domingo, 24 de maio de 2009

"Perder-se também é caminho"


Minha vida e minhas palavras estão desencontradas. O caminho, como sempre, se me apresenta sem sentido mas, com coragem, eu sigo e vou além de mim. Vou em minhas releituras que trazem silêncio e sobrevivo assim: na dádiva da falta de qualquer barulho. Sigo perdido para evitar velhos pensamentos; faço muito esforço e sozinho tudo é mais difícil. O novo não chega. Como sou conservador e como ando lacônico e mentindo! Mentindo para me salvar: ter uma verdade inventada e que ela me ponha em pé de igualdade com a multidão que me é mais próxima.
Persisto nos livros que arrancam a solidão de mim. Continuo a gastar guardanapos com palavras e a entregar minha alma marcada de ternura e calma em nome do amor que me rasga neste tempo e eu envelhecendo já sonho com outra vida.
Acarinho-me neste meu estar perdido e sacralizo lições de uma literata. Sigo porque todo dia ocupam-me palavras sagradas que retiro de existências poéticas alheias. Elas , as palavras sagradas, não são bússola, são a água que me abastece contra o deserto que há mim.
Perder-se, como me diz Lispector, tem sido meu único caminho.

8 comentários:

karina rabinovitz disse...

é que caminho não é o que vende a propaganda, nem fazer o que seu mestre mandar.

e se perder e se desencontrar faz a gente escrever textos tão lindos quanto este.

obrigada por me fazer ler isso hoje!

karina rabinovitz disse...

lembrei disso:
"jurei mentiras e sigo sozinho. assumo os pecados. os ventos do norte não movem moinhos. e o que me resta é só um gemido. minha vida meus mortos, meus caminhos tortos..."

amor!

Sueli Borges disse...

perca-se sempre para continuar encontrando as palavras. Lindo!

Marlon Marcos disse...

Vcs, tão lindas, inteiras e poéticas...Roubo as palavras sagradas de vcs,viu?Amo vcs!!!

Lore disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lore disse...

Perder-se assim
Construindo um caminho além de mim

Seu texto é lindo, permite um encontro com nós mesmos. Um abr,

Lília Sentinger Manfroi disse...

Vou em minhas releituras que trazem silêncio e sobrevivo assim: na dádiva da falta de qualquer barulho.
Olá belo texto! Gostaria de saber a que te referes: na dádiva da falta de qualquer barulho.
abraços, Lília.

Lília Sentinger Manfroi disse...

Vou em minhas releituras que trazem silêncio e sobrevivo assim: na dádiva da falta de qualquer barulho.
Olá belo texto! Gostaria de saber a que te referes: na dádiva da falta de qualquer barulho.
abraços, Lília.