Eu amo Beto Guedes. E nessa canção então. Dedico a você que se encastelou longe de mim. Você que sabe que eu amo e amo em luz e mistério. Aqui tem Caetano também. Mas não, só quero Beto para atingir o azul de você, sua delicadeza. Eu sou louco.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Chaya
Clarice Lispector é a representação do mar no deserto de mim. E ela ficou mais louca do que eu.
À Sorte
Meu coração marulha com força, anseia
Tem esta infinidade de sonhos guiando-se pelo vento.
Meu coração é matéria de sonho, desejo
Forte vasto vagabundo infinito.
Batuques e segredo, coragem de amar.
Meu coração se alia à luz azul do dia
Nessas manhãzinhas em que mais precisa de sorte.
P.S. Se tiver de ser será.
Tem esta infinidade de sonhos guiando-se pelo vento.
Meu coração é matéria de sonho, desejo
Forte vasto vagabundo infinito.
Batuques e segredo, coragem de amar.
Meu coração se alia à luz azul do dia
Nessas manhãzinhas em que mais precisa de sorte.
P.S. Se tiver de ser será.
Clariceanas
Na órbita do esmero, entre tombos sonhos canções, eis que surge ela. Palavras que me alçam ao lugar de mim mesmo tateando prazer profissional. Sou-me naquela esperança que a escrita dela inventou; mas sou seu desespero também. Revisto-me vivendo da sua eternidade, amando seus livros, flertando com a coragem. Agora, preso ao calabouço da adoração, olhando para as estrelas, respingado de saudade por todos os lados, pronuncio seu nome e evito a hora de morrer.
Estou na hora de Clarice no âmago do nome da cidade, mas eu sou mar recebendo o rio. A dor inteira do Rio na leitura profética do poeta frente à dor de Macabéa, sendo a hora de Clarice. Repito erros gravíssimos, estigmas e clichês, e sou livre justamente por causa disso. Componho uma reprodução que me põe central na alma da escritora; canto o rasgo da cantora para imprimir outra adoração. Minha vida de bar em bar e poesia sobre a mesa e a cama, debaixo da cadeira, na porta da geladeira, na tela do computador, na distância enigma de um deus infãncia que se tornou delicado poeta apartado das águas de mim.
Na órbita do esmero nesse desenho de amor. Reinvento-me nesse contexto d'arte. Sei que maior que literatura. Simbolizações da antropologia nascente mas que sempre esteve ali. Escreve. Escrevo. Faço mímeses sem talento ou pudor. Abraço o corpo morto da eterna e voo em minhas gargalhadas. Depois, choro baixinho na voz da cantora feito estrela de cinema e sobro em sons e palavras...
Deixa clariceana: poeta, cantora, desagua... Universal santoamarense no retrovisor pós-humano de uma escrita de sangue, drama, imaginação. Deixa nessa alucinação diurna - o sol na minha cara após as bancas de revista. Deixa no lugar escuro e no que se não pode alcançar.
"O tempo é como o rio onde banhei o cabelo da minha amada".
Estou na hora de Clarice no âmago do nome da cidade, mas eu sou mar recebendo o rio. A dor inteira do Rio na leitura profética do poeta frente à dor de Macabéa, sendo a hora de Clarice. Repito erros gravíssimos, estigmas e clichês, e sou livre justamente por causa disso. Componho uma reprodução que me põe central na alma da escritora; canto o rasgo da cantora para imprimir outra adoração. Minha vida de bar em bar e poesia sobre a mesa e a cama, debaixo da cadeira, na porta da geladeira, na tela do computador, na distância enigma de um deus infãncia que se tornou delicado poeta apartado das águas de mim.
Na órbita do esmero nesse desenho de amor. Reinvento-me nesse contexto d'arte. Sei que maior que literatura. Simbolizações da antropologia nascente mas que sempre esteve ali. Escreve. Escrevo. Faço mímeses sem talento ou pudor. Abraço o corpo morto da eterna e voo em minhas gargalhadas. Depois, choro baixinho na voz da cantora feito estrela de cinema e sobro em sons e palavras...
Deixa clariceana: poeta, cantora, desagua... Universal santoamarense no retrovisor pós-humano de uma escrita de sangue, drama, imaginação. Deixa nessa alucinação diurna - o sol na minha cara após as bancas de revista. Deixa no lugar escuro e no que se não pode alcançar.
"O tempo é como o rio onde banhei o cabelo da minha amada".
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
João Gilberto
Pra tirar da excelência.
Pousar os olhos no delicado.
Chamar pra fora o amor abafado.
E fazer silêncio por alguns dias.
