terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Obrigado, 2013!

Para agradecer

Que ano bom e transformador foi 2013.

Muitas demandas, dificuldades, guerras, perdas... Muita tranquilidade, coragem, viagens, amigos, resoluções.

Que ano de realizações no corpo e na alma: um período tão curto tão real tão vital para sermos no tempo que a vida nos dá.

Só tenho que agradecer e dizer que nos caminhos de Ogum e no desenho dos 13, na contínua fé que tenho, a história só me poderia assim.

Obrigado Universo!

Obrigado amigos e amigas nessa inscrição 2013!

Desejo coragem a todos e todas: para o exercício da nossa saúde e de muitas aventuras...

Viagens totais: pelo mar, pela terra, pelo ar, pelo pensamento e com POESIA.

Fé do jeito de cada um e,

sem nunca arrefecer,

Amor,

pois amor é o que nos faz melhor viver.

Oyá ô!

Grande 2014 para os humanos deste instante.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Flor do Medo - Bruna Karam



Flor Do Medo
Djavan

Venha me beijar de uma vez
Você pensa demais
Pra decidir
Venha a mim de corpo e alma
Libera e deixa o que for
Nos unir
Não vá fugir mais uma vez
Vença a falta de ar
Que a flor do medo traz
Tente pensar
Pode até ser mau e tal
Mas pode até ser
Que seja demais
Tudo vai mudar
Posso pressentir
Você vai lembrar e rir
Alguma dor
Que não vai matar ninguém
Pode ser vista e nos rondar
Não precisa se assustar
Isso é clamor
De amor
Venha me beijar de uma vez
Feito nuvem no ar
Sem aflição
Venha a mim de corpo e alma
Libera a paz do meu coração
Não vá se perder outra vez
Nesse mesmo lugar
Por onde já passou
Tente pensar
Pode até ser sonho e tal
Mas pode até ser
Que seja o amor

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Nascimento em Azul

(Foto: Deja Chagas)


Há no entorno de mim
faíscas de azul e silêncio;
sonhos que me chegam
e me fazem viver.

Lançamento do Memórias do Mar em 13/12/2013


Um grande dia em minha vida

domingo, 15 de dezembro de 2013

Exército metafísico

(Foto: Conceição Miranda)


Cada um em nome da Justiça que será feita!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Outra coisa

Mora em mim
a vontade louca
de só sentir.

Ser esvaziado
transubstanciado
flagrado com
o corpo em ação.

Marlon Marcos lança seu primeiro livro de poesias



 Profissionalmente alinhado a duas áreas que, majoritariamente, buscam cultivar a objetividade, o jornalista e antropólogo Marlon Marcos consegue manejar com maestria o mais subjetivo dos estilos literários: a poesia. Mas, engana-se quem imagina que em Memórias do Mar, seu primeiro livro de poesia, ele abriu mão do rigor tão caro ao jornalismo e à antropologia. O livro será lançado no dia 13 de dezembro, às 18h30, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, Barris.

O cuidado meticuloso com a construção textual, uma das virtudes que dão brilho à narrativa jornalística, e a capacidade de visualizar o simbólico em suas próprias experiências rotineiras perpassam todo o livro unindo as facetas de jornalista e antropólogo à de poeta.

Sorte para os amantes da poesia que vão poder conferir uma obra de fôlego construída por alguém que representa tão bem as novas formas de fazer arte, ciência e comunicação: coragem para revelar as suas múltiplas faces mostrando o que cada uma delas reforça e revela da outra.

O conjunto de poemas escolhidos por Marlon para compor o seu livro é fiel ao elemento que os reúne como conjunto: o mar, que é bem concreto, mas também evoca mistério e não permite o controle que tanto conforta. Há algo melhor para instigar um poeta?

Não à toa, no prefácio, a cantora Maria Bethânia – cuja arte em sua dissertação de mestrado intitulada Oyá-Bethânia: os mitos de um orixá nos ritos de uma estrela, Marlon definiu com precisão antropológica, mas cheia de poesia– o estimula a prosseguir neste caminho de poesia:

“Quero que você mantenha a vontade de se expressar em versos, não esconda seu talento, sirva a humanidade com generosidade, e eu quero ser ouvido atento e coração aberto para acolhê-los”. Com um incentivo tão precioso podemos esperar mais das boas surpresas literárias de Marlon Marcos.

