sábado, 29 de novembro de 2008

Os azuis de Jenner Augusto

Alagado Azul

Uma devida homenagem se cumpriu. Por quase quatro meses, a Sala de Arte Contemporânea (SAC), do Palacete das Artes Rodin Bahia, abrigou as mais representativas obras de Jenner Augusto, ilustríssimo pintor brasileiro, nascido em Sergipe, mas radicado em Salvador, homenageado por uma iniciativa de Murilo Ribeiro, outro expoente das artes plásticas no Brasil, que é o atual diretor do Palacete. Com a colaboração do governo do Estado, da Secretaria de Cultura e do Ipac, mais a curadoria impecável de Zeca Fernandes, neto do artista em questão, promoveu-se a vitoriosa mostra Da natureza em busca da cor.

O nobilíssimo espaço da SAC foi acrescido de beleza por 92 quadros que dão a exata dimensão do trabalho de Jenner e perfilam a sua força criadora em relação à combinação de cores e formas que garantem a elegante expressividade deste artista. O jovem museu é inclinado a espelhar as obras consolidadas em nosso tempo, em várias linguagens, a fim de promover processos educativos entre o público estudantil deste Estado, de dinamizar a noção e os valores em torno das artes plásticas, de cultivar o espírito investigativo e despertar, entre nós, a vontade de se divertir e aprender dentro das esferas museológicas.

Jenner Augusto, em sua cadência azulada, foi outro trunfo favorável à atração de públicos para o Palacete. Uma obra consagrada e validada nacional e internacionalmente, que arregimentou fãs da estatura de Jorge Amado, Érico Verissimo, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, dentre tantos outros; uma obra fazedora de denúncias contra as injustiças sociais, que nunca perdeu a leveza e fez poesia com as tristezas geradas por realidades erguidas da pobreza que cerca os nordestinos e todos os brasileiros.

Em uma trajetória de sucesso, Jenner Augusto coloriu o Brasil, sendo comparado a Candido Portinari, na época em que Jenner criou a chamada fase Retirantes do Nordeste e pintou a dura saga dos retirantes e sobreviventes desta região brasileira, indo ao encontro, do ponto de vista artístico, da literatura de Graciliano Ramos, fazendo com suas tintas uma intertextualidade com a escritura do mestre das letras de Alagoas, autor de Vidas Secas.

A obra de Jenner é uma extração poética das possibilidades de beleza que o azul traz. Mesmo aplicando-se a uma fenomenal combinação das cores que a natureza dá, o pintor é um fiel retratista do azul em suas variantes e emite mensagens que nos inclinam a olhar para o alto, a alcançar o céu, a ganhar o mar, especialmente o mar da Bahia, manancial do azul fremente no genial trabalho deste sergipano universal.

O Palacete das Artes prepara-se agora para abrigar a exposição Abraços na Arte: Brasil/Japão, em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa, que será de 11 de dezembro até 1º de março, e espera-se um público maior e mais diversificado, para fazer jus às lições artísticas deixadas por nosso Jenner Augusto.

(Publicado no Opinião do A Tarde em 29/11/2008)


4 comentários:

Morhot disse...

Tenho uma obra de Jenner de 1968 e gostaria de vendê-la.

POMPIDOU disse...

tenho uma obra de jenner Augusto e gostaria de vendê-la. Foi comprada em uma exposição em Vienna, em 1966

Enrique Düvelius disse...

tenho interesse em comprar obras de Jenner Augusto. Particular.

Victor Andrade disse...

Oi Enrique, tudo bom?
Tenho uma linda obra do Jenner e estou vendendo, voce tem interesse?

Lagoa do Abaeté - Bahia
Ano: 16-9-1985
Tamanho: 61 x 37 cm

Caso positivo, entre em contato comigo, pois te mando fotos.
e-mail: victor_and@hotmail.com

Um abraço. Victor