segunda-feira, 30 de maio de 2011

Do tamanho do que vejo


Se o que escrevo tem valor,
não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
 Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade...
Porque eu sou do tamanho do que vejo
e não do tamanho da minha altura
Alberto Caeiro

Maria Bethânia - Canção da manhã feliz




Quando dela me vem esse rasgo assim: é o que digo pra mim frente ao espelho, ensaiando a entrega poética que não veio e ela, passado lançando-me ao futuro pela razão da arte. Rasgo e sangro, sou mártir e a escuto na canção da manhã feliz que não houve. Sem riso olho a voz nos olhos da cantora: ali, meu medo e paixão. Transbordo pelo que tinha de ser. Os gestos daquela mão que toca minha alma; o corpo inteira verdade representacional. A bailarina tímida que nos sequestra de amor. Todos os elementos que vibram. Do chão, da superfície do que sinto, antevejo desejo sombra gozo luz guerra paz; sou-me naquele canto que uso para desamar amando muito mais.

O amor também pode ser assim


Assista com cuidado. As cenas são leves mas são sobre a entrega amorosa entre dois homens. Cenas do filme Do começo ao fim: uma história idealizada do cinema brasileiro a favor de outras possibilidades amorosas. Romance , saúde, bem estar, transgressão e muitas horas de felicidade. O amor também pode ser assim.

domingo, 29 de maio de 2011

Amor de cinema

Plata Quemada

Penso que senão mais leve, fosse a caminhada mais gozosa...
Cheinhas de horas felizes, escritos abundantes, sorvete de ameixa.
Deveria não ter insônia; música livremente e filmes de amor.
É lindo o amor no cinema; forte veneno pra mim que
Só sei viver de ilusões.

temo

temo pela falta de conclusão exigindo do meu  peito impossíveis decisões; me arrancando da livre caminhada que escolhi para ser eu mesmo. eu exato e doce numa entrega formal de paraíso, ouvindo discos que me são alucinações. temo. a verdade não há. o tempo é que é o maior sinalizador dos desperdícios. eu preciso de ilusões para viver. meu cabelo cresceu de novo e perdi tempo fazendo prova e outros desconsolos.domingo é um saco. acabou a mostra das possíveis sexualidades. temo por minhas exigências dentro do meu peito. caminho aturdido sem água do mar há meses no meu corpo. o que é ter um corpo? adriana calcanhotto. temo por minha falta de estrada e tudo que chegou e não sei e nem quero fazer. que tempo é esse meu Deus? temo. e engordo. e me descontrolo. e bate frio em pleno calor. e gosto. e espero. e vi sem ver. raiou à noite. temo essa escuridão. sem email sem telefone sem procura sem alimento sem entrega sem chegada. sem.
temo...

Sem respostas

Esteve ali. Implícita trajetória de quem busca o amor. A pedir a rogar a clamar no seguimento da estrada, velando cantando assistindo ao próprio abandono. Ali entre cortes e cores, sem nome noutro endereço, desfiando tormentos no pensamento e os olhos, numa insistência clínica, sem querer chorar.
Homem não pode mas ele podia. Isso de seguir sem companhia e aguardar no infinito. Achar-se dono do tempo, notar-se eterno pela força daquela procura. Ele vinha  e se entregava ao barulho da auto-estrada, aos seus perigos e velocidade, a ideia do rápido e do efêmero concluindo seu destino. Ávido de dor e esperança, apesar de consorte da solidão. Ainda ria; humanamente ria em sua impossibilidade de chorar. Ria imaginando encontrá-la um dia disposta a aceitar. Sua rude procura, quase inepta, traduzia sua rude e reles postura ao ofertar aquele amor. Há anos não a via e ia para perto do mar; longe das agruras do sertão e do dessentido de viver todo assim: morrendo de falta.
Cada dia ele mais longe de si mesmo. Sem notar o seu desespero estava a cada dia mais perto do mar, e indo nessa afirmativa: o mar. Nadava de ilusão sobre o muito quente dos asfaltos, era verão no Nordeste do Brasil... Ele se fez todo seca por isso achava que o amor, que ela, perversa, só poderia querer viver em lugar de muitas águas.
E se ia, noite e dia, sem se exasperar. Convicto que sua sina era essa busca, que sua alma era esse caminho da bruta aridez à mercê de encontrar horinhas felizes com aquela que escolheu o mar para morar.
Ele não sabia, mas como nunca antes, iria se desencontrar.

