quarta-feira, 20 de agosto de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
navegante
É dessa minha condição de corsário, voraz amante do mar, que me apronto todo em muitas idas e vindas, arranjando sonhos, desconversando, banhando-me, fazendo silêncio, gritando, navegando do meu jeito, quase sereia, chorando, mas muita alegria, quando saio, no sentido da felicidade.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
do que não houve
queria que fosse bem tarde... bem desgaste do tempo negando.
fosse maior que a dura saudade e sem retorno do sol... fosse inteira vida em
segundos e acabasse sem a ideia de acabar. fosse: intervalos entre a falta de
sorte...dois corpos bem separados localizados no exíguo espaço do
desencontro...falta de nome e falta de transporte...o medo matando... todo o
tempo do que não houve.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Amor sempre
É melhor amar, gostar, querer bem... Isso de amor revela o mais
prazeroso sentido da vida; os sentimentos contrários mobilizam, mas
desgastam... Quem aprende amar, aprende a se defender com ternura e alegria.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Da síntese
O verdadeiro lance é que eu continuo um grande sonhador, cheio de tarefas para cumprir e ideais de beleza para realizar!
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quarta-feira, 25 de junho de 2014
Do alheamento
Para ver...
e ter...
no alheamento
de mim mesmo
fazendo sentido
sem esconderijo
como tem que ser
entre águas e matas
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Oração do dia
Que eu seja livre o suficiente para não fazer sentido.
Que eu tome conta de mim certo de que comigo sempre contarei.
Que eu tenha coragem para dizer não e hombridade para sempre
agradecer.
Sabedoria para lidar com a maldade do outro e força para me
apartar da minha.
Discernimento, meu Deus, para escolher as companhias.
E ser como me escolhi para ser ao longo de 44 anos...
Que eu tenha alegria.
Que saiba do meu tamanho neste mundo.
E me comunique sem a ânsia do sucesso
E fora dos exageros de quem se rasga por celebridade.
Eu quero paz e sossegar no colo de alguém
Sem me tornar escravo de ninguém
E sem escravizar a quem eu amo.
De novo: que eu tenha coragem e assim,
Como aqui, eu exerça a minha comunicação
E me proteja da perversidade dos religiosos e dos ateus.
Que o amor que vinga no meu peito me seja norte
E eu tenha hora para concordar e hora para discordar.
Que seja eu inteiro e certeiro para realizar os sonhos
Que me convencem a estar nesta vida.
Entre Deus, Anjos e Orixás
E as Águas da Mãe e do Pai
Que sustentam minha existência.
frida kahlo
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domingo, 22 de junho de 2014
Quintais do Brasil de Maria Bethânia
É mês de junho no país que festeja
Santo Antônio, São João e São Pedro. País onde nasceu Maria Bethânia, a
cantora. Neste mesmo mês em que ela nasceu, e que completa 68 anos, Bethânia
nos presenteia com seu mais novo trabalho: o CD Meus Quintais, saindo pela
gravadora carioca Biscoito Fino.
Tem que se fazer 49 anos de carreira,
não ter medo de ser o que se escolheu ser, manter a coerência artística sem
evitar riscos, mas baseando-se nos caminhos estéticos eleitos pelo desejo de
expressão, para poder oferecer ao país um CD que desenha a atmosfera da
infância, os fundos da casa interiorana, louvando os caboclos, as tradições
indígenas reinventadas nesse tempo, mas apagadas dos cenários midiáticos pelas
cruéis demandas urbanas.
A mulher aprimorou o canto, à quase
perfeição, para brincar com sons e palavras a favor de imagens que devassam a
simplicidade, nos mostrando um Brasil positivo que insistimos, por burrice
existencial, fingir esquecer porque recupera o indígena na construção desta
civilização.
Meus Quintais é um primor em
lítero-musicalidade, mas, melhor que isso, é um serviço ao índio, aos caboclos
nortistas, com tempero da literatura (traz texto de Clarice Lispector),
brincadeira e coragem da artista que se eterniza fazendo, nos últimos trabalhos,
uma espécie de antropologia veiculada pela indústria do audiovisual.
A cantora tribaliza o Brasil,
arregimenta talentos como Adriana Calcanhotto, Roque Ferreira, Dori Caymmi,
Paulo César Pinheiro, para espalhar o que é mais simples e está contido no mais
complexo, misturando aspectos de sua infância com a sua atual maturidade, compondo
uma narrativa sonora, alicerçada na forma canção, onde o mito e o vivido
remontam o sentido de se sentir saudade – a que, no caso da cantora, é a mais
legítima: sua falecida mãe, dona Canô.
O disco é um reflexo no espelho:
uma senhora de 68 anos, a noticiar os feitos do tempo e a redesenhar ontologias
do brasileiro, a caminhar por uma discursiva trajetória que nos aquece de
música, de poesia, sem deixar olhares históricos e socioantropológicos de fora.
Marlon Marcos é jornalista e antropólogo email: ogunte21@yahoo.com.br
(Publicado no Jornal A Tarde, em 21 de junho de 2014, Opinião, p. 3)
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Opinião do Jornal A Tarde
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Não
sono em suspensão
e eu, atoamente, aqui
lavrado em autocarinho
rabiscando não
a favor da arte final.
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