sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Das despedidas

Uma das vozes mais expressivas do mundo da canção adoeceu. E a possibilidade de perder o canto de alguém assim, é como perder um amigo, alguém de nossa intimidade,do nosso afeto, imprescindível à nossa continuidade. Setembro se foi com gosto de despedida. E doída. Cheirando falta. O olho preso no retrovisor. Nada está sendo muito fácil. E piora quando seres-luz deixam o planeta. Muita coisa à mercê do nada. Meus olhos tremeluzem à paisagem mais querida: um barco na beira-mar de um mar azulzinho, sol tropical, companhia mágica e Mercedes Sosa cantando...
Poetas inventam Pasárgadas; eu invento amor. Canso e invado outros. Por amor. Incremento essas despedidas numa linguagem sem afirmação - o mundo daqui numa cascata azulada de buscas infundadas e palavras de mim em mim, cansando... Amor - ah! quanto querer cabe em meu coração. Sosa cantando.Vácuos estes dias sem sono em som. Menor que agonia. Essa marca do enterro. Cor grafite negando meu rosa, meu verde; minha alegria. Djavan cantando.
Canso outros: não me convivam e nem me leiam. Amém.

2 comentários:

Carlos Barros disse...

"Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei..."

Não podemos ter de volta o ouro entregue.

Mercedes Sosa.
Gracias a la vida!

Ainda dá pra dizer!

Edu O. disse...

Um barco vendo o mar sem poder a ele retornar. que tristeza!!!!