Agnaldo Timóteo - Galeria do Amor


P/ Diva Vieira Passos ( in memoriam)

Das muitas coisas que aprendi na vida sobre arte, poesia, comportamento, política, aprendi com ele, Caetano Veloso; hoje, em seu artigo ( O Globo/ A Tarde), ele citou Agnaldo Timóteo cantando essa canção que minha mãe, D. Diva, adorava. Sobre Agnaldo Caetano falou o mais que procedente: descartou as patrulhas sexuais perigosas e indigestas como qualquer outra.
Aqui para louvar o grande cantor que é Timóteo, para marcar meu aprendizado contínuo com Caê e para lembrar minha mãe. Também, desenhar, neste domingo fatídico, uma galeria do Amor dentro de mim. Quem sabe, né?

Elvis e Madona: uma história de Amor


Ontem ( 28 de maio de 2011,às 21 horas), Sala de Arte do Museu, Salvador-Bahia, palco para exibição do longa Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte, com Igor Cotrim e Simone Spoladore, na 4ª Mostra Possíveis Sexualidades, sala com super lotação e, na tela, uma íntegra história de amor, com necessários toques de "conto de fada" quando o assunto é cinema e paixão.
Belo como narrativa e excitante como composição afeto-sexual, como possibilidade amorosa neste mundinho contemporâneo cada vez mais desencontrado; educativo a favor da nossa complexidade, que deve ser realçada e ressaltada para tratarmos de assuntos como União Civil Homossexual, Criminalização da Homofobia, Kit anti-homofobia, e as recorrentes hipocrisias religiosas e civis que fazem parte do processo da sociabilidade brasileira.

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Uma história de amor entre um travesti ( Madona) e uma entregadora de pizza lésbica (Elvis), que apesar de ficção,  compõe uma história muito vista em nosso país: o encontro afeto-sexual aparentemente impossível, como seria o central desta narrativa, mas que acontece e já foi estudado do ponto de vista sócio-antropológico. Uma história que vibra os caminhos das possíveis sexualidades, problematiza nossas contradições e referenda ( o mais importante) o amor.


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Divertido e com final feliz. Grande atuação de Igor Cotrim, impávido e sensual na pele da adorável Madona. Tudo ali, em Copacabana, o amor explodindo sem regras e redimensionando nossos valores culturais. Reinventando. Ainda pude abraçar Cotrim, agradeço-lo por Madona, que estava presente na primeira exibição do filme na Cidade da Bahia.

sábado, 28 de maio de 2011

Hoje é sábado


"Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado. "

Mergulho de pedidos e muita contemplação. A vontade de me ver bem e estar à luz da inspiração. Para seguir o sol que chega aos lugares por mim.  Sábado é assim: dança de festa e fé, maneira de aproveitar-se só e com os amigos. Sábado é o destino de quem traz Iemanjá na cabeça. E eu vibro  da janela com os olhos no mar. E tudo pode acontecer; até ficar em casa com um livro, recriando histórias, reinventando a vida, redimensionando os sonhos, aproveitando o presente que é este dia que antecede o dia universal do tédio. Eu vou me lançar, e aqui, é sempre no hoje.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Queria.
Tão simplesmente queria.
E queria no tempo passado.
Tocar seu rosto com meus lábios
E sonhar na sensação do seu fascínio
Tendo meu carinho como condução.

Queria
Deslizar a mão no cabelo
E falar coisas quase poemas;
Ver o tempo ruir no brilho
Dos olhos seus.

Queria
Negar a paixão
Tendo-lhe entre os braços meus;

Movimentar-me em Marte
Para vencer aquela guerra
Que nasceu perdida...

Queria
Que o tempo voltasse
Que você me amasse...

E todo resto fosse
Tão somente escrita.

Queria.