segunda-feira, 15 de julho de 2013

Maria Prado de Oliveira ( Vovó Lulu)




A ternura me ocupou ao assistir a chegada de Vovó Lulu. Ela, imponente sabedoria, em seu diálogo com o Divino, escancarou verdades, transmutou paisagens internas e externas, assentou-se em clichês, hipervalorizou humanismos, desafiou a tristeza pelo riso, mas também fez doer.

Não sei de regras teatrais, e ali, com ela em cena, era o que não queria saber: regras. A moralidade esteve presente para amparar a noção de coletividade que nos ocupa. Gostei das resoluções cênicas, gostei da trilha musicalidade, do corpo de baile uno em duplos e metamorfoses de nós em você. Grande atriz.

Perguntei sobre mim na vida e chorei. De tristeza. De alegria. De gratidão. A poesia em sua mão sangrando Pessoa Cora Clarice... Eu em Clarice recebendo a beleza da sua ação artística, numa investida de paz, apesar da guerra textual ali assistida. Guerra pela paz, tal como meu Pai Oxoguian. Aquele escuro era tão branco, como seu Pai Oxolufã.

Foi uma noite lenta na minha ansiedade de tudo dar certo. E como dá certo o seu amor pela arte. Como sua voz retumba forte fazendo carinho. Como preciso é o seu movimento, mesmo que perfil cênico de conhecidos clichês. Você se repete para ser a sua razão de dizer o que quer. Nesse mote, me traz Maria Bethânia.

Foi uma noite de velocidade e minhas lágrimas me lavaram. Eu tenho que envelhecer tendo o frescor de Vovó Lulu, e tendo a coragem do diálogo real com Deus. Com Iemanjá.

Só posso lhe escrever em público. Como dosar tão bem talento e generosidade?

Vovó Lulu me empurrou para um final de semana amoroso. E do palco lindo do Xisto, com minha amiga Bel, saí sem saber o que fazer. Nossas conversas são ali. Suas lições estão em mim. E eu danço como Nietzsche entre a profunda loucura e a mais sensacional das levezas, voando a favor da sabedoria.

Talvez nem seja Nietzsche. Nem Deus também. Seja meu corpo de espectador e admirador vivendo 55 minutos de um espetáculo, tão simples, mas tão simples, que me calou e me fez chorar em reverência à vida.

Um comentário:

Maria Prado de Oliveira disse...

Marlon Marcos, daqui, em silêncios, em clichês, choro eu... Sob a tua interlocução com Vovó Lulu... Só podia ser olhar e texto de poeta!... Gratidão!