Lembrar...
P.S. O gênio e não escapo. Mestre do meu, e exalto. O delicado, numa espécie de sábado, sentindo o cheiro do suor juvenil do poeta em sua espiral delicadeza. Kaváfis também está aqui.
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Cool jazz
Ainda ouvindo o sentido mudo do destino
Catando alegorias em um canto mínimo
Que renova a paz do lugar.
Ainda subindo escadas
Rolando ladeiras na alvorada
Bêbado sem lar...
Ainda cool jazz
E samba regado à luz
Por trás do muro
Preso a uma parede negro-azul
Como escudo anti-amoroso.
Cintila a história da cantora
Na fonte áspera do grande poeta.
Eu subindo escadas na alvorada
Dentro de um recanto escuro.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Triângulo Amoroso: um filme alemão
Serve como uma grande solução amorosa vencendo os limites das banais expectativas. Parece que alguns, de fato os melhores, estão mesmo à frente. E parece que o amor para além das convenções tem sido pensado como real e oportuno ao meio de tanta tacanhice que ronda o mundo humano neste tempo, neste universo. Foi um alívio político, um alumbramento navegando a fala dura dos alemães, uma ação prática para estender os encontros, negociar relações, permitir-se à paixão. Foi uma facilitação visual, no plano da ficcão, melhorando a dor no peito e a falta de expectativa. É filme. Uma perícula que narra amor e que poderia assombrar, mas encanta.
Segue-se a ideia da imagem postada aqui, mas sem as anteriores banalidades tratadas filmicamente; este triâgulo ferve e expressa realidade. Convida a pensar e a sentir a experiência das personagens centrais e o humano sai ganhando mais crédito e brilho para sua vida cotidianamente vagabunda.
Um filme contra o tédio e a favor da coragem.
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Triângulo Amoroso - filme alemão
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Recanto Escuro, Gal Costa
Pra tocar melhor na tristeza de agora, dialogar com a falta, com a dor de cabeça, com o medo de amanhã; para pedir ao sono o mesmo sonho da madrugada de hoje, para ler manhãs na virtualidade de quarta-feira, para ter esperança... Enfim, Gal é filha do Senhor dos Contrastes e a gente também é assim. Para Deus, peço mais amor em mim. E Gal cantando.
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domingo, 4 de dezembro de 2011
Feito em película
Uma semana que se prolongou em imagens cinematográficas, trazendo tudo que acrescenta vida: lágrimas, risos, perguntas, respostas, sonhos, tesão, saudade, loucura, criatividade, emoção. Uma semana vinculada ao que mais interior pode ter em alguém que tenta encontrar. Surgiu Cinema Paradiso como recurso didático numa aula de antropologia, história e literatura; surgiu outra narrativa argentina pedindo coragem; a imagem de Zé Celso me pondo na oficina do ser, meu teatro como absurdo e por fim: Triângulo amoroso, ainda que em alemão, sob o impacto da frieza alemã, veio cheio de beleza numa espécie de história inusitada talvez, que eu gostaria muito de viver.
Tudo me sendo muito íntimo, num fora pra dentro, projetando, imaginando, riscando, eu querendo. Desdobramentos das histórias assistidas me mergulhando naquela saudade gigante mas que ainda pode ser vencida, ainda posso rever o castanho, ouvir a voz, silenciar junto, ler a letra e abraçar. Abraço feito película. Modos de contar o que mais profundo em nós habita. Narrativa fílmica roteirizada a partir do amor que se inventou em mim.
Uma semana findando-se no vermelho de Santa Bárbara, num domingo de outra semana, nos fogos de Oyá, na bagunça dos infelizes, e na glória dessa esperança que não me deixa, do verde que acredito, o meu azul no dele, a beleza depressiva de Recanto Escuro no instrumento de Gal, a falta da água do mar no meu corpo, projetos que não sei mais, batidas na porta da frente, uma camisa como amuleto, o sonho mais verdadeiro, provas para disputar, cansaço, um CD tocando distância, o nunca como sempre e o rosto meu travesseiro.
O nome escarlate mancha de azeite na minha roupa branca - enfeite confete purpurina -, dígitos perdidos para o telefone sem fio; imagens cadafalso na tristeza bravia e o que seria um cinema novo Bahia na poesia de um encontro que essa semana passada encerrou nas págidas marcadas dos filmes que assisti, clama o beijo que não dei.
Mesmo a história sendo a mesma, remake cinematográfico, o século já é outro.
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Iansã
Nelas. Em nós. No Brasil. Por 04 de dezembro. Por Santa Bárbara. Pela Esperança.
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