domingo, 31 de maio de 2009
Eu e dona Quelé
Blues
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Algumas gotas de poesia

terça-feira, 26 de maio de 2009
Por um pouco de liberdade

domingo, 24 de maio de 2009
"Perder-se também é caminho"

Persisto nos livros que arrancam a solidão de mim. Continuo a gastar guardanapos com palavras e a entregar minha alma marcada de ternura e calma em nome do amor que me rasga neste tempo e eu envelhecendo já sonho com outra vida.
Acarinho-me neste meu estar perdido e sacralizo lições de uma literata. Sigo porque todo dia ocupam-me palavras sagradas que retiro de existências poéticas alheias. Elas , as palavras sagradas, não são bússola, são a água que me abastece contra o deserto que há mim.
Perder-se, como me diz Lispector, tem sido meu único caminho.
Motriz
Esta é uma das cenas mais bonitas de Pedrinha de Aruanda,naquela estação onde a cantora pegava o motriz para chegar à Cidade da Bahia, nossa Salvador. E dali, pungentemente, ela canta uma das suas interpretações mais memoráveis, despejando sua história de poesia intensamente sobre nós e das memórias dela surgem as nossas mais remotas e a arte ressignifica a vida; nossa vida na lindeza da canção Motriz, de Caetano Veloso, gravada por ela em Ciclo, de 1983.
Pequenos extratos do compósito imenso que traduz a beleza de Bethânia. No filme, tudo muito rápido, passa a ser lento porque nos acompanha e nos leva imaginar a força ouvida e vista naquele áudio-visual, conduzida pelo som do violão de Alem e da voz única de Maria Bethânia.
Para ilustrar, a letra genial de Caetano Veloso:
Traçado em luz.
Em tudo a voz de minha mãe...
E a minha voz dela...
E a tarde dói...
Que tarde que atravessa o corredor!
Que paz!
Que luz se(que) faz!
Que voz... que dor...
Que doce amargo cada vez que o vento traz
A nossa voz que chama,
Verde do canavial,
Verde do canavial.
Canavial.
E nós mãe:
Candeias, motriz!
Aquili que eu não fiz e tanto quis
É tudo o que eu não sei
Mas a voz diz
E que me faz,
E traz, capaz de ser feliz
Pelo Céu, pela terra
A tarde igual
Pelo sinal, pelo sinal
Nós mãe
E a penha - Matriz!
Motriz...
Motriz...
sábado, 23 de maio de 2009
Sem poupar coração/Nana Caymmi
Ela tinha que ter lançado um disco assim na rota do outono; num período de chuvas descontroladas; num momento das tórridas lembranças, da vontade de hibernar, aconchegar-se e daquelas crueis perguntas: eu existo pra quê?
No dia em que ouvi o disco, na primeira audição, sequei um litro de vinho do porto e pior, sozinho...Chorei bêbado até de manhã.Não tive ressaca e ela naquele canto não saiu de mim; sofri mais do que já sofro; senti o mundo sobre mim e como posso eu gostar tanto de Nana Caymmi?
O CD celebra memória e amores doídos. Marcado daquela respiração que divide música e interpreta na gente que a ouve a dor dilacerante de existir e de gostar. Um disco feito para lembrar do melhor e do pior que a paixão dá ou deu e seguir adorando a estupenda cantora que nos empurra ao abismo desta decisão: lembrar do que se deve esquecer.
Mas a gente quer e Nana permite e alimenta nosso masoquismo e eu bebo e ouço e choro e canto e vivo e me masturbo pensando com o corpo no que seria a festa de um retorno. Bebo e depois de tudo, bem bêbado, leio os poemas de Hilst dedicando -os ao nada que acelera minha memória.
Sem poupar coração em mim desabando água de chuva pesada: frio, muito frio. E a beleza intensa que a desesperança da cantora perfaz - sua voz de arrasamento: fuzila oprime escraviza aponta lembra marca sangra sonha lacrimeja balança pertuba e isso tudo é a poesia do desespero e basta.
Sem poupar coração saiu pela Som Livre, nada muito novo, mas tudo necessário para se aprender que o talento de Nana de Caymmi não exige mudanças, ela canta e a gente sofre e a beleza se instaura acima dos vestígios que restaram do que fomos antes da audição.
Dentro do mar tem rio/DVD

quinta-feira, 21 de maio de 2009
Um bolo, um pedido e amigos...

O ano é 2009. Minha natureza é água. Eu preciso de ar. Eu leio poesia. Amo o mistério. Reverbero emoção. Nem sei muito fazer silêncio. Amo o silêncio. Minha cama. Dezenas de CDs. Clarice me visita. A vista marítima de Salvador. Minha janela. Eu chorando. Meu sorriso é lindo. Amo flor e cor rosa. Amizade é amarela - aquece. Esse tal destino. Compasso da solidão. Tempo passou. Eu estou vivo. Insisto em ser uma minha composição. Estranho e torto. Eu. O risco da noite. Hoje é 21.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Um presente para mim
terça-feira, 19 de maio de 2009
Los Hermanos / Celebração

