quinta-feira, 20 de março de 2014

À suavidade

Eu sempre busco suavidade, mesmo que marcado por um certo descontrole, é a delicadeza que me move. Ouço-me por fora de mim e, assim, posso saber do barulho que me machuca.

Não investigo. Sinto. Sigo. Falando além. Indo por vias litorâneas, vestido demais, mas protegido de menos. Meu medo não é escuridão, me serve como autocontrole. Às vezes, meu medo, me serve como inspiração. Daí, canto luzes e as apago também. Medo é palavra que pronuncio como golpe certeiro contra a minha arrogância. E tudo me é mais suave se alcanço o meu verdadeiro tamanho frente a este gigante que é a vida movimentando coisas e pessoas.

A sensação de que tudo está passando e eu girando dentro do sentido de muitas saudades que me foram quase... e paisagem há. Minha memória é gráfica e parece não me perder, fica fica fica, dura dura dura, até outro acontecer que se soma em imagens a esse excesso de lembranças que me domina.

Nado pelo ar das minhas perguntas irrespondíveis, sofreando a imaginação que barulha barulha barulha, impedindo a suavidade do instante que esculpo aqui.

A sensação do tempo passando. Faltam-me quase todas as respostas. E ainda tenho novas perguntas. Meus sonhos. Batuques na sala do meu querer. Falta vinho também. Olhos já não estão. Faz calor. Penso em chuva. Cartas valem. Música também. Escrevo a-r-t-e. E sumo.

Em que lugar deixei a coragem para livremente chorar?

Retomo: este texto é para a suavidade.

E ponto.


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