
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Cachoeira - lugar da paixão!
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Sobre todas as coisas

Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado
desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
Ou será que o deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
(Edu Lobo e Chico Buarque)
Virgínia cantando Chico

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.
Chico Buarque

domingo, 26 de outubro de 2008
O ciúme

Clara e Gal
DVD - Omara Portuondo e Maria Bethânia

Ali o mundo é pura felicidade. O canto de matriz cubana, negro, inteiro, simples de uma senhora que canta sublimemente: Omara Portuondo. A serena presença da cantora que enche de beleza nossos olhos e de alegria nossos ouvidos. Um dos projetos fonográficos mais expressivos para a cultura no mundo dos últimos anos. Suave resgaste da nossa latinidade reinventada na América, mais por índios e negros. Música é perfume e não sai da memória: Lacho - maganetiza com a dramaticidade de avó de D. Omara, cantando pra Iemanjá Iyá Lodê, também Rainha de Cuba.
Do outro lado, ela, aos 62 anos cantando daquele jeito, longeva, cantora projetista, ativista cultural do Brasil que ela acredita e defende. Um marco da canção popular brasileira, soltando a voz com os ares de diva dos quais ela não abre mão. Reverente a D. Omara, tratando-a com a delicadeza merecida.Linda mulher. Aquela leveza de corpo num canto precioso de sereia nordestina - água e terra e seca e frescor- que abre nossos olhos para nós mesmos sem que evitemos os outros. Ela, D. Maria. A filha de D. Canô, que faz no DVD a interpretação definitiva de "O Ciúme", do mestre Caetano. Nessa canção ela se entrega atriz sem se perder da cantora - sob medida e linda. Que mulher linda é Maria Bethânia.
Duas imperdíveis. O Brasil, Cuba, a América, o mundo, agradecem.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Seu Pensamento
"A uma hora dessas
por onde estará seu pensamento
Terá os pés na terra
ou vento no cabelo?"
Estará o seu pensamento no sumidouro do espelho em que me vejo ouvindo essa canção? Estará próximo da dor que sinto por sentir e querer me perguntar tudo isso? Estará no cheiro do meu cabelo penteando-se sozinho e eu lembrando de quando você sabia do cheiro dele?Às oito e meia da manhã meu pensamento ouve a canção de Adriana e eu posto a minha saudade...
"A uma hora dessas
por onde andará seu pensamento
Dará voltas na Terra
ou no estacionamento?"
Estará no intervalo entre o que foi e o que deveria ter sido, e como poema vagabundo expressando um sentimento profundo, seu pensamento dá voltas em algum estacionamento e o meu estaciona em você.
"Onde longe Londres Lisboa
ou na minha cama?"
Seguramente - sua imagem entre meu pensamento e a palma da minha mão. Quiloa, Montevidéu, Cachoeira, Rio, Abeokutá... Golfinhos, horizontes, esperança, olhares, vontade em colibris... Aqui, da minha cama.
"A uma hora dessas
por onde vagará seu pensamento
Terá os pés na areia
em pleno apartamento?"
Caminhando, inusitadamente, sobre a fortuna material da minha presença em sua vida - as cartas estúpidas, as linhas, os mapas, as fitas... ? Ou estará na rota exata do esquecimento? Ou terá palavras guardadas para o nada de um futuro exterminado? Onde deslizará seu pensamento voltando-se para a escrita - quais os nomes dos motes, que verde-azulado te inspira? Aonde é seu apartamento nas minhas doze tentativas?
"A uma hora dessas
por onde passará seu pensamento
Por dentro da minha saia
ou pelo firmamento?"
Na correria das estradas dos objetivos... No desenho de equilibrio sem canções internas...Na desértica esfera da mão única da segurança? Na delícia da felicidade?
"Onde longe Leme Luanda
ou na minha cama?"
A distância do seu pensamento se desfaz no romantismo do meu... A paisagem desta cidade, o mar destes instantes, a cor castanha dos seus olhos, a poesia me lendo, releases à toa, nosso silêncio, a cor do som, São Paulo, Fernando Pessoa, Lisboa, Paris, Billie cantando, lembrança do Senhor do Bonfim, uma conta vermelha quebrada, a Legião Urbana, notas em um violão, píncaros da saudade escaldada, uma camisa branca, outra amarela, perfume na janela, a lua rodando, meu coração à entrega, um poema de Hilst na minha parede e tudo pode acontecer enquanto, agora, Calcanhotto lembra cantando: por onde vagará seu pensamento? Longe de mim.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sorte

Tudo de bom que você me fizer
Faz minha rima ficar mais rara
O que você faz me ajuda a cantar
Põe um sorriso na minha cara, meu amor
Você me dá sorte, meu amor
Você me dá sorte, meu amor
Você me dá sorte na vida!
Quando te vejo não saio do tom
Mas meu desejo já se repara
Me dá um beijo com tudo de bom
E acende a noite na Guanabara, meu amor
Você me dá sorte, meu amor
Você me dá sorte, meu amor
Você me dá sorte de cara!
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Singulares

segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Sobre a própria imagem
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Maré

quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Na minha redação

Marítimo

Depois de ter você

Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como essa?
Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Pra que servem as ruas?
Depois de ter você...
Adriana Calcanhotto
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Palco para todas as artes
Um Jenner Augusto
No Palacete das Artes

