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terça-feira, 15 de abril de 2014

Cachoeira de mim



Por ser água
mesmo que salgada
eu também sei ser
cachoeira.


( meu Pai me ensinou)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Imagens Maria

(Foto Marisa Alvarez)

É exatamente esse instante dela que me fascina: o ar de menina confundindo-se com a natureza, revelando a rara beleza da mulher . Centelhas de doçura e força conduzindo a voz que se levanta das manhãs primaveris, do outono sem  medo, do inverno aquecido, do verão em segredo e fogo.  Um quase sorriso para ampliar o mistério que ela traz quando canta. Mas a imagem, em silêncio, instaura enigmas também.

Se degusta com os olhos e a audição; se investiga através do impacto da emoção; se recria em talhas da qualidade  desse ser religado aos elementos mais naturais: cabaça d'água, cabeça de fogo. Encosto o ouvido no chão e ouço este canto interplanetário se expressando para o além daqui. Navego o mar de mim para me ter dentro do olhar dela. Escrevo  o desenho das mãos que são borboletas e o brilho dos olhos que é águia leoa  búfalo sereia inspiração.

Todo  perigo mora ali como as águas doces de Oxum. Ela transpirando a sedução que muda a rota dos conceitos, que autentica um país em nome dos amálgamas da sua presença negro-morena na verve miscigenação. Esse ar de menina é dança e alcança a leveza que ela não tem. Descortina-se para ser alteza nos palcos, sendo rainha de verdade.

Desse jeito forte doce ela rasga. Corta até o som. Repete-se por competência e permanece altiva colhendo rosas vermelhas brancas amarelas acima dos estabelecidos. Outra espécie de revolução. Corta. Rasga. Ensina. Uma foto quase sorriso o dorso despido o canto imensidão. Signos do artista. A beleza sumidouro de regras. A beleza resultante da qualidade. Viva.

Entrada para a perdição; saída da fruição saboreada. Gozo dos sentidos entre o permitido e o proibido, o sagrado e o profano. Emissão no ar do canto poesia. Literatura da voz dando norte aos seus espectadores... Estesias da música.

Começo: Imagem: Maria.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Iyá Omi


Iyá Omi,
Protetora dos amores,
Aquela que guarda a Cidade da Bahia,
Traz a palavra arte pra mim,
Me faz cantá-la como Gerônimo o fez,
Me faz chamar meu amor como a Senhora faz...

Mãe Oxum,
No horizonte dos meus olhos nesse instante...
Mãe Oxum,
Presente dentro de mim...
Mãe Oxum,
Meu mimo que me faz enfeitiçar...

Traz pra mim
E cuida com zelo de ouro e doçura
Meu coração que é todo amor.

domingo, 21 de agosto de 2011

Narrativa em amarelo


Há sempre uma pergunta a lhe fazer. Sempre essa falta de entendimento em mim. Os lugares onde não estarei são os que mais me fascinam. Você não responde. Essa vacância entre medo e desejo e A volta da Asa Branca, na voz de Caetano Veloso retirando-se do exílio, a nos embalar na distância o nosso excesso de sentimento. Há respostas em mim também. Mas não as quero.

Hoje tem sol lá fora, mas continuo a narrar por dentro. Vivo de imprecisão e lamento. Choro para fertilizar o mundo. Mas, ainda melhor, eu rio também. E danço. E sinto os versos que você cessou e abortou por mim. Hoje tem música nesta cidade. Música em amarelo para iluminar e enriquecer a vida. Queria que estivesse aqui. Ao som amarelo na voz de ouro da menina. O mundo, ali, passará por mim e eu só danço samba e candomblé.

Há sempre este vento lhe trazendo. Determinações de Oyá - o que não posso questionar, muito menos impedir - que me chegam para lembrar o que eu nunca esqueci. Esse dia em amarelo. Uma cor da Iyabá do amor. Uma cor das riquezas e da indiscrição. Outra forma do exagero em mim. Outro sentido da paixão.

sábado, 21 de maio de 2011

Maria Bethânia, na voz traz Oxum


A mim e a Paula Janaína

O canto dessa mulher não pode cessar dentro de mim: esses temas, essa a voz que se levanta linda em reverência aos Orixás e ao Amor que habita em mim.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mãe Menininha - sabedoria ancestral

Sonhei com ela desenhando estrelas.
Imensa em sua África sabedoria
Cantando para os orixás.
Sonhei com ela para atingir
Oxum e Nela,
Pedir amor e acordar.
Salve a fragrância da doçura
Abram o frasco do acontecer
E dance Mãe Menininha
Por entre os filhos da Bahia.

P.S.: Todo dia 10 de Fevereiro, Mãe Menininha é festejada como uma das rainhas da Bahia. É o dia do seu nascimento.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2011: Iemanjá Oxum Oyá em mim







Minhas Iyás,

Que 2011 me chegue em saúde e leveza. Que poucas certezas me norteiem nessas novas empreitadas e que as muitas dúvidas que tenho me arrebatem em criatividade. Quero coragem para continuar a ser como eu me construí , como o que escolhi e que a sorte também me assista. Minhas Meninas Mães tomem meu maior desejo em suas mãos e me ajudem em sua realização. Despejem mais azul e feminino em mim e iluminem a minha escrita para que arte eu comunique. Quero mais prazer profissional, prosperidade, integridade, utilidade social, transformação...
Meus olhos transmitem agradecimento e choro pelos elementos atmosféricos com a chegada das graças que me vêm das Senhoras.
Meu ano novo nascerá em sábado. Mais risos e Fé!
Que eu renasça na ideia do amor e faça festa em minha vida.
Que eu me permita felicidade e ame, também, a minha própria companhia.
Que venha o novo novíssimo bom!
Quero criar em mim aos outros para ter sentido em ser!
Viver - aquaticamente - as marcas do feminino transbordante,
2011 - o começo inexorável do escritor.