SERVIÇO:
O quê: Lançamento do livro “Memórias do Mar- alguns poemas e outras prosas poéticas...”, de Marlon Marcos
Quando: 13 de dezembro de 2013 (sexta-feira), a partir das 18h30
Onde: Quadrilátero da Biblioteca Pública dos Estado da Bahia (Complexo Cultural dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris

Contatos: 8107-4693

Cleidiana Ramos- Jornalista-DRT- 1845


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Para Santa Bárbara


Aila Menezes: um leque aberto para a vida




Ela, de fato, ainda é uma menina. Um amálgama de sentidos que nos convida a prestar atenção nela. Doce e aguerrida. Principiante e experiente. Decidida e assustada. Mas, no somatório de tudo, ela ratifica-se: é talentosa.

Aila Menezes, 25 anos, nasceu em Salvador da Bahia, temperada por uma mistura étnica que não a afastou da negritude que impera nesta cidade. Neta do patrimônio cultural baiano, o palhaço Pinduca, a menina (a quero assim) nasceu para singrar palcos e rodopiar possibilidades artísticas, numa capacidade ímpar, só vista em nomes como Daniela Mercury, Madonna, Carmem Miranda (citando as mais representativas), de juntar a dança ao canto, pousando, por vezes, na dramaturgia como pede o seu destino de cantriz.

Sua expressão artística agrega-se à abertura do leque: novelo de feminilidade, norte de iyabás, diversidade comunicativa; o leque é a marca registrada da menina que sabe cantar, dançar, representar, falar, convencer, atrair e nos representar.

Nada nela é inovador se um olhar diacrônico escrever sua história: os gestos lembram às vezes Daniela, outras Márcia Freire, algumas vezes Madonna; reverencia, no canto, as maiores cantoras brasileiras como Carmem Miranda, Emilinha Borba, Elis Regina, Clara Nunes, Alcione, Gal Costa e, claro, Maria Bethânia.

Algumas estridências são cometidas, quando à sua maneira, ela se esquece do ser cantora e vira animadora de trio, outra grande possibilidade sua no cenário cultural baiano.

Mas ela pode mais. Pode durar como artista se amansar a voz, ajustando-a à beleza que lhe é, à doçura que convida, e ao timbre claro alcançado por vozes límpidas como a de Ivete Sangalo, mesmo que por vezes desperdiçado.

Aila tem uma grande torcida e um vigor enorme para Pop Star: doa em quem doer, é mais talentosa que Cláudia Leitte e pode servir como produto-novidade para as políticas de reabastecimento da nossa indústria cultural. Para mim, este fato seria um crime contra as possibilidades artísticas para quem nasceu e foi educada e incentivada, familiarmente, para ser artista.

Uma delícia ver Aila no palco: ora brincando ora sendo aquilo que já é. Suas escolhas políticas a fizeram, como La Mercury, a levantar bandeiras a favor das diversidades, ao direito do amor livre e independente de marcas sexuais; uma postura avançada para quem, de verdade, tem a identidade sexual circunscrita no que chamaríamos de heterossexualidade. A menina enlouquece os gays pelo país afora.

Aila Menezes é baixinha, cheinha do tipo Madonna anos 80; desliza como tem que ser; promove estridências desnecessárias ( algumas de suas mestras não saem do trio); está assustada com o cenário de fama que se aproxima; posta nos redemoinhos das opiniões – ela só será se se guiar pela força do talento para o palco e, assim, ouvir a própria intuição e a voz das pessoas que a amam antes dela ser Aila Menezes aqui ou acolá.


Marlon Marcos é antropólogo e jornalista ( DRT- BA 2235)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Oyá chegando...


E eis que chega dezembro
Anunciado no céu chumbo
De Salvador...
Roupa branca
Pele preta
Fé e esperança.

Os pratos quebrando
E Ela
Em todo canto
A tomar sentido
Nesta cidade

Que também é vermelha!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Entradas do amor em mim



P/ Maria Bethânia


É o defeito da expectativa me movendo a elaborações, que faço pelo simples fato de ter minha emoção atendida. E há a quebra. Busca labiríntica na seara do conhecido em que me estranho frente ao espelho da coragem. Trânsito no palco: a vida da voz doendo em flutuações artísticas. O velho é o mais novo ali. Pausa destemida.

