Zulmira, marcas da grande sacerdotisa em seu ofício religioso; a jornalista e mestra em Estudos Étnicos e Africanos Cleidiana Ramos narrará A presença do Angolão Paquetan e o culto dos Nkisis na Bahia; arrematando as conferências, Raimando Nonato da Silva, o Tata Konmmanjy, falará A força do congo-angola no cenário religioso do Brasil.

O discurso de abertura será da Presidente da Associação, prof. Arany Santana; a parte artística será contemplada com a voz do cantor e sociólogo Carlos Barros e do violão de Pedro Ivo.
Ao final: as bênçãos da mameto Zulmira seguidas do indispensável mungunzá que será ofertado aos presentes.

Serviço:

Evento: Conferências mãe Zulmira de Nanã
Tema: O candomblé congo-angola e a religiosidade afro-brasileira: muita história pra contar
Local: Biblioteca Pública da Bahia ( Central); Auditório Kátia Mattoso
Endereço: Rua General Labatut, s/n, Barris (  Salvador – Bahia)
Dia: 27 de outubro de 2011, das 16h às 18h
Aberta ao Público ( Entrada Franca)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Trazendo pra perto

"O meu amor conhece cada gesto seu
Palavras que o seu olhar só diz pro meu
Se pra você a guerra está perdida
Olha que eu mudo os meus sonhos,
Pra ficar na sua vida"
 
 
É só fechar o livro para instalar-se o deserto; evitar o banho, sair da janela, apagar a luz e o som: tudo se modifica e deixa a falta de graça. A memória pirraça e os reflexos vários confluem para a imagem dos olhos seus...
É só dever ao tempo, sair pra trabalhar, lamentar, correr, ficar entre turbas, não ter o que dizer ou assistir,que eu perco o sentido da vida, me afogo no excesso de água existente em mim.
É só ter o que escrever, ter o  que gritar nas entrelinhas frente ao espelho, caçar pistas no espaço virtual, pensar em "eu te amo", que a vida desaba sobre mim. É só lembrar da leveza, da delicadeza, da doçura, do cheiro  que, - o fio cortado pelo tempo-, retorna o desejo lhe trazendo pra perto daqui.
Instante da balada que gruda. Fagulhas do bem simples que se torna sublime pela força do amor que sinto. Meus olhos cegos com sua ausência ouvindo o que  eu te diria na voz da cantora saindo da TV.
O seu habitar na correnteza do meu sangue, dominando meu sono, me ditando os sonhos; o meu despertar perverso que revela a sua inexistência.
Inexistência humana no inumano amor que guardei pra ti. Eternamente.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pele

 
No sussurro de uma palavra que brota lentamente - quase silêncio; palavra da esfera do saber que lentamente nasce pra fazer AMOR.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Festa da cultura em Cachoeira-BA


Lá roça a pele o vento da ancestralidade: monumento das razões lusitanas aprimorado pela natureza e pela beleza civilizatória do humano negro. O atabaque chama e a água faz renascer. É como se o harmonioso tivesse que ser e se fosse em nós todo inteiro. O chão pisado pela primordial presença indígena - cantigas das ninfas morenas do Paraguaçú em louvação à negra mãe Iemanjá. Um mundo incrustado de dor e sabor azeitado para além da escravidão. À mesa, a misteriosa maniçoba entre o índio diluído o negro reinventor e o branco que consome. A paisagem como elevação: sol brilhando no âmago do rio que segue; as chuvas que irritam o rio alimentando suas águas; uma gente com sede nos olhos e desejo no corpo; a sabedoria dos velhos e velhas que preservam caminhos para o encantamento; a poesia dos instantes; a Pedra da Baleia - otá maior da poderosa senhora de todas as águas...

O rastro da história que se deve. Expoente arquitetônico ligando para sempre passado e presente, tradição e contemporaneidade. Apesar de que lá o tempo parou nos ciclos mágicos da profunda beleza. Parou na voz de suas mulheres lavadeiras e na cerveja gelada em sua orla e em seus bares; parou na leitura de um livro da sacada de um sobrado com vista para o rio. A cidade é fomento para artistas e agora, encontro constante de intelectuais. Vívida promessa do que sempre foi concretização e ancoradouro dos sonhos mais festeiros. Aziri Tobossi à frente. Humpames Huntoloji e Seja Hundê. Capela de Nossa Senhora da Boa Morte. Nossas negras senhoras da mista mítica fé da saber viver e saber norrer.

Lá tem alívio em agosto e festejo sem par em novembro. Na Ajuda, miragens das primeiras iyaôs. O adjá toca constante; saias bem engomadas em barracões celestes na roda das mulheres comandando nossa religião. As ruas quietas metem medo. O som do sino arrepia e até frio mora lá também. O encantado misturado à dureza do dia a dia;o cotidiano de uma poética da beleza na inconstante possibilidade do sobreviver marcado ali pela força da pobreza. Mas é toda riqueza o estar da cidade na configuração do mundo.

