quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Romã na voz de Carlos Barros


Eu tenho ouvido uma canção na voz de Carlos Barros e tenho ficado entregue à sensação do desconhecido. É como se eu alcançasse o meu mais íntimo e tudo fosse mistério maior. Misto de tristeza profunda negada pela paz e beleza do canto masculino. Feminino, sei lá... Aquela leveza embalando tardes frente ao mar e o choro sem se saber por quê e quando tudo sem sol, a nítida alegria de que qualquer movimento amoroso me valeu a pena. Uma canção aquática numa voz feito barco me guiando para o melhor daqui - esses instantes disso chamado vida. Na duração da canção eu tenho a eternidade voltada para muitas imagens do nosso sobrehumano. Uma canção de amor. Tardes de uma história sem tempo: eu comigo mesmo me banhando, às 17 horas, ainda na quentura do sol e o mar mais que sedutor: "venha até mim". Seu chamado. Meu medo.
Eu ouço a canção naquela voz. Voz da tardinha que guarda a esperança. Canção da limpeza refrescante do amor chegando. Canção do nome Romã:
Roma, fruta do Ocidente
Romã, fruta de hoje e sempre
De aedos e cantores
Causadora de temores

Romã e seu ã de tão cedo
Traz um banho de luz adiante
Ah! Romã me diz teu segredo
E alma pro mar dos viajantes

Romã do pé de coisa natural
Passado da mulher, seu astral
Passado do mundo meu, raiz
Roma do Deus que ainda hoje diz

A clara mais poesia de alguém
de quem não ouço a voz
Romã diga bom dia
E abre no peito um sol feroz

Romã de crianças de cor
Roma de cor vermelha da guerra
Romã com o ã de ser do amor
Roma dos Ares quentes da terra
Ivan Farias / Pio Otávio / Carlos Barros

Um comentário:

Rhanna disse...

Nossa, marlon!

Sinto uma brisa em mim ao ouvir essa voz, essa melodia...