Solidão como casa em meus olhos ardendo de saudade. O instante que não houve e ouço descrito no entoar de algumas canções. Minha alma embriagada nos versos de Escândalo e eu fujo vendo os pés descalços da diva. Fogueira emite minha mensagem de desespero: interajo com o amor que não funcionou.

Tenho as récitas da voz inscritas na pele do meu sonho. Surto em análises comedidas: ouço e vejo, vejo e ouço, sou todo espiral nas asas de um sentimento inconcluso que exerço da plateia... Meu tempo ali também é quando.

Quando ela canta em movimento desfiando as várias formas da beleza. Repito-me no que ela me reitera e sirvo de envelope. Meu corpo que começa pelos ouvidos é salvaguarda daquele mistério. Mas sou olhos também, e mãos e melhoramentos.

Lágrimas em estado de poesia...

A diva de fogo torna-se anjo. Outra porta se abre no centro do meu pensamento, frente a imagens irrealizadas, o desejo se instala e acordo do êxtase.

A mulher comanda minha memória. E de fogo para anjo ela agora é água. Ainda diva aludida no silêncio espectador dos tornados ouvintes. Grito por dentro tentando tocá-la mergulhando no mar revolto da sua voz. Hora da gravidade. O perigo que instiga. A palavra mais bem dita em um falante em cima do palco. Ouve-se sua respiração; seu diafragma venta para configurar sua condição. Através do vento abrindo águas: surge a sereia.

E ela dança. Meio samba ballet invenção. Dança como a calma que não tenho e me acalma o desatino. Quebro o silêncio berrando bravo! E choro em cerração buscando de novo o silêncio -  aquele que o  estar ente sereia imprime.

Outra porta, alguma dor, sereno, lua, búfalo, borboleta, estrela, ladeira, esconderijos... A diva como terra na rota da minha recepção.

Ninguém pisa, só escuta advindas do chão as cartas sonoras. Milhares de receptáculos marcados entre paixão e medo, e eu, novamente, envelope...

Tragado pela comoção, rezo pelo direito à felicidade, bato palmas, enxugo as lágrimas, abraço o amigo e saio, ora letárgico ora ligeiro, agradecido, em busca de outro tipo de embriaguez.  Ao som dos CD’s e DVD.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Memórias do Mar, o livro ( Segunda Chamada!)



Será lançado, das 18:30 às 21horas, dia 13/12/2013, no Quadrilátero da Biblioteca Central, Complexo Cultural dos Barris. E contará, em participação especial, com as vozes de Stella Maris, Claudia Cunha, Deia Ribeiro, ao violão de Zé Livera. E mais: Claudia Di Moura em récitas de três poemas. Uma produção de Maria Prado de Oliveira.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Busca

retirar do ar
raspar da superfície da rocha
encontrar na terra com as unhas
molhar-se nela a partir da chuva.

na dureza frutífera desta busca:

a POESIA.

domingo, 17 de novembro de 2013

A tal liberdade


Eu tenho escapado do deserto daqui
de tudo que é fala
tudo que é silêncio.

Me sobra a maneira
desajeitada desta fuga
desavisada por não saber de mim.

Outro dia limpei minhas mãos
e evitei os sonhos...

Outro dia me disse
versos insanos ao espelho
para ser segredo
e seguir sem identidade.

Rasguei a roupa limpa
e vesti a imunda,

sequei os olhos de sabores
ingênuos e inconclusos
para a medida do que
me é mais certo:
perder-me por aí
sem ter onde ir
seguindo os rastros 
da tal liberdade.

SSA, madrugada de 17/11/2013

terça-feira, 12 de novembro de 2013

7 Esquinas: Panoramas socioculturais nas Ciências Humanas



Livro interdisciplinar possibilita várias reflexões na área das Ciências Humanas

Com o intuito de fomentar algumas reflexões sobre temas  ligados  a humanidades, o livro 7 esquinas: panoramas socioculturais nas Ciências Humanas, organizado pelos professores Raphael Fontes Cloux e Izabel de Fátima Cruz Melo, será lançado no dia 19 de novembro de 2013, abrindo novas perspectivas analíticas alçadas à viabilidade de diálogos interdisciplinares.


