domingo, 4 de março de 2012

Tua



Era um dia para descansar. Calar inteiramente. Só ouvir. De perto, ouvir. Um poema pop, letra de música, canção semi-melosa e então, ouvir. Era. Balançar do carro no corpo pedindo toque, clamando presença. Ouvir as linhas do bilhete não escrito, numa madrugada qualquer. Era. O consolo do sorvete de ameixa, a boca representando. Sim. A língua imaginando. Sim. Seda sobre seda. Entre rosa e vermelho. Sim. Veloz voraz voz. Sim. Aquele canto e o peito sangrando. Falta de tiro. Janela fechada, porta lacrada... O carro balançando. Sim.

Um dia para desperdiçar em leituras sobre o amor romântico. Desejo e fuga. O corpo nu que não está. Amor romântico? Dia de longas caminhadas sobre a persistência de uma foto ainda bem molhada de suor, sêmen, lágrimas. Ouvindo aquele canto atrevessando a noite  num amplo desejo.

Tua: imagem e canção no retrovisor do meu peito.

Um comentário:

Carlos Barros disse...

Vontade de cantar esta canção e ter este texto como incidental.
Lindo e profundo!