sábado, 8 de dezembro de 2012

Há 35 anos partia Clarice Lispector



 
 1977, em 09 de dezembro, na cidade do Rio de Janeiro, um dia antes de completar 57 anos, morria a escritora Clarice Lispector. Legado literário imensurável. Impressões profundas sobre a humanidade. Traços de um feminino que me acompanha, me fascina, me orienta, me comanda. Segredos revelados, ela, Clarice, foi e é a maior epifania artística da minha vida.
Eu sinto assim: “mas eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!”, e rezo desacreditando no impossível. Reluto a partir desta escritura marcada em sombras e luz, cheia de vida.
35 anos de ausência presente no âmago da cultura brasileira. Retrato pintando paredes, discursos teatrais, oralidade política, rezas noturnas, textos acadêmicos, lágrimas no cinema, poema divino, à espera do beijo, encontro com o amor, doença, morte, continuação... Um livro a traz assim: “Sentia o mundo palpitar docemente em seu peito, doía-lhe o corpo como se nele suportasse a feminilidade de todas as mulheres”. Para mim, como se suportasse a humanidade de todos os humanos.
Clarice nunca morreu. Vívida naquelas palavras que furam a alma da gente. Em lições de vida que não amainaram a sua dor. Ela, dona da solidão total. Morreu para a vida de mito e artista que só faz se eternizar. Mito maculado, mas arrolado entre a sofisticação e a ignorância que perfila o nosso país.
Canto contando as horas e sonhando como literatura. A que me faz escapar de mim e da solidão, me reflete não sendo eu no meu eu mais profundo. Toco nela no livro que agora abro e pergunto onde deixar a minha Macabea...  35 anos do que se foi como completude, a obra, mas tendo muito a dizer.
Ardo de saudade e loto-me do que desaprendo para permanecer na delicadeza que me deixa amar e querer assim... Clariceanamente,
Iemanjá e Sagitário.

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