7 Esquinas: Panoramas Socioculturais nas Ciências Humanas é o nome da mais recente publicação da editora baiana Kawo-Kabiyesile, organizado pelos professores Raphael Cloux e Izabel de Fátima Melo, que será lançado no dia 19 de novembro de 2013, às 19 horas, no Auditório da Fundação Visconde de Cairu, no bairro dos Barris.

O livro é uma exitosa reunião de artigos dispostos a reflexões diversas no cenário das Ciências Humanas. É composto por 7 artigos escritos por 8 jovens pesquisadores atuantes no ensino médio e universitário no estado da Bahia. Fruto de uma investida coletiva acolhida pela política editorial da Kawo-Kabiyesile, que tem Raphael Cloux como editor chefe, esta coletânea alinhou em seu corpus reflexivo artigos erguidos em ciências como a história, a antropologia, a sociologia, a psicologia, a geografia, além de flertes procedentes com o jornalismo.

O livro é aberto com o texto Um olhar antropológico sobre o sagrado em Maçalê, CD de Tiganá Santana: reinvenções da Fé, do antropólogo Marlon Marcos, é um ensaio sobre as possibilidades etnográficas na obra inaugural deste compositor baiano; é seguido pelo artigo: Estratégias de enfrentamento dos negros com deficiência frente à dupla estigmatização, do psicólogo Carlos Vinicius Gomes Melo, importante reflexão sobre a marginalização de indivíduos negros que possuem algum tipo de deficiência; outro artigo é Falando sobre o ‘vazio’: Circuito Cultural e cinema na Salvador dos anos de 1970, da historiadora Izabel de Fátima Melo, que discute os caminhos da cena cultural baiana a partir da cinemografia feita aqui naquela década; o 4º artigo é Escravos numa “história” escrita em cordel, da historiadora Marinélia Souza da Silva, e perfaz análises sobre a história de Riachão do Jacuípe, desde as atividades escravocratas, das propriedades assim instituídas, até a década de 1960. Um breve panorama das Políticas Públicas e atuações dos órgãos estatais na área de habitação na cidade do Salvador ( Bahia- Brasil) na década de 1960, é o artigo dos professores Liliane Ferreira Mariano da Silva e Raphael fontes Cloux, que constroem importantes reflexões sobre habitação e urbanidade na Salvador dos anos de 1960 sobre o crivo do Estado baiano. Lugares da memória, escravidão e tráfico atlântico no sul da Bahia, da professora Cristiane Batista da Silva Santos, um estudo de fôlego sobre o tráfico ilegal de escravos no sul da Bahia. O Conde de Óbidos, um vice-rei do século XVII: trajetória política, conflitos e governança na Índia ( 1652-1653) e no Brasil ( 1663-1667), do historiador Ricardo George Souza Santana, encerra esta coletânea analisando o período colonial brasileiro em suas artimanhas de poder a partir da trajetória administrativa de D. Vasco Mascarenhas, o conde de Óbidos.

É um livro indicado para fomentar debates inter-científicos e mobilizar ações educativas interdisciplinares transgredindo algumas noções de eixo e temporalidade que não cabem mais no nosso fazer acadêmico contemporâneo.

O livro será vendido no valor de 30 reais, e no dia do lançamento haverá um colóquio, com duração de 10 minutos por autor, para que cada um possa explanar sobre seus respectivos artigos.

SERVIÇO

Evento: Lançamento do livro 7 Esquinas: Panoramas Socioculturais nas Ciências Humanas – Editora Kawo-kabiyesile
Organizadores: Raphael Cloux e Izabel Melo
Local: Auditório da Fundação Visconde de Cairu
Endereço:  Rua do Salete, Barris, Centro
Dia : 19 de novembro de 2013, das 19 horas às 21:30
Preço sugerido do livro: 30 reais
Obs.: a entrada para o evento é gratuita

Contatos para entrevistas:
Raphael Cloux : 71 – 9232- 1051
Izabel Melo: 71 – 8762-1527
www.editorakawo.blogspot.com

Outras informações:

Marlon Marcos /  jornalista DRT–BA 2235:  71 8749-5595// 8107-4693

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Obrigado!