segunda-feira, 18 de maio de 2009
O delicado da vida
Palacete das Artes Rodin Bahia
O Palacete das Artes é geográfica e esteticamente um dos museus mais bonitos do Brasil, deverá abrigar, em regime de comodato, 62 peças de Auguste Rodin, numa data ainda a ser definida.
Em seu belo jardim, abriga quatro obras de Rodin compradas para a Bahia pelos governos anteriores. Nessa nova fase, o Palacete é um veículo de cultura, onde a própria história arquitetônica da sua principal construção, se faz uma atração à parte que atrai muitos espectadores.
sábado, 16 de maio de 2009
Fragmentos de uma coletiva (II)
Lá estava ele: o ídolo. Falante como sempre e eu duplamente atento. Feliz por vê-lo e impaciente com as leituras raciais dele em relação a negritude brasileira; sua insatisfação com a prática da negrada em desmitificar a figura de Izabel no episódio da Abolição e mais grave, sua não adesão a legítima política de cotas em muitas universidades brasileiras: " o movimento negro brasileiro quer ser americano; imitamos os americanos". Caetano é isso: importância desmedida para mudanças comportamentais neste País; luz estética realçando com sua arte nossas coisas mais bonitas mas, não tendo outras palavras, feroz polemista. Ele nunca está vazio e talvez seja este seu maior problema. Problema para ele mesmo. A coletiva foi para falar de música, do CD Zii Zie, shows e, descambamos em etnicidade, história da Abolição, em uma aula, um tanto truncada, sobre o Bembé de Santo Amaro da Purificação, sobre Princesa Izabel e sobre as discussões "atrasadas" das lideranças negras, intelectuais e políticas, no Brasil.
Ele mandou que eu ouvisse Lapa. Ouvi e adorei. Tem jeito não, com Caetano eu tenho um caso de amor indissolúvel. E olhe que eu tenho discordado muito dele, ultimamente.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Fragmentos de uma coletiva
Para mim é sempre válido ouvi-lo falar; claro que o prefiro cantando, mas mesmo discordando de muita coisa que ele diz, ele é, em mim, um acontecimento. Verve e inteligência. Veio a Salvador participar das comemorações dos 120 anos do Bembé de Santo Amaro e também dar uma coletiva, no bairro do Rio Vermelho, sobre seu novo disco e seu novo show que acontecerá na Concha Acústica, dia 05 de junho de 2009, às 19h. A coletiva trouxe o Caetano anti-cotas, cansado de algumas atitudes dos movimentos negros brasileiros e ativo e alegre em função dos shows que já faz em cima do CD Zii Zie. Volto a falar sobre este evento.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Pra rua me levar

Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você(2x)
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...
P.S: Algumas coisas passam; outras mais antigas se intensificam e nem a mais alta das sabedorias explicam o porquê. Quando é assim, recorro a voz dela para parar de pensar e só sentir, me emocionar e elaborar pensamentos que além de inteligentes sejam criativos e vívidos em dor e esperança e lembrar dos vestígios mais profundos que dão sentido a este cotidiano vagabundo que nós levamos. É nela. Artisticamente, rajadas de luz que despertam minha inspiração: Maria Bethânia, minha exata alegria e eu estou vivendo de saudades dela.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Filho dileto de Iemanjá
Ao alcance do cuidado
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Ouça depois me veja

sexta-feira, 8 de maio de 2009
Saudade

Museu Afro-Brasil: Sala Oyá-Iansã/Olga do Alaketu
Nessa minha última ida a São Paulo descobri novos mundos dentro do que em mim é muito conhecido: o candomblé. Perpetuado no Museu Afro Brasil sob a batuta genial de Emanoel Araújo. Este espaço, por si só, me foi um grande acontecimento. Museus dentro de um museu que traz como eixo a cultura afro-brasileira e espalha a beleza e a civilização nossas pautadas nestas origens africanas.
Lá encontrei uma sala em homenagem à dona Olga. Rainha do Alaketu - Iyalorixá de Emanoel, uma das mais emblemáticas matriarcas do candomblé brasileiro no século XX, filha de Oyá e Iroko, que perfilou em vida e ainda perfila depois de morta, a majestade da mulher negra de santo no universo cultural baiano.
Nesta mesma sala um surto de reverência e alegria: Oyá- Iansã, mãe das realizações minhas, impávida imagem que transborda a força que tanto necessito para caminhar. Oyá que me levou para Sampa em seus doces ventos e me trouxe debaixo de chuvas torrenciais, trovoadas e relâmpagos exprimindo a sua vontade de me ver voar e seguir novos caminhos. Oyá Ô!
Museu Afro Brasil: negramente lindo. Fruto da genialidade de Emanoel Araújo.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Sampa
Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
é que quando eu cheguei por aqui
eu nada entendi
da dura poesia concreta de tuas esquinas
da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente
não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho
e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
afasto o que não conheço
e quem vem de outro sonho feliz de cidade
aprende de pressa a chamar-te de realidade
porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
da força da grana que ergue e destrói coisas belas
da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Panaméricas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
mais possível novo quilombo de Zumbi
e os novos baianos passeiam na tua garoa
e novos baianos te podem curtir numa boa.
Maio Mar Marina
Ao sabor dos instantes com o olhar preso em delícias. Maio já chegou! E todo maio, na Bahia, é feito de azul e branco para mim. É feito de canções e vozes que me adormecem no cotidiano e fazem a memória dançar. É feito o dia 21 e eu recebendo um disco de Marina Lima e nele: Para um amor no Recife me fazer sangrar...
Maio me espraia no cheiro da maresia e eu me oferto inteiro à alegria de viver. É isso! Teria que ser. O sabor deste mês é o íntimo da palavra vida. Vívido sentido que me faz escutar Marina. Acontecimentos. Que me faz receber o agrado do Universo e me alimentar na esperança de encontrar afeto e criação, de melhorar a cada dia, e de nunca perder a capacidade de sentir... O prazer de amanhecer o amor dentro de mim. Sempre à luz do mistério.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Simone por Montenegro: Beauvoir e Fernanda

São Paulo em mim