Centro de inspiração.
Colorido de flores e tintas.
Minha alma, meu coração.
Meu olhar de intenso azul-sorriso,
Músicas embalando a imaginação.
Projeções de filmes que vejo
Em crianças que brincam
Ali no pátio, no adro das canções.
Cenas de atores gestando-se
Na poesia que o teatro traz;
Pinturas e Alegorias,
Cortes de Eckenberger,
Traços de Jenner Augusto,
Sombras de Iberê,
Histórias de Tarsila do Amaral,
Costuras de Tarsila do Amaral,
Saudades de Tarsila do Amaral.
A negra pele dos filhos de Géa.
Contos de uma afirmação.
Na beleza vívida de um lugar
Veículo de artisticidade,
Morada das Musas,
Pouso de Afrodite , Atena e Clio,
Lugar em que tudo repousa no presente.
Nas páginas de um livro que leio
Tributo à memória da minha presença
Que flana,
Dos átimos do tempo que me suporta
Das serenas investidas,
Ilusória felicidade,
Do que nunca pode calar,
Posto que fica,
Eis-me ali, aqui, instantes do meu trabalho,
Exercício da minha vocação:
Palacete das Artes Rodin Bahia.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Meu melhor cantor

Tremeluz a imagem de MOTRIZ no inteiro de mim ouvindo Bethânia. Meus olhos na foto sua roubada. Minha memória azulada ouvindo sua voz de melhor cantor meu na sua canção que mais amo e que é da Sônia: Trem das Cores.
Tremeluz, e bem-vinda, a poesia das suas canções que ensolara este meu estar tão tacanho. Depois de vê-lo e ouvi-lo eu descanso em silêncio. E faço outra encenação.
Beira Mar

Na terra em que o mar não bate
Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão
Nasci numa onda verde
Na espuma me batizei
Vim trazido numa rede
Na areia me enterrarei
Na areia me enterrarei
Ou então nasci na palma
Palha da palma no chão
Tenho a alma de água clara
Meu braço espalhado em praia
Meu braço espalhado em praia
E o mar na palma da mão
No cais, na beira do cais
Senti meu primeiro amor
E num cais que era só cais
Somente mar ao redor
Somente mar ao redor
Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo o mundo exista
Ou melhor, é o mar do mundo
De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
E a Ilha de Itaparica
A Bahia é que é o cais
A praia, a beira, a espuma
E a Bahia só tem uma
Costa clara, litoral
Costa clara, litoral
É por isso que é o azul
Cor de minha devoção
Não qualquer azul, azul
De qualquer céu, qualquer dia
O azul de qualquer poesia
De samba tirado em vão
É o azul que a gente fita
No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração.
Caetano Veloso
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Atlântida

Reino perdido
De ouro e prata
Misteriosa cidade...
Atlântida!
Terra prometida
Dos semideuses
Das sereias douradas...
Eu sou o pescador
Que parte toda manhã
Em busca do tesouro
Perdido no fundo do mar...
Desde o Oiapoque
Até Nova York se sabe
Que o mundo é dos que sonham
Que toda lenda é pura verdade...
Golfinhos

terça-feira, 7 de outubro de 2008
Senhorzinho do mar e da guerra

sábado, 4 de outubro de 2008
Resposta ao tempo

Monstruosa Nana Caymmi
Batidas na porta da frente
é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado
ele ri
Ele zomba de quanto eu chorei
porque sabe passar e eu não sei
Num dia azul de verão
sinto vento
há folhas no meu coração
é o tempo
recordo um amor que eu perdi
ele ri
Diz que somos iguais se eu notei
pois não sabe ficar
e eu também não sei
E gira em volta de mim
sussurra que apaga os caminhos
que amores terminam no escuro sozinhos
Respondo que ele aprisiona,
eu liberto
Que ele adormece as paixões
e eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso,
ele não vai poder me esquecer .
(Aldir Blanc/Cristovão Bastos)
A reconstrução do professor

Todo mundo fala, todo mundo sabe: a educação é um dos meios mais importantes para o avanço da sociedade. Fiz o curso primário ouvindo isso. O ginasial, acreditando nisso. O secundário, publicizando isso. O curso superior me formando a favor disso. Já nos primeiros anos de prática de magistério, compreendi, com autoridade etnográfica, que politicamente a educação não era levada a sério no Brasil, que existiam dois sistemas educacionais brasileiros: um era o oficial, a escola pública pronta a formar mão-de-obra servil, disponível aos cargos de subserviência nas relações de trabalho, ou seja, a massa formada para a prática dos serviços braçais e de menores remunerações. O outro sistema, o privado, abrigava os educandos que ocupariam os cargos mais destacados e bem remunerados, os filhos da classe média brasileira, aprontando-os para ocupações de comando, para o exercício das atividades intelectuais.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Oxaguian - Senhor de mim

quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Marcelo Cerqueira - Vereador 43100 - Contra a homofobia
Ode ao Trevo
Falando banto no Brasil