Às vezes, se pode, delicadamente, sonhar acordado...
A vida ilumina sob os desígnios de Deus...
E eu me ponho no colo da minha Mãe
Vestido em verde azul amor e vou
Todo agradecido numa voz que me orienta
E me ensina a ser em nome da beleza.

A voz,

Maria Bethânia,

motriz do Brasil que eu preciso...

Universo: muito obrigado!

domingo, 3 de novembro de 2013

Por que a senhora é assim?



Morrendo de amor à voz de Maria Bethânia

Saudades do que não houve



Manhã chuvosa de domingo sempre frio
Me trouxe a ausência que não me deixa
Me encerrou na dura certeza
Do tempo esgotando o sonho de amar.

Molhado nos cabelos e nos pés
Sem liberdade na imaginação
Pousei os olhos sobre o retrato
Carreguei a velha camisa no colo
Lembrando o sentido da eternidade.

Me despistei de mim
Para ter chance de sair
Enfrentar domingo e chuva
E cumprir a vida frente ao barulho
Do silencio desta ausência que não se aparta
E sempre anuncia o que eu já deveria ter esquecido.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

eu e você

um pouco de poesia pra mim
um muito pra você

alguns lugares pra ir
outro pra ficar

ver você sorrir
a me imaginar

beijo doce em você
no ritmo quente
do alvorecer

sem espera
sem pressa

eu e você
maiores que o mundo

e tão pequenininhos.




sábado, 26 de outubro de 2013

Chagall: outro planeta azul



Tão somente porque me acusam
E eu confesso meu deslumbramento.

Antevejo as formas
Plagio as cores
Cultuo o nome.

Mora o peixe em mim
Guiando-me ao Universo
Meus sonhos noturnos.

Confesso o efeito celebridade
Abarco pesadas paisagens
Para quando outro ser

Ser Chagall
Desvairadamente bobo
Surreal

Desenhado num escrito
De Clarice Lispector.

E eu,
Autor de muitos crimes
Contra o cerco literário

Sou-me criança voadora
Condenada
A outro planeta azul.

domingo, 20 de outubro de 2013

Estar vivo

Manteiga num pão francês bem quentinho,
café com leite acompanhando,
um poema de Pessoa
ou texto antropológico sobre candomblé...

Só isso aí
já me faz adorar e agradecer
estar vivo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vinicius, 100 anos!



Vinicius,


Toda vez que, quando criança, ouvia seu nome, quase sempre diziam que você era o poeta que amava as mulheres. Depois, adulto, com as mulheres que eu andava, e com alguns homens também, você era o poeta que objetificava as mulheres, as tornava coisas, como bibelôs.


Pensava na sua capacidade profunda e leve de falar de amor. No texto inteligível alcançando a todos sem perder a graça e a grandeza poéticas... Você sempre existiu pra mim. Acho que por conta disso de fazer canções e de ligar-se a tal da MPB, poderosa forma de educação e formação de opinião no Brasil a partir dos anos 60, você se tornou o mais querido e conhecido poeta brasileiro, mais querido que o segundo mais conhecido Carlos Drummond de Andrade.


Sua poesia me tomou pelas vias da minha força de gostar de amar. E a sua história me comovia: o homem dos bares, à luz do Rio de Janeiro, amante da Bahia, filho fluido de Oxalá, protegido de mãe Menininha e todo amor ao falar de amor.


Grande, muito grande mesmo, poeta de todos nós. Por inteiro. Sem precisar ser mais ninguém, a não ser: o boêmio Vinicius de Moraes.
Agora, 100 anos! E Itapoan na minha corrente marítima. A voz de Maria Bethânia a entoar as precisas palavras suas... Saudade do que mais amo, na voz dela, embalando Primavera, me fazendo sonhar.


Sua história de tantas glórias também foi muito doída. O fim para sempre. A candura alcoólica, o homem humano com asas de poeta.


E esta eternidade acesa no coração de um país: você é assim. A gente lhe pensa com o coração e lhe sente na voz entoando suas canções ou recitando seus poemas.


