sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Rimbaud, para não faltar rebeldia aqui



E desde então no Poema do Mar mergulhei,
Cheio de astros, latescentes, devorando
Os verdes céus, onde às vezes se vê,
Lívido e feliz, um sonhador boiando.
Onde tingindo de repente o infinito, delírios

E ritmos lentos sob o dia em esplendor
Mais fortes que o álcool, mais vastos que nossas liras,
Fermentam as sardas amargas do amor!
Sei dos céus rasgando-se em raios, e das trombas,

Das ressacas e da noite e das correntes,
Da Alba exaltada igual a um bando de pombas,
E o que o homem acreditou ver viram meus olhos videntes!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

São Salvador da Bahia


Minha alma é um visgo prendendo meus sonhos e meu corpo a uma cidade. Não consigo ser mais nem menos, apenas o que é a minha cidade. E o que deveria ser só fascínio, é a escravidão de um lugar de paisagem abençoada e do profilerar de gente burra que a diminui e a torna vil para a sua própria população.

Salvador é mãe e pai de meu estar no mundo. Um muito de beleza e a força do abandono.

Rio de Janeiro


Alguma coisa de mim por lá. Me disperso em meu voo noturno e pouso no braço de Cristo sem me abraçar. Tenho razões de felicidade ao mergulhar naquela paisagem e sou voyeur num tipo de relação amorosa. A música ali me contamina e o mar me alonga. Sua gente preta e as belezas erguidas da grana na beleza, também, morena da gente zona sul. Quereria flanar sobre a ilusão que a cidade nos acomete; sou adepto da sua natureza e sei da estética que me fulmina. Algo maior que cidade mais bonita. Gosto de me lançar para ela e ser primavera entre Santa Tereza, Lapa,Laranjeiras, Co-pa-ca-ba-na, Leblon, indo sempre ao Morro da Mangueira. À noite, secretamente, caminho sobre as águas da Lagoa, e fujo invisível para contemplar As canoas de São Conrado. Meu coração pseudoburguês ama o luxo sócio-antropológico do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O mar outra vez


Estou entre tirar o perfume ou o feitiço.
O mar sempre me arrebenta em confusões.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Eu aplaudo o Lula


Obrigado, Presidente!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Das mudanças e distâncias

Nem sei mais do jeito do olhar,
do abraço que se aquecia no outro,
do carinho da boca falando mimos,
da meninice querendo colo;
não sei aonde está.
O que sinto rasgar minha memória,
é o escapar de um perfume corporal
natural como o suor que limpa a vida
me sendo a melhor lembrança
de um tempo em que o amor
morava em mim.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ousadia

Deslizando, sem avisos ou cuidados, sobre meus desejos.
Eu sei dos tombos. Mas só o risco me salvará.
E deslizo segurando um poema na mão.
Entrego-nos ao Tempo e sigo sem tremedeira.
A clareira trará o beijo, o disco, o livro
E alívio ao meu coração sagrando.

Billie Holiday, a voz do mundo

Billie
Por um tempo dos aprofundamentos, quando da força e do mistério do talento, e a reinvenção da canção para além de todos os instantes, o humano sem passado nem presente sem futuro;o agora como matéria exclusiva do existir... A beleza adentrando os ouvidos, a pele arrepiando, o coração em comunicação com o mundo, o fim das fronteiras idiomáticas, o medo do não ser, a eternidade na inexistência de tempo, a seara do canto mais bonito mais preciso mais aquático mais criativo mais doído mais salgado...
Para o tempo das continuações gerado pela herança negra de uma afro-estadunidense: a maior cantora que a humanidade pariu.
Para a memória que alimenta o sentido dos recomeços e que fez de alguns verdadeiramente eternos...
Para compartilhar os segredos da alma, acariciar nossa inteligência, alcançar o amor perdido, ter ciência da excelência que a raça humana produziu e tão simplesmente ouvir: Billie Holiday.
Décadas após a sua morte, Ela é o construto artístico da sua enormidade como cantora, marcada por tragédias mas eterna, servindo como aprofundada lição para as melhores cantoras que circularam e circulam na Terra depois que seus ouvidos ouviram-na...
Para que sejamos mais exigentes neste Brasil em 2011 e os reflexos de Billie nos inspirem a querer ser; a ser, coexistentemente, frutos da inventividade acima da fugacidade dos mercados.
Que Billie Holiday toque mais em nossas eletrolas.

Billie Holiday: All the way



Minha vida se inscreve nesta voz e, quando ela canta esta canção, até a dor deixa de doer porque nada é mais importante, nesta hora, do que o canto desta mulher. A maior cantora do mundo de todos os tempos.

Da prosperidade

O mar da Bahia ( Igreja de Mont Serrat)

Imerso em todas as ritualizações humanas em nome das melhoras coletivas, do encantamento da alma, do crescimento espiritual, da erradicação da miséria, do findar das violências, da coexistência, da criatividade, da coragem, da transformação positiva, da garantia irrestrita à vida e da fomentação dos sonhos.

Para que o talento sobreviva acima das torpes corporações e que a expressão livre verdadeira profunda seja a tônica dos humanos respirando sob este tempo nesta linha do horizonte. Que a doçura nos aproxime e a água fertilize a nossa humanidade a favor das artes, das possibilidades, do equilibrio e das efetivações.
Imerso em ritualizações do meu pensamento que abriga e que pede justiça aos Senhores e Senhoras do Universo para que a caminhada de cada um seja do seu próprio tamanho. Justiça para que o correto amoral aconteça, que prevaleça no mundo o anúncio da qualidade superando os conchavos e inverdades dos poderosos do nível do chão.
Imerso na intenção da Prosperidade. Olhos nos olhos, abraços e carinho, ensinamentos recíprocos, deleites na alma, amor por todos os lados, conforto, nutrição do corpo, moradia, segurança, trabalho, alcance da beleza, sobremesas, esperança e Fé, e pra mim, muitas rosas em várias cores para que eu possa louvar a minha essência : o mar.