quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Roça do Ventura: à espera do tombamento

A Roça do Ventura ( Foto do Jornal A Tarde)
por MARLON MARCOS

A cidade de Cachoeira da Bahia, uma das mais bonitas deste País, salvaguarda em si grande parte da memória e presença religiosa de origem africana. Em sua paisagem privilegiada, banhada pelo Rio Paraguaçu, existem templos de candomblé que são monumentos históricos inaugurais desta religião negra no Brasil.
Um dos mais antigos e importantes clama por seu tombamento e pede às autoridades responsáveis que se adiantem numa ação de reconstrução, restauração, preservação e dignificação física, já que a chamada Roça do Ventura, ou ilustremente, o Zogbodo Male Bogun Seja Unde, o modelar terreiro de nação jeje-mahi, é de suma importância para continuar uma tradição de ensinamentos seculares.
O pedido de tombamento foi encaminhado ao Iphan, à sua 7ª Superintendência Regional, na Bahia, aos cuidados de Carlos Amorim, em 20 de dezembro de 2008, em nome de dona Alaíde Augusta da Conceição, a veneranda vodunce Alaíde de Oyá.
Nos últimos meses, as matas daquela casa sofreram um incêndio que por pouco não devastou o templo; ainda assim, agravou as suas condições físicas e mais do que de laudos antropológicos e da caridade de qualquer espécie, aquela “roça dos voduns” conclama os preservadores instituídos neste Estado a resolverem uma questão socioantropológica de alta relevância para um povo, no caso o baiano, que tem nas religiões de matriz africana esteio civilizatório.
Esta luta está sendo empreendida por patrimônios humanos, nela estão os ogãs Boboso com 103 anos, e Bernardino com 101, além das vodunces Alda e Alaíde de Oyá, a primeira funciona como uma espécie de guardiã, até que se defina a escolha de uma nova gaiaku, o que seria a ialorixá para o povo de ketu.
Também à frente desta ação de resistência e movimento estão o historiador Marcus Alessandro, que é ogã desta casa, a vodunce Dinalva e a ekedy mais antiga, Romilda; os ogãs Buda e Vando também lutam e representam a renovação daquele candomblé.
Recebendo também apoio direto da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), na figura de Luiza Bairros, e dos cidadãos responsáveis pela preservação de nossa cultura, juntos pedimos: tombem o Seja Unde!
( Publicado no Opinião do A Tarde, em 14 de outubro de 2009 e no blog Jeito Baiano, de Jary Cardoso).

5 comentários:

Hugo Gonçalves disse...

Marlon, vc é um defensor da preservação dos patrimônios culturais da nossa terra.

Jadson Santos disse...

Olá!
Fiquei sabendo que a mata em volta no terreiro está sendo destruida, a fonte de Nañã já foi até soterrada.Tudo graças a um condominho que estão construindo por lá.

wanderly disse...

Presevar uma cultura tão valorosa,é preservar a memória de nossos antepassados, nosso legado,nossa cultura.Wanderly Morais,Ogã de Loko.

doté de tobossy disse...

ainda ha tempo de fazetmos algo,pois a roça de ventura na verdade e´um patrimonio nosso.doté de tobossy rj

De Kaiala disse...

ABAIXO ASSINADO RELACIONADO AO TOMBAMENTO DEFINITIVO DO ESPAÇO DA ROÇA DO VENTURA – TERREIRO ZÔGBODO MALÊ BOGUM SEJA HUNDÊ, DA ROÇA DE CIMA E DA CRIAÇÃO DA CASA DO SAMBA DE CACHOEIRA

Senhores (as),

Os indivíduos abaixo assinados vêm solicitar o tombamento definitivo da área da Roça de Cima e da Roça de Baixo, conhecida como Roça do Ventura (Fazenda Altamira), no município de Cachoeira, Bahia. Trata-se do conhecido Terreiro de Candomblé Jeje Marrim, datado de 1858, denominado TERREIRO ZÔGBODO MALÊ BOGUM SEJA HUNDÊ, que se encontra em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional- IPHAN. Tal área, além de ser propriedade da comunidade de santo Seja Hundê, guarda em seu solo vestígios materiais da ocupação passada, que remonta aos tempos imemoriais desta ocupação, verificada por arqueólogos da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que identificaram faianças finas inglesas que datam do século XIX, além de ser patrimônio imaterial que a comunidade de santo atribui significado, sendo inserida nos ritos religiosos contínua e sistematicamente desde a fundação do Candomblé até os dias atuais.
O Terreiro da Roça de Cima e da Roça de Baixo constituem um patrimônio cultural reconhecido pela sociedade, com tradições seculares, deste modo é de interesse público a sua conservação, preservação e salvaguarda através do cumprimento da legislação. Já foi iniciado o processo de tombamento deste bem cultural através do processo n° 01502.000147/2009-58, conforme os artigos 6° a 10° do Decreto - Lei n° 25, de 30 de Novembro de 1937 e o artigo 15°,Parágrafo único, portaria n°11de 11 de Setembro de 1936. A razão do tombamento da área é pelo seu elevado valor histórico e etnográfico, deste modo será inscrito nos livros de tombo histórico e arqueológico, etnográfico e paisagístico compreendendo o acervo histórico, etnográfico e paisagístico, correspondente ao conjunto de bens imóveis – o sítio natural e os elementos edificados ou de espécies arbóreas referenciais dos ritos Jejê (DOU-Seção 3, n°6,10 de Janeiro de 2011, pp.15-16).
Por meio deste, vimos solicitar o tombamento definitivo, bem como a preservação e a salvaguarda deste patrimônio cultural, além de reivindicar a criação da Casa do Samba do município de Cachoeira para cumprir com o programa de salvaguarda deste bem registrado como patrimônio cultural e imaterial.
Desta maneira, os indivíduos abaixo assinados vêm requerer o deferimento do pleito supracitado. Reiteramos a urgência do cumprimento da legislação em vigor, especialmente para o bom andamento do instrumento legal constitucional, haja visto, que o órgão responsável pelas políticas patrimoniais no Brasil, já ter iniciado o processo (n°01502.000147/2009-58), protocolado e autorizado (já publicado no Diário Oficial da União).
Cachoeira/BA, _10_de agosto de 2013


http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoAssinar.aspx?pi=Ventura