Este sábado está impregnado de sua mágica presença. Nada de sentenças sobre perfeição; muito menos considerações irregulares sobre a sua condição de poeta. A sua condição de poeta lhe tornou o melhor poeta entregue ao viver. E a gente lembra bebendo e chorando frente à maresia, num misto de medo e de coragem pelos temporais que nos chegam pelas rotas da memória sangrando.

Hoje é alegria porque sua eternidade está durando na ontologia dos brasileiros. Porque a palavra nos veste e nos deixa mais bonitos à brasileira Vinicius; esta forma, por vezes sem forma, a guardar nossos sonhos de beleza.


Quereria ter o fazimento.
Ancorar em baías desconhecidas
E aplacar memórias minhas com sal
Cerveja olhares tesão e sua poesia.
Ouvir frente ao mar suas canções
Sair talvez sem sair da Bahia.

Esteja conosco, poeta. Esta casa, que abriga mais de duzentos milhões, é sua. O Brasil é um pouco invenção sua também; e eu te abraço, mesmo confuso frente à morte, porque sei que nada nos é mais vivo do que o seu testemunho. Como Neruda, você poetinha nos confessou que amou e viveu. Apaixonadamente.


E não esqueceremos  você. 

domingo, 13 de outubro de 2013

Vinicius,



Saudades, poeta:

das letras e energia
da vontade depressa
amar

desta sua cara
álcool e doçura
tantos defeitos

da beleza palavras
da coragem
incompreendida

das fórmulas
em desajustes
o poema

as idas
as vindas
o adeus

saudade
da Bahia descrita
na sua voz

e do Rio
nem se fala
sua vida

do jeito
menino Olufã
aos pés de Menininha

da fonte
na canção Primavera
toda possível saudade

do testemunho
da entrega
poeta ultra verdadeiro

erros
perdão o coração
em brasa

da sua luz
e da sua escuridão
as marcas

da contradição
entre Bethânia
e Elis

whisky
cerveja
aruá

vinho
sobremesa
canções

da líquida fé
das vestes brancas
das tardes em Itapoan

mas
mais que tudo
da sua paixão.




sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Em busca

estou sob o risco de mim mesmo

para fora do dentro que não há

vivo de sede e de fome

por tudo que ainda posso encontrar.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

memórias profundas


À flor da pele
em saudades
que machucam.

Isso de mexer
em velhos baús
álbuns de fotografia

no dessentido
da bossa nova


é foda!

Do menino que não sai de mim



Ele me habita ora desabrigado ora me abrigando.
É a minha face mais eterna.
Louva os desertos naqueles olhos deles
Que só sabem espelhar o mar.

Triste e sereno
Escrevinha horizontes para si
E para os outros ele mesmo.

Seu sorriso é ferramenta
E testemunho;
Sempre soube pouco da vida
Mas inscreveu-se nas maneiras
Do amor.

Um menino d'alma
Uma criança d'água
Um infante do ar.

Entre tanta esperança
Nesse silêncio daqui,
Ele vibra e grita
Acordes dissonantes
Por onde afina-se
Com a cor do dia
Do lugar onde nasceu.

Um negro azul
Na tez que embranqueceu.

O castanho dos olhos
Fulgura sua graça à sedução,
É o mimo lançado
Para quem conquista o seu carinho.

Menino de muitas paradas
No trânsito dos sozinhos:
A multidão o persegue.

E ele segue com o rosto
Da fotografia escondida
Sorrindo com esta brincadeira
Nomeada viver...

Venta porque ar
Adequa-se porque água,
E no labirinto da sua dor
Acha o caminho da felicidade
Porque se fez livre
E eternamente menino.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Da consciência


Consciência minha: obrigado por saber onde dói em mim, onde tenho alívio e onde sou puro prazer. Obrigado por clarear minhas imperfeições e aprender com a dureza do necessário convívio. Obrigado por me confrontar com minha vaidade, certa arrogância, violência ora física ora verbal; obrigado por me fazer ver e, mais que tudo, por me deixar sentir.

Cansado dos semi-deuses espiritualistas ou dos super- humanos materialistas, quero a agência da pedra do vento da areia e escorrer sem os alongados discursos de quem teoriza ou da prática vazia de quem se esconde: ser, eu quero, mesmo que pesando sobre mim mesmo.

Lendo-me no Poema em Linha Reta, sendo eu o clamante daquela oração.