quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Gil reúne filhos em gravação de DVD "Bandadois"

Retirado do Terra Magazine( Portal Terra):


Claudio Leal e Thais Bilenky

O preto no branco, luzes no palco giratório. Gilberto Gil toca o violão, de costas para a plateia, cercado por câmeras, trilhos e gruas. O balé mecânico da segunda noite de gravação do DVD "BANDADOIS", no Teatro do Bradesco, em São Paulo. Sentado num banquinho, o compositor usa um terno escuro, camisa azul marinho, mas predomina em cena o contraste branco e preto, na filmagem dirigida pelo cineasta Andrucha Waddington.

- É a gravação do meu DVD, portanto podem se manifestar à vontade, uh, oh!... Vai ser um show muito suave...


Antes do início do espetáculo, o produtor musical Liminha simplificou para o músico baiano como seria o trabalho acústico: "É só voltar ao começo". "Começamos com o violão, no aconchego dos nossos lares", desdobra Gilberto Gil. A ser lançado no final de novembro, com distribuição da Warner Music, o DVD reunirá standards e inéditas.

Na plateia, o compositor e escritor Arnaldo Antunes, o jogador Raí, o publicitário Washington Olivetto, os cineastas Bruno Barreto e Fernando Meirelles. Nas coxias, zanza Flora, a esposa e produtora. Aquecido pelos refletores, Gil brinca:

- Na Bahia, nos auditórios e nas praças, o artista costuma perguntar: "Cadê você?". Aí respondem: "Ói eu aqui!" - diz, prevendo os gritos deslocados e tresloucados de fãs, sem excluir justamente o "Gil, tô aqui", dito por uma loira da segunda fileira.

Depois de interpretar "Flora", Gil inicia um encontro artístico-familiar, que amplia o tom de intimidade pretendido pelo show e, noutros planos, revive um diálogo musical iniciado com o filho Pedro Gil, morto precocemente aos 19 anos, em 1990, num acidente de carro.

- Ao longo dessa vida, há 67 anos vivendo-a, os amores, as companheiras, os filhos, oito deles, sete vivos, alguns no mesmo ofício que eu... Preta, Nara mais velha, Pedro também, esse que se foi... Agora Bem Gil com vocês... Venha Bem...

Juntos, violão desafiando violão, os dois tocam "Super-homem". Adiante, o caçula José Gil se incorporaria na hora de "Refavela", na condição de "banda três". "Banda dois" é o mais velho, Bem. "Banda um", claro, Gil, como se apresentou, numa pose à Januário de Luiz Gonzaga. Voz suave, mais repousada, o pai segue a cantar com os meninos e para as meninas.

- Dos oito filhos, cinco mulheres, Nara se casou, Preta, Isabel, há quatro semanas atrás casou a Maria. Enfim, o sonho dos pais antigos, de casar todas as filhas! - sorri. Maria me pediu: "Pai, faz uma música pro meu casamento". Eu fiz.

"Se forem hábeis e sábios e sãos/ Saberão ser amáveis e tempo terão/ Para fazer da vida a dois, dois chumaços de algodão"...

Da plateia, um homem emenda:
- Gil, faz uma pra mim!
- Me mande a data de seu casamento. Farei.

Há tempo para uma homenagem a Dorival Caymmi. Antes de interpretar "Saudade da Bahia", com Bem, o ex-ministro explica:

- A fonte, a grande fonte em que a gente vai beber a música tem muitas vertentes. E uma das primeiras fontes a brotar e a correr em meu coração foi Dorival Caymmi.

Gil procura animar o público paulista. O palco é largo, o banquinho e o violão estão afastados da plateia. Para cantar "Chiclete com banana", de Jackson do Pandeiro, o músico pede à voz presente participação.

"Pa para papá... Pa para papá...". Soa tímido. "Pa para papá... Pa para papá...". Melhor. "Pa para pa... Quero ver a grande confusão!".

Em tom carinhoso, Gil começa a resgatar...: "Em 1965, todos nós loucos éramos por ela", lembra. Elis Regina dava bola para um, dava bola para outro, para os veteranos e depois para mais jovens, segue Gil. "Fiz uma música que nunca gravei, ela gravou". "Resolvi cantá-la, aqui, hoje, e decidi chamar sua filha, Maria Rita". "Amor até o fim":

"Amor não tem que se acabar
Eu quero e sei que vou ficar
Até o fim eu vou te amar
Até que a vida em mim resolva se apagar".

-
Confira o final em:

http://www.terramagazine.terra.com.br/

Um comentário:

Carlos Barros disse...

"De onde é que vem o baião?
vem debaixo do barro do chão!"

Fiquei emocionado...