Foi um tempo senhorial e hojé é cartão postal do nosso orgulho. O soteropolitano também nasce naquela cidade que nos arrebata sem nostirar do lugar. Ou melhor, sem nos tirar de lá - onde roça a pele a negra ancestralidade da gente.

Agora temos uma feira literária lá.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Anedotas

Ah, esse magnetismo das palavras que vertem sangue do olhar da gente.
O comecinho da compreensão mais  profunda.
Essa coisa do longe, a ficção narrando a distância.
O medo da solidão.

Ah, o dever de desvendar a inconstância
E o grito daquele nome decorando qualquer papel.

Um rosto que comanda a tempestade,
Aguça a felicidade porque,
Princípio meio fim dos sonhos de prazer.

É um tempo que dilacera e, às vezes,
Não cria.

Ah, nada na verdade existe
Somos o contraponto do que queríamos;
A paixão estilhaça para o amor que vinga.

E  morrer é ser dentro da solução.

sábado, 8 de outubro de 2011

Leituras contra o racismo na obra literária e jornalística de Lima Barreto

Poeta de mim

Um dia de quentura e jeito de renovação. A palavra instaurando alegria, significando o cartaz diante da visão e o transporte para o centro do melhor daqui. Respostas subjugadas e a aparição da tantíssima pergunta que se faz para se sentir a vida assim:

- Adorei esta camisa que realça a cor dos seus olhos. Mais castanhos eles ficam e me excitam e me mobilizam e me agitam para depois sossegarem-me. Você pode continuar me olhando desse jeito?

Um dia para louvar o Tempo, sair à frente e revolucionar. Mudar por dentro e ter como arma o sorriso das manhãs, o que acende a alma e perturba o mundo. Um dia sem batuque profano; só o ressoar das preces que voltam do mar.

- Acordei para acender uma vela, para ter flores pela casa, nas mãos, vestir-me de branco, ouvir mantras, cantarolar e escrever um nome num papel cor de rosa. No sentido do instante que garente conquista, ilumina a vida, alívia o peito, aumenta a criatividade, ensina e a gente aprende.

Um dia com o cheiro natural de alguém que sem nos tocar se inscreve na carne desafia o desejo embeleza o olhar sensibiliza e se eterniza. A pura palavra que traduz a delicadeza de um ser humano.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Maria Bethânia - Morena do Mar


Quando em estou em muita falta eu busco a luz de quem transborda beleza. Sempre encontro alento na arte. E assim, sem intenção, reina ela: Maria Bethânia. Cantando aqui Morena do Mar ( as pratas e os ouros de minha Mãe Iemanjá) do imperador Caymmi...
Essas águas inundam o deserto de mim e floresço com o desejo da escrita, quero estudar, me arrumar, tomar banho de mar, namorar, presentear, abraçar, ter amigos... Ouvir Bethânia cantando do lugar das suas conquistas: me ensinando formas de continuar.
Ouçam -na: sou eu louvando Iemanjá à beira da vida à espera do amor chegar.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Na primeira manhã



 Dessa vaga desassistida e intolerante
que desaba palavras sobre mim...
Dessa falta de toda manhã
No colorido dos funerais
No interior da Notre Dame.
Por que tudo se repete para o fim?
E por que não se inscreve sobre o
Meu peito o desejo do poeta?
Por que as flores se desanimam
Em pleno viço da Primavera?
Por que meus olhos nunca mais
Encontraram os seus?
O que não foi desistência em mim
Se fez minha maior condenação.

sábado, 1 de outubro de 2011

Pela beleza da vida

"Pois juro que a vida é bonita" Clarice Lispector

Só de chegada, antes mesmo de sonhar, a vida é bonita. Dá medo mas dá desejo também. E a gente segue ansiando segurança, e lá por dentro, imaginando transgressões. Tudo é tão rápido. A festa mal começa e acaba. A vida em sua beleza nascente, correnteza cortante, sorriso de criança e minhas lágrimas que correm rezando... A vida. Maior que o tempo que silencia e que faz esquecer; a vida é uma espécie de poema potável que se pode poluir mas nunca perde a beleza. É sempre mistério. Dança como calma no palco do dessassosego. Areia movediça do amor que escolhi pra mim; alumbramentos no porto solidão e a rampa da fé feito subida em nossa alma. Bom saber que a vida ainda está aqui e posso andar de vontade, aspirar, ver fotos, aprender, me banhar, ter-me naquele abraço, projetar, escrever...

Ouvir e ler. Ainda me quero aqui nessa força que me fermenta. Ter sonhos impossíveis e realizar. Ter coragem. Alçar-me com saúde acima deste instante daninho e ser. Quero ser como se escrevinhando a alguém mais que amado e obter mágicas respostas gerando novas perguntas e suando. Viver. Quero estar em mim saboreando o meu você. Retas imagens do que aconteceu. Fragmentos da eternidade que é o nosso encontro. Esta palavra inventada. Este conto de amor proscrito aludido no delicado daqueles olhos que fazem valer a vida. Fonte da poesia de mim. Beleza incontida.