sexta-feira, 7 de março de 2014

8 de março e abraços...



A palavra seria desalinhar. Rasuras em cima do que já foi posto. Rasgos para fora das legitimidades escravizantes. Outros lugares todos os dias. Parceria. Descosturar o conforto dos homens. Ser por si para si sem se privar do amor que leva ao outro.

Dia de mulher é dia da humanidade. Nada simples, mas cheio de ajeitadas respostas que podem ser mudadas, devem ser mudadas, ou acordadas para um tempo que ainda não é. Mulher: entre o grito e o silêncio... Como uma ausência saudosa Diva, e a altiva presença Zulmira a perfilar histórias e mais histórias que nos fazem marcar a inutilidade de coisas como “dia da mulher”, só para pedir respeito e direitos iguais. Com as precisas e devidas diferenças entre os sexos: pelo sentido de Deus.

Nem dá pra fazer festa. É dia de festa que se exerce lutando. Paragem nos discursos vazios e patrocínios toscos estatais e carnavais querendo adestrar a fêmea na mulher...

Na maioria, mora a ideia do aconchego e tem cheiro de chegança, aprendizado, participação, decisão, ternura, agressividade, parcimônia, agilidade, transformação.

Nem precisa parir. Mas o mundo nasce ali nem sempre marcado por união. E ela se vira no estreito do abandono e desalinha as ordens machistas que negam seus sonhos, rascunham suas trajetórias – a cada minuto por elas reescritas, mesmo ao barulho desta coisa semi festa que é o dia da mulher.

A tigresa mais que o leão. Não se poderia falar de mulher sem rastrear alguma poesia de poeta macho fêmea, sem sofisticar clichês, sem saber saborear o dito o escrito o pensado e o fantasiado, porque a verdade verdadeira é sempre invenção. Mulher é domínio pós cultura sem medo de reconstrução... Tessituras onde até cabe a palavra coração – mas, por enquanto, é desalinho.

É do feminino que brota a arte. A arte agrada como o sexo: ambos, mistérios tão veementes como a fé. E nessa roda jogam deuses e deusas, gnomos gays, fadas lésbicas, trovadores sem gênero, e, poetas. Sexuados mutantes.

Mulher transforma erro em acerto com a mão que afaga ou fere, constrói destrói, masturba-se, fecha o caixão.

Tem amazonas entre Lesbos e Itaparica: todas com medo disto, todas para além disto...

O âmago é reinventar as soluções que cruzam nossas histórias dentro desta extensão chamada complexidade, maior que binômio homem mulher...

O âmago é saber que faltam motivos reais para a festa, mas numa tsunâmica quantificação, a mulher em nós, nessa coisa 8 de março, precisa de alfanje, e também, de abraço. Abrasantemente apertado.  

Um comentário:

Luiz hick disse...

Parabéns, adorei o poema. Mulher é tão somente mulher e nesse somente cabe tantas e infindos detalhes de mulher.
Abraços!