quarta-feira, 8 de julho de 2009

Por que tão sensível?

Ah, mundo tosco! Tanto desconforto para nada. Nada em pleno deserto. Figurações do obtuso. Nenhuma cena protagonista. Todo mundo imundo na normalidade difusa. Todos enquadrados na coragem violenta: violentar meramente o outro. Subjugar necessariamente. Postular óbitos indevidos. Maltratar. Vê sangrar o outro. Dinamitar sonhos. Infernizar. Quantos?
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Eu quero uma canção em mim. Guiando-me para dentro do que desejo ser. Fazendo-me ver sol à noite. Acordando-me, quando de verdade, para novos amanheceres. Parece que eu não estou aqui...Tudo retilíneo sem comportar sensibilidade. Não me quero em reproduções comportamentais de nenhuma espécie. Tenho direito de ser o avesso de mim mesmo e comunicar integridade nisso. Quantas manhãs turvas eu tenho que suportar. Turbulência demais desaba a gente. E eu grito isso. " Aonde tem gente neste mundo?". Quanto fedor e desejo exterminador. Há brilho e esperança em mim. Quero antes do fim, aclive!
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Nem beber eu tenho podido. Devo usar a saúde em quê? Em quem? Pessoa dizendo: "quem não quer sofrer que se isole". O mundo é um moinho que no tempo tritura depressa. Tenho sede. E destilo senti-mento. Um vasto e daninho caminho e eu nele sem direção. Nem o abismo sei onde fica. Mil perguntas me assolam e minimizam o desalento em mim." Vai e diz que eu chorei, que eu morri". " Quero ver de novo a luz do sol". Eu preciso saber o que é "o novo". E me ver rezando. Ver o dia movido pela fé na alegria e encontros gerando. Saborear morangos. Ter agridoce. Renascer.
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Receber em uma carta manuscrita: eu amo você. E dedilhar algumas páginas no silêncio apaziguador da profunda felicidade. O melhor mundo é uma temática feminina. Eu vou assim. Uma bermuda branca cobrindo uma cueca vermelha e uma camisa rosinha dizendo coisas a todos, longe do novo, dizeres tolos repetitivos banais padronizados e mecânicos. Minha roupa tão linda e limpa atentando contra mim? " Aonde tem gente neste mundo?". Que vente muito neste fim de tarde entre sol e chuva. Minha música é saudade. E eu vago assim.
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Uma voz feminina ao longe. Um canto. Mitos desfiando em minha consciência o ser de mim. Sons da selvageria salvadora. O começo de tudo. O antes do mundo e eu vendo como um sonho. Ares, mares, ventos. Eu de uma janela em profundo alcance. As perguntas em desgaste. O mito no ritual da minha auto-delação: a escrita. Tudo mais simples abrigando a vindoura civilização. Meus olhos, desde lá, aprendendo o deslumbramento. A voz me rasgando em sua cor vermelha. Eu no sentido indecifrável da paixão. A voz mito de uma natureza humana. Deusa. O canto. Eu chorando a pesada futura solidão. A missão da antevisão. Meu olhar de lindeza sobre o mundo me ensinando a fraquejar de emoção. Eu que me perco e me embriago em mim mesmo. Avante, sozinho, sem porquês. Límpido no que vejo e adoro. O peso da vida e luz clareando a visão. Minha boca suja, meu corpo à espera,tantos sonhos meus, minha pele azul, minha adoração incontida, lágrimas oceânicas, minha força, meu destino nesse meu eu de amor.
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Por que tão sensível?

Um comentário:

bentocasmurro disse...

Ufa! Sufocante e belo. Bjs, Xico.